No rastro de uma medalha de prata conquistada aos 13 anos em Tóquio, Rayssa Leal tornou-se não apenas a mais jovem medalhista olímpica da história do Brasil, mas também o centro de uma lição silenciosa sobre proteção e pertencimento. Enquanto o país celebrava a 'Fadinha' do skate, uma advogada especializada em Direito Digital agiu nas sombras para garantir que o apelido — e tudo que ele carrega de valor e identidade — permanecesse nas mãos de quem o merecia. O gesto gratuito de Flavia Penido junto ao INPI revela que, no mundo moderno, a vitória no pódio é apenas o começo de uma disputa mais si
Advogada registra marca 'Fadinha' gratuitamente para proteger direitos de Rayssa Leal
Ela vai ter uma exposição e corre o risco de ter direitos violados
Por que uma advogada se preocuparia em registrar a marca de uma atleta que ela provavelmente não conhecia pessoalmente?
Penido viu um risco real. Rayssa tinha 13 anos, acabava de ganhar uma medalha olímpica, e seu apelido ainda não estava protegido. Qualquer pessoa poderia ter registrado "Fadinha" antes dela. A advogada compreendeu que isso era um problema que Rayssa e sua família provavelmente não tinham estrutura para resolver sozinhas.
Mas por que fazer de graça? Qual era o incentivo?
Penido deixou claro que não queria lucrar. Para ela, era uma forma de contribuir para a carreira de uma atleta jovem e, ao mesmo tempo, demonstrar a importância de estar atento a essas questões. Era um ato de solidariedade profissional.
Qual é o risco real se a marca não tivesse sido registrada?
Sem o registro, Rayssa não poderia impedir que outra pessoa registrasse "Fadinha" para skates. Isso significaria que ela não teria direito exclusivo de usar seu próprio apelido comercialmente. Qualquer empresa poderia vender produtos com a marca Fadinha, e Rayssa não teria como impedir.
Isso já aconteceu com outros atletas?
Sim, é um problema comum, especialmente com atletas jovens que ganham fama repentina. Muitos não têm orientação jurídica e acabam perdendo oportunidades comerciais ou tendo seus direitos violados por terceiros oportunistas.
O registro garante que Rayssa possa ganhar dinheiro com a marca?
Garante que ela tenha o direito exclusivo de usar e comercializar o apelido. Agora, se ela quiser vender produtos com a marca Fadinha, licenciar seu nome para empresas, ou criar uma linha de skates, ninguém pode fazer isso sem sua permissão.
E se Rayssa não quisesse comercializar nada? O registro ainda seria importante?
Sim. Porque protege ela contra exploração indevida. Mesmo que Rayssa nunca quisesse ganhar dinheiro com a marca, alguém poderia estar ganhando em seu lugar. O registro garante que essa decisão seja dela, não de oportunistas.
The Pulse
- Uma menina de 13 anos, negra, do Maranhão, acaba de ganhar uma medalha olímpica — e sua imagem se torna, de um momento para outro, um ativo comercial cobiçado.
- Sem qualquer proteção legal sobre o apelido 'Fadinha', qualquer oportunista poderia registrar a marca antes da própria atleta e impedi-la de comercializar sua própria identidade.
- A advogada Flavia Penido identificou a brecha horas após a conquista e formalizou o pedido de registro junto ao INPI, de forma gratuita e estratégica, voltado especificamente para skates e áreas correlatas.
- O registro garante que Rayssa e sua família detenham o direito exclusivo de usar o nome 'Fadinha' em atividades comerciais, blindando a atleta contra explorações indevidas.
- O episódio expõe uma lacuna estrutural no esporte brasileiro: jovens talentos que emergem para a fama raramente têm suporte jurídico para proteger sua imagem no momento em que mais precisam.
No rastro de uma medalha de prata conquistada aos 13 anos em Tóquio, Rayssa Leal tornou-se não apenas a mais jovem medalhista olímpica da história do Brasil, mas também o centro de uma lição silenciosa sobre proteção e pertencimento. Enquanto o país celebrava a 'Fadinha' do skate, uma advogada especializada em Direito Digital agiu nas sombras para garantir que o apelido — e tudo que ele carrega de valor e identidade — permanecesse nas mãos de quem o merecia. O gesto gratuito de Flavia Penido junto ao INPI revela que, no mundo moderno, a vitória no pódio é apenas o começo de uma disputa mais silenciosa: a da propriedade sobre si mesmo.
Rayssa Leal tinha 13 anos quando subiu ao pódio olímpico em Tóquio com uma medalha de prata no skate, tornando-se a atleta mais jovem a conquistar esse feito na história do Brasil. Mas enquanto o país ainda festejava, uma disputa silenciosa e invisível já estava prestes a começar — não nas pistas, mas nos cartórios.
Flavia Penido, advogada especializada em Direito Digital, percebeu que o apelido 'Fadinha' ainda não havia sido registrado como marca. Sem hesitar, ela formalizou o pedido junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, de forma completamente gratuita, cobrindo skates e áreas correlatas. Sua justificativa era direta: impedir que pessoas inescrupulosas se apropriassem do nome antes da própria atleta.
A lógica jurídica por trás do gesto é simples, mas suas consequências são profundas. Sem o registro, qualquer pessoa atuando no mesmo ramo poderia solicitar a marca e, legalmente, proibir Rayssa de comercializar seu próprio apelido. Para uma jovem com visibilidade repentina e um futuro cheio de oportunidades, essa vulnerabilidade seria um risco real e imediato.
Penido foi enfática ao destacar por que o caso de Rayssa merecia atenção especial: uma menina de 13 anos, negra, do Maranhão, que acabara de entrar para a história. O registro garante que ela — e sua família — possam explorar comercialmente o nome 'Fadinha' com segurança jurídica, sem que terceiros oportunistas se beneficiem de sua conquista.
Mais do que resolver um problema pontual, o episódio ilumina uma lacuna estrutural no esporte brasileiro. Atletas jovens que alcançam a fama de forma repentina raramente contam com orientação legal para proteger sua identidade e seus direitos comerciais. O gesto de Penido, simples na execução e generoso na intenção, serve como um lembrete de que conhecimento jurídico, quando colocado a serviço de quem precisa, pode ser tão valioso quanto qualquer medalha.
Rayssa Leal tinha 13 anos quando conquistou a medalha de prata no skate nas Olimpíadas de Tóquio, tornando-se a atleta mais jovem a alcançar um pódio olímpico na história do Brasil. Horas depois dessa vitória na madrugada de segunda-feira, seu apelido — Fadinha — já havia sido registrado como marca junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O gesto veio de Flavia Penido, uma advogada especializada em Direito Digital, que tomou a iniciativa de forma totalmente gratuita.
Penido percebeu que o apelido da skatista ainda não havia sido protegido legalmente e decidiu agir. Ela formalizou o pedido de registro junto ao INPI especificamente para skates e áreas correlatas, antecipando-se a possíveis problemas futuros. A advogada compreendeu que, sem essa proteção, qualquer pessoa poderia solicitar o registro da marca e impedir que a própria Rayssa comercializasse seu apelido — um risco real para uma atleta em ascensão que teria oportunidades de negócios ligadas à sua identidade.
Em sua justificativa ao cartório, Penido explicou que o objetivo era "evitar que pessoas inescrupulosas fizessem a solicitação do registro de marca relacionado a skates e correlatos". Ela deixou claro que não tinha qualquer intenção de lucrar com a medida. A advogada enxergava a ação como uma contribuição genuína à carreira da atleta e, simultaneamente, como uma forma de demonstrar a importância de estar atento a essas questões de proteção de direitos.
Em entrevista, Penido ressaltou por que essa proteção importava especialmente no caso de Rayssa. "Se você não tiver o registro da marca e outra pessoa que estiver no mesmo ramo fizer, você corre o risco de não poder comercializar", explicou. Ela apontou que era particularmente importante que a marca estivesse nas mãos da própria atleta, considerando seu histórico: uma menina de 13 anos, do Maranhão, negra, que havia acabado de ganhar uma medalha olímpica. Rayssa teria visibilidade e oportunidades comerciais à frente, e sem a proteção legal, seus direitos estariam vulneráveis.
O registro de marca é um instrumento jurídico que garante ao proprietário o direito exclusivo de usar aquele nome ou símbolo em seu ramo de atividade. No caso de Rayssa, isso significa que ela — ou sua família — poderá comercializar produtos, serviços e experiências ligados ao apelido Fadinha sem risco de que terceiros façam o mesmo. A ação de Penido, embora simples em sua execução, foi estratégica: antecipou um problema que muitos atletas jovens enfrentam quando ganham fama repentina e não têm estrutura legal para proteger sua imagem e marca pessoal.
O gesto também ilustra uma lacuna comum no mundo do esporte brasileiro. Atletas em ascensão, especialmente os mais jovens, frequentemente não têm orientação sobre como proteger seus direitos comerciais e sua identidade. Penido, ao agir gratuitamente, não apenas resolveu um problema imediato para Rayssa, mas também demonstrou a importância de que pessoas com conhecimento jurídico estejam atentas a essas oportunidades de contribuir. Para Rayssa Leal, o registro garante que seu apelido — e tudo que ele representa em termos de valor comercial — permanece sob seu controle enquanto ela constrói sua carreira no skate.
Notable Quotes
Se você não tiver o registro da marca e outra pessoa que estiver no mesmo ramo fizer, você corre o risco de não poder comercializar— Flavia Penido, advogada
É uma forma de contribuir pra carreira dela e também uma forma de mostrar que as pessoas precisam estar atentas a este tipo de coisas— Flavia Penido