Adidas processa marca australiana por uso de quatro listras em roupas

Há uma intenção de se aproveitar da nossa reputação
Advogado da Adidas argumenta que a White Fox usa campanhas com influenciadores para criar associação com a marca alemã.
Mark

Por que a Adidas está processando agora? A White Fox usa essas quatro listras há quanto tempo?

Mimi

A Adidas afirma que pediu para a White Fox parar ao longo de 2026, mas a empresa australiana rejeitou as solicitações. O processo foi apresentado em setembro. Quanto ao tempo, o advogado da Adidas disse que as quatro listras funcionam como identificação há meses.

Luke

Mas "meses" é vago. Não sabemos se é desde a fundação em 2013 ou se começou recentemente. Isso importa para a questão de negligência da Adidas.

Mark

A White Fox diz que é apenas decorativo. Isso é uma defesa convincente?

Mimi

Eles apontam que outras marcas de moda rápida como Shein e Princess Polly também usam quatro listras sem problemas. E o próprio slogan da Adidas enfatiza as três listras, não as quatro.

Luke

Verdade, mas a questão legal não é se é decorativo em abstrato — é se causa confusão no consumidor. A Adidas apresentou uma foto de uma influenciadora usando White Fox com Adidas. Isso é evidência de confusão potencial ou apenas marketing inteligente?

Mark

A Adidas venceu um caso parecido em 2013. Por que esse pode ser diferente?

Mimi

Porque em 2013 era sobre calçados, e o uso de listras nas laterais era considerado comum naquele produto. Aqui é roupa, e a defesa argumenta que não há a mesma prática consolidada.

Luke

Exato. O precedente não é automático. E a Adidas também perdeu para a Thom Browne recentemente, então seus registros de marca não são inquestionáveis.

Mark

Quanto dinheiro está em jogo?

Mimi

A White Fox faturou US$ 542 milhões no ano encerrado em junho de 2025. A Adidas pede que a empresa entregue os lucros obtidos com a venda das peças contestadas, mas não sabemos qual porcentagem das vendas vem das roupas com quatro listras.

Luke

Exatamente — não temos esse número. Pode ser uma fração pequena ou significativa. O julgamento em 2027 vai precisar estabelecer isso.

  • A Adidas acusa a White Fox de usar quatro listras não como decoração, mas como elemento de identificação de marca — uma distinção que pode definir o resultado do processo.
  • Campanhas da White Fox mostram suas peças combinadas com calçados da Adidas, o que a gigante alemã interpreta como uma tentativa deliberada de se apropriar de sua reputação junto aos consumidores.
  • A defesa rebate citando outras marcas de moda rápida que usam padrões similares sem enfrentar ações legais, e argumenta que o próprio slogan da Adidas reforça que ela é 'a marca das três listras' — tornando a diferença numérica um escudo.
  • Com receita de US$ 542 milhões e mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram, a White Fox não é uma marca frágil — e sua trajetória nas redes sociais torna o caso um símbolo das novas batalhas de identidade na moda digital.
  • O julgamento marcado para 2027 decidirá se quatro listras são uma violação ou apenas um traço decorativo — e o resultado pode redefinir os limites da proteção de marcas em toda a indústria têxtil.

No cruzamento entre identidade visual e liberdade criativa, a Adidas levou a marca australiana White Fox Boutique à Corte Federal da Austrália, alegando que quatro listras em roupas da concorrente imitam indevidamente seu símbolo registrado de três listras, protegido no país desde os anos 1950. A disputa, que aguarda julgamento em 2027, revela a tensão permanente entre gigantes consolidadas que defendem seus símbolos e marcas emergentes que reivindicam o direito ao ornamento como linguagem própria.

A Adidas acionou judicialmente a marca australiana White Fox Boutique em setembro de 2026, apresentando ação na Corte Federal da Austrália. A acusação central é que as quatro listras usadas em roupas da White Fox imitam indevidamente o símbolo de três listras da gigante alemã, protegido no país desde a década de 1950. Segundo a Adidas, durante meses a empresa solicitou que a White Fox interrompesse a comercialização das peças, mas as demandas foram ignoradas.

O advogado da Adidas, Patrick Flynn, argumentou que as quatro listras funcionam como elemento identificador da White Fox e que campanhas da marca australiana reforçam a confusão: em uma delas, uma influenciadora aparece usando roupas da White Fox combinadas com calçados da Adidas, sugerindo uma associação entre as duas empresas. A Adidas pede que a concorrente seja impedida de produzir as peças contestadas e que entregue os lucros obtidos com sua venda. A empresa já venceu um caso semelhante em 2013, contra a Pacific Brands, envolvendo calçados com quatro listras.

A White Fox nega as acusações. Seu advogado, Ed Heerey, sustenta que as listras têm função puramente decorativa e citou outras marcas de moda rápida — como Princess Polly, Glassons e Shein — que utilizam padrões similares sem enfrentar processos. Heerey também destacou que o próprio slogan da Adidas enfatiza as três listras, sugerindo que a diferença numérica é suficiente para evitar confusão. A defesa ainda aponta que o precedente de 2013 envolveu calçados, contexto diferente do vestuário em questão.

Fundada em Sydney em 2013, a White Fox cresceu rapidamente entre jovens consumidores na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido, impulsionada pelas redes sociais. Com mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram e receita de US$ 542 milhões no ano encerrado em junho de 2025, a empresa não é uma adversária menor. O juiz Ian Jackman marcou o julgamento para o início de 2027 — quando a corte decidirá se quatro listras constituem violação de marca ou apenas um ornamento comum na indústria da moda.

A Adidas levou a marca australiana White Fox Boutique aos tribunais em setembro, acusando-a de vender roupas com quatro listras que, segundo a gigante alemã, imitam de forma indevida seu símbolo registrado de três listras. A ação foi apresentada na Corte Federal da Austrália em 18 de setembro, e a primeira audiência ocorreu em Sydney na sexta-feira anterior ao anúncio público. Durante meses de 2026, a Adidas afirma ter solicitado que a White Fox interrompesse a comercialização das peças, mas as demandas foram rejeitadas.

O advogado da Adidas, Patrick Flynn, argumentou que as quatro listras funcionam como elemento de identificação dos produtos da White Fox há meses. Além disso, a empresa alemã questiona como as peças são promovidas. Campanhas da White Fox mostram roupas da marca ao lado de produtos originais da Adidas, o que, segundo a gigante, pode levar consumidores a acreditar que existe alguma relação entre as duas empresas. Flynn apresentou durante a audiência uma fotografia de uma campanha em que uma influenciadora aparece usando roupas da White Fox combinadas com calçados da Adidas. O advogado afirmou que há uma intenção clara de se aproveitar da reputação da Adidas.

A Adidas sustenta que, além da violação de marca registrada, a White Fox estaria criando uma associação indevida na mente dos consumidores. A empresa pede que a concorrente seja impedida de produzir roupas com as quatro listras e que entregue os lucros obtidos com a venda dos produtos contestados. A marca alemã possui registro de proteção relacionado ao desenho de três listras na Austrália desde a década de 1950, e já venceu um processo semelhante em 2013 contra a Pacific Brands por calçados com quatro listras.

A White Fox nega as acusações. Seu advogado, Ed Heerey, argumentou que as quatro listras têm função meramente decorativa e não constituem uma tentativa de identificar a marca. A defesa também citou outras empresas de moda rápida, como Princess Polly, Glassons e Shein, que utilizam desenhos com quatro listras em algumas peças sem enfrentar questões legais. Heerey destacou que o próprio slogan da Adidas é que ela é a marca das três listras, com ênfase nas três, sugerindo que a diferença numérica é suficiente para evitar confusão.

A defesa pretende questionar se o desenho de quatro listras utilizado pela White Fox é realmente semelhante a ponto de induzir consumidores ao erro. Heerey também apontou uma diferença importante em relação ao processo de 2013: naquele caso envolvendo calçados, o uso de marcas nas laterais dos produtos foi considerado comum, enquanto, segundo ele, não haveria a mesma prática consolidada em roupas. Essa distinção pode ser central para a defesa.

A White Fox, fundada em Sydney em 2013, ganhou espaço rápido entre consumidores jovens na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido, impulsionada principalmente pelas redes sociais e pelo marketing com influenciadores. A empresa tem mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram e registrou receita de US$ 542 milhões no ano encerrado em junho de 2025. A Adidas, por sua vez, registrou receita recorde de US$ 39,9 bilhões em 2025 e mantém uma longa disputa internacional para proteger o desenho de suas três listras.

Nos últimos anos, porém, a Adidas também sofreu derrotas em processos contra a grife de luxo Thom Browne nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha, mostrando que a proteção de sua marca não é absoluta. O juiz Ian Jackman marcou o julgamento do caso para o início de 2027, quando a corte decidirá se as quatro listras da White Fox constituem violação de marca registrada ou se, como argumenta a defesa, trata-se apenas de um elemento decorativo comum na indústria de moda.

Há uma intenção de se aproveitar da nossa reputação
— Patrick Flynn, advogado da Adidas
Obviamente, a Adidas tem uma reputação. O próprio slogan da empresa é que ela é a marca das três listras. Ênfase nas três
— Ed Heerey, advogado da White Fox
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