Ações da SpaceX caem abaixo do preço do IPO pela primeira vez

O entusiasmo de Wall Street pode esfriar rapidamente
A SpaceX caiu abaixo do preço de IPO um mês após o maior lançamento de ações da história.
Mark

Por que uma queda tão pequena — de US$135 para US$134,84 — importa tanto para uma empresa avaliada em trilhões?

Mimi

Porque é simbólica. Não é sobre os centavos; é sobre o fato de que, pela primeira vez desde o IPO, alguém que comprou no primeiro dia está em papel vermelho. Quebra a narrativa de sucesso inabalável.

Mark

Os investidores estão vendendo porque acreditam que a empresa não vale o preço, ou porque simplesmente querem ganhar dinheiro rápido?

Mimi

Provavelmente os dois. Há realização de lucros — pessoas que ganharam muito em um mês e querem sair. Mas também há uma reavaliação genuína. A empresa perdeu US$4,9 bilhões no ano passado. Ninguém sabe se os projetos dela funcionarão.

Mark

A SpaceX levantou US$25 bilhões em dívida. Isso é preocupante?

Mimi

É um sinal de que a empresa precisa de muito dinheiro para fazer o que promete. E se os juros subirem, fica mais caro carregar essa dívida. Wall Street está nervosa com isso em todo o setor de tecnologia.

Mark

O que pode salvar as ações?

Mimi

Dois catalisadores principais. Primeiro, o resultado trimestral em agosto — se mostrar que a empresa está gerando receita real, não apenas queimando caixa. Segundo, o sucesso do 13º voo de teste da Starship. Se o foguete funcionar bem, muda a conversa.

Mark

E se nenhum dos dois acontecer?

Mimi

Então a pressão continua. Quando expira o lock-up em agosto, funcionários e acionistas antigos podem vender. Isso pode derrubar o preço ainda mais. A SpaceX pode virar um exemplo de como até a empresa mais ousada do mundo pode ter uma avaliação insustentável.

  • As ações da SpaceX tocaram US$134,84 nesta quarta-feira, quebrando pela primeira vez o piso simbólico do preço de IPO e apagando ganhos de quem entrou no primeiro dia.
  • A euforia que chegou a elevar a empresa acima de Microsoft e Amazon evaporou em semanas, arrastando o valor de mercado de US$2,6 trilhões para US$1,75 trilhão.
  • Investidores enfrentam um balanço desconfortável: prejuízo de US$4,9 bilhões no ano passado, dívida de US$25 bilhões e retornos futuros ainda amplamente incertos.
  • A expiração do lock-up após o primeiro resultado trimestral em agosto pode liberar uma nova onda de vendas por funcionários e acionistas antigos, aumentando a pressão sobre os papéis.
  • O 13º voo de teste da Starship surge como o próximo catalisador concreto — um sucesso poderia reacender a narrativa de crescimento; um fracasso, aprofundar as dúvidas sobre o valuation.

Pouco mais de um mês após o maior IPO da história, as ações da SpaceX cruzaram pela primeira vez abaixo do preço de lançamento de US$135 — um momento que Wall Street conhece bem: o entusiasmo inicial cede lugar à sobriedade dos fundamentos. A queda de uma avaliação de US$2,6 trilhões para cerca de US$1,75 trilhão em poucas semanas não apaga as ambições da empresa, mas lembra que nem mesmo os projetos mais grandiosos escapam da gravidade dos mercados.

Pouco mais de um mês depois de realizar o maior IPO da história, as ações da SpaceX caíram abaixo do preço de oferta de US$135 pela primeira vez, negociando a US$134,84 nesta quarta-feira. No mês anterior, a euforia havia levado a avaliação da empresa a superar brevemente gigantes como Microsoft e Amazon, chegando a mais de US$2,6 trilhões. Nesta quarta, o valor de mercado havia recuado para cerca de US$1,75 trilhão.

Justus Parmar, presidente-executivo da Fortuna Investments, uma das investidoras da companhia, apontou que muitos acionistas estão buscando realizar liquidez após o entusiasmo inicial. A pressão também reflete preocupações mais amplas: os elevados gastos em inteligência artificial financiados por dívida e o risco de que aumentos de juros do Federal Reserve prejudiquem avaliações já inflacionadas no setor de tecnologia. A SpaceX levantou US$25 bilhões no mercado de títulos para financiar sua infraestrutura — um movimento cujos retornos futuros permanecem amplamente debatidos.

Daniela Hathorn, analista da Capital.com, descreveu o recuo como resultado de realização de lucros, reavaliação de valuation e desmonte de posições otimistas. Os críticos reforçam que a avaliação estava excessiva, especialmente diante do prejuízo de US$4,9 bilhões registrado no ano passado. Desde sua inclusão no Nasdaq 100, os papéis acumulam desvalorização de cerca de 13%.

Os próximos meses trarão testes decisivos: o primeiro resultado trimestral está previsto para agosto, seguido da expiração do lock-up do IPO — evento que pode adicionar mais pressão com a entrada de novos vendedores. O mercado também acompanha o 13º voo de teste da Starship, considerado essencial para reduzir custos e viabilizar projetos como centros de dados em órbita. Parmar pediu perspectiva: 'Estamos apenas cerca de 30 dias dentro desse experimento. O principal é que Elon conseguiu os US$85 bilhões de que precisava. Levará muitos anos para entendermos plenamente os resultados disso.'

Pouco mais de um mês depois de realizar o maior IPO da história, as ações da SpaceX caíram abaixo do preço de oferta pela primeira vez nesta quarta-feira. Os papéis negociavam a US$134,84 — ligeiramente abaixo do preço de lançamento de US$135 — marcando um ponto de virada para os investidores que entraram na empresa no primeiro dia. No mês anterior, a euforia havia levado a valorização da SpaceX a superar brevemente a de gigantes consolidados como Microsoft e Amazon, e a avaliação da empresa havia atingido mais de US$2,6 trilhões. Nesta quarta, o valor de mercado havia recuado para cerca de US$1,75 trilhão.

O movimento reflete uma realidade conhecida em Wall Street: o entusiasmo pode esfriar rapidamente, mesmo para uma empresa com as ambições grandiosas da SpaceX e o apoio de Elon Musk. Justus Parmar, presidente-executivo da Fortuna Investments, uma das investidoras da companhia, apontou que muitos acionistas estão buscando realizar liquidez após a euforia inicial. "Provavelmente estamos começando a ver isso agora e deveremos ver mais desse movimento ao longo do ano", afirmou. A pressão sobre os papéis também reflete preocupações mais amplas: os elevados gastos em inteligência artificial financiados por dívida e o risco de que aumentos de juros do Federal Reserve prejudiquem avaliações já inflacionadas no setor de tecnologia.

A SpaceX levantou US$25 bilhões no mercado de títulos para financiar sua infraestrutura tecnológica de alto custo — um movimento que se tornou comum entre gigantes de tecnologia, mas cujos retornos futuros permanecem amplamente debatidos. Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com, descreveu o recuo das ações como resultado de "uma combinação de realização de lucros, reavaliação de valuation e desmonte de posições extremamente otimistas após uma das aberturas de capital mais aguardadas dos últimos anos". A queda também fortalece argumentos de críticos que sustentam que a avaliação estava excessivamente elevada — especialmente considerando que a empresa registrou prejuízo de US$4,9 bilhões no ano passado e que muitas de suas iniciativas ainda não foram testadas.

Não é incomum que uma ação caia abaixo do preço de IPO, particularmente em períodos de turbulência nos mercados. Ainda assim, o recuo da SpaceX carrega peso simbólico. Steve Sosnick, estrategista-chefe de mercado da Interactive Brokers, observou que "recentemente não houve nada que lembrasse os investidores dos catalisadores que os levaram a comprar ações da SpaceX". Desde sua inclusão no Nasdaq 100, um índice de forte peso tecnológico, os papéis acumulam desvalorização de cerca de 13%.

Os próximos meses trarão testes importantes. Analistas esperam que o primeiro resultado trimestral da empresa seja divulgado na primeira semana de agosto. Após essa divulgação, expira a primeira fase do período de lock-up do IPO, permitindo que funcionários elegíveis e alguns acionistas antigos comecem a vender suas participações — um evento que pode adicionar mais pressão sobre a ação. O mercado também acompanha atentamente o 13º voo de teste da Starship, já que o sucesso do desenvolvimento do foguete é considerado essencial para reduzir custos de lançamento e viabilizar projetos ambiciosos como centros de dados em órbita e missões lunares.

Parmar, porém, pediu perspectiva. "Estamos apenas cerca de 30 dias dentro desse experimento; ainda é muito cedo", disse. "O principal é que Elon conseguiu os US$85 bilhões de que precisava para levar a SpaceX ao próximo estágio de crescimento. Levará muitos anos para entendermos plenamente os resultados disso." A questão agora é se os investidores terão paciência para esperar.

Muitas pessoas estão posicionadas na ação e parte delas quer realizar liquidez, exercendo forte pressão sobre o papel
— Justus Parmar, presidente-executivo da Fortuna Investments
O principal é que Elon conseguiu os US$85 bilhões de que precisava para levar a SpaceX ao próximo estágio de crescimento. Levará muitos anos para entendermos plenamente os resultados disso
— Justus Parmar
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