75% dos brasileiros acreditam que STF tem poder demais, aponta Datafolha

Três em cada quatro brasileiros veem poder demais, mas sete em cada dez o consideram essencial
A pesquisa Datafolha revela uma ambiguidade central na percepção pública do Supremo Tribunal Federal.
Mark

Como é possível que 75% digam que o STF tem poder demais e, ao mesmo tempo, 71% afirmem que é essencial para a democracia? Isso não é contraditório?

Mimi

Não necessariamente. As pessoas podem reconhecer que uma instituição é importante e, ainda assim, achar que ela acumulou mais autoridade do que deveria ter. É como dizer que algo é necessário mas está desbalanceado.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. A pesquisa não perguntou o que as pessoas entendem por "poder demais". Poder em relação a quê? Ao Executivo? Ao Legislativo? Ao sistema bancário? A resposta muda tudo.

Mark

E quanto ao Caso Master? 55% acreditam que os ministros têm envolvimento. Mas isso é baseado em quê? Em fatos confirmados ou em suspeitas?

Mimi

A pesquisa deixa claro que são suspeitas. O contrato de 129 milhões com o escritório da mulher de Moraes existe. As conversas no celular de Vorcaro existem. Mas o envolvimento direto em fraude — isso ainda está sendo investigado.

Luke

Exatamente. E aqui está o problema: 70% dos entrevistados ouviram falar do caso, mas quantos realmente entendem os detalhes? A pesquisa não nos diz se as pessoas que acreditam no envolvimento conhecem os fatos específicos ou se estão respondendo a partir de uma impressão geral.

Mark

A divisão entre eleitores de Bolsonaro e Lula é enorme — 88% versus 64% sobre poder demais. Isso reflete desconfiança real ou apenas lealdade política?

Mimi

Provavelmente ambas as coisas. Bolsonaro enfrentou decisões do STF que seus apoiadores viram como perseguição. Lula teve apoio de ministros em momentos críticos. A história recente moldou como cada grupo vê a instituição.

Luke

Mas a pesquisa não nos permite separar essas duas coisas. Não sabemos se um eleitor de Bolsonaro acha que o STF tem poder demais porque realmente acredita nisso ou porque o STF usou esse poder contra seu candidato. São motivações diferentes.

  • Três em cada quatro brasileiros acreditam que o STF concentra poder demais, uma percepção que atravessa espectros políticos, mas é mais intensa entre eleitores de Bolsonaro (88%) do que entre os de Lula (64%).
  • Paradoxalmente, 71% dos mesmos entrevistados afirmam que a Corte é essencial para a manutenção da democracia, revelando uma ambiguidade que desafia qualquer leitura simplista sobre a relação dos brasileiros com o tribunal.
  • O Caso Master amplifica a crise: 70% dos entrevistados já ouviram falar das suspeitas de fraudes bancárias envolvendo ministros, e 55% desses acreditam no envolvimento real de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli nas irregularidades.
  • Toffoli se afastou da relatoria do caso após revelações sobre sua sociedade em um resort adquirido por fundo ligado ao Banco Master, investigado pela Polícia Federal por operar fora das regras bancárias.
  • A divisão entre bolsonaristas e lulistas permanece o marcador central de como cada grupo interpreta tanto o papel institucional do STF quanto as acusações que cercam seus ministros.

Em um país onde a confiança nas instituições é constantemente testada, uma pesquisa do Datafolha revela que três em cada quatro brasileiros enxergam o Supremo Tribunal Federal como detentor de poder excessivo — ao mesmo tempo em que sete em cada dez reconhecem sua necessidade para a democracia. Essa contradição, registrada em abril de 2026, não é uma falha lógica, mas um retrato fiel de sociedades que dependem das mesmas instituições que temem. A polarização política aprofunda essa tensão, tornando o STF simultaneamente símbolo de proteção e alvo de desconfiança.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada em 13 de abril de 2026, com 2.004 entrevistados em 137 municípios, registrou uma contradição reveladora sobre a percepção pública do Supremo Tribunal Federal: 75% dos brasileiros consideram que a Corte tem poder demais, mas 71% afirmam que ela é essencial para a democracia. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O recorte político expõe a polarização que molda essa avaliação. Entre eleitores de Bolsonaro, 88% veem o STF como excessivamente poderoso; entre apoiadores de Lula, esse número cai para 64%. Já na questão sobre a importância democrática da instituição, 84% dos lulistas a consideram essencial, contra 60% dos bolsonaristas. A diferença de percepções revela menos sobre o tribunal em si e mais sobre como cada campo político o instrumentaliza simbolicamente.

A ambiguidade — rejeitar o poder concentrado e ao mesmo tempo reconhecer a necessidade da instituição — sugere que os brasileiros navegam entre dois temores simultâneos: o de uma corte com autoridade excessiva e o de um país sem freios institucionais.

O levantamento também mediu o impacto do Caso Master, escândalo que envolve suspeitas de fraudes no Banco Master e possíveis ligações com ministros da Corte. Setenta por cento dos entrevistados afirmaram conhecer as suspeitas, e 55% desses acreditam no envolvimento real dos ministros. Alexandre de Moraes é apontado por investigações que indicam comunicação com o ex-dono do banco no dia de sua prisão — algo que o ministro nega. O escritório da esposa de Moraes mantinha contrato de 129 milhões de reais com o Master ao longo de três anos.

Dias Toffoli se afastou da relatoria do caso após a revelação de que é sócio de um resort adquirido por fundo vinculado ao banco investigado pela Polícia Federal. O conjunto de suspeitas pressiona a credibilidade do STF em um momento em que a confiança pública já enfrenta desgaste estrutural.

Três em cada quatro brasileiros acreditam que o Supremo Tribunal Federal concentra poder demais. Essa é a conclusão de uma pesquisa do Datafolha divulgada na segunda-feira, 13 de abril, que ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

O dado revela uma percepção generalizada sobre a instituição, mas com nuances importantes quando se observa o recorte político. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 88% concordam que o STF tem poder excessivo. Entre apoiadores do presidente Lula, esse número cai para 64%. A diferença de 24 pontos percentuais reflete a polarização que marca a avaliação pública do tribunal.

Ao mesmo tempo, a pesquisa captura uma contradição notável na opinião dos brasileiros. Enquanto 75% veem o STF como detentor de poder demais, 71% afirmam que a Corte é essencial para a manutenção da democracia. Apenas 24% discordam dessa avaliação. Aqui também a divisão política aparece: 84% dos eleitores de Lula consideram o tribunal essencial para a democracia, enquanto 60% dos apoiadores de Bolsonaro compartilham dessa visão.

Essa ambiguidade — rejeição ao poder concentrado combinada com reconhecimento da importância institucional — sugere que os brasileiros navegam entre duas preocupações simultâneas: o temor de que uma instituição tenha acumulado demasiada autoridade e a consciência de que essa mesma instituição é necessária para o funcionamento democrático.

O levantamento também explorou o conhecimento público sobre o Caso Master, as suspeitas de fraudes no Banco Master que envolvem nomes de ministros da Corte. Setenta por cento dos entrevistados disseram ter ouvido falar das suspeitas. Desses, 55% acreditam que os ministros realmente têm envolvimento com as irregularidades, 4% não acreditam e 10% não sabem dizer. Os 30% restantes afirmaram desconhecer o caso.

Os nomes de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli surgiram nas investigações com supostas ligações a Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira. O escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci, mantinha um contrato com o Master avaliado em 129 milhões de reais ao longo de três anos. A advogada sustenta que não havia irregularidades no acordo e que o escritório oferecia consultoria e atuação jurídica ampla. Conversas no celular de Vorcaro indicam uma possível comunicação com Moraes no dia em que o empresário foi preso, embora o ministro negue que o contato tenha ocorrido.

Dias Toffoli se afastou da relatoria do caso no STF após a imprensa revelar que ele é sócio do resort Tayayá, no Paraná, adquirido por um fundo de investimentos vinculado ao Master e investigado pela Polícia Federal. O banco está sendo investigado por suspeitas de ter operado à margem das regras bancárias, utilizando uma rede de influência política para isso.

A pesquisa, portanto, documenta um momento em que a confiança pública no STF enfrenta pressão simultânea de duas frentes: a percepção de concentração de poder e as suspeitas de envolvimento de ministros em irregularidades financeiras. A divisão entre eleitores de Bolsonaro e Lula permanece como marcador central de como cada grupo interpreta tanto o papel institucional quanto as acusações que cercam a Corte.

O escritório prestou ampla consultoria e atuação jurídica, sem irregularidades
— Viviane Barci, advogada e mulher do ministro Alexandre de Moraes, sobre o contrato com o Master
O ministro nega que o contato com Daniel Vorcaro tenha ocorrido no dia da prisão do empresário
— Posição de Alexandre de Moraes conforme investigações do Caso Master
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