37% das mulheres adiam cuidados de saúde pela rotina de trabalho

Mulheres deixam de receber diagnósticos e tratamentos preventivos de câncer de mama, comprometendo detecção precoce e saúde a longo prazo.
Saúde não pode depender apenas de um mês do ano
Executiva da Catho argumenta que bem-estar deve ser incorporado à rotina das organizações além de campanhas pontuais.
Mark

Por que esse número — 37% — é tão significativo? Parece alto, mas preciso entender o contexto.

Mimi

Porque significa que mais de um terço das mulheres que trabalham já deixou de cuidar da saúde por causa do trabalho. Não é uma exceção; é um padrão. E quando você olha para a mamografia especificamente, 23% nunca fizeram uma, o que é alarmante.

Luke

Mas a pesquisa entrevistou 478 mulheres. Quantas delas trabalham em empresas grandes versus pequenas? Porque a flexibilidade varia muito. E esse 37% — é adiamento ocasional ou é crônico?

Mimi

A pesquisa não detalha isso. Sabemos que 37% adiaram ou remarcaram, e 4% não fazem acompanhamento médico regular. Mas você tem razão — não sabemos se é uma vez ou se é um padrão de vida.

Mark

E as mulheres com filhos — 43% dizem que trabalho e família são um desafio. Isso é diferente de dizer que não fazem exames?

Mimi

É relacionado, mas não é a mesma coisa. A sobrecarga é o contexto. O adiamento de exames é a consequência. Muitas vezes, quando você está sobrecarregada, saúde preventiva é o que cai primeiro.

Luke

O INCA projeta 78.610 casos por ano. Mas quantos desses poderiam ter sido detectados mais cedo se essas mulheres tivessem feito mamografia? Porque esse é o custo real que a pesquisa não quantifica.

Mimi

Exatamente. Não sabemos. Mas sabemos que detecção precoce muda tudo no câncer de mama. Então cada mulher que não faz mamografia é um risco que não deveria existir.

Mark

Patrícia Suzuki fala sobre cultura organizacional. Mas como uma empresa muda isso na prática?

Mimi

Ela sugere flexibilidade, tempo, condições. Não apenas um dia de folga para exame, mas uma mudança real em como o trabalho é estruturado.

Luke

Mas a pesquisa não perguntou às mulheres o que as empresas poderiam fazer? Ou o que elas precisariam para priorizar saúde?

Mimi

Não. A pesquisa identificou o problema. As soluções ainda estão sendo pensadas.

  • Mais de um terço das mulheres entrevistadas sacrificou consultas e exames médicos para cumprir demandas do trabalho, revelando um conflito silencioso e cotidiano entre produtividade e saúde.
  • Na prevenção do câncer de mama, os números são alarmantes: 23% nunca fizeram mamografia e 11% estão com o exame atrasado há mais de dois anos, enquanto o Brasil projeta 78.610 novos casos anuais.
  • Mães e grávidas carregam um peso duplo — 43% apontam a sobrecarga entre trabalho e família como desafio central, e 45% sentem que a maternidade freou sua trajetória profissional.
  • Executivos do setor alertam que benefícios pontuais não bastam: sem flexibilidade real e mudança cultural nas empresas, a saúde da mulher continuará sendo tratada como prioridade de segunda ordem.

Em meio às exigências crescentes do mundo do trabalho, uma pesquisa da Catho revela que 37% das mulheres brasileiras já adiaram consultas e exames médicos por não conseguirem conciliar a rotina profissional com o autocuidado. O dado ganha contornos ainda mais graves quando se observa que 23% nunca realizaram uma mamografia — num país que projeta quase 79 mil novos casos de câncer de mama por ano. É o retrato de uma tensão estrutural que não se resolve com campanhas de outubro, mas com uma transformação profunda na cultura das organizações.

Uma pesquisa da Catho com 478 mulheres expõe uma realidade incômoda: 37% delas já adiaram ou remarcaram consultas e exames por causa do trabalho, e outros 4% sequer mantêm acompanhamento médico regular. A escolha entre estar presente no emprego e cuidar de si mesma não é pontual — é estrutural.

O cenário se agrava quando o olhar recai sobre a prevenção do câncer de mama. Quase um quarto das entrevistadas nunca fez uma mamografia, e 11% estão com o exame atrasado há mais de dois anos. O peso desses números cresce diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer: entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar cerca de 78.610 novos casos por ano. Cada mês de atraso no diagnóstico pode representar a diferença entre um estágio inicial e um quadro mais avançado.

Para as mães, a pressão é ainda maior. Quarenta e três por cento delas apontam a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios, e 45% sentem que a maternidade prejudicou sua evolução profissional — tornando ainda mais difícil reservar tempo para a própria saúde.

Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, controladora da Catho, defende que falar em saúde da mulher no ambiente corporativo é falar em tempo, flexibilidade e condições reais de autocuidado. Para ela, benefícios isolados — um dia de folga, um desconto em consulta — não tocam o cerne do problema. O que falta é uma mudança cultural genuína, que incorpore a saúde como prioridade permanente e não como pauta de um único mês do ano.

Quase quatro em cada dez mulheres já adiaram ou remarcaram uma consulta médica ou exame porque o trabalho não deixou. É o que mostra uma pesquisa da Catho, plataforma de empregos que entrevistou 478 mulheres e encontrou um padrão preocupante: 37% delas relatam ter postergado cuidados de saúde por causa da rotina profissional. Outros 4% nem sequer mantêm acompanhamento médico regular. O número revela uma tensão estrutural na vida de muitas trabalhadoras — a escolha constante entre estar presente no trabalho e estar presente para si mesmas.

Quando o foco se estreita para a prevenção do câncer de mama, a situação fica ainda mais crítica. Entre as mulheres ouvidas, 23% nunca realizaram uma mamografia. Outras 11% têm o exame atrasado há mais de dois anos. Esses números ganham peso quando colocados contra as projeções do Instituto Nacional de Câncer: entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano. A detecção precoce é fundamental para o tratamento bem-sucedido, e cada mês de atraso pode significar a diferença entre um diagnóstico em estágio inicial e um mais avançado.

O impacto da maternidade amplifica esse cenário. Entre as mulheres que são mães ou estão grávidas, 43% apontam a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios que enfrentam. E 45% sentem que a maternidade prejudicou sua evolução profissional — uma realidade que torna ainda mais difícil priorizar tempo para cuidados de saúde quando já se está dividida entre múltiplas demandas.

Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, empresa que controla a Catho, vê nesse padrão um sinal de que as organizações precisam repensar sua abordagem ao bem-estar. "Falar sobre saúde da mulher no ambiente de trabalho significa falar sobre tempo, flexibilidade e condições para que ela consiga cuidar de si", afirma. Ela reconhece que outubro é tradicionalmente o mês dedicado à conscientização sobre câncer de mama, mas questiona se um mês de campanha é suficiente quando o problema é estrutural.

Para Suzuki, benefícios pontuais — um dia de folga para exame, um desconto em consultas — importam, mas não resolvem o cerne da questão. O que falta é uma mudança cultural nas empresas, uma incorporação genuína da saúde como prioridade e não como algo secundário que fica para depois. Enquanto as mulheres continuarem escolhendo entre cumprir prazos no trabalho e marcar uma mamografia, essa lacuna permanecerá aberta.

Falar sobre saúde da mulher no ambiente de trabalho também significa falar sobre tempo, flexibilidade e condições para que ela consiga cuidar de si
— Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil
O cuidado não pode depender apenas de um mês do ano
— Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil
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