Em menos de uma década, Portugal transformou silenciosamente a natureza do seu mercado de trabalho: o que era exceção tornou-se regra. Um estudo da Fundação José Neves, divulgado em 2022, revela que 36% dos trabalhadores portugueses operavam sob contratos a termo em 2019 — um aumento de 12 pontos percentuais desde 2010. O peso desta mudança recaiu de forma desproporcional sobre os mais jovens, para quem a precariedade deixou de ser uma fase de transição e passou a ser o ponto de partida.
36% dos trabalhadores portugueses têm contrato a termo, mais que o dobro de uma década
Quase quatro em cada dez trabalhadores vivem sob incerteza contratual
Porque é que isto importa? São apenas números sobre contratos.
Porque um contrato a termo não é apenas um contrato. É a diferença entre poder fazer um empréstimo para casa ou não, entre ter direito a licença de maternidade protegida ou estar sempre à beira do abismo. É estabilidade versus sobressalto permanente.
Mas as empresas precisam de flexibilidade, não precisam?
Precisam, talvez. Mas quando 36% da força de trabalho está em contratos temporários, deixa de ser flexibilidade — é transferência de risco. O risco sai das empresas e vai para as pessoas.
E porque é que os jovens foram tão afetados?
Porque são os últimos a entrar. Quando o mercado muda, quem já tem um contrato permanente fica. Quem chega novo encontra apenas o que sobra. E em 2019, o que sobrava eram contratos a termo.
Isto pode mudar?
Pode. Mas primeiro teria de haver uma decisão política de que a estabilidade importa mais que a flexibilidade. Os números mostram que não houve essa decisão entre 2010 e 2019.
O Pulso
- Em menos de dez anos, a proporção de trabalhadores temporários em Portugal quase duplicou, passando de um em cada quatro para quase quatro em cada dez.
- O crescimento não poupou nenhuma faixa etária, mas os jovens entre os 15 e os 34 anos sofreram o impacto mais severo, com uma subida de 17 pontos percentuais.
- A precariedade deixou de ser uma porta de entrada provisória para o mercado de trabalho e instalou-se como uma condição estrutural e duradoura.
- A plataforma Brighter Future da Fundação José Neves documentou a tendência, mas o estudo não aponta soluções — apenas expõe a dimensão de uma transformação já consumada.
- Para uma geração inteira de portugueses, a instabilidade contratual tornou-se a norma, com consequências diretas na segurança social e na capacidade de planear o futuro.
Em menos de uma década, Portugal transformou silenciosamente a natureza do seu mercado de trabalho: o que era exceção tornou-se regra. Um estudo da Fundação José Neves, divulgado em 2022, revela que 36% dos trabalhadores portugueses operavam sob contratos a termo em 2019 — um aumento de 12 pontos percentuais desde 2010. O peso desta mudança recaiu de forma desproporcional sobre os mais jovens, para quem a precariedade deixou de ser uma fase de transição e passou a ser o ponto de partida.
Em 2010, um em cada quatro trabalhadores portugueses tinha um contrato temporário. Nove anos depois, esse número tinha crescido para 36% da força de trabalho — quase quatro em cada dez pessoas. Foram mais de dez pontos percentuais ganhos em menos de uma década, uma transformação profunda na forma como Portugal contrata.
Os dados foram revelados pela plataforma Brighter Future, um projeto da Fundação José Neves divulgado em abril de 2022. A investigação mapeou a evolução dos contratos temporários face aos permanentes, oferecendo um retrato de uma tendência que atravessava toda a economia portuguesa — não limitada a setores ou regiões específicas, mas transversal a todas as gerações.
O impacto, porém, não foi uniforme. Os trabalhadores mais jovens sentiram o peso com maior intensidade: entre os 15 e os 34 anos, o aumento foi de cerca de 17 pontos percentuais, o mais expressivo de todos os grupos etários. Estas faixas etárias não só registaram o maior crescimento como concentravam também as taxas absolutas mais elevadas de contratação temporária.
O que os números revelam é que entrar no mercado de trabalho português na última década significava, com grande probabilidade, começar sem segurança de permanência. A precariedade, que podia ser vista como uma fase transitória, tornou-se a porta de entrada — e, para muitos, a condição permanente.
Em 2010, um em cada quatro trabalhadores portugueses tinha um contrato temporário. Nove anos depois, esse número tinha quase dobrado. Em 2019, 36% da força de trabalho — quase quatro em cada dez pessoas — estava vinculada a um empregador através de um contrato a termo. A mudança não foi gradual. Foram mais de dez pontos percentuais ganhos em menos de uma década, uma transformação profunda na forma como Portugal contrata.
O estudo que revelou estes números veio da plataforma Brighter Future, um projeto da Fundação José Neves divulgado em abril de 2022. A investigação mapeou a incidência e a evolução dos contratos temporários versus permanentes ao longo dos anos, oferecendo um retrato claro de uma tendência que atravessava toda a economia portuguesa. Não era um fenómeno isolado em alguns setores ou regiões. O crescimento da contratação a termo foi transversal, tocando todas as faixas etárias, todas as gerações.
Mas o impacto não foi distribuído de forma uniforme. Os mais jovens sentiram o peso com maior intensidade. Entre trabalhadores com menos de 35 anos, o aumento foi o mais significativo de todos os grupos. Quando se olha especificamente para os que tinham entre 15 e 24 anos, e para aqueles entre 25 e 34 anos, a mudança é ainda mais dramática: uma subida de cerca de 17 pontos percentuais entre 2010 e 2019. Estas duas faixas etárias não apenas registaram o maior crescimento — eram também onde se encontravam as maiores taxas absolutas de contratação temporária.
O que isto significa é que uma pessoa que entrou no mercado de trabalho português na década de 2010 tinha probabilidades muito maiores de começar a sua carreira com um contrato sem segurança de permanência. Enquanto gerações anteriores podiam esperar negociar um contrato permanente relativamente cedo, os jovens portugueses enfrentavam um cenário diferente: a precariedade como porta de entrada.
O estudo não oferecia explicações para o porquê desta mudança, apenas documentava o que tinha acontecido. Mas os números falam por si. A contratação a termo tinha ganho expressão ao longo da última década, tornando-se não uma exceção, mas uma realidade estrutural do mercado de trabalho português. Para quase quatro em cada dez trabalhadores, a incerteza contratual tinha deixado de ser uma situação temporária e passado a ser a norma.
Citações Notáveis
Os contratos a termo têm vindo a ganhar expressão ao longo da última década em Portugal— Estudo da Fundação José Neves