No outono de 2020, enquanto a humanidade ainda tentava compreender os contornos da pandemia, investigadores da University College London voltaram o olhar para além da espécie humana. Ao analisar 215 espécies animais, identificaram 26 mamíferos em contacto regular com pessoas — de ovelhas a grandes primatas — potencialmente vulneráveis ao SARS-CoV-2. A descoberta lembrava uma verdade antiga: as fronteiras entre a saúde humana e a saúde animal são mais permeáveis do que gostaríamos de acreditar.
26 espécies de mamíferos podem ser vulneráveis ao SARS-CoV-2
Um animal infetado pode tornar-se um reservatório do vírus
Porque é que os investigadores precisavam de estudar 215 espécies? Não era mais simples testar apenas os animais que vivem perto de nós?
Porque ninguém sabia, no início, quais eram os limites do risco. A proteína ACE2 existe em muitos animais, mas nem sempre da mesma forma. Precisavam de um mapa completo para saber onde procurar problemas.
E então descobriram que 26 mamíferos estavam em risco. Isso significa que todos eles já tinham sido infetados?
Não. Significa que tinham a capacidade biológica de ser infetados. Era um aviso, não um diagnóstico. A diferença entre "pode apanhar" e "apanhou" é enorme.
Fala-se de animais como reservatórios. Isso é diferente de um animal simplesmente ficar doente?
Completamente. Um reservatório é um animal que carrega o vírus de forma persistente, que o mantém vivo dentro de si. Um animal que fica doente e recupera é apenas uma vítima. Um reservatório é um problema permanente.
Então os grandes primatas estavam em perigo real?
Estavam em risco teórico muito real. Mas o verdadeiro perigo era duplo: podiam desaparecer como espécies, e podiam devolver o vírus a nós, mutado, diferente, potencialmente mais perigoso.
O Pulso
- Vinte e seis espécies de mamíferos próximas dos humanos podem ser infetadas pelo SARS-CoV-2, segundo um estudo publicado na Scientific Reports.
- Chimpanzés, gorilas e orangotangos — já ameaçados de extinção — figuram entre os animais com maior vulnerabilidade teórica ao vírus.
- Um animal infetado pode tornar-se reservatório do vírus, permitindo que o SARS-CoV-2 evolua e salte novamente para humanos em ciclos imprevisíveis.
- Comunidades que dependem de animais para subsistência enfrentam risco económico e alimentar caso surtos virais atinjam espécies vulneráveis.
- Os investigadores pedem vigilância ativa — monitorização de animais domésticos, de quinta e selvagens — como resposta concreta ao risco mapeado.
No outono de 2020, enquanto a humanidade ainda tentava compreender os contornos da pandemia, investigadores da University College London voltaram o olhar para além da espécie humana. Ao analisar 215 espécies animais, identificaram 26 mamíferos em contacto regular com pessoas — de ovelhas a grandes primatas — potencialmente vulneráveis ao SARS-CoV-2. A descoberta lembrava uma verdade antiga: as fronteiras entre a saúde humana e a saúde animal são mais permeáveis do que gostaríamos de acreditar.
Quando o SARS-CoV-2 começou a circular pelo mundo, uma pergunta ficou por responder: quais animais poderiam ser infetados? Investigadores da University College London decidiram procurar uma resposta sistemática, analisando 215 espécies e estudando como a proteína spike do vírus interage com a proteína ACE2 nas células animais — a chave molecular da infeção. O resultado, publicado na Scientific Reports, identificou 26 mamíferos em contacto regular com humanos que apresentam vulnerabilidade teórica ao vírus.
Aves, peixes e répteis saíram em grande parte ilesos da análise. Os mamíferos, porém, contavam uma história diferente. Ovelhas, chimpanzés, gorilas e orangotangos — animais com quem trabalhamos, convivemos e estudamos — mostraram risco real. A investigadora Christine Orengo explicou que o objetivo era ir além dos animais já testados experimentalmente, mapeando de forma mais ampla quais espécies mereciam vigilância prioritária.
A preocupação central não era apenas o animal doente em si, mas o que ele poderia representar: um reservatório onde o vírus continua a replicar-se e a evoluir, com potencial para regressar aos humanos em novos ciclos de transmissão. Para espécies já ameaçadas, como os grandes primatas, uma infeção por SARS-CoV-2 poderia agravar o risco de extinção. Para comunidades que dependem de animais para alimentação e subsistência, um surto poderia significar colapso económico.
A coautora Joanne Santini apelou à vigilância constante — observar animais de estimação, monitorizar os de quinta, estar atento aos primeiros sinais de doença. O estudo não oferecia soluções, mas cumpria algo essencial: clarificava quem estava vulnerável e porquê, dando a cientistas, veterinários e autoridades de saúde pública uma base para agir.
Quando o SARS-CoV-2 começou a circular pelo mundo, uma pergunta óbvia ficou por responder: quais animais poderiam apanhá-lo? Investigadores da University College London decidiram procurar uma resposta sistemática. Analisaram 215 espécies diferentes, estudando como a proteína spike do vírus interage com a proteína ACE2 nas células animais — a chave molecular que permite ao vírus entrar e infetar. O que encontraram foi preocupante o suficiente para publicar na Scientific Reports: 26 mamíferos em contacto regular com pessoas podem ser suscetíveis à infeção.
A maioria das aves, peixes e répteis saiu ilesa desta análise. O risco era baixo. Mas os mamíferos contavam uma história diferente. Ovelhas, chimpanzés, gorilas, orangotangos — animais que vivem perto de nós, que trabalhamos com eles, que estudamos em laboratórios — todos apresentavam vulnerabilidade teórica ao vírus. Christine Orengo, a investigadora que liderou o trabalho, explicou o raciocínio por trás da pesquisa: queriam ir além dos animais que já tinham sido testados experimentalmente. Queriam saber, de forma mais ampla, quais espécies corriam risco real, para que pudessem ser alvo de investigação mais profunda e vigilância mais cuidadosa.
Mas por que isto importava? Porque um animal infetado não é apenas um animal doente. Pode tornar-se um reservatório do vírus — um lugar onde o SARS-CoV-2 continua a viver, a replicar-se, potencialmente a evoluir. E de um reservatório animal, o vírus pode saltar de volta para humanos, criando novos ciclos de transmissão. Isto não era especulação teórica. Era um risco concreto que precisava de ser compreendido e monitorizado.
Há ainda outra dimensão. Para comunidades que dependem de animais — seja para alimentação, trabalho ou subsistência — um surto viral numa espécie vulnerável poderia ser catastrófico. Não apenas pela morte dos animais, mas pelo colapso económico que se seguiria. E para espécies já ameaçadas, como os grandes primatas, uma infeção por SARS-CoV-2 poderia representar um risco de extinção real. Joanne Santini, coautora do estudo, alertou para a necessidade de vigilância constante — observar os animais de estimação, monitorizar os que vivem em quintas, estar atento aos primeiros sinais de doença.
O estudo não oferecia soluções, apenas mapeava o terreno do risco. Mas naquele outono de 2020, quando a pandemia ainda era nova e as suas ramificações ainda estavam a ser descobertas, este trabalho oferecia algo essencial: clareza sobre quem estava vulnerável e por quê. Permitia aos cientistas, aos veterinários, às autoridades de saúde pública, começar a pensar em vigilância, em prevenção, em como proteger não apenas humanos, mas também os animais que vivem ao nosso lado.
Citações Notáveis
Queríamos ir além dos animais que foram estudados experimentalmente para ver quais podem estar em risco de infeção— Christine Orengo, investigadora principal do estudo
Os animais também podem atuar como reservatórios do vírus, com potencial para infetar humanos posteriormente— Christine Orengo