Pedro Santa Clara: decisão do reitor é "ato hostil", Nova SBE deveria sair da Universidade

É um ato hostil contra a Nova SBE, um sinal de que não é desejada
Pedro Santa Clara reage à determinação do reitor de obrigar faculdades a usar nomes em português.
Mark

Porque é que o nome de uma escola é tão importante? Parece uma questão administrativa menor.

Mimi

Porque o nome é a marca. A Nova SBE construiu reputação internacional durante anos — está no top 20 europeu, tem mestrados no top 10 mundial. Quando alunos de 65 nacionalidades escolhem vir para Portugal, escolhem a Nova SBE, não a Universidade Nova. O nome é o que atrai os melhores alunos e as receitas que financiam tudo.

Luke

Mas espera — o reitor tem autoridade para fazer isto? É uma decisão legítima de um reitor, ou é uma violação de autonomia académica?

Mimi

Essa é a questão política de fundo. O reitor emitiu um despacho orientador. Tecnicamente, tem autoridade. Mas Santa Clara vê isto como hostil, como um sinal de que a Nova SBE não é bem-vinda.

Mark

E se a Nova SBE saísse da Universidade? Seria viável?

Mimi

Santa Clara diz que sim, usando o INSEAD como exemplo. Uma marca forte consegue autossustentar-se. Mas isto seria uma ruptura enorme — a Nova SBE foi integrada na Universidade Nova há décadas.

Luke

Quantas outras faculdades da Universidade Nova têm nomes em inglês? Porque é que o reitor escolheu fazer isto agora?

Mimi

A fonte não explica. Sabemos que o despacho afeta todas as unidades, mas a Nova SBE é a principal visada porque é a mais internacional. Não sabemos os motivos políticos ou ideológicos do reitor.

Mark

Os números de alunos internacionais — 2000 novos alunos, 65 nacionalidades — isso é muito?

Mimi

Para uma escola de negócios portuguesa, é extraordinário. Mostra que a marca funciona globalmente. Mas é também vulnerável — se o nome muda, essa atração pode diminuir.

Luke

Santa Clara diz que o diploma "valeria menos". Mas isso é especulação, certo? Não há dados sobre como mudanças de nome afetam inscrições.

Mimi

Verdade. É uma previsão baseada na sua experiência, não em estudos. Mas a lógica é sólida — marcas fortes atraem, marcas fracas repelem.

Mark

O Governo vai intervir?

Mimi

Santa Clara está a pedir ao ministro Fernando Alexandre que traves a decisão. Mas não sabemos se o Governo vai fazer algo. Isto é ainda um conflito interno da Universidade Nova.

  • Uma ordem aparentemente burocrática — usar nomes em português em documentos e plataformas — ameaça apagar uma marca académica que levou anos a construir e que posiciona Portugal no topo da educação de negócios europeia.
  • Pedro Santa Clara, ex-líder da Nova SBE, classifica a decisão do reitor Paulo Pereira como um 'ato hostil' e 'provinciano', alertando que a perda do nome internacional pode custar alunos, receitas, investigação e prestígio de forma irreversível.
  • A escola recebe mais de dois mil alunos internacionais de 65 nacionalidades, com crescimentos de 31% nos norte-americanos e 28% nos britânicos — números que dependem diretamente da força da marca 'Nova SBE' no mercado global.
  • Santa Clara propõe uma solução radical: a independência total da Nova SBE face à Universidade Nova, seguindo o modelo do INSEAD, para que a escola possa proteger a sua identidade e autossustentar-se financeiramente.
  • O professor apela diretamente ao Governo e ao ministro Fernando Alexandre para que travem a decisão, argumentando que os custos para Portugal podem ser 'irreparáveis'.

No interior de uma universidade pública portuguesa, uma diretiva administrativa sobre o uso do idioma nacional acendeu um debate que vai muito além da nomenclatura: toca na tensão permanente entre identidade nacional e ambição global. O reitor da Universidade Nova de Lisboa determinou que todas as suas unidades usem denominações em português, e Pedro Santa Clara, arquiteto da internacionalização da Nova SBE, respondeu com uma advertência severa — a de que símbolos construídos ao longo de décadas podem ser desfeitos por decisões que subestimam o que custou erguê-los.

O reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, emitiu uma determinação que exige o uso de denominações oficiais em português em todos os documentos, plataformas digitais e suportes administrativos das suas unidades orgânicas. A medida, de aparência rotineira, provocou uma reação pública contundente de Pedro Santa Clara, professor catedrático que durante seis anos liderou a internacionalização da Nova School of Business and Economics.

Santa Clara vê na decisão um ataque direto a uma instituição que se tornou uma marca global de referência. A Nova SBE ocupa o 17.º lugar no ranking do Financial Times das melhores escolas de negócios europeias, com dois mestrados no top 10 mundial — Finanças em sexto lugar, Gestão em quarto. No ano letivo 2025/2026, mais de dois mil novos alunos de 65 nacionalidades chegaram ao campus de Carcavelos, com crescimentos expressivos de norte-americanos e britânicos. Estes números traduzem-se em receitas próprias que financiam investigação, bolsas e qualidade académica.

Na visão de Santa Clara, forçar a escola a regressar à designação 'Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa' equivaleria à aniquilação da notoriedade internacional conquistada. Menos alunos estrangeiros significaria menos recursos, investigação mais fraca e diplomas de menor valor. O professor não poupa nas palavras para descrever a decisão: 'bacoca, provinciana, de alguém sem visão internacional'.

Como alternativa, Santa Clara propõe que a Nova SBE se torne uma instituição independente, à semelhança do INSEAD francês — uma marca autónoma, capaz de se autossustentar. Uma separação, defende, causaria menos danos do que a erosão silenciosa do nome dentro da estrutura universitária. Apela ainda ao Governo, e em particular ao ministro Fernando Alexandre, para que intervenha, advertindo que os custos desta decisão para Portugal podem ser irreversíveis.

O reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, emitiu uma determinação simples: todas as unidades orgânicas da instituição devem usar denominações oficiais em português em documentos, plataformas digitais, suportes físicos e procedimentos administrativos. A ordem, aparentemente burocrática, desencadeou uma reação contundente de Pedro Santa Clara, professor catedrático que durante seis anos liderou a expansão e internacionalização da Nova School of Business and Economics — a Nova SBE — e que agora fala a título pessoal, sem cargo dirigente na instituição.

Santa Clara vê na decisão do reitor um "ato hostil" contra a Nova SBE, um sinal de que a escola não é desejada dentro da Universidade. A sua indignação é profunda: a medida representa, na sua visão, um ataque direto a uma instituição que se tornou uma marca global de prestígio. A Nova SBE é hoje classificada em 17.º lugar no ranking do Financial Times Best European Business Schools 2025. Dois dos seus mestrados figuram no top 10 mundial — o Mestrado Internacional em Finanças ocupa a sexta posição, e o Mestrado em Gestão a quarta. A escola é considerada a maior escola de negócios alemã fora da Alemanha, um reconhecimento que não é casual mas resultado de anos de investimento estratégico e construção de reputação.

Os números refletem essa posição. No ano letivo 2025/2026, mais de dois mil novos alunos de mestrado e mobilidade internacional chegaram ao campus de Carcavelos, representando 65 nacionalidades diferentes. Houve aumentos notáveis nas admissões de franceses, noruegueses e italianos. Fora da União Europeia, a procura cresceu significativamente: alunos norte-americanos aumentaram 31 por cento, britânicos 28 por cento. Estes números não são abstratos — representam receitas próprias que financiam a pesquisa, as bolsas, e a qualidade do ambiente académico.

Santa Clara argumenta que não existe outro caso de sucesso internacional desta magnitude em Portugal, com exceção da seleção nacional de futebol. A comparação é deliberada: ambos são símbolos nacionais que transcendem fronteiras. A reversão do nome para "Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa" — como a determinação do reitor exigiria — levaria, na sua avaliação, à "aniquilação" da notoriedade e exposição mundial que a Nova SBE conquistou. Uma redução na quota de alunos estrangeiros empobrecia o ambiente académico, diminuía os recursos financeiros, prejudicava a pesquisa e as bolsas. O diploma perderia valor.

O professor caracteriza a medida como "bacoca, provinciana, de alguém que não tem uma visão minimamente internacional". Critica a falta de compreensão sobre o alcance da escola e o que a sua internacionalização representa para Portugal. É neste ponto que Santa Clara apresenta uma solução radical: a Nova SBE deveria tornar-se uma escola independente, separando-se da Universidade Nova de Lisboa. Aponta o INSEAD francês como modelo — uma instituição que é uma marca que vale por si própria e que consegue gerar os recursos para se autosustentar. Uma secessão, argumenta, apresentaria menos consequências negativas do que a morte do nome dentro da estrutura universitária.

Santa Clara alerta ainda o Governo, nomeadamente o ministro da Educação Fernando Alexandre, sobre a necessidade de travar a decisão do reitor Paulo Pereira. A morte do nome, sustenta, pode ter "custos irreparáveis" para a instituição e para Portugal. O que está em jogo não é apenas o futuro de uma escola de negócios, mas a capacidade do país de manter uma instituição de excelência que o coloca no mapa internacional da educação superior.

É um ato hostil contra a Nova SBE, um sinal de que não é desejada dentro da Universidade. Deveria tornar-se uma escola independente.
— Pedro Santa Clara, professor catedrático e antigo líder da Nova SBE
Não há nenhum caso de sucesso internacional como este em Portugal, fora a seleção nacional de futebol.
— Pedro Santa Clara
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