Expansão histórica: 48 seleções pela primeira vez, com crescimento proporcional em Oceania, Ásia e África, gerando 308 gols totais. Surpresas notáveis: Cabo Verde estreante empatou com Espanha (2ª no ranking), enquanto Brasil perdeu nas oitavas para Noruega (31ª colocada).
15 gráficos revelam história da maior Copa do Mundo, com 48 seleções e recorde de gols
Cabo Verde empatou com Espanha e avançou para as oitavas
Por que uma Copa com 48 seleções mudou tanto a natureza do torneio?
A expansão não foi apenas sobre incluir mais países. Ela criou mais oportunidades para surpresas porque havia mais combinações possíveis, mais histórias paralelas acontecendo simultaneamente. Cabo Verde empatando com Espanha não seria possível em um formato menor.
Mas o Brasil perdeu para a Noruega, 25 posições abaixo no ranking. Como isso acontece?
Porque o futebol não é matemática. A Noruega estava preparada, o Brasil não estava. Neymar fora de ritmo, decisões técnicas questionáveis. Às vezes o melhor time no papel perde para o time que jogou melhor naquele dia.
Os números mostram que 56% dos gols saíram no segundo tempo. O que isso revela?
Fadiga, ajustes táticos, times se abrindo mais. No segundo tempo as defesas cedem, os times têm menos a perder. É quando o futebol fica mais ofensivo, mais desesperado, mais vivo.
Mbappé quebrou um recorde de 22 gols na história do torneio. Isso é extraordinário?
É extraordinário porque ele fez isso em uma Copa onde havia mais jogos, mais oportunidades. Mas também porque ele foi consistente. Não foi um jogador que marcou tudo em uma semifinal. Foi alguém que marcou regularmente, jogo após jogo.
E o Brasil? 24 anos sem título, potencialmente 28 até 2030?
É uma queda longa. A seleção que mais ganhou Copas agora vive seu período mais seco. Não é apenas sobre perder para a Noruega. É sobre uma série de eliminações para times que o Brasil deveria ter superado. França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia. E agora Noruega. É um padrão.
O Pulso
- 48 seleções pela primeira vez na história, com 308 gols totais
- Espanha conquistou o bicampeonato; Brasil eliminado nas oitavas pela Noruega (31ª no ranking)
- Kylian Mbappé artilheiro com 10 gols e maior golartilheiro da história com 22 gols
- 56% dos gols marcados no segundo tempo; 1.150 minutos de acréscimos no total
- Brasil em jejum de 24 anos sem título, enfrentando seu maior período de irrelevância
Expansão histórica: 48 seleções pela primeira vez, com crescimento proporcional em Oceania, Ásia e África, gerando 308 gols totais. Surpresas notáveis: Cabo Verde estreante empatou com Espanha (2ª no ranking), enquanto Brasil perdeu nas oitavas para Noruega (31ª colocada).
A Copa de 2026 marcou a primeira edição com 48 seleções, gerando recorde de gols, transmissões e lucro. Espanha conquistou o bicampeonato enquanto Brasil sofreu eliminação precoce para a Noruega.
A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história não apenas pelos gols que marcou, mas pela forma como reconfigurou o próprio torneio. Pela primeira vez, 48 seleções disputaram o título — um aumento de 16 equipes que a Fifa promoveu para expandir a representação global. Oceania, Ásia e África foram os continentes que mais ganharam espaço proporcional. O resultado foi previsível e ao mesmo tempo surpreendente: mais jogos, mais transmissões, mais lucro recorde para a confederação. E, curiosamente, mais gols do que qualquer Copa desde 1970.
A expansão trouxe nomes novos ao palco mundial. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão estreavam no torneio. Mas foi Cabo Verde que capturou a imaginação dos torcedores. A seleção insular empatou com Espanha, a segunda colocada no ranking Fifa, em um grupo que incluía também Uruguai e Arábia Saudita. O goleiro Vozinha protagonizou atuações memoráveis. Cabo Verde avançou para as oitavas após aquele empate histórico com os espanhóis, mas caiu para a Argentina em um confronto dramático que terminou 3 a 2. Gana também surpreendeu, empatando sem gols com a Inglaterra, quarta colocada no ranking.
O torneio foi dividido entre três países-sede — Estados Unidos, Canadá e México — uma configuração inédita que carregava consigo as tensões políticas e fronteiras sensíveis da região. Mas os números contam a história mais clara. A Copa registrou 308 gols, o maior total em número absoluto de toda a história do torneio, representando 10% de todos os 3.028 gols já marcados em Copas. A média de gols por jogo foi a maior desde 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato. Apenas sete edições anteriores, todas entre 1930 e 1958, haviam registrado médias superiores.
Kylian Mbappé terminou como artilheiro com 10 gols na competição, mas seu feito transcendeu a artilharia daquele ano. Ele se tornou o maior golartilheiro da história do torneio com 22 gols no total, ultrapassando Miroslav Klose e Ronaldo Fenômeno. A corrida pela artilharia havia sido acirrada desde o início, com Mbappé e Erling Haaland marcando duas vezes na primeira rodada, depois superados por Lionel Messi com três gols. Messi, em seu último Mundial, não marcou na final. A Inglaterra e a França, terceiro e quarto lugares, fizeram 20 gols cada, mas a Inglaterra também liderou em gols sofridos, com 12, ao lado do Iraque e Tunísia.
O Brasil, porém, viveu uma história diferente. A seleção com mais títulos da história enfrentou a Noruega nas oitavas de final e perdeu. A Noruega ocupava a 31ª posição do ranking Fifa enquanto o Brasil estava em sexto lugar — uma diferença de 25 posições que representava o maior abismo entre um eliminador e o Brasil desde a criação do ranking em 1993. A campanha brasileira foi a pior desde 1990, marcada por decisões questionáveis da comissão técnica, incluindo a aposta em Neymar, seu maior artilheiro, fora de ritmo. O Brasil agora enfrenta um jejum de 24 anos sem levantar a taça. Se conquistar o hexa em 2030, terá vivido 28 anos sem um título — seu maior período de irrelevância na história do torneio.
Os dados revelaram outras curiosidades. O segundo tempo concentrou 56% de todos os gols da competição, 174 no total, enquanto o primeiro tempo registrou 126. A Copa acumulou 1.150 minutos de acréscimos, média de 11 minutos por partida — tempo suficiente para outras 13 partidas de 90 minutos. Houve ainda os "acréscimos dos acréscimos", 141 minutos adicionais de bola rolando que ultrapassaram o tempo extra anunciado pelos árbitros. O VAR alterou decisões em 63 dos 65 lances revistos, uma taxa de 97%. Cartões vermelhos chegaram a 15, número muito acima das três edições anteriores, embora longe do recorde de 28 em 2006, quando Zinedine Zidane cabeceou Marco Materazzi na final. Curiosamente, o presidente Donald Trump pediu a anulação de uma expulsão de um jogador dos Estados Unidos, marcando uma intervenção política inédita no torneio.
A Espanha conquistou o bicampeonato em um caminho teoricamente mais difícil, enfrentando rivais como Portugal e Uruguai. A Argentina, por sua vez, teve o trajeto mais fácil nas fases anteriores, com rivais de ranking inferior, mas penou contra Cabo Verde, Egito e Suíça antes de chegar à semifinal. França, Argentina, Espanha e Inglaterra — as quatro primeiras colocadas no ranking Fifa antes do início da Copa — foram exatamente as quatro que chegaram à semifinal, confirmando que a hierarquia global ainda prevalecia apesar das surpresas do caminho.
Citações Notáveis
A seleção com mais títulos da história passa a viver o período de maior irrelevância no Mundial— análise da campanha brasileira
A Holanda marcou 11 gols, quase o dobro do esperado segundo métricas de probabilidade de finalização— dados da Opta