Zema recusa desistência individual, argumentando que um candidato saindo sozinho não muda o quadro eleitoral que caminha para segundo turno. Candidato do Novo reafirma compromisso com seu partido e apoiadores, citando gestões bem-sucedidas em Minas Gerais e Joinville como exemplos.
Zema condiciona saída a movimento em bloco e anuncia apoio no 2º turno
Fica muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar
Por que Zema recusa desistir agora se sabe que vai apoiar o PL no segundo turno? Parece contraditório.
Ele vê como uma questão de dignidade política. Se sair sozinho, desaparece do jogo. Mantendo-se na corrida, o Novo segue visível, participa dos debates, e depois converge com força para o segundo turno.
Mas isso assume que a eleição vai mesmo para segundo turno. Se um candidato vencer no primeiro turno, toda essa estratégia desaba.
Verdade. Zema está apostando em um cenário específico. E há risco real nisso.
Ele diz que um candidato saindo sozinho não muda nada. Mas e se vários saíssem juntos?
Aí sim mudaria o quadro. Por isso ele condiciona a saída a um "movimento em bloco". Quer que seja uma decisão coletiva da direita, não um sacrifício individual do Novo.
A questão é: quem mais sairia? Ricardo Salles já saiu. Zema é praticamente o único candidato de direita ainda na corrida além de Flávio. Então esse "bloco" que ele menciona não existe de verdade.
Então ele está dizendo que só sai se outros saírem, mas ninguém mais vai sair?
Exatamente. É uma forma elegante de dizer que fica até o fim.
E quanto ao timing do anúncio de apoio? Anunciar na noite de domingo parece calculado.
É. Ele participa do debate na quinta, mantém a campanha viva até domingo, e logo após a votação já consolida a direita para o segundo turno. Maximiza sua presença antes de convergir.
Qual é o risco real para Zema nessa estratégia?
Se o PT vencer no primeiro turno com margem confortável, a narrativa muda. Zema fica como alguém que dividiu votos da direita desnecessariamente. E se Flávio vencer no primeiro turno, Zema fica sem relevância.
The Pulse
- Romeu Zema (Novo) recusa desistência antes do primeiro turno, condicionando qualquer saída a movimento em bloco
- Candidato anuncia apoio a Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula (PT) na noite de domingo, 1º de outubro
- Zema governou Minas Gerais entre 2019 e 2026 e cita gestões do Novo em Minas e Joinville como exemplos
- TSE determina inclusão de Zema no debate presidencial da Globo na quinta-feira, 1º de outubro
Zema recusa desistência individual, argumentando que um candidato saindo sozinho não muda o quadro eleitoral que caminha para segundo turno. Candidato do Novo reafirma compromisso com seu partido e apoiadores, citando gestões bem-sucedidas em Minas Gerais e Joinville como exemplos.
Romeu Zema (Novo) rejeita pressões para desistir antes do primeiro turno e anuncia que apoiará o PL contra o PT no segundo turno, condicionando qualquer movimento a ação em bloco.
Romeu Zema chegou à terça-feira, 29 de setembro, sob pressão crescente para abandonar a corrida presidencial. O candidato do Novo havia recebido diversos pedidos — alguns de dentro de seu próprio partido, outros do PL de Flávio Bolsonaro — para que desistisse antes do primeiro turno e consolidasse votos em torno de uma candidatura única da direita. A pressão havia se intensificado após Ricardo Salles, também do Novo, abrir mão de sua candidatura ao Senado por São Paulo para apoiar os bolsonaristas Guilherme Derrite e André do Prado. Mas em um jantar do grupo Esfera Brasil, Zema deixou claro que não seguiria o mesmo caminho.
Seu argumento era simples e matemático: um candidato desistindo sozinho não alteraria o cenário eleitoral. A eleição, em sua avaliação, caminhava inevitavelmente para um segundo turno, e portanto a saída individual de um postulante não mudaria nada. "Fica, na minha opinião, muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar", disse, recusando a ideia de abandonar a campanha antes do voto. Zema invocou seu compromisso com o partido Novo e com seus apoiadores, argumentando que tinha a responsabilidade de levar o projeto até o final.
O ex-governador de Minas Gerais, que comandou o Estado entre 2019 e 2026, reconheceu as dificuldades enfrentadas na campanha, mas manteve a confiança nas propostas do Novo para o futuro do país. Citou como evidência de viabilidade as gestões do partido em Minas e na cidade de Joinville, apontando-as como exemplos de administração bem-sucedida. Quando confrontado sobre os pedidos para desistir, respondeu com uma mistura de gratidão e determinação: "Agradeço sua ideia, mas eu vou levar até o final e tenho certeza que no 2º turno todos nós estaremos unidos contra o PT". E completou, com tom pessoal: "Eu nunca desisti de nada na vida, por que agora depois de velho que eu vou desistir?".
Sobre o segundo turno, Zema foi direto. Não havia dúvida sobre seu posicionamento: estaria ao lado do PL contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Já deixei claríssimo que estarei contra o PT", afirmou. E foi além, anunciando que faria seu apoio oficial na noite de domingo, 1º de outubro, o mesmo dia do primeiro turno — um timing que sinalizava unidade da direita logo após a votação.
Houve também uma vitória processual para Zema naquela semana. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a inclusão dos candidatos majoritários do Novo nos debates presidenciais e nos confrontos entre candidatos a governador pelo país. Isso significava que Zema participaria do debate presidencial da Globo marcado para quinta-feira, 1º de outubro — a mesma noite em que anunciaria seu apoio no segundo turno. "A expectativa é a melhor possível para o debate", disse, vendo na decisão uma oportunidade de amplificar sua mensagem nos últimos dias antes da votação.
O posicionamento de Zema refletia uma estratégia clara: manter-se na campanha como forma de preservar a força do Novo, garantir visibilidade até o fim do primeiro turno, e depois convergir para a direita no segundo. Sua recusa em desistir sozinho era, também, uma mensagem ao seu partido e aos eleitores que o apoiavam — de que o Novo não seria descartado ou absorvido, mas permaneceria como força política independente até o momento em que a consolidação se tornasse inevitável.
Notable Quotes
Não me aliei a Flávio até neste momento e não irei me aliar no primeiro turno— Romeu Zema
Eu nunca desisti de nada na vida, por que agora depois de velho que eu vou desistir?— Romeu Zema