Presidente ucraniano nega oficialmente qualquer participação na sabotagem dos gasodutos que ligam Rússia à Alemanha. Investigações apontam grupo pró-Ucrânia como responsável, com suspeitos presos e mandados de prisão europeus emitidos contra envolvidos.
Zelensky nega envolvimento ucraniano nas explosões do Nord Stream
A Ucrânia nunca participou oficialmente de operação alguma relacionada ao incidente
Por que Zelensky sentia necessidade de negar o envolvimento agora, mais de quatro anos depois das explosões?
Porque as investigações alemãs continuam avançando — mandados de prisão europeus foram emitidos em 2024, e a pressão diplomática não desapareceu. Uma negação pública do presidente é uma forma de estabelecer posição oficial enquanto as acusações circunstanciais se acumulam.
As evidências parecem bastante sólidas — o iate, os explosivos encontrados a bordo, os mergulhadores treinados. Como a Ucrânia responde a isso?
Não responde diretamente. Zelensky diz que a Ucrânia não participou "oficialmente" — uma palavra cuidadosa. Deixa espaço para a possibilidade de que atores não-estatais, talvez com simpatias ucranianas, tenham agido por conta própria.
E se foi realmente um grupo pró-Ucrânia, mas não autorizado pelo governo?
Então Zelensky tecnicamente não estaria mentindo. Mas também não estaria sendo completamente transparente. É a zona cinzenta onde muitas operações de segurança vivem — plausível negabilidade.
O que muda para a Europa se a Ucrânia foi responsável?
Tudo. Muda a narrativa de vítima para a de sabotador. Muda as alianças. Muda como a Alemanha e outros países europeus veem seu aliado ucraniano. Por isso a negação é tão importante — não é apenas sobre culpa legal, é sobre legitimidade política.
E se nunca soubermos com certeza?
Então vivemos com a ambiguidade. As investigações oficiais terminaram. Os suspeitos estão detidos ou foragidos. O gás não volta. A infraestrutura energética europeia já se reorganizou. A verdade pode nunca ser declarada publicamente.
El Pulso
- Explosões em 26 de setembro de 2022 romperam três dos quatro gasodutos Nord Stream próximos à ilha dinamarquesa de Bornholm
- Aproximadamente 800 bilhões de litros de gás natural vazaram para o oceano
- Promotores alemães identificaram suspeitos e emitiram mandado de prisão europeu contra instrutor de mergulho ucraniano em 2024
- Investigações dinamarquesa e sueca foram encerradas em fevereiro de 2024 sem identificar publicamente responsáveis
Presidente ucraniano nega oficialmente qualquer participação na sabotagem dos gasodutos que ligam Rússia à Alemanha. Investigações apontam grupo pró-Ucrânia como responsável, com suspeitos presos e mandados de prisão europeus emitidos contra envolvidos.
Zelensky afirma que Ucrânia não participou das explosões nos gasodutos Nord Stream de setembro de 2022 e colabora com investigações, enquanto suspeitos ucranianos permanecem detidos.
Em Kiev, no domingo 23 de agosto, o presidente Volodymyr Zelensky negou categoricamente que a Ucrânia tivesse qualquer papel nas explosões que destruíram os gasodutos Nord Stream em setembro de 2022. Falando durante uma coletiva de imprensa após a cúpula Báltico-Nórdica, ele afirmou que seu país nunca participou oficialmente de operação alguma relacionada ao incidente e que está colaborando plenamente com as investigações em andamento.
Os dois gasodutos — Nord Stream 1 e Nord Stream 2 — formavam um sistema de infraestrutura crítico que transportava gás natural da Rússia até a Alemanha através do Mar Báltico. Construído pela operadora russa Gazprom, o sistema consistia em quatro tubulações de aço revestidas de concreto, cada uma com aproximadamente 1.200 quilômetros de comprimento e mais de um metro de diâmetro, enterradas a profundidades entre 80 e 110 metros. O Nord Stream 1 começou a operar em 2012 e tinha capacidade de transportar até 110 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente. O Nord Stream 2 foi concluído em setembro de 2021, mas nunca entrou em operação — a Alemanha cancelou sua aprovação dias antes da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Na madrugada de 26 de setembro de 2022, sismógrafos suecos registraram uma série de explosões próximas à ilha dinamarquesa de Bornholm, com intervalos de aproximadamente 17 horas entre elas. As detonações romperam três dos quatro gasodutos, liberando nuvens massivas de metano na atmosfera. A Gazprom estimou que cerca de 800 bilhões de litros de gás — equivalente a aproximadamente três meses do consumo dinamarquês — vazaram para o oceano durante os dias seguintes. Apenas um dos quatro tubos, parte do Nord Stream 2, permaneceu intacto. A Dinamarca posteriormente autorizou reparos em janeiro, mas permanece incerto se algum trabalho foi realmente executado.
A investigação oficial tomou um rumo peculiar. Dinamarca e Suécia concluíram que se tratava de sabotagem, mas encerraram suas investigações em fevereiro de 2024 sem identificar publicamente nenhum suspeito. Entretanto, reportagens de veículos como o New York Times e Wall Street Journal sugeriram que um grupo pró-Ucrânia estava por trás do ataque. Promotores alemães identificaram um suspeito preso na Itália apenas como Serhii K, alegando que ele integrava um grupo que havia plantado dispositivos explosivos nos oleodutos próximos a Bornholm. Segundo os promotores, ele e seus cúmplices partiram de Rostock, na costa nordeste alemã, em um veleiro alugado para executar a operação.
Reportagens da revista Der Spiegel e da emissora ZDF descreveram um grupo de seis pessoas — cinco homens e uma mulher — que navegou no iate Andromeda, partindo de Rostock em 6 de setembro e retornando em 23 de setembro de 2022. O barco foi avistado na pequena ilha dinamarquesa de Christiansborg, próxima aos locais das explosões, no porto sueco de Sandhamn e em uma marina em Kołobrzeg, na Polônia, antes de voltar à Alemanha. Quando investigadores alemães invadiram o iate em janeiro de 2023, encontraram a bordo resíduos dos mesmos explosivos que a Suécia havia descoberto nos locais das detonações.
A Alemanha informou às Nações Unidas que acreditava que mergulhadores treinados poderiam ter fixado os dispositivos aos oleodutos em profundidades de 70 a 80 metros. Em 2024, Berlim emitiu um mandado de prisão europeu contra um instrutor de mergulho ucraniano identificado como Volodymyr Z, em conexão com os ataques. Segundo promotores poloneses, o suspeito morava na Polônia na época mas posteriormente se deslocou para a Ucrânia. Eles também afirmaram não haver evidências de que a Polônia tivesse servido como centro de operações para os ataques.
O caso permanece em um estado de suspensão investigativa. Dois suspeitos ucranianos continuam detidos sob acusação de envolvimento, enquanto um terceiro é procurado por mandado europeu. Zelensky insiste na inocência de seu país, mas a convergência de evidências circunstanciais — o grupo pró-Ucrânia, os suspeitos identificados, os explosivos encontrados — mantém a questão da autoria como um dos mistérios mais delicados do conflito entre Rússia e Ucrânia. Empresas ocidentais como EON e Shell suspenderam todos os investimentos nos gasodutos desde as explosões, e a infraestrutura energética europeia permanece fragmentada.
Citas Notables
A Ucrânia nunca participou oficialmente de nenhuma operação relacionada à explosão do gasoduto Nord Stream 2— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia