Zealand Pharma desafia Novo Nordisk e Eli Lilly no mercado de obesidade

Há espaço para outras empresas desenvolverem produtos para a perda de peso
O CEO da Zealand Pharma defende que o mercado de obesidade é grande demais para apenas dois vencedores.
Mark

Por que a Zealand acredita que consegue competir com a Novo Nordisk e a Eli Lilly, que já têm produtos no mercado e dominam a conversa?

Mimi

Steensberg argumenta que o mercado é grande demais para apenas dois vencedores. Ele vê 220 doenças associadas à obesidade e acredita que diferentes abordagens serão necessárias. Além disso, os GLP-1 atuais têm um problema real: 20% a 30% dos usuários abandonam o tratamento por efeitos colaterais.

Luke

Mas isso é uma estimativa dele, certo? Não vimos dados independentes sobre taxa de abandono. E quanto ao tamanho do mercado — US$ 6 bilhões para US$ 100 bilhões é uma projeção do Goldman Sachs, não uma certeza.

Mark

A amilina parece ser o grande trunfo da Zealand. Como funciona diferente?

Mimi

Em vez de suprimir o apetite como os GLP-1, a amilina induz saciedade após comer. Steensberg diz que isso oferece uma experiência mais natural — você consegue comer, mas fica satisfeito mais rápido. Os testes iniciais sugerem perda de peso similar com menos efeitos colaterais.

Luke

Testes iniciais. Ainda não sabemos como isso se comporta em fase 3 ou em uso real. E "menos efeitos colaterais" é relativo — precisamos ver os dados reais quando forem publicados.

Mark

Qual é o modelo de negócio da Zealand? Ela vai vender esses medicamentos ou apenas licenciar?

Mimi

Steensberg deixou claro que a empresa não quer ser comprada por um grande grupo. Ela prefere parcerias estratégicas. Com o survodutide, espera receber 10% em royalties sobre as vendas futuras. Com a amilina, ainda não há parceiro anunciado, mas banqueiros já a veem como alvo de aquisição.

Luke

Isso é especulação de banqueiros, não um fato. A empresa pode manter sua independência, pode ser comprada, pode fracassar nos testes. Tudo está aberto ainda.

Mark

A Roche e a AstraZeneca também estão entrando neste mercado. Isso valida a tese da Zealand?

Mimi

Sim, mostra que grandes farmacêuticas veem oportunidade real aqui. A Roche pagou US$ 3,1 bilhões pela Carmot. A AstraZeneca fez um acordo de US$ 2 bilhões. Até a Pfizer tentou, embora tenha fracassado.

Luke

Fracasso da Pfizer é importante notar — nem todo medicamento funciona. E esses investimentos massivos também significam que a competição será feroz. Não é garantia de sucesso para ninguém.

  • O mercado global de medicamentos para obesidade pode saltar de US$ 6 bilhões para US$ 100 bilhões até 2030, desencadeando uma corrida farmacêutica sem precedentes.
  • Novo Nordisk e Eli Lilly lideram com folga, mas já enfrentam escassez de oferta — uma brecha que empresas como Zealand, Roche e AstraZeneca disputam com bilhões investidos.
  • Entre 20% e 30% dos pacientes abandonam os GLP-1 anualmente por efeitos colaterais como náuseas e vômitos, abrindo espaço para alternativas com melhor tolerabilidade.
  • A Zealand avança em duas apostas simultâneas: o survodutide, em parceria com a Boehringer Ingelheim, e um tratamento baseado em amilina descrito por especialistas como 'um dos mais avançados' em desenvolvimento.
  • Com avaliação de US$ 4 bilhões e candidatos promissores em testes clínicos, a Zealand já é apontada como alvo atrativo de aquisição — mas seu CEO rejeita parcerias defensivas em favor de alianças estratégicas para 'vencer a obesidade'.

No cruzamento entre ciência e ambição de mercado, a dinamarquesa Zealand Pharma emerge como uma voz que recusa o papel de coadjuvante numa das corridas farmacêuticas mais intensas do nosso tempo. Enquanto Novo Nordisk e Eli Lilly dominam o tratamento da obesidade com medicamentos já escassos diante da demanda, a Zealand aposta em duas frentes — um concorrente direto em fase final de testes e uma abordagem alternativa baseada na amilina — para demonstrar que mercados transformadores raramente pertencem a apenas dois vencedores. Num setor que pode crescer dezesseis vezes até 2030, a pergunta não é se haverá espaço, mas quem terá a ciência e a estratégia para ocupá-lo.

A Zealand Pharma, biotecnologia dinamarquesa, posiciona-se para disputar um dos mercados mais cobiçados da medicina moderna. Enquanto Novo Nordisk e Eli Lilly colhem bilhões com o Wegovy e o Zepbound — e ainda enfrentam escassez diante da demanda —, a Zealand desenvolve seus próprios candidatos, convicta de que um mercado em explosão comporta mais de dois vencedores. As ações da empresa subiram 100% no último ano, reflexo da confiança dos investidores.

O CEO Adam Steensberg não vê os líderes atuais como obstáculo intransponível. Em entrevista ao Financial Times, ele deixou claro que busca parcerias estratégicas, não uma venda apressada. 'Não estamos interessados em pessoas interessadas em recuperar terreno', afirmou. 'Trata-se de unir forças com alguém que tenha uma estratégia de como vencer a obesidade.'

A empresa trabalha há mais de uma década com a Boehringer Ingelheim no survodutide, um GLP-1 em fase final de testes, do qual espera receber cerca de 10% em royalties. Mas seu diferencial mais promissor pode ser outro: um tratamento baseado na amilina, hormônio que induz saciedade após a refeição sem suprimir o apetite — uma distinção relevante quando 20% a 30% dos usuários de GLP-1 abandonam o tratamento por efeitos colaterais como náuseas e vômitos.

O cenário competitivo ao redor é igualmente agitado. A Roche pagou US$ 3,1 bilhões pela Carmot Therapeutics; a AstraZeneca fechou licenciamento de US$ 2 bilhões com uma fabricante chinesa; a Pfizer tentou entrar, mas recuou após efeitos colaterais em sua pílula oral. Analistas do Goldman Sachs estimam que o mercado pode chegar a US$ 100 bilhões até o fim da década.

Avaliada em US$ 4 bilhões, a Zealand já aparece no radar de potenciais adquirentes. Um banqueiro do setor descreveu seu tratamento de amilina como 'um dos mais avançados' em desenvolvimento. Com 220 doenças associadas à obesidade e novas moléculas surgindo, o campo de batalha farmacêutico dos próximos anos está apenas começando a se desenhar.

A Zealand Pharma, uma empresa de biotecnologia dinamarquesa, está se posicionando para desafiar a dupla que domina o mercado de medicamentos contra a obesidade. Enquanto a Novo Nordisk e a Eli Lilly colhem os frutos de seus sucessos com o Wegovy e o Zepbound — medicamentos que suprimem o apetite e já enfrentam escassez de oferta — a Zealand desenvolve seus próprios candidatos, apostando que há espaço suficiente neste mercado em explosão para mais de dois vencedores.

O otimismo em torno da empresa é palpável nos números. As ações da Zealand subiram 100% no último ano, impulsionadas pela confiança dos investidores no potencial de seus tratamentos. Adam Steensberg, presidente-executivo da companhia, não vê a liderança atual como um obstáculo intransponível. Em entrevista ao Financial Times, ele argumentou que a corrida ainda está no começo e que sua empresa busca parcerias estratégicas, não uma venda para um grande grupo farmacêutico. "Não estamos interessados em pessoas interessadas em recuperar terreno", disse ele. "Trata-se de unir forças com alguém que tenha uma estratégia de como vencer a obesidade."

A Zealand trabalha há mais de uma década com a Boehringer Ingelheim, grupo farmacêutico alemão, no desenvolvimento do survodutide, um medicamento GLP-1 que funciona de forma semelhante ao Wegovy. O fármaco está em fase final de testes e a Zealand espera receber cerca de 10% em royalties sobre as futuras vendas. Mas o verdadeiro diferencial da empresa pode estar em outra direção. Enquanto desenvolve esse concorrente direto, a Zealand também investe em uma abordagem alternativa baseada em um hormônio chamado amilina, que funciona de maneira distinta: em vez de suprimir o apetite, induz uma sensação de saciedade após a refeição.

Esta distinção não é meramente acadêmica. Os medicamentos GLP-1 atuais, embora eficazes, carregam um custo. Steensberg observa que cerca de 20% a 30% dos usuários abandonam o tratamento a cada ano devido a efeitos colaterais como vômitos, náuseas e prisão de ventre. A experiência de usar um GLP-1, segundo ele, pode ser desagradável: você chega a um bufê e percebe que não consegue comer nada porque não sente fome. A amilina promete uma alternativa que alcança perda de peso similar com um perfil de tolerabilidade melhor, mantendo a experiência do paciente mais próxima do normal.

O mercado que a Zealand tenta penetrar está em transformação acelerada. Analistas do Goldman Sachs estimam que o mercado global de medicamentos para perda de peso pode crescer de US$ 6 bilhões atualmente para até US$ 100 bilhões até o final da década. Essa perspectiva tem atraído investimentos massivos de outras grandes farmacêuticas. A Roche adquiriu a Carmot Therapeutics por US$ 3,1 bilhões no mês anterior à publicação desta reportagem. A AstraZeneca fechou um acordo de licenciamento de US$ 2 bilhões com a Eccogene, fabricante chinesa de um medicamento oral contra a obesidade. Até mesmo a Pfizer tentou entrar neste espaço, mas abandonou seus planos em dezembro após testes revelarem efeitos colaterais significativos em sua pílula de uso oral.

Steensberg defende que há abundância de oportunidades para múltiplos players. Ele aponta que existem 220 doenças associadas à obesidade, e que novas opções terapêuticas serão necessárias no futuro. A avaliação atual da Zealand em US$ 4 bilhões reflete essa confiança, mas também coloca a empresa no radar de potenciais adquirentes. Um banqueiro que acompanha o setor descreveu o tratamento de amilina da Zealand como "um dos mais avançados" em desenvolvimento, sugerindo que a companhia pode se tornar um alvo atrativo de aquisição conforme seus candidatos avançarem nos testes clínicos.

O sucesso dos medicamentos existentes já transformou este segmento em um dos mais lucrativos da indústria farmacêutica. Testes publicados em novembro mostraram que o Wegovy reduz o risco de morte em 18%, um resultado que ajudou a Novo Nordisk, maior farmacêutica europeia por valor de mercado, a consolidar sua posição no ano anterior. Mas a história está longe de estar escrita. Com múltiplas empresas investindo bilhões e novas moléculas em desenvolvimento, o mercado de obesidade promete ser um dos campos de batalha mais acirrados da medicina nos próximos anos.

Não estamos interessados em pessoas interessadas em recuperar terreno. Trata-se de unir forças com alguém que tenha uma estratégia de como vencer a obesidade.
— Adam Steensberg, presidente-executivo da Zealand Pharma
Em um ano, provavelmente 20% a 30% dos usuários dos GLP-1 abandonam esse tratamento em razão dos efeitos colaterais.
— Adam Steensberg, presidente-executivo da Zealand Pharma
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