Num mundo onde a geopolítica e a tecnologia disputam a atenção dos mercados, Wall Street escolheu terça-feira olhar para a frente: o setor tecnológico, liderado por uma Intel em disparada, devolveu aos investidores a confiança que a segunda-feira havia abalado. Mesmo com o Médio Oriente em chamas e o petróleo acima dos 91 dólares, o S&P 500 e o Nasdaq avançaram, lembrando que os mercados vivem tanto de narrativas quanto de factos — e a narrativa da inteligência artificial ainda não cedeu.
Wall Street recupera com tecnológicas em alta; Intel sobe mais de 8%
A recuperação parece um reajustamento saudável, não um colapso
Porque é que a recuperação tecnológica foi tão importante para Wall Street nesta sessão?
Porque inverteu o sentimento que dominava o mercado. Na segunda-feira, as tensões no Médio Oriente tinham pressionado tudo para baixo. Terça-feira, os investidores viram as quedas como uma oportunidade e voltaram aos títulos tecnológicos com força.
Mas as tensões geopolíticas não desapareceram, certo?
Não desapareceram. Os ataques continuam, o petróleo está acima dos 91 dólares, e isso alimenta receios sobre inflação. Mas o mercado decidiu que a história da IA é mais importante neste momento do que a do Médio Oriente.
E a Intel subiu mais de 8%. Isso é significativo?
É um sinal de que o setor tecnológico em geral está a recuperar. A Intel lidera essa recuperação, o que sugere que os investidores estão confiantes de que não há uma bolha a rebentar.
Então porque é que os resultados desta semana são tão importantes?
Porque vão mostrar se essa confiança é justificada. Se a Tesla e a Alphabet apresentarem números fracos ou previsões pessimistas, a recuperação pode não durar. Se forem fortes, validam que o rally tem pernas.
E a Reserva Federal? Vai cortar taxas?
Provavelmente vai. O mercado está a precificar dois cortes de 25 pontos base este ano, possivelmente começando em setembro. Mas isso depende de como a inflação evoluir — e o petróleo caro não ajuda.
O Pulso
- A Intel disparou mais de 8% e arrastou o setor tecnológico para cima, transformando o pessimismo de segunda-feira numa sessão de compras oportunistas.
- Os ataques no Médio Oriente entraram na décima noite consecutiva, com disrupções no Estreito de Ormuz a manter o petróleo acima dos 91 dólares e a reacender fantasmas inflacionistas.
- O mercado de swaps começa a precificar dois aumentos de juros pela Fed ainda este ano, com setembro a surgir como data provável para o primeiro aperto.
- Tesla e Alphabet apresentam resultados na quarta-feira, tornando os próximos dias num teste decisivo à sustentabilidade do rally tecnológico e dos investimentos em IA.
- Analistas como Adam Turnquist da LPL Financial defendem que a recente correção foi um reajustamento saudável, não o colapso de um tema de investimento estrutural.
Num mundo onde a geopolítica e a tecnologia disputam a atenção dos mercados, Wall Street escolheu terça-feira olhar para a frente: o setor tecnológico, liderado por uma Intel em disparada, devolveu aos investidores a confiança que a segunda-feira havia abalado. Mesmo com o Médio Oriente em chamas e o petróleo acima dos 91 dólares, o S&P 500 e o Nasdaq avançaram, lembrando que os mercados vivem tanto de narrativas quanto de factos — e a narrativa da inteligência artificial ainda não cedeu.
Wall Street recuperou na terça-feira depois de uma segunda-feira difícil, com o S&P 500 a subir 0,89%, o Nasdaq a avançar 1,29% e o Dow Jones a ganhar 0,74%. O motor da sessão foi o setor tecnológico: a Intel liderou com uma subida de mais de 8%, num movimento que começou na Ásia, atravessou a Europa e chegou aos Estados Unidos, acalmando os receios crescentes sobre uma bolha nos ativos ligados à inteligência artificial.
A pressão geopolítica, que havia dominado os mercados no dia anterior, ficou em segundo plano — mas não desapareceu. Os ataques no Médio Oriente prolongaram-se pela décima noite consecutiva, com o Irão a atacar mais uma embarcação no Estreito de Ormuz e os Houthis a tentarem bloquear o transporte de crude saudita pelo Mar Vermelho. O petróleo manteve-se acima dos 91 dólares, alimentando receios de novas pressões inflacionistas.
Esses receios têm eco nos mercados de taxas: os swaps apontam para uma probabilidade crescente de a Reserva Federal avançar com dois aumentos de 25 pontos base ainda este ano, possivelmente a partir de setembro. A reunião da próxima semana deverá decorrer sem alterações.
O verdadeiro veredicto sobre a saúde do rally tecnológico chegará nos próximos dias, com Tesla e Alphabet a apresentarem resultados na quarta-feira, seguidas de Microsoft, Meta, Apple e Amazon na semana seguinte. Os investidores procurarão sinais sobre os gastos em infraestruturas de IA e as perspetivas para o segundo semestre. Para já, a leitura dominante é a de que a correção recente foi um reajustamento natural após uma subida acentuada — não o fim de um ciclo.
Wall Street fechou terça-feira em terreno positivo, com os três principais índices norte-americanos a recuperarem depois de uma sessão negativa na segunda-feira. O S&P 500 avançou 0,89% para 7.509,20 pontos, o Nasdaq Composite subiu 1,29% para 25.837,21 pontos e o Dow Jones ganhou 0,74% para 52.224,64 pontos. A recuperação foi impulsionada por um movimento de compra em ações tecnológicas, com investidores a aproveitar as quedas recentes para reforçarem as suas carteiras a preços mais baixos.
O setor tecnológico liderou a sessão, com a Intel a disparar mais de 8% e a recuperação a ter começado na Ásia antes de se alastrar pela Europa e pelos Estados Unidos. Este movimento acalmou receios que vinham crescendo sobre uma possível bolha nos títulos ligados à inteligência artificial. A pressão geopolítica que havia dominado o mercado na segunda-feira — com tensões elevadas no Médio Oriente entre os EUA e o Irão — foi eclipsada pela força do setor tecnológico.
No entanto, os problemas geopolíticos continuam a pesar sobre os mercados de matérias-primas. Os ataques no Médio Oriente prolongaram-se pela décima noite consecutiva, enquanto disrupções no Estreito de Ormuz e noutras vias navegáveis mantêm a pressão sobre os preços do petróleo. O Irão atacou mais uma embarcação comercial em Ormuz e o grupo rebelde Houthis continua a tentar bloquear a passagem de navios que transportam crude saudita pelo Mar Vermelho. Com estes desenvolvimentos, o petróleo negoceou acima dos 91 dólares.
A escalada dos preços do petróleo alimenta receios entre os investidores sobre pressões inflacionistas. O mercado de swaps aponta para uma crescente possibilidade de a Reserva Federal norte-americana implementar dois apertos monetários de 25 pontos base este ano, com o primeiro possivelmente a chegar em setembro. Na reunião da próxima semana não se espera qualquer alteração nas taxas de juro.
A atenção dos investidores está agora virada para a época de resultados, que será crucial para validar se a recuperação tecnológica tem sustentabilidade. A Tesla e a Alphabet apresentam contas na quarta-feira, e os investidores estarão atentos a indicadores sobre gastos em infraestruturas de IA e previsões para o resto do ano. A Microsoft, Meta, Apple e Amazon divulgam resultados na semana seguinte. Adam Turnquist, analista da LPL Financial, comentou que a recente correção parece mais consistente com um reajustamento saudável após uma subida acentuada do que com um colapso fundamental do tema de investimento em IA.
Citações Notáveis
A recente correção parece mais consistente com um reajustamento saudável na sequência de uma subida parabólica do que com um colapso fundamental do tema de investimento na IA— Adam Turnquist, LPL Financial