Wall Street fecha no verde com tecnológicas em destaque; Nasdaq lidera ganhos

Estamos a meio de uma pequena mudança
Analista da Quant Insight descreve a mudança no sentimento do mercado em relação ao crescimento económico versus política monetária.
Mark

Porque é que os dados de desemprego tiveram tanto impacto? Parecia um número bastante comum.

Mimi

Porque sugerem que o mercado de trabalho está a arrefecer sem colapsar. Quando o desemprego sobe ligeiramente, os investidores interpretam isso como um sinal de que a Fed pode abrandar os aumentos de taxas. E isso é bom para as tecnológicas, que sofrem quando as taxas sobem.

Luke

Mas espera — o número foi de 225 mil pedidos, e isso estava "em linha com as expectativas". Portanto não era uma surpresa. Por que razão uma confirmação de expectativas causaria um movimento tão forte?

Mimi

Porque o contexto importa. Depois de semanas de preocupação sobre se a Fed iria continuar a apertar indefinidamente, este número ofereceu uma narrativa de alívio. Os investidores estavam à procura de uma razão para acreditar que o pior tinha passado.

Mark

E a Tesla subiu 8%? Isso parece extremo para um dia.

Mimi

A Tesla é extremamente sensível ao sentimento de risco. Quando os investidores ganham confiança, as ações de crescimento de alto risco disparam. E Elon Musk estava a tentar acalmar os trabalhadores nesse mesmo dia, o que pode ter criado uma narrativa de estabilidade.

Luke

Mas ele estava a avisar contra a "loucura do mercado acionista". Não é exatamente um sinal de confiança. Estamos a interpretar isto como otimismo quando talvez fosse apenas uma recuperação técnica?

Mimi

Talvez. Mas o Nasdaq subiu 2,59%, o que é significativo. Não foi apenas a Tesla — foi um movimento amplo nas tecnológicas.

Mark

E quanto à covid-19? Isso parecia uma distração.

Mimi

Não é uma distração. Os mercados globais ainda estão atentos ao que acontece na China. Se Pequim aliviar as restrições e isso levar a uma onda de casos, isso pode afetar as cadeias de abastecimento e o crescimento global.

Luke

Mas os EUA estão apenas a exigir testes aos passageiros da China. Isso é uma medida de precaução, não um sinal de alarme. Não devemos confundir vigilância com crise.

Mimi

Concordo. É mais um fator que os investidores estão a monitorizar do que algo que esteja a impulsionar o mercado neste momento.

Mark

Então o grande tema é realmente a Fed e a aterragem suave?

Mimi

Exatamente. Tudo o resto é ruído. A questão real é se Jerome Powell consegue reduzir a inflação sem destruir o crescimento. Se conseguir, 2023 será bom. Se não conseguir, teremos problemas.

  • O Nasdaq disparou 2,59% numa sessão dominada pelas tecnológicas, com Tesla a subir mais de 8% e gigantes como Amazon, Microsoft e Alphabet a registarem ganhos superiores a 2,7%.
  • Os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA subiram apenas 9 mil na última semana, mantendo-se nos 225 mil — um número que os investidores interpretaram como sinal de que a Fed pode moderar o ritmo de aperto monetário.
  • A pandemia regressou ao radar dos mercados: os EUA anunciaram a exigência de testes negativos à covid-19 para passageiros vindos da China, após Pequim abandonar a política 'covid zero' e enfrentar nova vaga de infeções.
  • Analistas alertam que 2023 será o verdadeiro teste: a grande questão é se Jerome Powell conseguirá travar a inflação sem mergulhar a economia numa recessão — a chamada 'aterragem suave'.

Na véspera do último dia de negociação de 2022, Wall Street encerrou em alta, conduzida pelas grandes tecnológicas num momento em que os dados do mercado de trabalho americano acenderam uma centelha de esperança: talvez a Reserva Federal possa afrouxar o passo nas subidas de juros. É um sinal pequeno, mas carregado de significado — os mercados, como sempre, leem nas estatísticas do presente os contornos do futuro que ainda não chegou.

Na penúltima sessão de 2022, Wall Street fechou em alta com os três principais índices a avançar: o S&P 500 subiu 1,75%, o Dow Jones ganhou 1,05% e o Nasdaq liderou com uma valorização de 2,59%. As ações tecnológicas foram as grandes protagonistas do dia, superando o desempenho mais contido dos índices mais amplos.

O impulso veio dos dados do mercado de trabalho americano: os pedidos de subsídio de desemprego aumentaram 9 mil na semana até 24 de dezembro, totalizando 225 mil — em linha com as previsões dos economistas. Para os investidores, o sinal foi claro: a Reserva Federal pode estar a aproximar-se de um abrandamento nos aumentos das taxas de juro, o que beneficia especialmente as ações de crescimento, mais vulneráveis às variações da política monetária.

A Tesla foi a estrela do dia, a subir 8,08%, precisamente quando Elon Musk apelava aos seus trabalhadores para ignorarem a volatilidade bolsista. Alphabet, Amazon e Microsoft também registaram ganhos expressivos, acima dos 2,7%. As ações de media acompanharam o otimismo geral em torno das empresas de crescimento.

A covid-19 voltou a pesar no sentimento dos mercados, com os EUA a anunciarem testes obrigatórios para viajantes provenientes da China, país que enfrenta uma nova vaga após o abandono da política 'covid zero'. Huw Roberts, da Quant Insight, observou que nas últimas semanas as ações se tornaram mais sensíveis ao crescimento económico do que à política monetária — uma pequena, mas significativa mudança de paradigma. Para Roberts, a grande questão de 2023 é simples de formular e difícil de responder: conseguirá a Fed de Powell controlar a inflação sem provocar uma recessão?

Na penúltima sessão de negociação de 2022, Wall Street acordou otimista. Os três principais índices norte-americanos fecharam em alta, com o S&P 500 a subir 1,75% para 3.849,28 pontos, o Dow Jones a ganhar 1,05% para 33.220,80 pontos, e o Nasdaq Composite a liderar com um avanço de 2,59% para 10.478,09 pontos. O destaque foi para as ações tecnológicas, que comandaram os ganhos do dia e superaram o desempenho mais modesto dos índices mais amplos.

O motor por trás desta recuperação foi um conjunto de dados sobre o mercado de trabalho norte-americano que sugeriu uma possível mudança na estratégia da Reserva Federal. Na semana terminada a 24 de dezembro, os pedidos de subsídio de desemprego aumentaram 9 mil para um total de 225 mil, um número que se manteve alinhado com as expectativas dos economistas. Para os investidores, este sinal foi interpretado como um possível abrandamento no ritmo de aumentos das taxas de juro, uma perspetiva que animou especialmente as ações de crescimento, mais sensíveis às mudanças na política monetária.

As gigantes tecnológicas foram as grandes vencedoras do dia. A Alphabet ganhou 2,82%, a Amazon valorizou 2,88% e a Microsoft cresceu 2,76%. Mas foi a Tesla que roubou os holofotes, escalando 8,08% no mesmo dia em que o seu CEO, Elon Musk, fez um apelo aos trabalhadores da empresa para que não se deixassem levar pela volatilidade do mercado acionista. As ações de media também beneficiaram do movimento geral de otimismo em torno das empresas de crescimento.

Para além da dinâmica monetária, a covid-19 voltou a influenciar o sentimento dos mercados. Os investidores acompanhavam de perto as notícias de que os EUA iriam exigir testes negativos à covid-19 aos passageiros provenientes da China, uma medida que surge após Pequim ter aliviado a sua política "covid zero" e enfrentar uma onda de novos casos. Este desenvolvimento mantém a pandemia como um fator de atenção para os operadores globais.

Huw Roberts, responsável pelo departamento de research da Quant Insight, uma firma de análise baseada em Londres, ofereceu uma perspetiva sobre o que estava a acontecer nos mercados. Segundo o especialista, "estamos a meio de uma pequena mudança", e nas últimas duas semanas as ações tinham-se tornado mais sensíveis ao crescimento económico do que aos novos desenvolvimentos da política monetária da Fed ou às condições financeiras gerais do mercado. Roberts acredita que 2023 será definido por uma questão central: se o banco central liderado por Jerome Powell conseguirá orquestrar uma "aterragem suave" da economia, evitando uma recessão enquanto controla a inflação. Esta incerteza sobre o futuro próximo permanece como o grande pano de fundo para os mercados que entram no novo ano.

Nas últimas duas semanas as ações foram mais sensíveis ao crescimento económico do que aos novos desenvolvimentos da política monetária da Fed
— Huw Roberts, Quant Insight
2023 será marcado pela questão fulcral sobre se o banco central liderado por Jerome Powell será capaz de garantir uma aterragem suave
— Huw Roberts, Quant Insight
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