Numa semana marcada pela tensão entre esperança e cautela, Wall Street encerrou em alta na sexta-feira, depois de os dados do emprego norte-americano em fevereiro revelarem uma vitalidade que superou largamente as expectativas. A criação de 379 mil postos de trabalho e a descida do desemprego para 6,2% lembraram aos mercados que a economia real ainda pulsa com força — mas esse mesmo vigor alimenta o receio de inflação e empurra os juros das obrigações para níveis que inquietam os investidores. É o paradoxo clássico da recuperação: as boas notícias trazem consigo as suas próprias sombras.
Wall Street fecha no verde com dados robustos do emprego
O emprego forte afasta investidores da segurança das obrigações
Porque é que dados bons do emprego fazem subir os juros das obrigações? Parece contraditório.
Não é contraditório se pensarmos como os investidores raciocinam. Quando o emprego está forte, significa que a economia está a recuperar. Nesse cenário, ninguém quer estar preso a obrigações com juros baixos — preferem ações e ativos com maior potencial de retorno. Todos vendem obrigações ao mesmo tempo, o que faz subir os juros.
E por que é que isso preocupa tanto? Juros mais altos não são bons para a economia?
Podem ser, mas há um limite. Se os juros sobem muito depressa, as empresas e as famílias pagam mais para se endividarem. Além disso, há o fantasma da inflação. Se a economia aquecer demasiado com todos estes estímulos, os preços começam a subir, e aí a Reserva Federal pode ser forçada a aumentar os juros de forma agressiva.
A Tesla perdeu 234 mil milhões de dólares. Como é que isso acontece?
Não foi tudo numa semana. Foram quatro semanas consecutivas de perdas. É o reflexo de uma mudança de preferências — os investidores saíram das tecnológicas para empresas mais ligadas à economia real, aquelas que beneficiam quando há crescimento generalizado.
Powell não fez nada para travar isto?
Não sinalizou nada. Os investidores esperavam que a Fed pudesse fazer uma Operação Twist, comprando obrigações de prazos mais longos para manter os juros baixos. Mas Powell manteve-se em silêncio, o que deixou o mercado ainda mais nervoso.
Então o que vem a seguir?
Tudo depende de como a economia reage aos estímulos. Se a inflação começar a aparecer, a Fed terá de agir. Se não, os mercados podem estabilizar. Por enquanto, é um equilíbrio frágil entre otimismo no emprego e medo da inflação.
O Pulso
- Os dados de emprego de fevereiro surpreenderam com 379 mil novos postos de trabalho, mais do dobro das 182 mil vagas previstas pelos economistas, devolvendo confiança a mercados que vinham sob pressão.
- O Nasdaq, que tinha apagado todos os ganhos de 2021, recuperou terreno e regressou a território positivo, ainda que por uma margem ténue de 0,25% no acumulado anual.
- A Tesla acumulou a quarta semana consecutiva de perdas, simbolizando a rotação dos investidores das tecnológicas para setores mais ligados ao ciclo económico.
- Os juros das obrigações a 10 anos dispararam para 1,62%, refletindo o temor de sobreaquecimento económico num momento em que os estímulos fiscais de Biden avançavam para votação no Senado.
- Jerome Powell falou no dia anterior mas recusou sinalizar qualquer mecanismo de controlo dos juros longos, deixando os mercados sem a rede de segurança que esperavam da Reserva Federal.
Numa semana marcada pela tensão entre esperança e cautela, Wall Street encerrou em alta na sexta-feira, depois de os dados do emprego norte-americano em fevereiro revelarem uma vitalidade que superou largamente as expectativas. A criação de 379 mil postos de trabalho e a descida do desemprego para 6,2% lembraram aos mercados que a economia real ainda pulsa com força — mas esse mesmo vigor alimenta o receio de inflação e empurra os juros das obrigações para níveis que inquietam os investidores. É o paradoxo clássico da recuperação: as boas notícias trazem consigo as suas próprias sombras.
Os mercados norte-americanos fecharam a semana em alta, com os investidores a optarem por valorizar os sinais positivos do emprego em detrimento dos receios sobre a subida dos juros da dívida soberana. O Dow Jones ganhou 1,85%, o S&P 500 avançou 1,95% e o Nasdaq Composite recuperou 1,55%, regressando a terreno positivo no acumulado anual com um ganho de 0,25% — depois de ter chegado a apagar todos os ganhos de 2021.
O grande motor desta recuperação foram os números do mercado de trabalho em fevereiro: a taxa de desemprego desceu de 6,3% para 6,2% e foram criados 379 mil novos empregos, mais do dobro das 182 mil vagas que os economistas antecipavam. O resultado foi suficientemente robusto para ofuscar, pelo menos temporariamente, as preocupações que tinham dominado o sentimento dos investidores nas semanas anteriores.
No entanto, a força da economia tem o seu próprio custo. Os juros das obrigações a 10 anos subiram para 1,62%, acima dos níveis registados a 25 de fevereiro, quando tinham regressado aos patamares pré-pandemia. A lógica é simples: quando a economia mostra vigor, os investidores abandonam a segurança da dívida soberana em busca de maiores retornos, pressionando os juros em alta. O receio de sobreaquecimento económico e de pressões inflacionárias — agravado pelo pacote de estímulos da Administração Biden que seguia para votação no Senado — mantém os mercados de dívida em agitação.
A ausência de sinais claros da Reserva Federal contribuiu para a incerteza. Jerome Powell falou num fórum do Wall Street Journal, mas não sinalizou qualquer intenção de implementar mecanismos para travar a subida dos juros longos, como a chamada Operação Twist. Os investidores ficaram sem a resposta que procuravam, e a volatilidade nos mercados de dívida deverá manter-se nos próximos dias, mesmo com o alívio proporcionado pelos dados do emprego.
Os mercados norte-americanos terminaram a semana em alta, com os investidores a darem mais peso aos sinais positivos do emprego do que aos receios crescentes sobre a subida dos juros da dívida soberana. O Dow Jones fechou em ganho de 1,85%, fixando-se nos 31.495,84 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 1,95% para 3.784,83 pontos. O Nasdaq Composite, que tinha apagado todos os ganhos acumulados no ano anterior, conseguiu recuperar com uma valorização de 1,55%, encerrando nos 12.920,15 pontos e regressando a terreno positivo com um ganho anual de 0,25%.
Os números do mercado de trabalho em fevereiro foram o grande catalisador desta recuperação. A taxa de desemprego desceu de 6,3% para 6,2%, enquanto as empresas criaram 379 mil novos postos de trabalho — um resultado que superou significativamente as projeções dos economistas, que esperavam um aumento de 182 mil empregos. Este desempenho robusto do setor laboral conseguiu ofuscar as preocupações que vinham dominando o sentimento dos investidores nas últimas semanas.
As ações tecnológicas, que tinham estado numa fase de recuperação até há pouco tempo, sofreram uma mudança de dinâmica. Os investidores começaram a preferir empresas mais sensíveis ao ciclo económico, antecipando uma retoma mais ampla. A Tesla exemplifica bem esta tendência, tendo registado a quarta semana consecutiva de perdas, com o seu valor de mercado a recuar 234 mil milhões de dólares.
No entanto, os bons dados do emprego tiveram um efeito secundário que preocupa os mercados: os juros das obrigações a 10 anos dispararam para 1,62%, um nível acima do registado a 25 de fevereiro, quando tinham voltado aos patamares anteriores à pandemia. Este movimento reflete a lógica dos mercados — quando a economia mostra sinais de força, os investidores abandonam a segurança da dívida soberana em busca de retornos maiores, o que faz subir os juros.
A questão que mantém os investidores em alerta é o risco de sobreaquecimento económico. Com o regresso gradual da atividade e os estímulos fiscais da Administração Biden — que se submetiam a votação no Senado naquele dia — existe o receio de que a economia possa aquecer demasiado, trazendo consigo pressões inflacionárias. Este cenário é o que tem alimentado a agitação atual nos mercados de dívida.
O presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, tinha falado num fórum do Wall Street Journal no dia anterior, mas não conseguiu acalmar os investidores. Estes esperavam que a Fed pudesse implementar a chamada Operação Twist — um mecanismo em que o banco central substitui a compra de obrigações de prazos mais curtos por obrigações de prazos mais longos para aliviar a pressão sobre os juros — mas Powell não sinalizou qualquer mudança na estratégia de compra de ativos da instituição. A ausência de medidas para travar a subida dos juros deixou em aberto a possibilidade de que os investidores continuem a enfrentar volatilidade nos próximos dias, mesmo com os sinais positivos do mercado de trabalho a fornecerem algum alívio no curto prazo.
Citações Notáveis
Os investidores esperavam que a Fed pudesse introduzir a Operação Twist para aliviar a pressão sobre os juros, mas Powell não sinalizou qualquer mudança de posicionamento— Análise de mercado