Depois de dois dias de hesitação provocados pela subida dos juros das obrigações do Tesouro, Wall Street recuperou na terça-feira com as grandes tecnológicas a liderarem o regresso ao otimismo. O Nasdaq saltou 3,68% e a Tesla disparou quase 20%, num movimento que reflete tanto o alívio dos juros como a antecipação de um pacote de estímulos histórico de 1,9 biliões de dólares. É o mercado a ler os sinais do momento — vacinação, estímulos e crescimento — e a ajustar as suas apostas em conformidade.
Wall Street fecha em alta com tecnológicas a brilharem; Tesla sobe 19,64%
Tesla disparou 19,64% depois de ter estado entre os maiores recuos
Porque é que a Tesla subiu quase 20% num único dia? Parece uma oscilação extrema.
A Tesla tinha caído bastante na segunda-feira, junto com todo o setor tecnológico. Quando os juros das obrigações caíram na terça, os investidores voltaram a acreditar que as empresas de crescimento valiam a pena. A Tesla foi a que mais sofreu, por isso foi a que mais recuperou.
E os outros ganhos — Apple, Facebook, Amazon — parecem menores. Porque é que a Tesla foi tão diferente?
Porque tinha caído mais. A recuperação é sempre proporcional à queda. Mas também há algo sobre a Tesla: é mais volátil, mais especulativa. Os investidores tratam-na de forma diferente das outras grandes tecnológicas.
O pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares — porque é que isso importa para Wall Street neste momento?
Porque sinaliza que o governo continua a apoiar a economia. Isso reduz o risco de recessão e dá confiança aos investidores para comprarem ações. Especialmente quando há incerteza sobre juros e inflação.
Mas Kristina Hooper diz que as tecnológicas vão ter resultados piores este ano do que em 2020. Isso não contradiz o otimismo de hoje?
Não, porque ela está a falar de um ciclo mais longo. Hoje, o mercado está a recuperar de um pânico de curto prazo. Mas ela está certa: 2020 foi anormal. Este ano, outras empresas vão começar a brilhar mais.
Então o que deveriam fazer os investidores com isto?
Provavelmente diversificar. Não colocar tudo em tecnológicas. As empresas que beneficiam da reabertura da economia — viagens, restauração, bens de consumo — podem ter um ano melhor do que as tecnológicas.
El Pulso
- Os juros das obrigações do Tesouro tinham assustado os investidores nos dias anteriores, penalizando duramente as ações de crescimento e deixando o Nasdaq em queda superior a 2%.
- A Tesla, símbolo máximo da volatilidade tecnológica, reverteu as perdas da véspera com um salto de 19,64%, arrastando consigo Apple, Facebook, Amazon e Microsoft para terreno positivo.
- A iminente aprovação do pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares de Biden funcionou como catalisador adicional, reforçando a confiança de que a economia americana continuaria apoiada.
- A OCDE melhorou as suas previsões para a economia mundial, citando a vacinação e os estímulos como motores de um otimismo que se alargou além das fronteiras americanas.
- Analistas como Kristina Hooper da Invesco alertam, porém, que o ciclo está a mudar: as tecnológicas terão bons resultados, mas dificilmente repetirão os ganhos extraordinários de 2020.
Depois de dois dias de hesitação provocados pela subida dos juros das obrigações do Tesouro, Wall Street recuperou na terça-feira com as grandes tecnológicas a liderarem o regresso ao otimismo. O Nasdaq saltou 3,68% e a Tesla disparou quase 20%, num movimento que reflete tanto o alívio dos juros como a antecipação de um pacote de estímulos histórico de 1,9 biliões de dólares. É o mercado a ler os sinais do momento — vacinação, estímulos e crescimento — e a ajustar as suas apostas em conformidade.
Depois de uma segunda-feira de recuos, Wall Street regressou na terça-feira com apetite renovado pelo risco. O S&P 500 avançou 1,42%, o Dow Jones ganhou 0,09%, mas foi o Nasdaq que dominou a sessão, saltando 3,68% para 13.073,83 pontos — uma recuperação expressiva face às perdas do início da semana.
A Tesla foi a grande protagonista do dia, disparando 19,64% para 673,58 dólares e revertendo as perdas da véspera. As restantes grandes tecnológicas acompanharam: Apple subiu 4,06%, Facebook avançou 4,09%, Amazon valorizou 3,76% e Microsoft ganhou 2,81%. O regresso ao verde era coletivo e inequívoco.
O principal motor da viragem foi a queda dos juros das obrigações do Tesouro, que tinham atingido máximos na segunda-feira e pressionado as ações de crescimento. Com esse alívio, os investidores voltaram a apostar nas tecnológicas. A proximidade da aprovação final do pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares de Biden e a revisão em alta das previsões da OCDE para a economia mundial reforçaram o sentimento positivo.
Mas nem tudo aponta para uma continuação sem nuances. A analista Kristina Hooper, da Invesco, lembrou que o ciclo de mercado está a mudar: as empresas ligadas à recuperação económica real deverão superar-se ao longo do ano, enquanto as tecnológicas, embora sólidas, dificilmente repetirão os ganhos extraordinários que a pandemia lhes proporcionou em 2020.
Depois de uma segunda-feira marcada por recuos, Wall Street acordou terça-feira com um apetite renovado pelo risco. Os mercados norte-americanos fecharam a sessão em terreno positivo, com os investidores a regressarem às ações tecnológicas depois de dois dias de cautela provocados pelo aumento dos juros das obrigações do Tesouro. O S&P 500 avançou 1,42% para 3.875,47 pontos, enquanto o Dow Jones ganhou 0,09% para 31.832,08 pontos. Mas foi o Nasdaq que roubou as atenções, saltando 3,68% para 13.073,83 pontos — uma recuperação notável face aos recuos superiores a 2% que tinha sofrido no início da semana.
A Tesla foi a estrela do dia. Os títulos da fabricante automóvel de Elon Musk dispararam 19,64% para 673,58 dólares, revertendo as perdas significativas que tinha acumulado na sessão anterior. Mas a empresa não estava sozinha no verde. A Apple subiu 4,06% para 121,09 dólares, o Facebook avançou 4,09% para 265,74 dólares, a Amazon valorizou 3,76% para 3.062,85 dólares, e a Microsoft ganhou 2,81% para 233,78 dólares. O padrão era claro: as grandes tecnológicas estavam de volta ao favor dos investidores.
O que mudou entre segunda e terça? Os juros das obrigações do Tesouro recuaram dos níveis máximos que tinham atingido no dia anterior, aliviando a pressão sobre as ações de crescimento que dominam o Nasdaq. Essa queda de juros abriu espaço para que os investidores voltassem a apostar nas empresas tecnológicas, que tinham sido castigadas pela perspetiva de uma inflação mais elevada e de taxas de juro em subida.
Mas havia mais combustível para o otimismo. O pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares defendido pela administração de Joe Biden estava próximo da aprovação final, faltando apenas a votação da Câmara dos Representantes. Os investidores viam neste estímulo um sinal de que a economia americana continuaria a receber apoio significativo nos próximos meses. Simultaneamente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico melhorou as suas estimativas para a economia mundial, citando os avanços na vacinação e os novos pacotes de estímulos como razões para o otimismo renovado.
Kristina Hooper, analista da Invesco, oferecia uma perspetiva mais matizada sobre o que viria a seguir. Segundo ela, as empresas que beneficiam diretamente do bom desempenho económico — aquelas fora do setor tecnológico — deveriam superar-se durante o ano. As tecnológicas, por seu lado, teriam bons resultados, mas provavelmente abaixo dos ganhos extraordinários que tinham conseguido em 2020, quando os confinamentos tinham impulsionado a procura pelos seus serviços e produtos. A mensagem era clara: o ciclo de mercado estava a mudar, e nem todas as ações tecnológicas continuariam a brilhar com a mesma intensidade.
Citas Notables
As cotadas que beneficiam do bom desempenho da economia vão superar-se este ano, enquanto as tecnológicas vão ter bons resultados, mas abaixo dos que conseguiram em 2020— Kristina Hooper, Invesco