Wall Street fecha agosto no vermelho com tensões no Médio Oriente a pressionar mercados

Dados de emprego fortes podem ser vistos como má notícia
Analistas alertam que números robustos de emprego reforçariam expectativas de subida de taxas de juro.
Mark

Porque é que ataques no Médio Oriente afetam tanto as bolsas americanas? Não deveria ser uma questão regional?

Mimi

O estreito de Ormuz é uma das rotas de comércio mais críticas do mundo. Qualquer perturbação ali afeta os preços do petróleo globalmente, e isso toca diretamente na inflação — que é o que a Reserva Federal está a tentar controlar.

Luke

Mas os recuos foram pequenos — menos de 1% em todos os índices. Será que isto é realmente uma queda significativa ou apenas ruído de mercado?

Mimi

É verdade que os números são modestos. Mas o que importa é o que os investidores temem que venha a seguir — se a tensão escalar, os preços do petróleo podem disparar muito mais.

Mark

E os dados de emprego que vêm na sexta-feira — porque é que números fortes seriam má notícia?

Mimi

Porque se o emprego está forte, a Reserva Federal pode sentir-se justificada em subir as taxas de juro para combater a inflação. Taxas mais altas tornam os empréstimos mais caros e as ações menos atrativas.

Luke

Mas espera — o presidente Warsh já disse que a economia está em pleno emprego. Então porque é que os dados ainda importam tanto?

Mimi

Porque a diferença entre "pleno emprego" e "emprego inesperadamente forte" pode mudar a narrativa. Os mercados vivem de surpresas.

Mark

E setembro é historicamente mau para as ações. Isso é apenas coincidência ou há algo estrutural?

Luke

Os dados mostram uma média de -0,8% em setembro versus +0,9% noutros meses, mas isso é ao longo de 30 anos. Nos últimos dois anos, o S&P 500 contrariou a tendência. Portanto, o padrão existe, mas não é garantido.

Mimi

Verdade. Mas quando temos padrões históricos, tensão geopolítica e incerteza sobre taxas de juro tudo ao mesmo tempo, os investidores tendem a ser mais cautelosos.

Mark

A queda da Edison e da PG&E — 20% é uma queda brutal. Isso é apenas sobre a lei californiana ou há algo mais?

Mimi

É principalmente a lei. Newsom queria proteger estas empresas de processos judiciais de seguradoras, mas o novo projeto de lei deixou isso de fora. Para as utilities, que enfrentam riscos crescentes de incêndios, essa proteção era importante.

  • Ataques cruzados entre forças norte-americanas e iranianas no estreito de Ormuz interromperam qualquer esperança de estabilidade numa das artérias mais vitais do comércio global.
  • O petróleo subiu em resposta à escalada, alimentando receios de inflação persistente e fortalecendo as apostas numa subida de juros pela Reserva Federal já em setembro.
  • Edison e PG&E desabaram mais de 20% depois de o parlamento californiano retirar uma proteção legal que as utilities esperavam para se defenderem de processos judiciais ligados a incêndios florestais.
  • A Nvidia nadou contra a corrente ao subir 1,48%, ancorada num investimento de 3,5 mil milhões de dólares na taiwanesa MediaTek para expandir o seu ecossistema de centros de dados.
  • Com dados de emprego previstos para sexta-feira e inflação para 11 de setembro, analistas adotam postura cautelosa: boas notícias no mercado de trabalho podem ser lidas como má notícia para as ações.

No último dia de agosto, Wall Street encerrou em queda sob o peso de uma escalada militar entre Washington e Teerão que perturbou o estreito de Ormuz e empurrou os preços do petróleo para cima, reacendendo o velho temor inflacionista. Os mercados, já sensíveis ao ritmo da política monetária, viram nessa tensão geopolítica um sinal de que o caminho para setembro — historicamente o mês mais ingrato para as ações — será estreito e exigente. A humanidade volta a descobrir que as chamas acesas em pontos remotos do mapa chegam, inevitavelmente, aos pregões.

Wall Street fechou agosto em terreno negativo na segunda-feira, com o S&P 500 a ceder 0,33%, o Dow Jones 0,70% e o Nasdaq 0,12%. O pano de fundo foi uma escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão: forças norte-americanas atingiram uma ilha no estreito de Ormuz, e Teerão respondeu com ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. Donald Trump prometeu retaliação sem revelar detalhes. A via marítima crítica ficou ainda mais perturbada, e o petróleo subiu em consequência.

Esse aumento energético reforçou as expectativas de uma subida de juros em setembro, depois de Kevin Warsh, presidente da Fed, reiterar o compromisso de combater a inflação. O mercado de swaps já aponta para uma subida como cenário mais provável. Os dados de emprego de sexta-feira e os números da inflação de 11 de setembro serão decisivos — e analistas do JPMorgan e da E*Trade alertam que resultados surpreendentemente fortes no emprego podem ser interpretados negativamente pelos mercados, por reforçarem a pressão sobre a Fed.

No plano empresarial, Edison e PG&E sofreram quedas superiores a 20% após o parlamento californiano excluir uma proposta do governador Newsom que protegia as utilities de processos judiciais movidos por seguradoras após incêndios florestais. A mudança legislativa apanhou as empresas desprevenidas. Em sentido contrário, a Nvidia avançou 1,48% ao anunciar um investimento de 3,5 mil milhões de dólares na MediaTek, aprofundando a sua estratégia de expandir o ecossistema de chips para centros de dados.

Septembro chega carregado de história: é, em média, o pior mês do ano para as ações, com o S&P 500 a perder 0,8% nos últimos trinta anos. Com geopolítica, política monetária e dados económicos a convergirem em simultâneo, os investidores entram na semana mais exigente do outono com pouca margem para surpresas.

Wall Street terminou agosto em terreno negativo na segunda-feira, com os principais índices a recuarem enquanto tensões geopolíticas no Médio Oriente elevavam os preços do petróleo e reacendiam receios sobre inflação. O S&P 500 caiu 0,33% para 7.686,14 pontos, o Dow Jones recuou 0,70% para 53.185,90 pontos e o Nasdaq Composite abrandou 0,12% para 26.370,89 pontos — movimentos modestos em termos percentuais, mas significativos no contexto de uma semana em que os investidores aguardam dados económicos cruciais dos Estados Unidos.

Os ataques trocados entre Washington e Teerão marcaram a primeira escalada militar entre os dois países em cerca de um mês. As forças norte-americanas atingiram uma ilha no estreito de Ormuz, enquanto a República Islâmica respondeu com ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. O presidente Donald Trump declarou à Fox News que os Estados Unidos vão responder, sem fornecer detalhes sobre a natureza ou o calendário dessa resposta. A escalada afastou qualquer esperança de normalização do tráfego naquela via crítica de comércio global, com o petróleo a subir em resposta.

Esse aumento nos preços da energia reforçou as apostas numa subida das taxas de juro, especialmente depois de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal, ter reiterado o compromisso de combater a inflação. O mercado de swaps já dá como mais provável uma subida de juros em setembro do que o contrário, segundo a Bloomberg. A decisão final dependerá dos dados do emprego, esperados para sexta-feira, e dos números da inflação, previstos para 11 de setembro.

Analistas dividem-se sobre o significado desses dados. Chris Larkin, da E*Trade (unidade da Morgan Stanley), alertou que dados de emprego inesperadamente fortes podem ser interpretados como má notícia pelos mercados, já que reforçariam as expectativas de uma subida de juros. Andrew Tyler, do JPMorgan Chase, considerou que o relatório de emprego será crítico, embora os dados da inflação sejam ainda mais importantes, dado que Warsh considera que a economia está em pleno emprego. Tyler adotou uma postura "taticamente cautelosa" para as ações norte-americanas nas próximas semanas.

O calendário traz consigo um desafio histórico. Setembro é tradicionalmente o pior mês do ano para as ações: o S&P 500 perdeu, em média, 0,8% nos meses de setembro das últimas três décadas, em contraste com uma subida média de 0,9% nos restantes 11 meses. Embora o índice tenha contrariado essa tendência sazonal nos últimos dois anos, a Bloomberg nota que o padrão histórico permanece robusto.

No plano empresarial, a Edison e a PG&E — ambas do setor das utilities — sofreram quedas acentuadas. A Edison caiu 23,20% e a PG&E 20,23%, após um novo projeto de lei na Califórnia sobre incêndios florestais ter deixado de fora a proposta do governador Gavin Newsom para proteger as empresas de serviços públicos de processos judiciais movidos por seguradoras. A mudança legislativa removeu uma proteção que as empresas esperavam.

Numa nota mais positiva, a Nvidia subiu 1,48% após anunciar um investimento de 3,5 mil milhões de dólares na MediaTek, fabricante taiwanesa de chips. O investimento aprofunda a parceria entre as duas empresas numa altura em que a Nvidia tenta convencer mais companhias a construírem chips compatíveis com o seu ecossistema de centros de dados.

Os próximos dias serão determinantes. Com os mercados a entrarem em setembro — historicamente volátil — e com dados cruciais de emprego e inflação à espera, os investidores enfrentam uma semana em que a geopolítica, a política monetária e os números económicos reais convergem para moldar o rumo dos mercados.

Com os investidores a seguirem de perto a volatilidade geopolítica, para além da potencial volatilidade sazonal, vai ser interessante perceber que parte do impulso da semana passada se vai manter esta semana
— Chris Larkin, E*Trade (Morgan Stanley)
Dados do mercado de trabalho inesperadamente fortes podem ser vistos como má notícia pelo mercado, já que podem reforçar as expectativas de uma subida de juros
— Chris Larkin, E*Trade
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