O Brasil carrega o terceiro maior fardo financeiro do mundo com o diabetes — 45 bilhões de dólares por ano —, enquanto a doença silenciosamente afeta mais de um décimo de sua população. Em resposta a esse peso coletivo, organizações da sociedade civil e do setor de saúde se unem em Indaiatuba, no dia 11 de setembro, para capacitar profissionais do SUS com o conhecimento que pode interromper o ciclo entre diagnóstico negligenciado, complicações evitáveis e hospitalizações custosas. É a aposta antiga e sempre urgente de que educar quem cuida é, em última instância, cuidar de todos.
Vozes do Advocacy e Sempre Amigos capacitam profissionais de saúde em diabetes
Educação melhora adesão, adesão reduz complicações, complicações reduzem gastos
Por que uma organização de advocacy acha que treinar profissionais de saúde vai mudar o cenário do diabetes no Brasil?
Porque o controle da glicemia depende de adesão ao tratamento, e adesão depende de educação — tanto do paciente quanto de quem o atende. Se o profissional não conhece as complicações, não consegue motivar o paciente a se cuidar.
Mas a pesquisa mostra que o acesso à tecnologia é desigual. Treinar profissional não resolve isso se o paciente não consegue comprar o sensor.
Verdade. Por isso o projeto também é um sinal de que essas organizações estão pressionando por políticas públicas de acesso. Educação é o primeiro passo.
Os números sobre sensor de glicose são impressionantes — 38% menos complicações microvasculares. Mas quantas pessoas no Brasil realmente usam isso?
A pesquisa não diz. Ela compara quem usa com quem não usa, mas não quantifica a penetração da tecnologia na população.
Exatamente. E é por isso que o projeto importa — porque a maioria dos pacientes do SUS provavelmente não tem acesso a sensor. Treinar profissional é tentar maximizar o que já existe.
Então o Brasil gasta 45 bilhões de dólares com diabetes, mas a maioria das pessoas não tem acesso às ferramentas que reduzem complicações?
Sim. Muito do gasto é com complicações e internações que poderiam ser evitadas.
A pesquisa teve apoio da Roche, que vende sensor. Não é conflito de interesse?
É um risco. Mas os dados sobre complicações vêm de pesquisa epidemiológica — Vigitel — que é independente. O estudo da Roche mostrou correlação, não causalidade comprovada.
E se o profissional for bem treinado, mas o paciente não tiver acesso a medicamento ou sensor?
Aí o treinamento ajuda a otimizar o que existe — educação em estilo de vida, monitoramento com ferramentas disponíveis no SUS, encaminhamento correto.
Le Pouls
- O Brasil é o terceiro país do mundo em gastos com diabetes, e 10,2% da população já carrega o diagnóstico — com mulheres desproporcionalmente afetadas.
- Pesquisa com 1.411 pacientes revela que a falta de controle glicêmico a longo prazo é a principal porta de entrada para complicações graves, como amputações, doenças renais e cardiovasculares.
- Usuários de sensor de glicose têm até 42% menos chance de complicações macrovasculares, mas o acesso à tecnologia ainda é profundamente desigual no país.
- O projeto Educar para Salvar reúne profissionais do SUS em dois turnos de capacitação, com apoio de seis empresas do setor e da Secretaria de Saúde de Indaiatuba.
- A lógica é direta: profissionais mais bem preparados geram melhor adesão ao tratamento, menos complicações e, consequentemente, menos pressão sobre os recursos públicos de saúde.
O Brasil carrega o terceiro maior fardo financeiro do mundo com o diabetes — 45 bilhões de dólares por ano —, enquanto a doença silenciosamente afeta mais de um décimo de sua população. Em resposta a esse peso coletivo, organizações da sociedade civil e do setor de saúde se unem em Indaiatuba, no dia 11 de setembro, para capacitar profissionais do SUS com o conhecimento que pode interromper o ciclo entre diagnóstico negligenciado, complicações evitáveis e hospitalizações custosas. É a aposta antiga e sempre urgente de que educar quem cuida é, em última instância, cuidar de todos.
O Brasil gasta 45 bilhões de dólares por ano com diabetes, ocupando o terceiro lugar no ranking mundial de custos com a doença. Segundo dados da Pesquisa Vigitel, 10,2% da população tem diagnóstico confirmado — com maior prevalência entre mulheres (11,1%) do que entre homens (9,1%). Diante desse cenário, o Vozes do Advocacy e a Associação Sempre Amigos decidiram agir onde o impacto pode ser mais duradouro: na formação de quem está na linha de frente do cuidado.
No dia 11 de setembro, em Indaiatuba, o projeto Educar para Salvar reunirá profissionais de saúde do SUS em dois turnos de capacitação no Auditório da Unimax. O evento, realizado com a Secretaria de Saúde local e apoio de empresas como Amgen, Bayer, Chiesi, Libbs, Merck e Sanofi, abordará diabetes, suas complicações, doença ocular da tireoide e lipodistrofia generalizada congênita.
A iniciativa ganha força a partir de uma pesquisa inédita do Vozes do Advocacy, publicada em maio, que entrevistou 1.411 adultos com diabetes. Os dados são reveladores: entre usuários atuais de sensor de glicose, 77,3% não apresentam complicações. Entre quem nunca usou a tecnologia, esse número cai para 53,3%. No total, usuários de sensor têm 38% menos chance de complicações microvasculares e 42% menos de macrovasculares — como doenças cardiovasculares e amputações.
Edvaldo Apolinário, presidente da Associação Sempre Amigos, resume a cadeia de benefícios esperada: profissionais mais informados promovem melhor adesão ao tratamento; melhor adesão reduz complicações; menos complicações aliviam o SUS de hospitalizações evitáveis. O projeto não resolve sozinho as desigualdades no acesso à tecnologia de monitorização — lacuna que a própria pesquisa aponta como crítica —, mas representa um passo concreto para aproximar o conhecimento disponível da prática cotidiana do cuidado público.
O Brasil gasta 45 bilhões de dólares por ano com diabetes — mais do que qualquer país exceto dois no mundo inteiro. A doença atinge 10,2% da população, segundo dados da Pesquisa Vigitel coletados em 27 cidades, com prevalência maior entre mulheres (11,1%) do que entre homens (9,1%). Diante desse cenário, duas organizações — Vozes do Advocacy e a Associação Sempre Amigos — estão movimentando esforços para treinar profissionais de saúde que trabalham no Sistema Único de Saúde, apostando que educação continuada pode frear o avanço das complicações e, consequentemente, reduzir a pressão financeira sobre o sistema público.
No dia 11 de setembro, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, acontecerá o projeto Educar para Salvar. O evento, realizado em parceria com a Secretaria de Saúde local, funcionará em dois turnos — das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h — no Auditório da Unimax. O foco será atualizar conhecimentos sobre diabetes, suas complicações, doença ocular da tireoide e lipodistrofia generalizada congênita. Seis empresas do setor farmacêutico e de saúde — Amgen, Bayer, Chiesi, Libbs, Merck e Sanofi — apoiam a iniciativa.
A urgência por essa capacitação vem de dados recentes. Uma pesquisa inédita do Vozes do Advocacy, publicada em maio e intitulada Acesso à Tecnologia de Monitorização do Diabetes no Brasil, entrevistou 1.411 adultos com diagnóstico de diabetes. O estudo, com apoio da Roche, revelou que a falta de controle da glicemia em médio e longo prazos é a principal causa do surgimento de complicações. Mas há uma descoberta mais promissora: quem usa sensor de glicose tem chances significativamente menores de desenvolver problemas graves.
Os números são claros. Entre os usuários atuais de sensor de glicose, 77,3% não têm complicações do diabetes. Apenas 12,4% desenvolveram uma complicação e 10,3% têm duas ou mais. Quando se compara com pessoas que nunca usaram a tecnologia, o quadro muda drasticamente: 53,3% não têm complicações, 24% têm uma e 22,8% têm duas ou mais. Traduzindo para risco: usuários atuais de sensor têm cerca de 38% menor chance de sofrer complicações microvasculares — como retinopatia, doença renal e neuropatia — e 42% menor chance de complicações macrovasculares, que incluem doenças cardiovasculares e amputações. O risco de uma complicação crônica cai 34%.
Edvaldo Apolinário, presidente da Associação Sempre Amigos, articula a lógica por trás do projeto. Diabetes, diz ele, é uma condição que exige acesso a insumos e medicamentos, tratamento que envolva múltiplos profissionais bem preparados, e educação contínua para quem convive com a doença. Se profissionais de saúde estiverem melhor informados, a adesão ao tratamento melhora. Se a adesão melhora, as complicações diminuem. Se as complicações diminuem, o SUS economiza em hospitalizações e internações — um ciclo que beneficia tanto o paciente quanto o sistema público.
O projeto Educar para Salvar representa uma aposta em educação como ferramenta de prevenção. Não é uma solução que resolve tudo — o acesso à tecnologia de monitorização ainda é desigual, e a pesquisa do Vozes do Advocacy deixa claro que a desigualdade social está intimamente ligada ao acesso a essas ferramentas. Mas é um passo concreto para reduzir a lacuna entre o que os profissionais sabem e o que precisam saber para ajudar seus pacientes. Mais informações estão disponíveis nas redes sociais da organização: Instagram e Facebook como vozesdoadvocacy.
Citations marquantes
Diabetes requer acesso a insumos e medicamentos, tratamento multidisciplinar com profissionais capacitados e educação em diabetes. Por meio da educação, melhoraremos a adesão ao tratamento e diminuiremos os gastos do SUS com complicações, hospitalizações e internações.— Edvaldo Apolinário, presidente da Associação Sempre Amigos