Mesmo sob prisão domiciliar e com o aparelho celular já nas mãos da Polícia Federal, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou apagar rastros digitais ao encomendar uma invasão ao iCloud da Apple — um gesto que revela até onde pode chegar o impulso humano de controlar a própria narrativa diante da lei. A tentativa foi identificada em tempo real pelos investigadores e interrompida antes de causar dano às evidências. O episódio, inserido na Operação Compliance Zero, lembra que a vigilância digital do Estado e a vulnerabilidade das provas eletrônicas tornaram-se o novo campo de batalha entre p
Vorcaro encomendou ataque hacker para apagar dados do celular durante prisão domiciliar
A invasão foi identificada e interrompida em tempo real
Por que Vorcaro tentaria apagar dados do celular se já estava preso? Não seria tarde demais?
Não necessariamente. Ele estava em prisão domiciliar, não em cela. Tinha acesso a comunicações, podia fazer pedidos. E o celular já estava apreendido há dois meses — ele sabia que a PF estava analisando o conteúdo.
Mas espera. Se o celular já estava com a polícia, como um ataque ao iCloud ajudaria? O iCloud é a nuvem, não o aparelho físico.
Exatamente. O iCloud sincroniza dados — mensagens, fotos, registros. Se conseguissem acessar a conta, poderiam apagar tudo que estava armazenado lá, inclusive backups do celular.
E funcionou?
Não. A polícia identificou a invasão em tempo real e a interrompeu. Os dados permaneceram intactos.
Quem identificou? Como? A reportagem diz que policiais identificaram, mas não explica o mecanismo.
A reportagem não detalha isso. Sabemos que foi interrompido, que Santos conseguiu acessar mas não completou a ação. Os detalhes técnicos não foram divulgados.
E Miranda, o intermediário — ele está sendo investigado também?
A reportagem não diz explicitamente. Ela aponta que ele recebia ordens de Vorcaro, que intermediava o contato com Santos, que também tentava derrubar reportagens. Mas não há confirmação de acusação formal contra ele.
Então temos Vorcaro dando ordens, Miranda executando, Santos fazendo o trabalho técnico. Mas só Vorcaro está preso?
Só Vorcaro está detido na Papudinha. Os outros dois não aparecem como presos na reportagem.
O Pulso
- Com o celular já apreendido há dois meses, Vorcaro agiu com urgência para destruir evidências antes que a PF extraísse os dados — o tempo era seu maior inimigo.
- Um especialista em segurança cibernética foi recrutado e chegou a acessar o iCloud, mas policiais monitoravam a invasão em tempo real e a interromperam antes que qualquer dado fosse apagado.
- A operação de limpeza digital não se limitava ao próprio banqueiro: Vorcaro também ordenou o apagamento de dados do cunhado Fabiano Zettel, operador financeiro ligado a suspeitos pagamentos a autoridades.
- Além do ataque hacker, o intermediário Thiago Miranda recebia ordens para derrubar reportagens publicadas na imprensa, revelando uma estratégia coordenada de supressão de informações.
- Os diálogos de Vorcaro aparecem intactos em relatórios posteriores da PF, confirmando que a tentativa fracassou — e agravando sua situação jurídica em um processo que já acumula acusações de fraude, lavagem de dinheiro e corrupção.
Mesmo sob prisão domiciliar e com o aparelho celular já nas mãos da Polícia Federal, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou apagar rastros digitais ao encomendar uma invasão ao iCloud da Apple — um gesto que revela até onde pode chegar o impulso humano de controlar a própria narrativa diante da lei. A tentativa foi identificada em tempo real pelos investigadores e interrompida antes de causar dano às evidências. O episódio, inserido na Operação Compliance Zero, lembra que a vigilância digital do Estado e a vulnerabilidade das provas eletrônicas tornaram-se o novo campo de batalha entre poder e responsabilidade.
Em janeiro, enquanto cumpria prisão domiciliar em São Paulo, Daniel Vorcaro acionou um intermediário com uma missão delicada: invadir o iCloud da Apple e apagar os dados de seu celular antes que a Polícia Federal os acessasse. A Operação Compliance Zero já tinha o aparelho há dois meses, e o banqueiro sabia que o tempo corria contra ele.
O intermediário Thiago Miranda contratou um especialista em segurança cibernética para executar o ataque. O acesso ao iCloud chegou a ser obtido, mas policiais que monitoravam a operação em tempo real identificaram a invasão e a interromperam. A presença de diálogos do banqueiro em relatórios posteriores da PF confirma que os dados permaneceram intactos.
A preocupação de Vorcaro ia além do próprio celular. Ele também ordenou o apagamento de dados do cunhado Fabiano Zettel, operador financeiro apontado como responsável por efetuar pagamentos a autoridades por meio de empresas e fundos ligados ao Banco Master. Miranda ainda recebia ordens para derrubar reportagens publicadas em sites de notícias e é apontado como elo entre o banqueiro e influenciadores que atuaram contra o Banco Central após a liquidação do Master.
Vorcaro responde por suspeita de fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção. Preso duas vezes — em novembro de 2025 e em março de 2026 —, ele permanece detido em Brasília. As informações foram publicadas pela revista Piauí e confirmadas pelo Estadão. Nem Vorcaro nem Miranda se manifestaram até o fechamento da reportagem.
Em janeiro, enquanto cumpria prisão domiciliar em São Paulo, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez um pedido inusitado a Thiago Miranda, seu intermediário em negócios de comunicação: invadir o iCloud da Apple e apagar dados de seu celular antes que a Polícia Federal conseguisse acessá-los. A força-tarefa da Operação Compliance Zero já tinha o aparelho há dois meses. Vorcaro sabia que o tempo corria contra ele.
Miranda acionou Thiago Santos, um especialista em segurança cibernética, para operacionalizar o ataque. O objetivo era limpar todas as informações do dispositivo antes que fossem extraídas pelos investigadores. Santos conseguiu acessar o iCloud, mas a invasão foi identificada e interrompida por policiais que monitoravam a ação em tempo real. A tentativa fracassou — e a presença de diálogos do banqueiro em relatórios posteriores da PF confirma que os dados permaneceram intactos.
Não era apenas o celular de Vorcaro que preocupava o banqueiro. Ele também ordenou que fossem apagados dados da conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, operador financeiro responsável por efetuar pagamentos a autoridades por meio de empresas e fundos ligados ao Banco Master. A limpeza digital deveria ser abrangente.
Miranda, além de intermediário para o ataque hacker, recebia outras ordens de Vorcaro: derrubar reportagens publicadas em sites de notícias. A investigação da PF o aponta como elo entre o banqueiro e influenciadores que atuaram contra o Banco Central após a liquidação do Master. Sua defesa nega qualquer ilegalidade. As informações foram publicadas pela revista Piauí e confirmadas pelo Estadão. Tanto Vorcaro quanto Miranda foram procurados para comentar, mas não se manifestaram até o fechamento da reportagem.
Vorcaro enfrenta investigação por suspeita de fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção. Foi preso duas vezes — em novembro de 2025 e novamente em março de 2026 — e permanece detido na Papudinha, em Brasília. O caso ilustra como, mesmo sob vigilância estatal, o investigado tentou orquestrar a destruição de evidências digitais, um esforço que a polícia conseguiu bloquear antes que surtisse efeito.
Citações Notáveis
A investigação da PF aponta o publicitário como intermediário entre o banqueiro e a atuação de influenciadores contra o Banco Central após a liquidação do Master— Investigação da Polícia Federal