Em janeiro deste ano, enquanto aguardava julgamento sob prisão domiciliar, Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — ordenou uma invasão ao iCloud para destruir dados que a Polícia Federal já havia apreendido. A tentativa foi interrompida antes de se completar, e os rastros deixados pela operação fracassada tornaram-se, eles próprios, novas evidências contra o banqueiro. É um momento que revela como o esforço de apagar o passado pode, paradoxalmente, aprofundar o registro daquilo que se queria esconder.
Vorcaro encomendou ataque hacker em prisão domiciliar para apagar dados do celular
Ordenou que invadissem a nuvem para apagar tudo antes que a polícia chegasse
Por que Vorcaro tentaria apagar dados do celular se já estava em prisão domiciliar? Não era óbvio que a PF já tinha o aparelho?
Sim, a força-tarefa já tinha o celular há dois meses. Mas o iCloud é diferente — é um backup em nuvem. Mesmo que a PF tivesse o dispositivo físico, os dados sincronizados na nuvem poderiam conter informações que ele não queria que extraíssem. Era uma tentativa de destruir o que estava além do alcance físico deles.
Mas aqui está a questão: sabemos que Thiago Santos conseguiu acessar o iCloud porque ele próprio contou isso à PF. Não temos confirmação independente de quanto tempo ele ficou dentro do sistema ou exatamente o que conseguiu deletar antes de ser interrompido. A polícia identificou a invasão, mas não sabemos os detalhes técnicos.
E quanto a Thiago Miranda? Ele era só um intermediário ou tinha um papel maior?
Miranda era mais que um intermediário. A investigação aponta que ele coordenava ações de influenciadores contra o Banco Central, tentava derrubar matérias em sites de notícia — ele era uma espécie de operador de comunicação e reputação para Vorcaro. O ataque hacker foi só uma das tarefas que executava.
Embora a defesa dele negue qualquer ilegalidade. Não sabemos ainda como um tribunal vai avaliar o grau de responsabilidade dele nessa operação específica.
E Fabiano Zettel, o cunhado? Ele sabia que seus dados estavam sendo apagados?
Não está claro na investigação. O que sabemos é que Zettel era responsável por efetuar pagamentos a autoridades através de empresas e fundos ligados ao Banco Master. Vorcaro ordenou que seus dados também fossem deletados, o que sugere que havia informações sensíveis lá.
Mas novamente — não temos declaração de Zettel sobre isso. Não sabemos se ele foi consultado, se sabia, se era cúmplice ou vítima de Vorcaro usando seu nome.
Il Polso
- Preso em domicílio, Vorcaro acionou uma cadeia de intermediários para invadir o iCloud da Apple e deletar dados de seu celular — já nas mãos da PF há dois meses.
- O ataque chegou a penetrar o sistema, mas policiais identificaram a invasão em tempo real e a interromperam antes que qualquer arquivo fosse apagado.
- A ordem ia além do próprio celular: Vorcaro também queria eliminar dados da conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, operador financeiro ligado a pagamentos suspeitos a autoridades.
- O fracasso transformou a tentativa em prova — diálogos do banqueiro com seus interlocutores foram incorporados aos relatórios da Operação Compliance Zero.
- Vorcaro, já preso duas vezes e atualmente detido na Papudinha em Brasília, enfrenta acusações de fraude, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção.
Em janeiro deste ano, enquanto aguardava julgamento sob prisão domiciliar, Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — ordenou uma invasão ao iCloud para destruir dados que a Polícia Federal já havia apreendido. A tentativa foi interrompida antes de se completar, e os rastros deixados pela operação fracassada tornaram-se, eles próprios, novas evidências contra o banqueiro. É um momento que revela como o esforço de apagar o passado pode, paradoxalmente, aprofundar o registro daquilo que se queria esconder.
Em janeiro deste ano, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cumpria prisão domiciliar em São Paulo quando tomou uma decisão que se revelaria fatal para sua defesa: ordenou que invadissem o iCloud para apagar dados de seu celular antes que a Polícia Federal os extraísse. O aparelho já estava nas mãos da força-tarefa da Operação Compliance Zero há dois meses.
Para executar o plano, Vorcaro recorreu a Thiago Miranda, um homem de negócios que já havia realizado outras tarefas para ele — incluindo tentativas de derrubar matérias jornalísticas e coordenar ações de influenciadores contra o Banco Central. Miranda, por sua vez, contratou Thiago Santos, especialista em segurança cibernética. Santos chegou a acessar o iCloud, mas policiais identificaram a invasão em andamento e a interromperam a tempo.
A amplitude da ordem revelava a dimensão do que Vorcaro queria esconder: além de seu próprio celular, ele determinou que fossem apagados também os dados da conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, operador financeiro responsável por pagamentos a autoridades por meio de empresas e fundos ligados ao banco.
O fracasso da operação produziu o efeito oposto ao desejado. Os diálogos entre Vorcaro e seus interlocutores foram incluídos nos relatórios da PF, tornando a tentativa de destruição de provas em mais uma evidência contra ele. Investigado por fraudes no sistema financeiro, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção, Vorcaro foi preso duas vezes — em novembro de 2025 e em março de 2026 — e permanece detido em Brasília. Sua defesa não se manifestou até o fechamento da reportagem.
Em janeiro deste ano, enquanto cumpria prisão domiciliar em São Paulo, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez um pedido que revelaria depois ser central para entender a extensão de seus esforços para obstruir a investigação que o cercava: ordenou que invadissem o iCloud, o sistema de armazenamento em nuvem da Apple, para apagar dados de seu celular antes que a Polícia Federal conseguisse acessá-los.
O intermediário escolhido foi Thiago Miranda, um homem de negócios que atuava na área de comunicação e que já havia executado outras tarefas para Vorcaro — incluindo tentativas de derrubar matérias publicadas em sites de notícia e coordenar ações de influenciadores contra o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Miranda, por sua vez, acionou Thiago Santos, um especialista em segurança cibernética, para operacionalizar o ataque. O objetivo era claro: deletar tudo antes que os dados fossem extraídos pela força-tarefa da Operação Compliance Zero, que já tinha o aparelho em seu poder há dois meses.
Segundo relato de Thiago Santos à Polícia Federal, o especialista conseguiu acessar o iCloud. Mas a ação não se completou. Policiais identificaram a invasão em andamento e interromperam a operação. O fracasso da tentativa deixou rastros — e esses rastros viraram evidência. Quando a PF incluiu diálogos de Vorcaro com seus interlocutores em relatórios da investigação, ficou claro que o banqueiro não havia conseguido apagar nada.
Não era apenas o seu próprio celular que Vorcaro queria limpar. Ele também ordenou que fossem deletados dados da conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, um operador financeiro responsável por efetuar pagamentos a autoridades por meio de empresas e fundos ligados ao Banco Master. A amplitude da ordem sugere uma tentativa sistemática de eliminar rastros financeiros e comunicacionais.
Vorcaro enfrenta investigação por suspeita de fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção. Já foi preso duas vezes — em novembro de 2025 e novamente em março de 2026. Atualmente permanece detido na Papudinha, em Brasília. As informações sobre o ataque hacker foram publicadas pela revista piauí e confirmadas pelo Estadão. A defesa de Vorcaro e de Thiago Miranda não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento desta reportagem.
O episódio do ataque hacker ilustra um padrão que a investigação da PF vem documentando: Vorcaro não apenas operava uma rede de intermediários para suas atividades financeiras, mas também os mobilizava para tentar controlar narrativas, influenciar autoridades e, quando necessário, destruir evidências. O fracasso dessa tentativa específica, porém, transformou o que deveria ter sido um apagamento em mais um capítulo da acusação contra ele.
Citazioni salienti
Vorcaro pediu a Thiago Miranda que invadisse o iCloud para apagar informações do dispositivo apreendido— Investigação da Polícia Federal, conforme relatado por Thiago Santos