Em um mercado automotivo cada vez mais dominado por SUVs e utilitários, a Volvo apresenta o ES90 como uma resposta filosófica à rigidez das categorias: um sedã elétrico de luxo que recusa ser apenas uma coisa. Testado nas estradas do interior paulista, o modelo une a elegância contida de um sedã europeu à robustez prática de um utilitário, acelerando como um esportivo e atravessando estradas de terra sem cerimônia. Com preço estimado de R$ 800 mil, o ES90 não aspira à popularidade — aspira à pertinência para quem busca, em um único veículo, a síntese de mundos que raramente se encontram.
Volvo ES90 mistura sedã de luxo com versatilidade de utilitário esportivo
Um sedã que passa por lombadas como se fosse utilitário esportivo
Por que um sedã elétrico precisa de modo off-road? Não é contraditório?
Não quando você pensa em quem vai dirigir. Executivos que usam frotas corporativas não querem sacrificar conforto por capacidade. O ES90 oferece os dois.
Mas o preço de R$ 800 mil não o torna impraticável para a maioria?
Completamente. Por isso a Volvo está pensando em frotas, não em vendas individuais. É um carro feito para empresas que querem mostrar que estão na transição para elétricos.
A dependência da tela para tudo não é frustrante?
No começo sim. Mas depois que você grava suas preferências, esquece que existe. O silêncio do carro compensa qualquer incômodo inicial.
Como um sedã consegue passar por estrada de terra sem estrago?
A plataforma vem do EX90, um SUV. Dois motores elétricos, tração integral, e a suspensão que sobe quando você quer. É engenharia pensada para versatilidade real.
E a autonomia de 495 km é suficiente para uso executivo?
Mais que suficiente. A maioria das viagens corporativas não ultrapassa 300 quilômetros. Com uma recarga rápida, você segue viagem sem problema.
O que o diferencia de um SUV elétrico de luxo comum?
A proposta. Um SUV é sempre SUV. O ES90 é um sedã que se comporta como utilitário quando precisa. É uma categoria nova, ainda sem concorrentes diretos.
O Pulso
- O ES90 desafia a lógica de mercado ao oferecer desempenho de esportivo — 0 a 100 km/h em 4,1 segundos — em um sedã elétrico de luxo com mais de cinco metros de comprimento.
- A tensão entre sofisticação e praticidade se resolve de forma surpreendente: o modo off-road eleva a carroceria e permite que o carro percorra estradas de terra sem danos, algo incomum entre sedãs alemães de alto luxo.
- Em viagem real de cerca de 700 quilômetros pelo interior de São Paulo, o ES90 precisou de apenas uma recarga, com autonomia medida em 496 km a 90 km/h, validando suas promessas em condições brasileiras.
- O interior repleto de tecnologia — 25 alto-falantes, teto de vidro que opacifica, cancelamento de ruído e sistemas autônomos de segurança — eleva o padrão, mas também expõe a dependência crescente de telas para funções simples.
- Com preço estimado de R$ 800 mil, o modelo dificilmente será visto nas ruas, mas sua versatilidade pode torná-lo atraente para empresas que desejam frotas executivas 100% elétricas sem abrir mão de desempenho ou conforto.
Em um mercado automotivo cada vez mais dominado por SUVs e utilitários, a Volvo apresenta o ES90 como uma resposta filosófica à rigidez das categorias: um sedã elétrico de luxo que recusa ser apenas uma coisa. Testado nas estradas do interior paulista, o modelo une a elegância contida de um sedã europeu à robustez prática de um utilitário, acelerando como um esportivo e atravessando estradas de terra sem cerimônia. Com preço estimado de R$ 800 mil, o ES90 não aspira à popularidade — aspira à pertinência para quem busca, em um único veículo, a síntese de mundos que raramente se encontram.
O Volvo ES90 não escolhe uma identidade — e essa é exatamente sua proposta. Visto de perfil, é um sedã elegante; pela traseira, lembra um cupê esportivo; de frente, evoca qualquer SUV de luxo contemporâneo. A ambiguidade visual é intencional, e o carro a sustenta com desempenho real.
Testado na pista da ZF em Limeira e em uma viagem de cerca de 700 quilômetros pelo interior paulista, o ES90 acelerou de zero a 100 km/h em 4,1 segundos — marca de esportivo — e ainda atravessou cinco quilômetros de estrada de terra com o auxílio do modo off-road, que eleva a carroceria quando necessário. Essa versatilidade vem da plataforma compartilhada com o SUV EX90, incluindo dois motores elétricos e tração integral.
A bordo, o silêncio é a norma, quebrado apenas quando o sistema de 25 alto-falantes entra em cena — com unidades nos encostos de cabeça e no teto. O teto de vidro pode ficar opaco para reduzir calor, e um sistema de cancelamento de ruído amplifica as vozes dos ocupantes para facilitar conversas entre fileiras. A dependência de telas para ajustes básicos é a única concessão incômoda à modernidade.
Na viagem a Sertãozinho, partindo com 90% de carga em uma bateria de 106 kWh, apenas uma recarga foi necessária. A autonomia medida chegou a 496 km a 90 km/h. Os sistemas de segurança, tradição Volvo, chegam ao ponto de desviar o carro autonomamente diante de risco de colisão frontal.
O obstáculo maior está no preço estimado de R$ 800 mil — faixa em que elétricos não prosperam no Brasil, especialmente na carroceria sedã. O ES90 será raridade nas ruas, mas sua combinação de desempenho, autonomia e praticidade pode encontrar espaço em frotas executivas de empresas dispostas a eletrificar sem abrir mão de nada.
O Volvo ES90 desafia categorias. Visto de perfil, é um sedã elegante. Pela traseira, parece um cupê esportivo. De frente, lembra qualquer outro SUV de luxo que circula pelas ruas brasileiras. A confusão visual não é acidental — é o ponto inteiro.
O modelo 100% elétrico chegou para testes na Folha Mauá vestindo preto ônix, com seus pouco mais de cinco metros de comprimento e quase dois metros de largura. São dimensões generosas, reflexo dos gostos automotivos contemporâneos, especialmente a influência chinesa que marca o design dos carros atuais. Mas o tamanho não o torna lento. Na pista de testes da ZF em Limeira, no interior paulista, o ES90 acelerou de zero a 100 km/h em 4,1 segundos, conforme medição do Instituto Mauá de Tecnologia. É desempenho de esportivo, não de sedã.
O que realmente impressiona, porém, não é a velocidade pura. É a capacidade de equilibrar esse desempenho com uma versatilidade rara entre sedãs elétricos de alto luxo. Enquanto os modelos alemães — Audi, BMW, Mercedes — exigem cuidado ao passar por lombadas e tampas de garagem, o Volvo as transpõe como se fosse um utilitário esportivo. Há até um modo off-road que eleva a carroceria em alguns centímetros quando necessário. E foi necessário.
Durante uma viagem até Sertãozinho, no interior de São Paulo, para apresentação do BYD Song Pro Hybrid Flex no Museu da Cana, o ES90 precisou percorrer aproximadamente cinco quilômetros de estrada de terra com depressões. Bastou acionar o comando de elevação da carroceria para transpor o trecho sem problemas — a poeira vermelha que cobriu o carro foi o único incômodo. Essa aptidão para uso fora de estrada vem da herança compartilhada com o EX90, um SUV com o qual divide plataforma, dois motores elétricos e tração integral.
O interior revela a modernidade esperada de um carro nessa faixa de preço, mas também expõe uma característica dos tempos atuais: a dependência da tela sensível para ajustes que antes eram mais simples, como os comandos dos retrovisores e a abertura do porta-malas. Após gravar a posição ao volante na memória do veículo, essa complexidade é esquecida. O silêncio a bordo durante a viagem foi quebrado apenas pelo sistema de som com 25 alto-falantes, incluindo unidades nos encostos de cabeça dos bancos dianteiros e no teto. Há também um sistema de cancelamento de ruído que amplifica as vozes dos ocupantes para que os passageiros dianteiros consigam conversar com quem viaja atrás mesmo com o som ligado. O teto de vidro pode ficar opaco para reduzir entrada de luz e calor, dispensando o uso excessivo do ar-condicionado mesmo sob sol intenso.
Entre ida e volta a Sertãozinho, com parada em Ribeirão Preto, foram percorridos cerca de 700 quilômetros. A saída de São Paulo aconteceu com 90% da capacidade da bateria de 106 kWh, e apenas uma recarga foi necessária ao longo do trajeto. Conforme medição do Instituto Mauá, o ES90 oferece alcance de 496 quilômetros na estrada rodando a 90 km/h. A lista de itens de série é extensa, destacando equipamentos de segurança — tradição Volvo. Sistemas de controle de tráfego e manutenção na faixa corrigem a trajetória a ponto de desviar o carro de forma autônoma caso detectem risco de colisão frontal.
Mas há um porém que pode ser decisivo. O preço estimado é de R$ 800 mil, faixa em que modelos 100% elétricos não fazem sucesso no Brasil, especialmente sendo um sedã. O ES90 deverá ser raridade nas ruas. Sua proposta múltipla, porém, pode atrair empresas que disponibilizam frotas para executivos e desejam colocar modelos a bateria nesse serviço — um nicho onde a versatilidade e o desempenho podem fazer diferença.
Citações Notáveis
O ES90 consegue equilibrar o alto desempenho com uma versatilidade que não é comum entre os sedãs elétricos de alto luxo— Folha de S.Paulo