Volvo ES90 mistura sedã de luxo com versatilidade de utilitário esportivo

Um sedã que passa por lombadas como se fosse utilitário esportivo
O ES90 combina desempenho de sedã de luxo com versatilidade off-road graças ao modo de elevação da carroceria.
Mark

Por que um sedã elétrico precisa de modo off-road? Não é contraditório?

Mimi

Não quando você pensa em quem vai dirigir. Executivos que usam frotas corporativas não querem sacrificar conforto por capacidade. O ES90 oferece os dois.

Mark

Mas o preço de R$ 800 mil não o torna impraticável para a maioria?

Mimi

Completamente. Por isso a Volvo está pensando em frotas, não em vendas individuais. É um carro feito para empresas que querem mostrar que estão na transição para elétricos.

Mark

A dependência da tela para tudo não é frustrante?

Mimi

No começo sim. Mas depois que você grava suas preferências, esquece que existe. O silêncio do carro compensa qualquer incômodo inicial.

Mark

Como um sedã consegue passar por estrada de terra sem estrago?

Mimi

A plataforma vem do EX90, um SUV. Dois motores elétricos, tração integral, e a suspensão que sobe quando você quer. É engenharia pensada para versatilidade real.

Mark

E a autonomia de 495 km é suficiente para uso executivo?

Mimi

Mais que suficiente. A maioria das viagens corporativas não ultrapassa 300 quilômetros. Com uma recarga rápida, você segue viagem sem problema.

Mark

O que o diferencia de um SUV elétrico de luxo comum?

Mimi

A proposta. Um SUV é sempre SUV. O ES90 é um sedã que se comporta como utilitário quando precisa. É uma categoria nova, ainda sem concorrentes diretos.

  • O ES90 desafia a lógica de mercado ao oferecer desempenho de esportivo — 0 a 100 km/h em 4,1 segundos — em um sedã elétrico de luxo com mais de cinco metros de comprimento.
  • A tensão entre sofisticação e praticidade se resolve de forma surpreendente: o modo off-road eleva a carroceria e permite que o carro percorra estradas de terra sem danos, algo incomum entre sedãs alemães de alto luxo.
  • Em viagem real de cerca de 700 quilômetros pelo interior de São Paulo, o ES90 precisou de apenas uma recarga, com autonomia medida em 496 km a 90 km/h, validando suas promessas em condições brasileiras.
  • O interior repleto de tecnologia — 25 alto-falantes, teto de vidro que opacifica, cancelamento de ruído e sistemas autônomos de segurança — eleva o padrão, mas também expõe a dependência crescente de telas para funções simples.
  • Com preço estimado de R$ 800 mil, o modelo dificilmente será visto nas ruas, mas sua versatilidade pode torná-lo atraente para empresas que desejam frotas executivas 100% elétricas sem abrir mão de desempenho ou conforto.

Em um mercado automotivo cada vez mais dominado por SUVs e utilitários, a Volvo apresenta o ES90 como uma resposta filosófica à rigidez das categorias: um sedã elétrico de luxo que recusa ser apenas uma coisa. Testado nas estradas do interior paulista, o modelo une a elegância contida de um sedã europeu à robustez prática de um utilitário, acelerando como um esportivo e atravessando estradas de terra sem cerimônia. Com preço estimado de R$ 800 mil, o ES90 não aspira à popularidade — aspira à pertinência para quem busca, em um único veículo, a síntese de mundos que raramente se encontram.

O Volvo ES90 não escolhe uma identidade — e essa é exatamente sua proposta. Visto de perfil, é um sedã elegante; pela traseira, lembra um cupê esportivo; de frente, evoca qualquer SUV de luxo contemporâneo. A ambiguidade visual é intencional, e o carro a sustenta com desempenho real.

Testado na pista da ZF em Limeira e em uma viagem de cerca de 700 quilômetros pelo interior paulista, o ES90 acelerou de zero a 100 km/h em 4,1 segundos — marca de esportivo — e ainda atravessou cinco quilômetros de estrada de terra com o auxílio do modo off-road, que eleva a carroceria quando necessário. Essa versatilidade vem da plataforma compartilhada com o SUV EX90, incluindo dois motores elétricos e tração integral.

A bordo, o silêncio é a norma, quebrado apenas quando o sistema de 25 alto-falantes entra em cena — com unidades nos encostos de cabeça e no teto. O teto de vidro pode ficar opaco para reduzir calor, e um sistema de cancelamento de ruído amplifica as vozes dos ocupantes para facilitar conversas entre fileiras. A dependência de telas para ajustes básicos é a única concessão incômoda à modernidade.

Na viagem a Sertãozinho, partindo com 90% de carga em uma bateria de 106 kWh, apenas uma recarga foi necessária. A autonomia medida chegou a 496 km a 90 km/h. Os sistemas de segurança, tradição Volvo, chegam ao ponto de desviar o carro autonomamente diante de risco de colisão frontal.

O obstáculo maior está no preço estimado de R$ 800 mil — faixa em que elétricos não prosperam no Brasil, especialmente na carroceria sedã. O ES90 será raridade nas ruas, mas sua combinação de desempenho, autonomia e praticidade pode encontrar espaço em frotas executivas de empresas dispostas a eletrificar sem abrir mão de nada.

O Volvo ES90 desafia categorias. Visto de perfil, é um sedã elegante. Pela traseira, parece um cupê esportivo. De frente, lembra qualquer outro SUV de luxo que circula pelas ruas brasileiras. A confusão visual não é acidental — é o ponto inteiro.

O modelo 100% elétrico chegou para testes na Folha Mauá vestindo preto ônix, com seus pouco mais de cinco metros de comprimento e quase dois metros de largura. São dimensões generosas, reflexo dos gostos automotivos contemporâneos, especialmente a influência chinesa que marca o design dos carros atuais. Mas o tamanho não o torna lento. Na pista de testes da ZF em Limeira, no interior paulista, o ES90 acelerou de zero a 100 km/h em 4,1 segundos, conforme medição do Instituto Mauá de Tecnologia. É desempenho de esportivo, não de sedã.

O que realmente impressiona, porém, não é a velocidade pura. É a capacidade de equilibrar esse desempenho com uma versatilidade rara entre sedãs elétricos de alto luxo. Enquanto os modelos alemães — Audi, BMW, Mercedes — exigem cuidado ao passar por lombadas e tampas de garagem, o Volvo as transpõe como se fosse um utilitário esportivo. Há até um modo off-road que eleva a carroceria em alguns centímetros quando necessário. E foi necessário.

Durante uma viagem até Sertãozinho, no interior de São Paulo, para apresentação do BYD Song Pro Hybrid Flex no Museu da Cana, o ES90 precisou percorrer aproximadamente cinco quilômetros de estrada de terra com depressões. Bastou acionar o comando de elevação da carroceria para transpor o trecho sem problemas — a poeira vermelha que cobriu o carro foi o único incômodo. Essa aptidão para uso fora de estrada vem da herança compartilhada com o EX90, um SUV com o qual divide plataforma, dois motores elétricos e tração integral.

O interior revela a modernidade esperada de um carro nessa faixa de preço, mas também expõe uma característica dos tempos atuais: a dependência da tela sensível para ajustes que antes eram mais simples, como os comandos dos retrovisores e a abertura do porta-malas. Após gravar a posição ao volante na memória do veículo, essa complexidade é esquecida. O silêncio a bordo durante a viagem foi quebrado apenas pelo sistema de som com 25 alto-falantes, incluindo unidades nos encostos de cabeça dos bancos dianteiros e no teto. Há também um sistema de cancelamento de ruído que amplifica as vozes dos ocupantes para que os passageiros dianteiros consigam conversar com quem viaja atrás mesmo com o som ligado. O teto de vidro pode ficar opaco para reduzir entrada de luz e calor, dispensando o uso excessivo do ar-condicionado mesmo sob sol intenso.

Entre ida e volta a Sertãozinho, com parada em Ribeirão Preto, foram percorridos cerca de 700 quilômetros. A saída de São Paulo aconteceu com 90% da capacidade da bateria de 106 kWh, e apenas uma recarga foi necessária ao longo do trajeto. Conforme medição do Instituto Mauá, o ES90 oferece alcance de 496 quilômetros na estrada rodando a 90 km/h. A lista de itens de série é extensa, destacando equipamentos de segurança — tradição Volvo. Sistemas de controle de tráfego e manutenção na faixa corrigem a trajetória a ponto de desviar o carro de forma autônoma caso detectem risco de colisão frontal.

Mas há um porém que pode ser decisivo. O preço estimado é de R$ 800 mil, faixa em que modelos 100% elétricos não fazem sucesso no Brasil, especialmente sendo um sedã. O ES90 deverá ser raridade nas ruas. Sua proposta múltipla, porém, pode atrair empresas que disponibilizam frotas para executivos e desejam colocar modelos a bateria nesse serviço — um nicho onde a versatilidade e o desempenho podem fazer diferença.

O ES90 consegue equilibrar o alto desempenho com uma versatilidade que não é comum entre os sedãs elétricos de alto luxo
— Folha de S.Paulo
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