Em Volta Redonda, o Dia Nacional de Combate ao Fumo tornou-se pretexto para algo maior: um esforço municipal que atravessou escolas e unidades de saúde ao longo de todo o mês de agosto, lembrando que o tabaco não é apenas uma questão individual, mas um nó que envolve famílias, economia e meio ambiente. Com atenção especial aos jovens seduzidos pela falsa promessa dos cigarros eletrônicos, a cidade reafirma que prevenir é também um ato de responsabilidade coletiva — e que abandonar o vício exige tempo, escuta e acompanhamento humano.
Volta Redonda intensifica combate ao tabagismo com ações nas unidades de saúde
Mortes começam a surgir cada vez mais em pessoas jovens
Por que o cigarro eletrônico virou uma preocupação tão central nessas ações de combate ao tabagismo?
Porque está crescendo rapidamente entre jovens, apesar de proibido no Brasil. A indústria tabagista conseguiu criar uma narrativa de que é seguro, o que não é verdade. E agora começamos a ver mortes em pessoas jovens.
Como é que um programa municipal consegue alcançar alguém que quer parar de fumar?
Começa simples: a pessoa vai à unidade de saúde mais perto de casa. Se não houver grupo lá, é encaminhada para outra. Ninguém fica sem acesso.
E o tratamento em si, como funciona?
É baseado em grupos cognitivo-comportamentais. Pessoas com o mesmo desafio se reúnem, trocam experiências, aprendem a lidar com a abstinência. Nos primeiros meses são reuniões semanais. Depois fica mais espaçado.
Quanto tempo leva para alguém conseguir parar?
O programa dura cerca de um ano. Mas a unidade continua disponível depois, para acompanhamento individual. A ideia é que ninguém se sinta desamparado.
E nas escolas, qual é a estratégia?
Lá é prevenção pura. O foco é alertar os jovens sobre os perigos do cigarro eletrônico e do vaporizador antes que eles comecem a usar. É mais fácil prevenir do que tratar depois.
Qual é o maior desafio que vocês enfrentam?
Desconstruir a mentira que a indústria tabagista espalha. As pessoas acreditam que cigarro eletrônico é seguro. Precisamos mostrar que não é, e que está matando gente jovem.
The Pulse
- O cigarro eletrônico avança silenciosamente entre adolescentes brasileiros, disfarçado de modernidade e segurança por uma indústria que omite seus riscos reais — inclusive mortes já registradas em jovens.
- Apesar de proibidos no Brasil, os dispositivos eletrônicos circulam livremente nas escolas, criando uma urgência que o poder público de Volta Redonda decidiu enfrentar diretamente nas salas de aula e nas reuniões de pais.
- O Programa Municipal de Controle do Tabagismo responde com grupos cognitivo-comportamentais que personalizam o tratamento de cada fumante, reconhecendo que parar de fumar não é um ato de vontade solitário, mas um processo que demanda suporte contínuo.
- O tratamento estruturado dura cerca de um ano — com reuniões semanais, fase de manutenção e acompanhamento pós-tratamento — garantindo que nenhum paciente se sinta abandonado no caminho da recuperação.
Em Volta Redonda, o Dia Nacional de Combate ao Fumo tornou-se pretexto para algo maior: um esforço municipal que atravessou escolas e unidades de saúde ao longo de todo o mês de agosto, lembrando que o tabaco não é apenas uma questão individual, mas um nó que envolve famílias, economia e meio ambiente. Com atenção especial aos jovens seduzidos pela falsa promessa dos cigarros eletrônicos, a cidade reafirma que prevenir é também um ato de responsabilidade coletiva — e que abandonar o vício exige tempo, escuta e acompanhamento humano.
Volta Redonda transformou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, em um mês inteiro de ações nas unidades de saúde e escolas municipais. A iniciativa da prefeitura buscou sensibilizar a população sobre os danos do tabaco — não só à saúde individual, mas também às famílias, à economia e ao meio ambiente.
No dia 28 de agosto, a equipe do Programa Municipal de Controle do Tabagismo esteve na UBS Vila Rica/Três Poços conversando com pais de alunos. Coordenado pela médica Lena Mazoni e pela enfermeira Ana Emília Cardoso Moraes, o programa funciona por meio de grupos cognitivo-comportamentais e rodas de conversa, onde fumantes trocam experiências e recebem tratamento personalizado, incluindo medicação quando necessário.
Um tema dominou as conversas: o cigarro eletrônico. Mazoni alertou que esses dispositivos crescem entre jovens impulsionados pela narrativa falsa da indústria tabagista de que seriam seguros ou auxiliariam na cessação do cigarro convencional. Proibidos no Brasil, já aparecem associados a mortes em pessoas jovens — um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Nas escolas, o foco é preventivo: reforçar os perigos antes que o consumo comece.
O programa está disponível em todas as unidades de Atenção Primária de Volta Redonda. Quem decide parar procura a unidade mais próxima; se não houver grupo formado, é encaminhado para outra. O processo dura cerca de um ano: reuniões semanais nos primeiros meses, seguidas de uma fase de manutenção e, depois, atendimento individualizado contínuo — para que ninguém se sinta desamparado durante a recuperação.
Em Volta Redonda, a prefeitura marcou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, com uma série de ações que extrapolaram a data simbólica e se estenderam por todo o mês nas unidades de saúde e escolas municipais. O objetivo era direto: sensibilizar a população sobre os danos que o tabaco causa — não apenas à saúde individual, mas também às famílias, à economia e ao meio ambiente.
No dia 28 de agosto, a equipe do Programa Municipal de Controle do Tabagismo esteve na Unidade Básica de Saúde da Família Vila Rica/Três Poços, conversando com pais de alunos do bairro. O programa é coordenado pela médica Lena Mazoni e pela enfermeira Ana Emília Cardoso Moraes, e funciona através de grupos cognitivo-comportamentais — espaços onde pessoas enfrentando desafios semelhantes se reúnem para trocar experiências e se apoiar mutuamente — além de rodas de conversa abertas. A abordagem não é apenas informativa; busca compreender as dificuldades individuais de cada fumante para que o tratamento possa ser personalizado, inclusive na prescrição de medicações.
Um tema que ganhou destaque especial nas conversas foi o cigarro eletrônico. Mazoni alertou que esses dispositivos estão se tornando cada vez mais comuns entre jovens, alimentados por uma narrativa falsa propagada pela indústria tabagista de que seriam seguros e até auxiliariam na cessação do cigarro convencional. Apesar de proibidos no Brasil, muitos adolescentes estão usando. O que preocupa ainda mais é que mortes relacionadas ao uso desses produtos começam a aparecer em pessoas jovens — um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
Nas escolas, o foco das atividades é preventivo. A estratégia é reforçar junto aos estudantes os perigos tanto do cigarro eletrônico quanto do vaporizador, tentando evitar que iniciem o consumo. Mazoni enfatizou que profissionais de saúde e membros da sociedade civil têm a responsabilidade de se sensibilizar e promover ambientes livres de tabaco. A secretária municipal de Saúde, Márcia Cury, reforçou que a ação integra um esforço contínuo para proteger a saúde pública e combater os impactos negativos do tabagismo na comunidade, criando espaços de reflexão e conscientização sobre os riscos e as opções de tratamento disponíveis.
O Programa Municipal de Controle do Tabagismo funciona em todas as unidades de Atenção Primária à Saúde de Volta Redonda. Quando alguém decide parar de fumar, procura a unidade mais próxima de casa para iniciar o tratamento. Se a unidade local não tiver um grupo formado, o paciente é encaminhado para outra mais próxima que tenha. O modelo é cognitivo-comportamental, focado em mudar os hábitos e comportamentos ligados ao consumo de tabaco. O processo dura cerca de um ano, dividido em etapas bem definidas. Nos primeiros meses, as reuniões são semanais e o acompanhamento é contínuo. Os participantes trocam experiências, aprendem sobre os sintomas da redução de nicotina e recebem orientações práticas para lidar com a abstinência. Depois dessa fase inicial, entra-se na fase de manutenção, que pode durar até dois meses, com encontros menos frequentes. Mesmo após o término formal do tratamento, a unidade permanece disponível para atendimento individualizado, garantindo que o paciente não se sinta abandonado durante o processo de recuperação.
Notable Quotes
A indústria tabagista veiculou, falsamente, que esses cigarros, além de não fazerem mal, ajudam a parar com o cigarro convencional— Dra. Lena Mazoni, médica coordenadora do Programa Municipal de Controle do Tabagismo
Nosso objetivo é criar um ambiente de reflexão e conscientização sobre os riscos do tabaco e as opções de tratamento disponíveis— Márcia Cury, secretária municipal de Saúde