Anos eleitorais exibem volatilidade média de 23,93% contra 20,91% em anos não eleitorais no Ibovespa, diferença de 3,03 pontos percentuais. O segundo semestre concentra a maior turbulência em anos eleitorais: volatilidade sobe para 25,54% versus 19,98% em anos não eleitorais, abrindo diferencial de 5,56 pontos.
Volatilidade do Ibovespa e estatais sobe 14,5% em anos eleitorais, com pico no 4º trimestre
A volatilidade não aparece de forma linear: ela se manifesta em janelas
Por que a volatilidade não sobe desde janeiro em anos eleitorais? Parece que o mercado deveria estar nervoso o ano todo.
Porque no início do ano o ruído é semelhante — há sempre incerteza sobre juros, câmbio, economia global. A eleição ainda está longe. É só quando o calendário avança que a política se torna o fator dominante.
E por que outubro e novembro são tão piores que setembro?
Porque a votação está próxima demais para ignorar e longe demais para resolver. O mercado está precificando cenários, e cada notícia move as probabilidades. É quando a incerteza vira concreta.
A Petrobras fica mais calma em anos eleitorais no agregado, mas mais turbulenta no segundo semestre. Como isso faz sentido?
Porque o primeiro semestre não eleitoral dela é extremamente volátil — provavelmente por fatores específicos daqueles anos, não pela política. Quando você tira esses outliers, a Petrobras segue o padrão: calma no primeiro semestre eleitoral, turbulência no segundo.
Os investidores estrangeiros estão realmente evitando o Brasil por causa da eleição?
Não estão saindo. Estão apenas congelados. Já têm posição, mas não querem aumentar. Compram quedas, mas com cautela. É um comportamento defensivo, não de fuga.
Isso vai mudar depois da eleição?
Historicamente, sim. Assim que a incerteza se resolve, a volatilidade tende a normalizar. Mas até lá, o mercado vai continuar reagindo a cada sinal do calendário político.
The Pulse
- Volatilidade do Ibovespa sobe 14,5% em anos eleitorais: 23,93% contra 20,91%
- Segundo semestre concentra turbulência: 25,54% em eleitorais versus 19,98% em não eleitorais
- Banco do Brasil atinge pico de 50,78% de volatilidade em outubro de anos eleitorais
- Petrobras acelera 30,4% do primeiro para o segundo semestre em anos eleitorais
Anos eleitorais exibem volatilidade média de 23,93% contra 20,91% em anos não eleitorais no Ibovespa, diferença de 3,03 pontos percentuais. O segundo semestre concentra a maior turbulência em anos eleitorais: volatilidade sobe para 25,54% versus 19,98% em anos não eleitorais, abrindo diferencial de 5,56 pontos.
Análise da Ágora Investimentos mostra que anos eleitorais apresentam volatilidade 14,5% maior no Ibovespa, com pico concentrado no segundo semestre. Petrobras e Banco do Brasil seguem padrão similar, especialmente em outubro e novembro.
Os investidores que acompanham a bolsa brasileira aprendem cedo que anos eleitorais trazem consigo uma turbulência particular. A Ágora Investimentos decidiu medir essa intuição com precisão, analisando seis décadas de dados do Ibovespa — três períodos eleitorais e três não eleitorais — para entender exatamente como a incerteza política se manifesta nos gráficos.
O resultado é claro: em anos de eleição, a volatilidade média do índice sobe para 23,93%, contra 20,91% nos anos sem votação. A diferença de 3,03 pontos percentuais representa um aumento de 14,5%. Mas o número agregado esconde o padrão mais importante. A turbulência não se distribui uniformemente ao longo do ano. No primeiro semestre, eleitorais e não eleitorais são praticamente idênticos — 22,30% contra 21,97%, uma diferença tão pequena que quase desaparece. É como se o mercado começasse o ano com o mesmo nervosismo em ambos os cenários.
Tudo muda quando o calendário vira para julho. No segundo semestre dos anos eleitorais, a volatilidade dispara para 25,54%, enquanto nos anos normais ela cai para 19,98%. Essa inversão abre um diferencial de 5,56 pontos percentuais justamente no trecho decisivo do ano. Os estrategistas da Ágora observam que não se trata apenas de uma dispersão maior — trata-se de uma mudança de regime, uma inclinação da curva que aponta para cima conforme o voto se aproxima.
Quando se olha trimestre por trimestre, o padrão fica ainda mais nítido. Nos anos eleitorais, o quarto trimestre concentra a maior volatilidade média, 26,93%, com outubro e novembro formando o pico do ciclo — 28,01% e 28,77%, respectivamente. Nos anos sem eleição, o comportamento é mais dócil na segunda metade do ano, e o pico aparece no primeiro trimestre. A diferença não está apenas em números: está em quando eles ocorrem.
Esse padrão se replica com intensidade ainda maior em dois ativos que o mercado percebe como especialmente sensíveis ao calendário político: Petrobras e Banco do Brasil. O Banco do Brasil mostra volatilidade de 40,74% em anos eleitorais contra 36,55% em anos normais — uma diferença de 11,5%. Mais importante: no primeiro semestre, os dois regimes são praticamente gêmeos (37,91% contra 37,94%), mas no segundo semestre a diferença explode. A volatilidade do banco sobe para 43,52% em eleitorais e cai para 35,24% em não eleitorais, abrindo um prêmio de 8,28 pontos concentrado na reta final. Outubro é particularmente turbulento, com volatilidade média em torno de 50,78%.
A Petrobras oferece um quadro mais nuançado. No agregado, ela apresenta volatilidade menor em anos eleitorais (38,73%) do que em anos normais (42,38%), uma redução de 8,6%. Mas esse número mascara uma dinâmica completamente diferente. Em anos não eleitorais, a Petrobras começa muito volátil no primeiro semestre (46,89%) e depois desacelera para 38,05% — uma queda de 18,9%. Em anos eleitorais, o padrão se inverte: começa mais calma no primeiro semestre (33,59%) e depois acelera pronunciadamente para 43,80% no segundo semestre — um aumento de 30,4%. Novembro é o mês mais turbulento, com volatilidade média em torno de 51,97%.
O que explica essa dinâmica? A Ágora aponta que o debate entre investidores estrangeiros mudou. Antes falava-se em ciclos de juros; agora o foco é o calendário eleitoral e o risco de regime. Muitos investidores já estão posicionados no Brasil, mas poucos querem aumentar suas apostas antes da incerteza passar. Ao mesmo tempo, há disposição para comprar quedas mais acentuadas — um comportamento assimétrico que cria volatilidade em janelas, conforme as narrativas se reprecificam.
Os estrategistas da Ágora resumem o achado assim: o ano eleitoral é frequentemente o ponto cego do mercado. Ele não necessariamente aumenta a turbulência desde o primeiro dia, mas tende a mudar o regime conforme o calendário avança. Essa mudança aparece com clareza tanto no Ibovespa quanto nas estatais, especialmente no segundo semestre e no quarto trimestre — o período em que a política se torna inescapável.
Notable Quotes
O ano eleitoral é muitas vezes o ponto cego do mercado — não necessariamente aumenta a turbulência desde o primeiro dia, mas tende a mudar o regime conforme o calendário avança— Ágora Investimentos