Mais não é sempre melhor com vitamina D
Em meio ao crescente interesse popular pela suplementação vitamínica, a vitamina D ocupa um lugar singular: produzida pelo próprio corpo sob a luz do sol, ela é ao mesmo tempo essencial e frequentemente mal compreendida. Especialistas alertam que a deficiência é surpreendentemente comum mesmo em países tropicais, enquanto o excesso — fruto de suplementação sem orientação — carrega riscos próprios. A sabedoria aqui reside no equilíbrio: entre o sol e a sombra, entre a necessidade individual e a tentação do remédio universal.
- A desinformação em torno da vitamina D cresceu junto com o mercado de suplementos, criando uma urgência real por esclarecimento científico.
- Idosos, sedentários e pessoas que vivem em ambientes fechados enfrentam risco elevado de deficiência, mesmo sob climas ensolarados — um paradoxo que desafia o senso comum.
- Os sintomas da carência são traiçoeiros: fadiga, dores musculares e fraqueza muitas vezes passam despercebidos ou são atribuídos a outras causas.
- A suplementação sem acompanhamento médico pode provocar intoxicação, acúmulo de cálcio no sangue e danos renais — o remédio tornando-se veneno.
- A resposta recomendada combina exposição solar segura, alimentação com fontes naturais e, quando necessário, suplementação individualizada e monitorada.
A vitamina D é produzida pelo organismo principalmente a partir da exposição da pele à luz solar direta, podendo também ser obtida por meio da alimentação e, em casos específicos, de suplementos prescritos. Com os dias mais curtos do inverno e o crescente mercado de suplementação, proliferaram informações imprecisas sobre o tema — tornando a orientação profissional mais necessária do que nunca.
Segundo o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, a vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio e fósforo, para o sistema imunológico, para a massa muscular e para a saúde metabólica em geral. A deficiência é comum em todas as faixas etárias, mas atinge com mais força os idosos e quem passa pouco tempo ao ar livre — e seus sintomas, como fadiga, dores musculares e fraqueza, frequentemente passam despercebidos.
Na alimentação, as fontes naturais mais ricas são peixes gordurosos como salmão, sardinha e atum, além de gema de ovo, cogumelos expostos à luz ultravioleta e produtos lácteos fortificados. Ainda assim, a dieta raramente supre as necessidades sozinha. A exposição solar segura continua sendo a principal fonte — o que explica por que a deficiência persiste mesmo em países tropicais, onde rotinas em ambientes fechados, envelhecimento e obesidade reduzem a produção do nutriente independentemente do clima.
Os benefícios comprovados incluem a proteção óssea contra osteopenia e osteoporose, e o suporte ao sistema imunológico. Nos idosos, a deficiência eleva significativamente o risco de quedas e fraturas, comprometendo a independência e a qualidade de vida.
Ribas Filho faz um alerta central: o excesso de vitamina D é tóxico, podendo causar acúmulo perigoso de cálcio, problemas renais e alterações cardíacas. Por isso, a suplementação deve ser sempre individualizada e acompanhada por um profissional, que considerará idade, rotina, condições de saúde e exames laboratoriais. O caminho seguro passa pela combinação de sol, alimentação equilibrada e, quando indicado, suplementação monitorada — com exames periódicos especialmente para os grupos de maior risco.
A vitamina D é um nutriente que o corpo produz principalmente quando a pele recebe luz solar direta. Ela também pode vir da alimentação e, em certos casos, de suplementos prescritos por médicos. Durante os meses de inverno, quando os dias são mais curtos e nublados, muitas pessoas reduzem naturalmente sua exposição ao sol, o que diminui a produção desse nutriente essencial. Ao mesmo tempo, o crescente interesse pela suplementação de vitamina D nos últimos anos trouxe consigo uma onda de informações imprecisas e até contraditórias, tornando fundamental buscar orientação profissional antes de começar qualquer tratamento.
Segundo Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, a vitamina D desempenha papéis críticos no organismo: facilita a absorção de cálcio e fósforo, fortalece o sistema imunológico, mantém a massa muscular e contribui para a saúde metabólica geral. A deficiência dessa vitamina é relativamente comum e afeta pessoas de todas as idades, com maior incidência entre idosos, aqueles que passam pouco tempo ao ar livre e indivíduos com condições que prejudicam a absorção de nutrientes. O desafio, porém, é que os sintomas da deficiência nem sempre são óbvios — muitas pessoas convivem com níveis baixos sem perceber, o que reforça a importância de aproveitar os momentos em que o sol aparece e manter atividades ao ar livre, mesmo durante o inverno.
Quanto às fontes alimentares, a realidade é simples: poucos alimentos contêm naturalmente quantidades significativas de vitamina D. Os peixes gordurosos como salmão, sardinha, atum, arenque e cavala estão entre os melhores fornecedores, assim como o óleo de fígado de bacalhau, a gema de ovo e certos cogumelos como shitake e portobello quando expostos à luz ultravioleta. Produtos lácteos fortificados e fígado também contribuem. Mas a verdade incômoda é que a alimentação sozinha raramente fornece o suficiente — a exposição solar segura continua sendo a principal fonte. Isso explica por que mesmo em países tropicais, onde o sol é abundante, a deficiência de vitamina D permanece relativamente comum. A rotina em ambientes fechados, o envelhecimento, a obesidade e a simples falta de hábito de se expor ao sol podem reduzir significativamente a produção dessa vitamina, independentemente do clima local.
Os benefícios comprovados da vitamina D incluem o fortalecimento ósseo através da absorção adequada de cálcio e fósforo, prevenindo condições como osteopenia e osteoporose. Ela também participa ativamente do funcionamento do sistema imunológico, ajudando o corpo a se defender contra infecções e doenças. Níveis insuficientes podem se manifestar como fadiga persistente, dores musculares, fraqueza geral e redução da disposição física — sintomas que muitas vezes são atribuídos a outras causas. Os idosos enfrentam risco particularmente elevado: com a idade, a pele perde parte de sua capacidade de produzir vitamina D, e essa população tende a se expor menos ao sol. A deficiência nesse grupo aumenta significativamente o risco de quedas e fraturas, complicações sérias que podem comprometer a independência e a qualidade de vida.
Mas Ribas Filho deixa claro um ponto crítico: mais não é sempre melhor. O excesso de vitamina D pode ser tóxico, causando acúmulo perigoso de cálcio no sangue, problemas renais, náuseas e até alterações cardíacas. Por isso, a suplementação nunca deve ser iniciada por conta própria — ela precisa ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde que avalie a idade, a rotina, as condições de saúde específicas e os resultados de exames laboratoriais de cada pessoa. A necessidade de suplementação varia enormemente de indivíduo para indivíduo, e o que funciona para um pode ser prejudicial para outro. O caminho seguro passa por uma combinação de exposição solar apropriada, alimentação equilibrada que inclua fontes naturais de vitamina D, e quando necessário, suplementação prescrita e monitorada por um médico. Mesmo nas estações com menos luz, a vigilância regular e os exames periódicos em grupos de risco — como idosos e pessoas com pouca exposição solar — permanecem essenciais para manter a saúde em dia.
Notable Quotes
A deficiência de vitamina D é relativamente comum e pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, especialmente idosos, indivíduos com pouca exposição solar e pessoas com doenças que comprometem a absorção de nutrientes— Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia
Tanto a deficiência quanto o excesso de vitamina D podem trazer riscos à saúde, por isso é importante entender o que realmente é mito e o que é verdade— Durval Ribas Filho
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a vitamina D é tão importante se o corpo consegue produzi-la sozinho?
Porque a produção depende inteiramente de algo que não controlamos completamente — a exposição ao sol. E muitas pessoas, por trabalho, clima ou hábito, simplesmente não se expõem o suficiente. Quando falta, o corpo inteiro sofre.
Então morar em um lugar quente resolve o problema?
Não. Mesmo em países tropicais, as pessoas passam o dia em escritórios, carros, casas. A rotina moderna nos afasta do sol, independentemente de onde vivemos. A geografia não é garantia.
E se eu comer muito salmão, preciso me preocupar com vitamina D?
Ajuda, mas não é suficiente. O salmão contribui, mas a alimentação sozinha não consegue manter os níveis adequados. Você ainda precisa do sol.
Qual é o risco real de tomar suplemento sem orientação?
Intoxicação. Excesso de vitamina D causa acúmulo de cálcio no sangue, problemas renais, náuseas, até alterações no coração. Mais não é melhor — é perigoso.
Por que os idosos são mais vulneráveis?
A pele envelhece e perde a capacidade de produzir vitamina D. Ao mesmo tempo, eles se expõem menos ao sol. E quando falta, aumenta muito o risco de quedas e fraturas — coisas que podem mudar a vida de uma pessoa.
Posso ter deficiência sem saber?
Sim. Muitas pessoas vivem com níveis baixos sem sintomas óbvios. Por isso exames periódicos importam, especialmente para quem está em risco. Não é algo que você sinta sempre.