Vinte mulheres tiveram mamas removidas desnecessariamente no NHS britânico

Vinte mulheres tiveram mamas removidas desnecessariamente, 315 pacientes sofreram algum tipo de dano, e uma paciente morreu durante o período investigado.
Fiquei simplesmente em choque e depois comecei a chorar
Denise Howarth ao receber a ligação informando que sua mastectomia poderia ter sido evitada.
Mark

Como é que vinte mulheres chegam a ter uma cirurgia tão invasiva sem necessidade? Isso não deveria ser revisado várias vezes antes de acontecer?

Mimi

Teoricamente sim. Mas o que a investigação mostrou é que havia um conflito de interesses estrutural — o médico que supervisionava os tratamentos também administrava as clínicas privadas para as quais o NHS estava pagando. Isso cria um incentivo perverso.

Luke

Espera aí. Ele estava sendo pago pelo NHS para supervisionar, e também ganhava com os procedimentos nas clínicas privadas? Como isso foi permitido?

Mimi

Exatamente a pergunta que Mary Aubrey fez na revisão de governança. O trust pagou quase seis milhões de libras em seis anos. Russell agora diz que reconhecem o conflito não foi administrado adequadamente.

Mark

E as pacientes? Como elas descobriram que a cirurgia não era necessária?

Mimi

Telefonemas. Denise Howarth recebeu uma ligação em setembro de 2025 dizendo que a mastectomia poderia ter sido evitada. Uma segunda lumpectomia seria suficiente.

Luke

Mas quando ela foi diagnosticada? Em 2023? Então levou dois anos para alguém perceber que o procedimento era desnecessário?

Mimi

Sim. E a carta posterior reconheceu que essa alternativa nunca havia sido discutida com ela.

Mark

A investigação pode ficar ainda maior?

Mimi

Sim. Se ampliarem para procedimentos desde 2015, podem reavaliar até dez mil prontuários.

Luke

Dez mil? Então vinte mastectomias desnecessárias pode ser apenas a ponta do iceberg?

Mimi

É possível. Por enquanto, a investigação cobriu 514 casos e identificou 315 pacientes com algum dano. Uma paciente morreu.

Mark

E o médico? Amir Bhatti?

Mimi

Está suspenso de atividades clínicas, mas continua empregado e recebendo salário integral.

  • Vinte mulheres tiveram mamas removidas desnecessariamente entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025
  • Investigação analisou 514 casos e identificou 315 pacientes com algum tipo de dano
  • NHS pagou quase 6 milhões de libras em seis anos a clínicas privadas administradas pelo médico Amir Bhatti
  • Revisão pode ser ampliada para incluir procedimentos desde 2015, reabrindo até 10 mil prontuários

Revisão interna do County Durham and Darlington Foundation Trust identificou 20 mastectomias desnecessárias e 315 pacientes prejudicados entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025. Médico Amir Bhatti, que supervisionava tratamentos de mama, está suspenso. NHS pagou quase 6 milhões de libras a clínicas privadas administradas por ele, criando conflito de interesses.

Vinte mulheres tiveram mamas removidas sem necessidade em unidade do NHS britânico. Investigação identificou 315 pacientes com algum dano, incluindo uma morte, entre 514 casos analisados.

Uma investigação interna do Serviço Nacional de Saúde britânico revelou que vinte mulheres tiveram as mamas removidas sem necessidade clínica durante tratamentos de câncer em uma unidade hospitalar no nordeste da Inglaterra. A descoberta faz parte de um levantamento mais amplo que analisou 514 casos atendidos pelo County Durham and Darlington Foundation Trust entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025, identificando 315 pacientes que sofreram algum tipo de dano — entre eles, 77 com prejuízos considerados significativos. Uma paciente morreu durante esse período.

A investigação começou após 640 ex-pacientes procurarem uma linha de denúncias criada especificamente para receber relatos sobre o atendimento prestado pela instituição. As autoridades britânicas já sinalizaram que a revisão pode ser ampliada para incluir procedimentos realizados desde 2015, o que abriria a possibilidade de reavaliar até dez mil prontuários médicos. A dimensão real do problema ainda permanece incerta.

Denise Howarth, uma mulher de 51 anos de Consett, no condado de Durham, é uma das pacientes afetadas. Em 2023, ela foi diagnosticada com um câncer de grau 1, de crescimento lento, após descobrir um nódulo na mama. Inicialmente submetida a uma lumpectomia — a remoção apenas do tumor e do tecido circundante — ela foi posteriormente submetida a uma mastectomia completa, seguida de oito sessões de quimioterapia e radioterapia. Em setembro de 2025, recebeu um telefonema do NHS informando que a remoção total da mama poderia ter sido evitada e que uma segunda lumpectomia seria uma alternativa viável. Uma carta posterior do trust reconheceu que essa possibilidade nunca havia sido discutida com ela. "Fiquei simplesmente em choque e depois comecei a chorar ao telefone", relata Denise. Sobre o pedido de desculpas que recebeu, ela foi clara: embora tenha sido "muito bonito", isso não devolveria sua mama.

Outra paciente, identificada apenas como Jo, procurou a linha de atendimento após uma mastectomia realizada em 2021. No início de 2026, recebeu um telefonema informando que o procedimento poderia ter sido evitado. Jo era ex-funcionária do NHS e havia confiado nos profissionais com quem trabalhava para que fizessem o melhor por ela. "Você vai trabalhar para fazer o seu melhor, não é? Então por que eu pensaria que qualquer outra pessoa não faria o mesmo?", questiona. Atualmente, ela se descreve como "mutilada" e classificou os erros como "absolutamente imperdoáveis".

O médico que supervisionava o tratamento de ambas as pacientes era Amir Bhatti, responsável pelos serviços de mama do trust entre 2013 e 2024. Ele está atualmente suspenso de atividades clínicas, mas continua empregado e recebendo salário integral. A BBC revelou que o trust pagou quase seis milhões de libras ao longo de seis anos a clínicas privadas de diagnóstico de câncer de mama e empresas de cirurgia administradas por Bhatti — um arranjo que criou um conflito de interesses significativo. Uma revisão sobre a gestão da instituição, realizada em 2025 pela especialista em governança Mary Aubrey, levantou preocupações sobre esse modelo de terceirização, alertando que os contratos criavam incentivos financeiros que poderiam representar um risco para os padrões clínicos.

Steve Russell, que assumiu recentemente o cargo de diretor-executivo do trust, pediu desculpas pelos danos causados às pacientes. "Não há palavras que eu possa usar para transmitir o quanto estou pessoalmente angustiado. O que aconteceu foi totalmente inaceitável", afirmou. Russell reconheceu que havia um conflito de interesses que não foi administrado adequadamente, embora tenha observado que o pagamento por serviço não é incomum na área da saúde. A investigação também identificou situações em que diagnósticos de câncer não foram feitos ou sofreram atraso, com alguns pacientes apresentando posteriormente disseminação da doença. O trust encerrou o acordo para os serviços de câncer de mama.

Não há palavras que eu possa usar para transmitir o quanto estou pessoalmente angustiado. O que aconteceu foi totalmente inaceitável.
— Steve Russell, diretor-executivo do County Durham and Darlington Foundation Trust
Reconhecemos que havia um conflito de interesses que não foi administrado adequadamente.
— Steve Russell
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