Na noite de domingo, em Paraisópolis, periferia de São Paulo, um policial militar usou o cano de sua escopeta para destruir o celular de um cidadão que o filmava durante uma operação em bar — um gesto que condensa, em poucos segundos, uma tensão muito mais antiga: a do poder que resiste a ser visto. O incidente, registrado em vídeo e obtido por O GLOBO, não é apenas um caso de dano a propriedade, mas um questionamento vivo sobre quem tem o direito de documentar o exercício da força pública.
Vídeo mostra PM batendo cano de escopeta contra celular em Paraisópolis
Um agente armado, em resposta a ser filmado, usou sua arma como instrumento de destruição
Por que esse vídeo importa além do celular danificado? Parece um incidente isolado.
Porque mostra exatamente como o direito de filmar é respondido na prática. Não é teoria—é um policial armado destruindo a prova de que estava sendo filmado.
Mas precisamos ser claros: temos um vídeo de um incidente. Não sabemos se houve investigação, se o policial foi identificado, se há processo. O vídeo é a evidência, mas a história do que aconteceu depois ainda está aberta.
Então o que sabemos com certeza?
Que um policial, durante uma operação em um bar em Paraisópolis, percebeu que estava sendo filmado, avançou contra a câmera, provocou verbalmente, e bateu o cano da escopeta contra o telefone. Tudo isso está no vídeo.
Exato. E o que não sabemos: se foi identificado, se há investigação, qual é o protocolo da PM para situações assim, se a pessoa conseguiu recuperar o telefone ou se perdeu tudo.
Isso muda a narrativa?
Muda o que vem depois. Mas o que aconteceu naquela noite não muda. Um agente destruiu um aparelho porque estava sendo documentado.
E isso é o ponto. O incidente é verificável. O que significa para a política de segurança, para a responsabilização, para o direito de filmar—isso ainda está sendo escrito.
Le Pouls
- Um policial militar, ao perceber que era filmado durante operação em bar na Rua Pasquale Gallupi, avançou deliberadamente contra a câmera em vez de ignorá-la.
- Com a escopeta apontada para o telefone, o agente repetiu 'vai, filma essa porra!' antes de golpear o aparelho com o cano da arma — tornando o ato inequivocamente intencional.
- O celular foi danificado e o policial se afastou como se nada houvesse ocorrido, deixando para trás não apenas um aparelho quebrado, mas uma mensagem de intimidação.
- O vídeo circula e expõe a contradição central: o mesmo ato que o policial tentou suprimir acabou sendo amplamente documentado e distribuído.
- O episódio reacende o debate sobre o direito constitucional de cidadãos filmarem agentes públicos em espaço público — direito reconhecido, mas frequentemente contestado na prática.
Na noite de domingo, em Paraisópolis, periferia de São Paulo, um policial militar usou o cano de sua escopeta para destruir o celular de um cidadão que o filmava durante uma operação em bar — um gesto que condensa, em poucos segundos, uma tensão muito mais antiga: a do poder que resiste a ser visto. O incidente, registrado em vídeo e obtido por O GLOBO, não é apenas um caso de dano a propriedade, mas um questionamento vivo sobre quem tem o direito de documentar o exercício da força pública.
Na noite de domingo, 11 de outubro, agentes da Polícia Militar realizavam uma operação na entrada de um bar em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, quando um dos policiais percebeu que estava sendo filmado. A reação não foi de indiferença: o agente se moveu diretamente em direção à câmera.
O que o vídeo, obtido por O GLOBO, registra a seguir é perturbador pela sua clareza. O policial aponta a escopeta para o telefone e repete, em tom de provocação, 'vai, filma essa porra!' — antes de bater o cano da arma contra o aparelho e danificá-lo. Em seguida, retorna à rua como se nada tivesse acontecido.
A sequência não deixa margem para interpretações alternativas: um agente armado usou sua arma como instrumento de destruição de propriedade em resposta direta ao ato de ser filmado. A repetição da frase antes do golpe afasta qualquer leitura de acidente — trata-se de uma ação deliberada.
Paraisópolis, comunidade de cerca de 100 mil habitantes, é palco frequente de operações policiais intensas. Mas este episódio desloca o foco da operação em si para a conduta individual de um agente — e para o que ela comunica. Destruir o celular de quem filma não apaga o registro; envia uma mensagem sobre o custo de tentar documentar a polícia. O paradoxo é que o próprio vídeo sobreviveu para contar.
Na noite de domingo, 11 de outubro, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, um vídeo capturou o momento em que um policial militar avançou contra alguém que o filmava durante uma operação. As imagens, obtidas por O GLOBO, mostram agentes circulando pela entrada de um bar na Rua Pasquale Gallupi, número 1315. Quando um dos policiais percebeu que estava sendo registrado em vídeo, ele se moveu na direção da câmera.
O que se segue é direto e perturbador. Com a escopeta apontada para o telefone, o policial grita "vai, filma essa porra!" repetidas vezes, sua voz carregada de provocação. Não há ambiguidade no que acontece a seguir: ele bate o cano da arma contra o celular, danificando o aparelho, e depois se afasta, retornando para a rua como se nada tivesse ocorrido.
O incidente levanta questões fundamentais sobre o exercício da autoridade policial e o direito dos cidadãos de documentar ações de agentes públicos. A pessoa que tentava registrar a operação viu seu telefone destruído no processo. O vídeo não deixa espaço para interpretações alternativas: um agente armado, em resposta a ser filmado, usou sua arma como instrumento de destruição de propriedade.
Paraisópolis, comunidade de cerca de 100 mil habitantes, frequentemente é palco de operações policiais intensas. Este episódio, porém, coloca em foco direto a conduta individual de um agente durante uma ação de rotina. A gravação documenta não apenas o ato em si, mas também a atitude que o acompanha—a repetição da frase provocativa antes do golpe sugere uma ação deliberada, não acidental.
O caso toca em um ponto sensível nas relações entre polícia e comunidade: a capacidade de cidadãos registrarem o que agentes públicos fazem em espaços públicos é um direito reconhecido, ainda que frequentemente contestado na prática. Quando esse direito é respondido com destruição de propriedade e intimidação, a dinâmica muda. Não se trata apenas de um celular quebrado, mas de uma mensagem clara sobre o que acontece quando se tenta documentar a polícia.
Citations marquantes
Policial grita 'vai, filma essa porra!' repetidas vezes antes de bater o cano da escopeta contra o celular— Agente da Polícia Militar durante operação em Paraisópolis