No intervalo tenso entre dois turnos eleitorais, um vídeo fabricado com inteligência artificial atribuiu a Flávio Bolsonaro promessas de cortar aposentadorias, 13º salário e programas sociais — palavras que ele jamais pronunciou. O material original era um agradecimento pela votação do primeiro turno; o áudio foi substituído e sincronizado artificialmente com seus lábios. Ferramentas independentes apontaram entre 83% e 99% de probabilidade de manipulação, lembrando que a desinformação, quando bem fabricada, pode parecer mais real do que a própria realidade.
Vídeo de Flávio cortando aposentadorias e 13º é falso; IA manipulou áudio
Inteligência artificial foi usada para fabricar o áudio e sincronizá-lo com o movimento dos lábios
Como é possível que uma ferramenta de IA consiga sincronizar áudio falso tão bem com o movimento dos lábios de alguém? Parece tecnicamente sofisticado.
É sofisticado, sim. Existem ferramentas que conseguem gerar áudio sintético que imita a voz de uma pessoa e depois sincronizá-lo com vídeo real. O que torna isso preocupante é que a tecnologia ficou acessível o suficiente para ser usada em campanhas políticas.
Mas vale notar que as ferramentas de detecção conseguiram identificar isso. A Hiya/InVID deu 99% de confiança. Então não é invisível — pelo menos não para quem sabe procurar.
E o vídeo original? O que Flávio realmente disse naquela entrevista?
Ele falou sobre estar feliz com o resultado do primeiro turno, mencionou que quase 56 milhões de pessoas votaram nele, e que a palavra-chave era "mudança". Nada sobre cortes em aposentadorias ou 13º.
Exatamente o oposto do que o vídeo falso afirma. É uma inversão completa de mensagem.
Quem fez isso? Alguém foi identificado?
A fonte não identifica os criadores. Apenas que circula nas redes desde quarta-feira e que a assessoria de Flávio chamou de "fake news eleitoral" e crime.
E é crime mesmo, segundo a lei brasileira. Mas a questão aberta é: quem está por trás? Rivais políticos? Grupos organizados? A reportagem não responde isso.
Quanto tempo leva para um vídeo assim viralizar?
Circulou em pelo menos quatro plataformas — Instagram, TikTok, X e WhatsApp — desde quarta-feira. Em contexto eleitoral, isso se espalha rápido.
E é importante: o segundo turno é em 25 de outubro. Isso foi feito propositalmente no período mais crítico da campanha, quando a atenção está máxima e as pessoas estão decidindo.
The Pulse
- Um vídeo falso se espalhou pelo Instagram, TikTok, X e WhatsApp mostrando Flávio Bolsonaro prometendo cortes em benefícios que ele nunca anunciou.
- O áudio foi sintetizado por inteligência artificial e sincronizado com os movimentos reais dos lábios do candidato, tornando a falsificação visualmente convincente.
- Duas ferramentas independentes de detecção confirmaram a manipulação com índices de 83,1% e 99% de probabilidade de geração por IA.
- A assessoria de Flávio Bolsonaro classificou o conteúdo como crime eleitoral e acusou a 'rede petista' de tentar enganar eleitores a dez dias do segundo turno.
- O vídeo original era uma fala de agradecimento pelos quase 56 milhões de votos recebidos no primeiro turno — completamente distorcida pela montagem.
No intervalo tenso entre dois turnos eleitorais, um vídeo fabricado com inteligência artificial atribuiu a Flávio Bolsonaro promessas de cortar aposentadorias, 13º salário e programas sociais — palavras que ele jamais pronunciou. O material original era um agradecimento pela votação do primeiro turno; o áudio foi substituído e sincronizado artificialmente com seus lábios. Ferramentas independentes apontaram entre 83% e 99% de probabilidade de manipulação, lembrando que a desinformação, quando bem fabricada, pode parecer mais real do que a própria realidade.
Um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais mostrava o que parecia ser Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, prometendo cortes em aposentadorias, 13º salário e programas como o Pé de Meia e o Bolsa Família. A voz atribuída ao candidato argumentava que idosos não deveriam receber duas aposentadorias e que recursos de pensões seriam redirecionados. O material é falso.
A base da manipulação foi uma entrevista real concedida dias antes, na qual Bolsonaro agradecia os quase 56 milhões de votos obtidos no primeiro turno — 47,03% do total — e falava em 'mudança' como palavra-chave de sua campanha. O áudio original foi descartado e substituído por uma voz sintetizada artificialmente, sincronizada com os movimentos dos lábios do candidato.
O Fato ou Fake submeteu o vídeo a duas ferramentas de detecção independentes. A Hive Moderation indicou 83,1% de probabilidade de manipulação de áudio; a Hiya/InVID foi ainda mais conclusiva, apontando 99% de chance de geração por inteligência artificial.
A assessoria de Flávio Bolsonaro classificou o conteúdo como 'evidente montagem por IA' e 'fake news eleitoral', afirmando tratar-se de crime no Brasil. A nota reforçou que aposentadorias, 13º salário e direitos trabalhistas previstos na Constituição são 'inquestionáveis' e serão preservados. A fabricação ocorre no período crítico antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Bolsonaro enfrentará Lula, que obteve 45,16% dos votos na primeira rodada.
Um vídeo que circula há dias nas principais redes sociais — Instagram, TikTok, X e WhatsApp — mostra o que parece ser Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, em entrevista cercado de microfones ao lado da esposa Fernanda. Nele, uma voz atribuída ao candidato promete cortes drásticos em aposentadorias, 13º salário e outros programas sociais se eleito. O material é falso. Ferramentas de detecção de conteúdo manipulado confirmam que inteligência artificial foi usada para fabricar o áudio e sincronizá-lo com o movimento dos lábios de Bolsonaro.
A declaração falsa atribuída ao candidato é específica e detalhada. A voz diz estar grato pelos votos e anuncia que o governo faria "cortes na economia, começando tirando a pensão que muito aposentado recebe sem necessidade", argumentando que não seria justo um idoso receber duas aposentadorias. O áudio falso prossegue prometendo redirecionar recursos de pensões para gasolina, fazer um "corte drástico" no 13º salário e cortar o programa Pé de Meia. A sequência termina com menção ao Bolsa Família e a frase "A vitória é nossa".
O material original que serviu de base para a manipulação foi uma entrevista verdadeira concedida no domingo anterior, quatro dias antes da circulação do vídeo falso. Naquela ocasião, Bolsonaro realmente apareceu ao lado de Fernanda em frente a repórteres, mas seu discurso foi completamente diferente. Na gravação autêntica, ele expressava satisfação com o resultado do primeiro turno — quase 56 milhões de votos, representando 47,03% do total — e enfatizava que a palavra-chave era "mudança". Ele mencionou que muitos institutos de pesquisa o davam atrás, mas seus próprios levantamentos indicavam liderança, e que a votação confirmou uma "chance real" de vitória no primeiro turno, embora por margem estreita.
O Fato ou Fake submeteu o vídeo falso a duas ferramentas independentes de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial. A Hive Moderation apontou 83,1% de probabilidade de manipulação de áudio. A Hiya/InVID foi ainda mais conclusiva, indicando 99% de chances de o áudio ter sido gerado por IA, classificando o fragmento como "muito provavelmente" criado por inteligência artificial.
A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro respondeu ao Fato ou Fake classificando o material como "evidente montagem por IA" e "fake news eleitoral". O comunicado oficial afirmou que se trata de crime no Brasil e acusou a "rede petista" de tentar enganar a população. A nota reafirmou que Bolsonaro já deixou claro diversas vezes que não faria economia prejudicando os mais necessitados, e que o 13º salário, as aposentadorias e direitos trabalhistas previstos na Constituição Federal são "inquestionáveis" e serão protegidos.
O contexto eleitoral é relevante. Bolsonaro disputará o segundo turno em 25 de outubro contra Lula, que obteve 45,16% dos votos no primeiro turno. A fabricação deste vídeo falso ocorre no período crítico entre os dois turnos, quando campanhas intensificam esforços e desinformação tende a proliferar. A classificação como crime eleitoral reflete a legislação brasileira que criminaliza fake news durante períodos de votação, tornando a criação e disseminação deste conteúdo uma questão não apenas de verificação de fatos, mas de responsabilidade legal.
Notable Quotes
A evidente montagem feita por IA é uma fake news eleitoral, o que é crime no Brasil. Mais uma tentativa criminosa da rede petista para enganar o povo.— Assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro já deixou claro, inúmeras vezes, que não vai fazer economia para atender os que mais precisam. O 13º salário, as aposentadorias e todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição Federal são inquestionáveis e serão protegidos.— Comunicado oficial de Flávio Bolsonaro