Vendedor de carros belga recebe título de príncipe após reconhecimento de paternidade

Um príncipe que começou como um encontro casual em um shopping
Clément Vandenkerckhove cruzou com seu pai sem saber quem ele era aos 13 anos, antes de descobrir a verdade anos depois.
Mark

Como um vendedor de carros acaba se tornando príncipe? Parece saído de um filme.

Mimi

É quase isso. Ele não sabia quem era seu pai até os 16 anos. Depois passou anos reunindo coragem para ligar para um príncipe.

Mark

E o príncipe simplesmente aceitou? Sem drama?

Mimi

Aceitou, mas com cuidado. Pediu um teste de DNA. Quando confirmou, fez um comunicado público dizendo que era por "compreensão e respeito". Bem formal.

Mark

Mas se ele é príncipe, ele herda algo? Entra na linha de sucessão?

Mimi

Não. Um decreto de 2015 deixa isso claro. Ele recebe o título, mas nada de poder ou herança. Só filhos nascidos de casamentos aprovados pelo governo entram na sucessão.

Mark

Então é um título vazio?

Mimi

Não exatamente. Ele processou o Estado belga por benefícios de seguridade social. Um tribunal concordou que merecia consideração. O título pode não vir com poder, mas vem com algumas consequências práticas.

Mark

E agora? Ele continua vendendo carros?

Mimi

Não sabemos. Ele não comentou. Mas em junho postou fotos no Instagram com o pai no Dia dos Pais. Parece que a relação é real, mesmo que tenha começado por acaso em um shopping.

  • Um encontro casual em 2013 guardava uma verdade que levaria anos para emergir: o homem no shopping era o pai que Clément Vandenkerckhove nunca conhecera.
  • Um documentário televisivo expôs a história ao país inteiro, transformando o ex-vendedor de carros em figura pública e pressionando a família real a se posicionar.
  • O Príncipe Laurent confirmou a paternidade por teste de DNA e emitiu comunicado formal, enquanto o Palácio Real tratou o assunto como privado e recusou comentários adicionais.
  • Um decreto real de 2015 garante o título principesco a Vandenkerckhove, mas o exclui da linha de sucessão — filho de uma relação anterior ao casamento aprovado, ele herda o nome, não o poder.
  • Não satisfeito com a posição marginal, ele processou o Estado belga por benefícios de seguridade social, e um tribunal recomendou parcialmente que legisladores considerassem conceder-lhe uma pensão estatal.

Em algum lugar entre o acaso de um shopping center e a formalidade de um decreto real, um jovem belga de 26 anos percorreu o caminho improvável da anonimidade ao título principesco. Clément Vandenkerckhove, filho não reconhecido do Príncipe Laurent da Bélgica, recebeu oficialmente a paternidade e o título após teste de DNA e um comunicado público do pai — encerrando uma história que começou quando ele tinha 13 anos e não sabia quem havia cruzado seu caminho. A monarquia, como tantas instituições humanas, encontrou uma forma de acomodar o inesperado: conferindo um nome sem conferir um trono.

Clément Vandenkerckhove tinha 13 anos quando cruzou com um estranho em um shopping center belga em 2013. Ele não sabia que aquele homem era seu pai. Três anos depois, sua mãe — Iris Vandenkerckhove, conhecida profissionalmente como Wendy Van Wanten, modelo e atriz — revelou a verdade: o pai era o Príncipe Laurent, irmão do Rei Philippe.

A história permaneceu fora dos holofotes até setembro do ano passado, quando um documentário da emissora VTM levou o relato ao público belga. Vandenkerckhove descreveu os telefonemas tentativos que fez ao príncipe, os encontros que se seguiram e o teste de DNA que confirmou o que ambos já suspeitavam. Laurent emitiu então um comunicado reconhecendo-o como filho biológico, citando "um sentimento de compreensão e respeito pelos envolvidos". O Palácio Real confirmou o reconhecimento legal, mas classificou o assunto como privado.

O título de príncipe que Vandenkerckhove recebeu vem com contornos precisos. Segundo um decreto real de 2015, ele não integrará a linha de sucessão ao trono nem exercerá funções reais — prerrogativas reservadas aos filhos nascidos de casamentos aprovados por decreto governamental. Laurent casou-se com a Princesa Claire em 2003 e tem três filhos com direitos sucessórios; Vandenkerckhove, nascido antes desse casamento, fica fora dessa estrutura.

Mas ele não aceitou passivamente a posição. Em 2023, processou o Estado belga argumentando que sua condição de membro da realeza equivalia à de um trabalhador autônomo — ele recebia uma verba anual de 400 mil euros, embora grande parte fosse destinada a funcionários e despesas. Um tribunal concordou parcialmente, recomendando que legisladores considerassem conceder-lhe uma pensão estatal. Em junho, ele publicou fotos no Instagram celebrando o Dia dos Pais ao lado de Laurent e do companheiro de longa data de sua mãe — uma imagem que capturava, à sua maneira, a estranha e genuína realidade de uma família reconstituída às margens da coroa.

Clément Vandenkerckhove, de 26 anos, é agora oficialmente um príncipe da Bélgica. Mas sua história não começou em um palácio — começou em um shopping center em 2013, quando ele cruzou com um homem que não sabia ser seu pai.

O Príncipe Laurent, irmão mais jovem do Rei Philippe, reconheceu formalmente a paternidade de Vandenkerckhove semanas atrás, conferindo-lhe o título principesco. O reconhecimento encerrou uma trajetória inusitada que levou um ex-vendedor de carros belga a ganhar notoriedade nacional e, eventualmente, um lugar na família real — ainda que um lugar bem definido, sem poder ou herança do trono.

A história ganhou visibilidade pública quando um documentário da emissora VTM foi ao ar em setembro do ano passado. Nele, Vandenkerckhove descreveu aquele encontro casual no shopping, quando tinha apenas 13 anos. Ele não fazia ideia de quem era o homem que cruzou seu caminho. Foram necessários três anos para sua mãe, Iris Vandenkerckhove — conhecida profissionalmente como Wendy Van Wanten, modelo, cantora e atriz belga — revelar a verdade sobre sua identidade. Aos 16 anos, ele soube que seu pai era um príncipe.

O que veio depois foi uma série de telefonemas tentativos. Vandenkerckhove reuniu coragem para ligar para o Príncipe Laurent. Após várias conversas, eles se encontraram pessoalmente. O príncipe sugeriu um teste de DNA para confirmar o que ambos já suspeitavam. O resultado foi positivo. Em setembro, o Príncipe Laurent emitiu um comunicado público reconhecendo Vandenkerckhove como seu filho biológico, afirmando que a decisão se baseava em "um sentimento de compreensão e respeito pelos envolvidos". O Palácio Real confirmou o reconhecimento legal ao The New York Times, mas recusou-se a comentar além disso, classificando o assunto como privado.

O título que Vandenkerckhove recebeu vem com limitações claras. Segundo um decreto real de 2015, ele é príncipe, mas não entrará na linha de sucessão ao trono nem exercerá qualquer função real. Christian Behrendt, professor de direito constitucional na Universidade de Liège, explicou que apenas filhos nascidos de casamentos aprovados por decreto governamental podem integrar a linha sucessória. O Príncipe Laurent casou-se com a Princesa Claire em 2003 e tem três filhos com ela — esses sim, com direitos sucessórios. Vandenkerckhove, nascido antes desse casamento, fica fora dessa estrutura.

Mas o novo príncipe não aceitou passivamente essa posição marginal. Em 2023, ele processou o Estado belga buscando benefícios de seguridade social, argumentando que sua condição de membro da realeza equivalia à de um trabalhador autônomo. Na época, recebia uma verba anual de 400 mil euros, embora seu advogado afirmasse que três quartos dessa quantia iam para funcionários e despesas operacionais. Um tribunal concordou parcialmente com ele dois anos depois, recomendando que os legisladores belgas considerassem conceder-lhe uma pensão estatal, ainda que rejeitasse a ideia de que seus deveres reais constituíssem trabalho.

Em junho, Vandenkerckhove publicou fotos no Instagram celebrando o Dia dos Pais — uma com o Príncipe Laurent e outra com Frans Vancoppenolle, companheiro de longa data de sua mãe. A imagem capturava algo que o documentário havia revelado: uma relação que, embora tardia e inusitada, parecia genuína. Ele não respondeu a pedidos de comentário para esta reportagem, mas sua presença nas redes sociais sugere uma vida que segue seu curso — agora com um título que o distingue, mas sem as responsabilidades que normalmente o acompanham.

A decisão se baseava em um sentimento de compreensão e respeito pelos envolvidos
— Príncipe Laurent, em comunicado de setembro
Pessoas só podem ingressar na linha de sucessão se nascerem de um casamento aprovado por decreto governamental
— Christian Behrendt, professor de direito constitucional na Universidade de Liège
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