Há algo de inevitável na aritmética do declínio: em julho, as vendas de jogos físicos nos Estados Unidos caíram para 85 milhões de dólares, o valor mais baixo desde 1995, marcando não tanto uma crise pontual mas o capítulo final de uma transformação que durou décadas. A Sony já anunciou o abandono dos discos na PlayStation a partir de 2028, enquanto a Nintendo domina os restos de um mercado que um dia valeu mais de dez mil milhões de dólares por ano. O disco de jogo não morreu de repente — foi-se apagando, título a título, prateleira a prateleira.
Vendas de jogos físicos atingem mínimo histórico, validando abandono de discos pela Sony
Apenas dois títulos PlayStation venderam mais de 10 mil cópias em disco
Porque é que 85 milhões de dólares em julho é tão significativo? Parece um número isolado.
Não é isolado — é o ponto mais baixo em 31 anos de registos. Significa que o mercado físico não está apenas a encolher, está a desaparecer. Quando apenas dois jogos vendem mais de 10 mil cópias numa semana, estamos a falar de um formato que perdeu relevância comercial.
A Nintendo ainda vende bem em físico. Porque é que consegue quando os outros não?
A Nintendo tem uma base de jogadores que valoriza o físico — colecionadores, jogadores casuais, famílias. Os seus jogos têm uma vida útil longa. Mas mesmo a Nintendo está a navegar um mercado que encolhe. Não é que estejam a ganhar — é que os outros desapareceram.
A Xbox tem apenas 4% do mercado físico. Porque é que os rumores dizem que pode manter os discos?
É uma aposta de diferenciação. Se a Sony abandona os discos e a Nintendo é Nintendo, a Xbox pode posicionar-se como a consola para quem quer escolher. É arriscado, mas num mercado fragmentado, pode funcionar.
E os preços das consolas subiram 16% enquanto as vendas caíram 29%. Isso não é contraditório?
É. Significa que as pessoas que ainda compram consolas estão a pagar mais por menos mercado. Os fabricantes estão a tentar manter margens enquanto o volume desaparece. É insustentável a longo prazo.
Qual é o verdadeiro fim desta história?
O disco de jogo está morto como formato comercial. A Sony apenas formalizou o que o mercado já decidiu. A questão agora é se o digital consegue oferecer o que o físico oferecia — propriedade, partilha, permanência.
The Pulse
- Julho registou o pior mês para jogos físicos desde que há memória de registos, com apenas dois títulos PlayStation a vender mais de 10 mil cópias numa única semana.
- O mercado físico encolheu de 11,6 mil milhões de dólares em 2008 para apenas 1,5 mil milhões em 2025 — uma queda que já não admite recuperação.
- A Nintendo controla 63% das vendas físicas restantes, a PlayStation tem 32%, e a Xbox praticamente desapareceu com apenas 4%, tornando o mercado cada vez mais estreito e desequilibrado.
- A Sony formalizou o inevitável: a partir de janeiro de 2028, a PlayStation deixa de fabricar discos, encerrando uma era com uma decisão contabilística mais do que simbólica.
- Contra a corrente, rumores apontam para que a Xbox possa manter os discos como estratégia de nicho, apostando nos jogadores que ainda resistem à transição digital.
Há algo de inevitável na aritmética do declínio: em julho, as vendas de jogos físicos nos Estados Unidos caíram para 85 milhões de dólares, o valor mais baixo desde 1995, marcando não tanto uma crise pontual mas o capítulo final de uma transformação que durou décadas. A Sony já anunciou o abandono dos discos na PlayStation a partir de 2028, enquanto a Nintendo domina os restos de um mercado que um dia valeu mais de dez mil milhões de dólares por ano. O disco de jogo não morreu de repente — foi-se apagando, título a título, prateleira a prateleira.
Em julho, o mercado de jogos físicos nos Estados Unidos tocou o fundo histórico: 85 milhões de dólares em receitas, o valor mais baixo desde que a Circana começou a registar dados em 1995. O analista Mat Piscatella descreveu a queda como enorme — e os números confirmam: numa única semana de julho, apenas dois títulos PlayStation venderam mais de 10 mil cópias em disco. Em todo o ano, só sete jogos ultrapassaram as 100 mil unidades físicas vendidas nos EUA.
O hardware acompanhou a queda. As receitas de consolas recuaram 29% face ao ano anterior, para 282 milhões de dólares, ainda que o preço médio de uma consola nova tenha subido 16%, chegando aos 542 dólares. Menos compradores, a pagar mais.
No que resta do mercado físico, a Nintendo domina com 63% das vendas. A PlayStation segura 32%. A Xbox praticamente desapareceu, com apenas 4% — reflexo de uma tendência que em 2025 reduziu o mercado físico anual a 1,5 mil milhões de dólares, contra os 11,6 mil milhões do pico em 2008.
Face a esta aritmética, a Sony anunciou que a partir de janeiro de 2028 a PlayStation deixará de fabricar discos. Não é uma decisão dramática — é uma conclusão lógica. Manter cadeias de produção e distribuição física para um mercado em colapso tornou-se impossível de justificar.
Mas há um movimento contrário a ganhar forma: rumores indicam que a Xbox poderá manter os discos como aposta de nicho, tentando atrair os jogadores que resistem ao digital — aqueles que ainda valorizam a caixa na prateleira, a possibilidade de revender ou emprestar um jogo. É uma fatia pequena de um mercado em contração, mas pode ser o que resta para quem quiser disputá-la.
Em julho, o mercado de jogos em formato físico nos Estados Unidos tocou fundo. As receitas caíram para 85 milhões de dólares — o valor mais baixo desde que a Circana começou a acompanhar o setor em 1995. É um número que resume uma transformação silenciosa mas implacável: a morte lenta do disco de jogo.
O analista Mat Piscatella da Circana descreveu a queda como enorme. Na semana que terminou a 11 de julho, apenas dois títulos da PlayStation conseguiram vender mais de 10 mil cópias em formato físico. Olhando para todo o ano nos EUA, apenas sete jogos ultrapassaram a marca das 100 mil unidades vendidas em disco. São números que falam por si — o mercado não apenas encolheu, desapareceu.
O hardware também sofreu. As receitas de consolas caíram 29% em relação ao ano anterior, totalizando 282 milhões de dólares. Mas há um detalhe que complica o quadro: o preço médio de uma consola nova subiu 16%, chegando aos 542 dólares. Menos pessoas estão a comprar, e as que compram pagam mais.
Na prateleira que ainda existe, a Nintendo reina sozinha. As suas plataformas representam 63% de todas as vendas físicas no período analisado. A PlayStation fica em segundo com 32%. A Xbox praticamente desapareceu — apenas 4% das vendas físicas de jogos este ano. É o reflexo de uma tendência que vem de longe: em 2025, o mercado físico gerou apenas 1,5 mil milhões de dólares, o valor anual mais baixo de sempre. Comparem com 2008, quando o pico atingiu 11,6 mil milhões de dólares.
Estes números explicam a decisão da Sony. A partir de janeiro de 2028, a PlayStation deixará de fabricar discos. Manter a produção e distribuição de jogos em formato físico tornou-se cada vez mais difícil de justificar num mercado que encolhe rapidamente. É o fim de uma era — não de forma dramática, mas por simples aritmética.
Há, porém, um movimento contrário em gestação. Rumores sugerem que a Xbox pode fazer o caminho inverso, mantendo a aposta nos discos numa tentativa de conquistar jogadores que se recusam a abandonar o formato físico. É uma estratégia de nicho, mas num mercado em contração, os nichos podem ser o que resta.
A transição total para o digital parece inevitável quando se olha para estes números. Mas há algo que persiste — a sensação de ter a caixa na prateleira, a possibilidade de vender o jogo depois de o terminar, ou simplesmente emprestá-lo a um amigo. Com a Sony a preparar o fim dos discos e a Xbox a tentar atrair os colecionadores, o mercado está a dividir-se entre quem abraçou o digital e quem ainda resiste.
Notable Quotes
A queda é enorme — na semana que terminou a 11 de julho, apenas dois jogos da PlayStation conseguiram vender mais de 10 mil cópias físicas— Mat Piscatella, analista da Circana