Vendas de jogos físicos atingem mínimo histórico, validando abandono de discos pela Sony

Apenas dois títulos PlayStation venderam mais de 10 mil cópias em disco
Na semana de 11 de julho, o mercado físico atingiu um ponto de colapso que justifica o abandono dos discos.
Mark

Porque é que 85 milhões de dólares em julho é tão significativo? Parece um número isolado.

Mimi

Não é isolado — é o ponto mais baixo em 31 anos de registos. Significa que o mercado físico não está apenas a encolher, está a desaparecer. Quando apenas dois jogos vendem mais de 10 mil cópias numa semana, estamos a falar de um formato que perdeu relevância comercial.

Mark

A Nintendo ainda vende bem em físico. Porque é que consegue quando os outros não?

Mimi

A Nintendo tem uma base de jogadores que valoriza o físico — colecionadores, jogadores casuais, famílias. Os seus jogos têm uma vida útil longa. Mas mesmo a Nintendo está a navegar um mercado que encolhe. Não é que estejam a ganhar — é que os outros desapareceram.

Mark

A Xbox tem apenas 4% do mercado físico. Porque é que os rumores dizem que pode manter os discos?

Mimi

É uma aposta de diferenciação. Se a Sony abandona os discos e a Nintendo é Nintendo, a Xbox pode posicionar-se como a consola para quem quer escolher. É arriscado, mas num mercado fragmentado, pode funcionar.

Mark

E os preços das consolas subiram 16% enquanto as vendas caíram 29%. Isso não é contraditório?

Mimi

É. Significa que as pessoas que ainda compram consolas estão a pagar mais por menos mercado. Os fabricantes estão a tentar manter margens enquanto o volume desaparece. É insustentável a longo prazo.

Mark

Qual é o verdadeiro fim desta história?

Mimi

O disco de jogo está morto como formato comercial. A Sony apenas formalizou o que o mercado já decidiu. A questão agora é se o digital consegue oferecer o que o físico oferecia — propriedade, partilha, permanência.

  • Julho registou o pior mês para jogos físicos desde que há memória de registos, com apenas dois títulos PlayStation a vender mais de 10 mil cópias numa única semana.
  • O mercado físico encolheu de 11,6 mil milhões de dólares em 2008 para apenas 1,5 mil milhões em 2025 — uma queda que já não admite recuperação.
  • A Nintendo controla 63% das vendas físicas restantes, a PlayStation tem 32%, e a Xbox praticamente desapareceu com apenas 4%, tornando o mercado cada vez mais estreito e desequilibrado.
  • A Sony formalizou o inevitável: a partir de janeiro de 2028, a PlayStation deixa de fabricar discos, encerrando uma era com uma decisão contabilística mais do que simbólica.
  • Contra a corrente, rumores apontam para que a Xbox possa manter os discos como estratégia de nicho, apostando nos jogadores que ainda resistem à transição digital.

Há algo de inevitável na aritmética do declínio: em julho, as vendas de jogos físicos nos Estados Unidos caíram para 85 milhões de dólares, o valor mais baixo desde 1995, marcando não tanto uma crise pontual mas o capítulo final de uma transformação que durou décadas. A Sony já anunciou o abandono dos discos na PlayStation a partir de 2028, enquanto a Nintendo domina os restos de um mercado que um dia valeu mais de dez mil milhões de dólares por ano. O disco de jogo não morreu de repente — foi-se apagando, título a título, prateleira a prateleira.

Em julho, o mercado de jogos físicos nos Estados Unidos tocou o fundo histórico: 85 milhões de dólares em receitas, o valor mais baixo desde que a Circana começou a registar dados em 1995. O analista Mat Piscatella descreveu a queda como enorme — e os números confirmam: numa única semana de julho, apenas dois títulos PlayStation venderam mais de 10 mil cópias em disco. Em todo o ano, só sete jogos ultrapassaram as 100 mil unidades físicas vendidas nos EUA.

O hardware acompanhou a queda. As receitas de consolas recuaram 29% face ao ano anterior, para 282 milhões de dólares, ainda que o preço médio de uma consola nova tenha subido 16%, chegando aos 542 dólares. Menos compradores, a pagar mais.

No que resta do mercado físico, a Nintendo domina com 63% das vendas. A PlayStation segura 32%. A Xbox praticamente desapareceu, com apenas 4% — reflexo de uma tendência que em 2025 reduziu o mercado físico anual a 1,5 mil milhões de dólares, contra os 11,6 mil milhões do pico em 2008.

Face a esta aritmética, a Sony anunciou que a partir de janeiro de 2028 a PlayStation deixará de fabricar discos. Não é uma decisão dramática — é uma conclusão lógica. Manter cadeias de produção e distribuição física para um mercado em colapso tornou-se impossível de justificar.

Mas há um movimento contrário a ganhar forma: rumores indicam que a Xbox poderá manter os discos como aposta de nicho, tentando atrair os jogadores que resistem ao digital — aqueles que ainda valorizam a caixa na prateleira, a possibilidade de revender ou emprestar um jogo. É uma fatia pequena de um mercado em contração, mas pode ser o que resta para quem quiser disputá-la.

Em julho, o mercado de jogos em formato físico nos Estados Unidos tocou fundo. As receitas caíram para 85 milhões de dólares — o valor mais baixo desde que a Circana começou a acompanhar o setor em 1995. É um número que resume uma transformação silenciosa mas implacável: a morte lenta do disco de jogo.

O analista Mat Piscatella da Circana descreveu a queda como enorme. Na semana que terminou a 11 de julho, apenas dois títulos da PlayStation conseguiram vender mais de 10 mil cópias em formato físico. Olhando para todo o ano nos EUA, apenas sete jogos ultrapassaram a marca das 100 mil unidades vendidas em disco. São números que falam por si — o mercado não apenas encolheu, desapareceu.

O hardware também sofreu. As receitas de consolas caíram 29% em relação ao ano anterior, totalizando 282 milhões de dólares. Mas há um detalhe que complica o quadro: o preço médio de uma consola nova subiu 16%, chegando aos 542 dólares. Menos pessoas estão a comprar, e as que compram pagam mais.

Na prateleira que ainda existe, a Nintendo reina sozinha. As suas plataformas representam 63% de todas as vendas físicas no período analisado. A PlayStation fica em segundo com 32%. A Xbox praticamente desapareceu — apenas 4% das vendas físicas de jogos este ano. É o reflexo de uma tendência que vem de longe: em 2025, o mercado físico gerou apenas 1,5 mil milhões de dólares, o valor anual mais baixo de sempre. Comparem com 2008, quando o pico atingiu 11,6 mil milhões de dólares.

Estes números explicam a decisão da Sony. A partir de janeiro de 2028, a PlayStation deixará de fabricar discos. Manter a produção e distribuição de jogos em formato físico tornou-se cada vez mais difícil de justificar num mercado que encolhe rapidamente. É o fim de uma era — não de forma dramática, mas por simples aritmética.

Há, porém, um movimento contrário em gestação. Rumores sugerem que a Xbox pode fazer o caminho inverso, mantendo a aposta nos discos numa tentativa de conquistar jogadores que se recusam a abandonar o formato físico. É uma estratégia de nicho, mas num mercado em contração, os nichos podem ser o que resta.

A transição total para o digital parece inevitável quando se olha para estes números. Mas há algo que persiste — a sensação de ter a caixa na prateleira, a possibilidade de vender o jogo depois de o terminar, ou simplesmente emprestá-lo a um amigo. Com a Sony a preparar o fim dos discos e a Xbox a tentar atrair os colecionadores, o mercado está a dividir-se entre quem abraçou o digital e quem ainda resiste.

A queda é enorme — na semana que terminou a 11 de julho, apenas dois jogos da PlayStation conseguiram vender mais de 10 mil cópias físicas
— Mat Piscatella, analista da Circana
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