Quanto mais ofegante o animal, maior é o calor que ele sente
Com a chegada do verão, a relação entre humanos e seus animais de estimação revela uma assimetria fundamental: enquanto nós transpiramos, os cães respiram o calor para fora — e esse mecanismo tem limites. A veterinária Carla Berl, fundadora da rede Pet Care, lembra que reconhecer essa diferença biológica é o ponto de partida para uma convivência responsável na estação mais quente do ano. Pequenos ajustes na rotina — horários de passeio, acesso à água, cuidados com a pelagem — podem ser a diferença entre um verão saudável e uma emergência evitável.
- Acima de 28ºC, o mecanismo de resfriamento dos cães torna-se insuficiente, abrindo caminho para a hipertermia — um risco real e silencioso.
- O ofego intenso e a busca por superfícies frias são sinais de alerta que muitos tutores ainda não sabem identificar a tempo.
- Passeios no asfalto quente, falta de água fresca e ambientes sem ventilação transformam o cotidiano do pet em fonte de sofrimento.
- Veterinária recomenda dez medidas práticas — de sorvetes caseiros a tapetes gelados — para adaptar a rotina do animal ao calor.
- Vacinas em dia, especialmente contra leptospirose, e medicamentos antiparasitários completam o escudo de proteção necessário para a estação.
O verão convida a passeios e brincadeiras ao ar livre, mas para quem tem um pet em casa, a estação traz um desafio biológico concreto: cães não transpiram como humanos. Eles dependem da respiração para perder calor, e quando a temperatura ultrapassa 28 graus Celsius, esse mecanismo se torna insuficiente. O risco é a hipertermia — elevação perigosa da temperatura corporal, que em cães deve ficar entre 38,5 e 39,2 graus.
A veterinária Carla Berl, fundadora da rede de hospitais Pet Care, explica que o primeiro passo é reconhecer os sinais: animal ofegante, buscando o piso frio da cozinha ou o box do banheiro. Quanto mais intenso o ofego, maior o desconforto. Em dias muito quentes, a troca de calor pela respiração é mínima e o animal precisa de ajuda externa.
Entre as recomendações práticas, destacam-se: aumentar a oferta de água fresca — com gelo, se necessário —, fazer passeios apenas no início da manhã ou no final da tarde, e levar água durante os trajetos para proteger as patas do asfalto quente. As refeições também devem ser oferecidas nos horários mais frescos. Para pets de pelo longo, a tosa pode trazer alívio significativo, respeitando as particularidades de cada raça.
Soluções criativas como sorvetes feitos com caldo de carne ou frango, tapetes gelados e o uso de ventilador ou ar-condicionado completam o repertório de cuidados. Para animais de pelo curto ou branco, o protetor solar é indicado. Medicamentos contra pulgas e mosquitos — que proliferam no calor — devem ser usados com orientação veterinária, e as vacinas precisam estar em dia, com atenção especial à da leptospirose. Com essas precauções, o verão pode ser aproveitado com segurança e bem-estar por tutores e animais.
O verão chega com promessa de dias ao ar livre, passeios longos e brincadeiras no quintal. Para quem tem um animal de estimação em casa, porém, a estação quente traz um desafio real: o corpo do pet não funciona como o nosso. Enquanto humanos transpiram para se refrescar, cães dependem quase inteiramente da respiração — e quando a temperatura sobe acima de 28 graus Celsius, esse mecanismo se torna insuficiente. O resultado pode ser hipertermia, um aumento perigoso da temperatura corporal acima dos níveis normais, que para cães variam entre 38,5 e 39,2 graus.
Carla Berl, veterinária e fundadora da rede de hospitais Pet Care, explica que reconhecer os sinais de desconforto térmico é o primeiro passo. Um animal com calor fica ofegante e busca instintivamente superfícies frias — o piso da cozinha, o box do banheiro — onde pode se esparramar e aliviar o incômodo. Quanto mais intenso o ofego, maior é a sensação de calor que o animal experimenta. O pet está, basicamente, inspirando ar fresco e expirando ar quente em uma tentativa de perder temperatura, mas em dias muito quentes, essa troca é mínima e insuficiente.
Para manter o bem-estar do animal durante esses meses, Berl recomenda uma série de cuidados práticos. O primeiro e mais óbvio é aumentar a disponibilidade de água fresca — e se o calor for intenso, oferecer água gelada com cubos de gelo ajuda. Se o pet estiver muito ofegante, colocá-lo à sombra é essencial; um banho de água fria pode ser necessário para trazer alívio rápido. Os passeios diários devem ser reajustados para as horas mais amenas, no início da manhã ou no final da tarde, quando o asfalto ainda não está quente demais para queimar as almofadinhas das patas. Levar uma garrafinha de água durante esses passeios é tão importante quanto escolher o horário certo.
Além disso, as refeições também devem ser oferecidas nos períodos mais frescos do dia. Para animais com pelagem muito longa, uma tosa pode fazer diferença significativa — embora algumas raças, como o spitz, devam ser tosadas apenas com tesoura, não com máquina. Uma criatividade que funciona bem é preparar um sorvete caseiro feito com caldo de carne ou frango, oferecendo ao animal um petisco refrescante. Tapetes gelados, encontrados em pet shops, são outro investimento útil. Se o ambiente onde o pet passa a maior parte do tempo não for bem ventilado, ligar um ventilador ou ar-condicionado faz diferença real. E não se deve subestimar o poder de uma simples brincadeira com água no quintal.
Além desses cuidados diários, a proteção contra danos solares é importante, especialmente para animais de pelo curto ou branco, que devem usar protetor solar. Medicamentos preventivos contra pulgas e mosquitos são recomendados sob orientação veterinária, já que esses parasitas proliferam no calor. As vacinas devem estar sempre em dia, com atenção especial à que previne leptospirose — particularmente crítica se o pet vive em área propensa a alagamentos. Com essas precauções em lugar, o verão pode ser uma estação segura e agradável para o animal, permitindo que aproveite o lazer ao ar livre sem riscos desnecessários.
Notable Quotes
Cães não transpiram por todo o corpo, mas pela respiração. Quanto mais ofegante o animal estiver, maior é o calor que ele sente.— Carla Berl, veterinária e fundadora da rede de hospitais Pet Care
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que exatamente cães não conseguem se refrescar tão bem quanto a gente em dias quentes?
Porque não transpiram por todo o corpo como nós. Eles perdem calor basicamente pela respiração — aquele ofego que vemos quando estão quentes. Mas quando a temperatura sobe muito, essa respiração não consegue tirar calor rápido o suficiente.
E como a gente sabe que o pet está realmente sofrendo e não só descansando?
Procure por sinais claros: o animal fica muito ofegante, busca lugares frios obsessivamente — o piso da cozinha, o banheiro — e quer se esparramar ali. Quanto mais ofegante, mais calor ele está sentindo.
Faz sentido oferecer água gelada com gelo, mas e quanto aos passeios? Não é melhor evitar sair completamente?
Não precisa evitar, só precisa ser inteligente com o horário. Passeios no começo da manhã ou no final da tarde funcionam bem. O asfalto quente pode queimar as patas do animal, então o timing é tudo.
Essa história de tosa para raças de pelo longo — funciona mesmo?
Funciona, mas com ressalva. Raças com pelo muito longo se beneficiam, mas algumas raças como spitz precisam ser tosadas só com tesoura, não com máquina. Cada animal é diferente.
E se o dono não tiver acesso a essas coisas todas — tapete gelado, ar-condicionado?
O básico funciona: mais água disponível, passeios nos horários certos, sombra quando o animal está ofegante, e um banho de água fria quando necessário. Não precisa de luxo, precisa de atenção.