O ponto mais baixo do inverno cripto marcará o fim das falências
Em meio ao inverno mais rigoroso do mercado cripto, a gestora VanEck projeta que o Bitcoin pode recuar até US$ 10 mil no início de 2023, pressionado pelo colapso em cadeia dos mineradores que sustentam a rede. Não se trata, porém, de um epitáfio — mas de um rito de passagem: a gestora enxerga na depuração do setor a semente de uma recuperação para US$ 30 mil no segundo semestre, caso a macroeconômica global encontre seu equilíbrio.
- Mineradores de Bitcoin estão vendendo reservas em massa para sobreviver, despejando mais de 25 mil BTC no mercado desde julho e agravando a queda do preço em um ciclo que pode se tornar uma 'espiral de morte'.
- O índice global de mineração opera em mínimas de 14 meses, com quase todas as empresas do setor registrando prejuízo e negociando abaixo do próprio valor contábil.
- A VanEck prevê uma onda de falências e fusões entre mineradoras no primeiro trimestre de 2023, consolidando um setor que se tornou insustentável em sua configuração atual.
- A recuperação para US$ 30 mil depende de três variáveis frágeis: desaceleração da inflação americana, trégua na guerra da Ucrânia e reversão no fornecimento monetário global.
- Dados de dezembro já apontam desaceleração no aperto do Federal Reserve, abrindo uma janela de esperança para ativos de risco e sinalizando que o pior pode estar próximo do fim.
A VanEck, gestora de investimentos com longa experiência em mercados alternativos, projeta que o Bitcoin pode cair para entre US$ 10 mil e US$ 12 mil no primeiro trimestre de 2023 — uma queda de 82% em relação ao pico histórico de US$ 69 mil registrado em novembro de 2021. Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da gestora, descreve esse período como "o ponto mais baixo do inverno cripto", marcado por uma onda de falências entre mineradoras que não conseguem equilibrar custos operacionais crescentes com preços em queda.
Os números revelam a gravidade da situação: segundo a Glassnode, os mineradores liquidaram mais de 25 mil BTC desde julho, reduzindo seus estoques ao menor nível em 14 meses. O índice MVIS Global Digital Assets Mining Index encolheu para uma média de mercado de apenas US$ 180 milhões, com praticamente todas as empresas operando no vermelho. Quando os mineradores mais fracos vendem suas reservas para honrar compromissos, o preço cai ainda mais — um ciclo vicioso que, no limite, pode se transformar em uma "espiral de morte".
Apesar do cenário sombrio, a VanEck não descarta uma virada. A recuperação para US$ 30 mil no segundo semestre de 2023 está condicionada a três fatores: inflação mais baixa nos Estados Unidos, uma possível trégua na Ucrânia e uma reversão no fornecimento de moeda em circulação. O relatório de inflação de dezembro já sinalizou uma desaceleração no ritmo de aperto do Federal Reserve, o que animou os mercados de risco. Se esses elementos se alinharem, Sigel acredita que um novo ciclo de expansão pode começar antes do esperado.
A gestora também projeta transformações mais amplas no ecossistema cripto: tokenização de mais de US$ 10 bilhões em ativos por instituições financeiras, surgimento de uma nova stablecoin descentralizada bilionária e o Brasil emergindo como um dos países mais receptivos às criptomoedas do mundo. O retrato que a VanEck traça é o de um setor em dolorosa, mas necessária, transição.
A perspectiva para o Bitcoin em 2023 começa com uma queda acentuada. A gestora de investimentos VanEck projeta que a criptomoeda pode cair para entre US$ 10 mil e US$ 12 mil no primeiro trimestre do ano que vem, um movimento que representaria uma redução de 82% em relação ao recorde histórico de US$ 69 mil atingido em novembro de 2021. Mas essa não é uma história de colapso permanente — a VanEck acredita que o Bitcoin se recuperará para US$ 30 mil já no segundo semestre de 2023, sinalizando o que poderia ser o início de um novo ciclo de alta.
O culpado pela queda iminente é claro: os mineradores de Bitcoin estão à beira do colapso. Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, descreveu o primeiro trimestre de 2023 como "o ponto mais baixo do inverno cripto", marcado por uma onda de falências de mineradoras. Este ano foi devastador para o setor. Os custos operacionais subiram enquanto o preço do Bitcoin caiu, criando uma situação insustentável para empresas que dependem de receber a criptomoeda como recompensa por resolver complexos problemas matemáticos que verificam transações na blockchain. Quando essas recompensas são liquidadas para pagar contas, e o preço está em queda, a matemática simplesmente não fecha.
Os dados revelam a extensão do problema. Segundo a empresa de análise de blockchain Glassnode, os mineradores despejaram mais de 25 mil BTC (US$ 444 milhões) de suas reservas desde julho, reduzindo seus estoques para 1,818 milhão de BTC — o nível mais baixo em 14 meses. O índice que acompanha o desempenho do setor de mineração, o MVIS Global Digital Assets Mining Index, agora vale apenas US$ 180 milhões em média de mercado, com quase todos os constituintes operando com prejuízo e negociando bem abaixo de seu valor contábil. A maioria das empresas de mineração está perdendo dinheiro.
O que acontece quando os mineradores fracos saem do mercado é conhecido como capitulação — eles vendem suas reservas para sobreviver, o que faz o preço cair ainda mais, criando um ciclo vicioso. Na pior das hipóteses, isso pode levar a uma "espiral de morte", um termo que descreve períodos de queda acentuada e prolongada. Sigel prevê que muitos mineradores se reestruturarão ou se fundirão nos próximos meses, consolidando um setor que se tornou insustentável em sua forma atual.
Mas a VanEck não vê isso como o fim. A recuperação para US$ 30 mil no segundo semestre de 2023 depende de três fatores principais: inflação mais baixa nos Estados Unidos, uma possível trégua na guerra da Ucrânia, e uma reviravolta no fornecimento de dinheiro circulante. O relatório de inflação de terça-feira (13 de dezembro) já sinalizou uma desaceleração esperada no aperto de liquidez do Federal Reserve, o que melhorou a perspectiva para ativos de risco em geral. Se esses fatores se alinharem, Sigel acredita que o mercado de criptomoedas entrará em um novo período de expansão.
Além das previsões sobre o Bitcoin, a VanEck também projeta movimentos significativos em outros segmentos do mercado cripto. A gestora espera que instituições financeiras tokenizem mais de US$ 10 bilhões em ativos fora da cadeia, e que uma nova stablecoin descentralizada atinja um valor de mercado de US$ 1 bilhão. No Brasil, a VanEck vê o país se tornando um dos mais amigáveis às criptomoedas do mundo, potencialmente tokenizando parte de suas ofertas de dívida soberana em blockchain. A Ripple, por sua vez, deve perder seu processo contra a SEC, enquanto o Ethereum permitirá retiradas em sua rede Beacon Chain.
O cenário que a VanEck desenha é o de um setor em transição. O inverno cripto de 2023 será severo, especialmente para os mineradores que não conseguirem se adaptar. Mas se a macroeconomia cooperar, a primavera pode chegar mais cedo do que muitos esperam.
Notable Quotes
O Bitcoin testará US$ 10.000 a US$ 12.000 no primeiro trimestre em meio a uma onda de falências de mineradoras, que marcará o ponto mais baixo do inverno cripto— Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck
Com a mineração de Bitcoin em grande parte não lucrativa, os preços de eletricidade mais altos e os preços de Bitcoin mais baixos, prevemos que muitos mineradores se reestruturarão ou se fundirão— Matthew Sigel, VanEck
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que os mineradores de Bitcoin estão tão vulneráveis agora? Não é sempre assim?
Não. Os mineradores ganham Bitcoin resolvendo quebra-cabeças matemáticos, mas precisam vender essas moedas para pagar eletricidade e equipamento. Quando o preço cai e os custos sobem ao mesmo tempo, eles entram em colapso. Este ano foi perfeito para isso acontecer.
E quando eles saem do mercado, o que muda?
Eles vendem tudo que têm para sobreviver. Isso aumenta a oferta de Bitcoin no mercado exatamente quando a demanda está fraca, então o preço cai mais. É um ciclo que se alimenta a si mesmo.
A VanEck acha que vai ficar assim para sempre?
Não. Ela vê isso como um ponto de inflexão. Se a inflação cair, se houver paz na Ucrânia, se o dinheiro começar a circular novamente — tudo isso pode virar o jogo.
Então US$ 10 mil é o fundo?
É o que a VanEck espera. Mas ninguém sabe ao certo. O que sabemos é que quando os mineradores fracos saem, os fortes ficam. O setor fica menor, mas mais eficiente.
E se a macroeconomia não cooperar?
Então pode ficar pior. A "espiral de morte" é real — é quando o preço cai tão rápido que ninguém consegue acompanhar, e o pânico toma conta.
Mas a VanEck está apostando que não vai acontecer.
Está. Ela vê US$ 30 mil no segundo semestre. É uma aposta de que as coisas vão melhorar, não piorar.