A cada ano, o anuário Valor 1000 oferece ao Brasil um espelho de si mesmo — não apenas de cifras, mas de resiliência e ambição coletiva. Na edição de 2025, as mil maiores empresas do país geraram R$ 8,3 trilhões em receita e viram seus lucros crescerem 26%, revertendo três anos consecutivos de retração. A cerimônia realizada no hotel Unique, em São Paulo, celebrou líderes de 28 setores que, mesmo diante de crédito caro, guerras comerciais e instabilidade geopolítica, escolheram investir no longo prazo.
Valor premia líderes de 28 setores em 26ª edição do anuário Valor 1000
Lucro agregado saltou 26% após três anos de queda
Por que esse crescimento de lucro — 26% nominalmente — importa tanto se a receita cresceu apenas 7,8%?
Porque mostra que as empresas não apenas venderam mais; elas operaram com mais eficiência. Depois de três anos de contração, essa recuperação de lucro é o sinal de que as companhias conseguiram controlar custos e melhorar margens mesmo em ambiente desafiador.
Mas precisamos ser claros: esse é crescimento nominal. Em termos reais, foi 21%. E estamos comparando com um triênio muito ruim. Não sabemos ainda se esse patamar é sustentável ou se é um rebote de uma base deprimida.
As empresas estão investindo em tecnologia e sustentabilidade. Isso é escolha estratégica ou resposta a pressão regulatória?
Provavelmente ambas. O anuário mostra que 84% das companhias estão lucrando. Quando você tem saúde financeira, consegue investir em transformação. E a sustentabilidade não é mais opcional — é fator de competitividade e acesso a capital.
O anuário não detalha quanto essas empresas estão gastando em tecnologia ou descarbonização. Sabemos que estão fazendo, mas não temos escala de investimento. Isso seria importante para avaliar se é compromisso real ou comunicação.
A nota de corte subiu 3%. O que isso significa?
Significa que ficou mais difícil entrar no ranking. Você precisa de receita maior agora — R$ 825,9 milhões contra R$ 799,8 milhões no ano anterior. Isso reflete concentração: as empresas maiores estão crescendo mais rápido que as menores.
Ou reflete inflação. Precisaríamos saber se esse crescimento de 3% na nota de corte é real ou nominal. Se for nominal, pode ser apenas efeito de preços, não de concentração real.
Por que o painel incluiu um analista do Eurasia Group?
Porque o cenário geopolítico afeta diretamente os negócios brasileiros. Guerras comerciais, conflitos globais — isso impacta cadeias de suprimento, custos de importação, demanda. O Valor quis contextualizar o desempenho das empresas dentro dessa realidade.
Faz sentido, mas o anuário não oferece análise setorial de como cada um dos 28 setores foi afetado por esses fatores. Sabemos que houve desafios globais, mas não sabemos quais setores sofreram mais ou menos.
The Pulse
- Após três anos de lucros em queda livre — recuos de 1,5%, 28% e 26% consecutivos —, as maiores empresas brasileiras reverteram a maré e saltaram 26% no resultado líquido agregado em 2025.
- O ambiente externo permaneceu hostil: juros elevados, conflitos geopolíticos e cadeias de suprimento sob pressão testaram a capacidade de adaptação de cada setor.
- As companhias responderam acelerando investimentos em tecnologia e descarbonização, sinalizando que a aposta no futuro não foi suspensa pelas turbulências do presente.
- A nota de corte para entrar no ranking subiu 3%, de R$ 799,8 milhões para R$ 825,9 milhões em receita líquida, evidenciando um campo de disputa cada vez mais competitivo.
- Com 84% das mil empresas operando no azul — ante 81% no ano anterior —, a saúde financeira do topo do empresariado brasileiro se alargou, não apenas se aprofundou.
A cada ano, o anuário Valor 1000 oferece ao Brasil um espelho de si mesmo — não apenas de cifras, mas de resiliência e ambição coletiva. Na edição de 2025, as mil maiores empresas do país geraram R$ 8,3 trilhões em receita e viram seus lucros crescerem 26%, revertendo três anos consecutivos de retração. A cerimônia realizada no hotel Unique, em São Paulo, celebrou líderes de 28 setores que, mesmo diante de crédito caro, guerras comerciais e instabilidade geopolítica, escolheram investir no longo prazo.
Na noite de 8 de setembro, o hotel Unique em São Paulo sediou o lançamento da 26ª edição do Valor 1000, o anuário que mapeia as maiores e melhores empresas do Brasil. A cerimônia premiou os líderes de 28 setores e apresentou um retrato do topo do tecido empresarial brasileiro: em 2025, as mil companhias do ranking geraram receita líquida combinada de R$ 8,3 trilhões, crescimento de 7,8% sobre os R$ 7,6 trilhões registrados em 2024.
Mais expressivo do que a receita foi o movimento nos lucros. Depois de três anos consecutivos de queda — recuos de 1,5% em 2022, 28% em 2023 e 26% em 2024 —, o lucro líquido agregado saltou 26% nominalmente e 21% em termos reais, passando de R$ 337,5 bilhões para R$ 424,3 bilhões. A fatia de empresas com resultado positivo avançou de 81% para 84%, indicando uma base mais ampla de saúde financeira.
Esse desempenho é ainda mais significativo diante do contexto: crédito caro, instabilidade geopolítica, guerras comerciais e pressões nas cadeias de suprimento marcaram o ano. Ainda assim, as líderes setoriais mantiveram planos de expansão, intensificaram o uso de tecnologia e aceleraram iniciativas de sustentabilidade e descarbonização — uma aposta clara no posicionamento de longo prazo.
A metodologia do anuário combina rigor financeiro com critérios ESG: 70% da nota vem de métricas contábeis e 30% de análise socioambiental e de governança aplicada às três primeiras colocadas de cada setor. Um comitê de 23 especialistas, formado pelo Valor e pelo FGVcef da FGV-SP, avaliou dados de 1.034 companhias. A nota de corte para ingresso no ranking subiu cerca de 3%, de R$ 799,8 milhões para R$ 825,9 milhões em receita líquida, reflexo direto do aumento de competitividade.
O evento incluiu painel com Christopher Garman, do Eurasia Group, e os jornalistas Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim, mediados pela diretora de redação do Valor, Maria Fernanda Delmas. Entre as mil empresas ranqueadas, 26% têm capital aberto no Brasil ou no exterior, expondo uma parcela relevante das operações ao escrutínio de mercados e reguladores.
Na terça-feira 8 de setembro, o hotel Unique em São Paulo recebeu a cerimônia de lançamento da 26ª edição do anuário Valor 1000, o ranking que mapeia as maiores e melhores empresas do Brasil. O evento premiou os líderes de 28 setores da economia e apresentou um retrato das operações das mil companhias que formam o topo do tecido empresarial brasileiro — um conjunto cuja escala é difícil de apreender: em 2025, essas empresas geraram receita líquida combinada de R$ 8,3 trilhões.
Os números revelam uma trajetória de recuperação. A receita agregada cresceu 7,8% em relação a 2024, quando havia somado R$ 7,6 trilhões. Mais significativo ainda foi o movimento nos lucros. Depois de três anos de estagnação e queda — recuo de 1,5% em 2022, queda de 28% em 2023 e nova contração de 26% em 2024 — o lucro líquido agregado saltou 26% nominalmente e 21% em termos reais, passando de R$ 337,5 bilhões para R$ 424,3 bilhões. A proporção de empresas operando com resultado positivo subiu de 81% para 84%, sinalizando uma base mais ampla de saúde financeira.
Esse desempenho ganha relevo quando considerado o contexto em que ocorreu. Em 2025, as empresas brasileiras enfrentaram pressões significativas: custos de crédito elevados, instabilidade geopolítica global, guerras comerciais e conflitos que reverberam nas cadeias de suprimento. Apesar disso, as líderes dos 28 setores mantiveram trajetória de expansão. Segundo o anuário, essas companhias continuaram investindo em planos de crescimento, intensificando o uso de tecnologia e acelerando iniciativas de descarbonização e sustentabilidade corporativa — movimentos que sugerem uma aposta em posicionamento de longo prazo mesmo diante de turbulências de curto prazo.
A metodologia do Valor 1000 combina rigor contábil com análise de práticas ambientais, sociais e de governança. A avaliação ocorre em duas etapas: 70% da nota final vem de métricas financeiras; os 30% restantes derivam de análise ESG aplicada às três empresas melhor colocadas em cada setor. Um comitê de 23 profissionais especializados, formado pelo Valor e pelo Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, conduziu essa avaliação. A análise consolidou dados de 1.034 companhias, e a nota de corte para entrar no ranking subiu cerca de 3% — de R$ 799,8 milhões em receita líquida em 2024 para R$ 825,9 milhões em 2025, refletindo o aumento de competitividade.
O evento incluiu painel com Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, Maria Cristina Fernandes, repórter especial e colunista do Valor e da CBN, e Lauro Jardim, colunista de O Globo e da CBN. Sob mediação de Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor, os painelistas analisaram fatores políticos e econômicos que podem moldar o cenário brasileiro nos próximos meses. Entre as mil maiores empresas do ranking, 26% têm capital aberto no Brasil ou no exterior, o que significa que uma parcela significativa das operações mapeadas pelo anuário está sujeita a escrutínio público de mercado e reguladores.
O Valor 1000 é realizado em parceria entre Valor Econômico e Época Negócios, com apoio técnico de Serasa Experian e FGVcef/FGV-SP. O evento contou com patrocínio ouro de Alelo, Caixa Seguridade, Huawei e Deloitte; patrocínio prata de FGV Educação Executiva, Vibra, MBRF, Febraban e XP; e patrocínio bronze de Intelbras, CNI Sistema Indústria, Sicredi e Mineração Taboca. A Azul atuou como companhia aérea oficial e a GAC como fornecedor de transporte para o evento.
Notable Quotes
As empresas líderes seguem investindo em seus planos de expansão e intensificando o uso da tecnologia, permanecendo firmes no objetivo de descarbonizar as operações e torná-las mais sustentáveis.— Anuário Valor 1000