Vacinas salvaram 154 milhões de vidas em 50 anos, revela estudo da OMS

67 milhões de crianças não receberam vacinação completa entre 2020 e 2022 devido à pandemia de covid-19, contribuindo para aumento significativo de doenças evitáveis.
Seis vidas por minuto, ininterruptamente, durante cinquenta anos
A escala do impacto da vacinação desde 1974, segundo o estudo da OMS divulgado esta semana.
Mark

Como é que a OMS chegou a este número de 154 milhões? É uma estimativa ou uma contagem real?

Mimi

É uma estimativa baseada em modelos matemáticos que analisam dados de mortalidade antes e depois da introdução das vacinas. Não é uma contagem directa — seria impossível contar cada vida — mas é construída sobre dados epidemiológicos sólidos de cinco décadas.

Luke

E essa estimativa cobre apenas as catorze doenças mencionadas, certo? Não inclui covid-19, gripe, ou outras vacinas que salvam vidas.

Mimi

Exacto. O estudo é específico. Catorze doenças, desde 1974. Se incluíssemos outras, o número seria muito maior.

Mark

O que me intriga é o detalhe dos bebés. Cento e um milhões de bebés. Porque é que as crianças pequenas são tão afectadas?

Mimi

Porque o sistema imunitário dos bebés é imaturo. As doenças contra as quais vacinamos — sarampo, difteria, tosse convulsa — matam desproporcionalmente crianças pequenas. A vacinação oferece protecção quando elas são mais vulneráveis.

Luke

Mas o estudo também mostra um problema actual. Sessenta e sete milhões de crianças sem vacinação completa entre 2020 e 2022. Isso é um número grande?

Mimi

É enorme. Para contexto, é mais do que a população de França. E vimos o resultado: sarampo aumentou oitenta e quatro por cento em apenas um ano.

Mark

Então estamos a perder ganhos que levaram décadas a conquistar?

Mimi

Sim. E é reversível, mas requer acção rápida. As campanhas de vacinação precisam de ser retomadas com urgência.

Luke

O estudo menciona que a poliomielite deixou vinte milhões de pessoas a andar. Isso é uma forma de dizer que teriam ficado paralisadas?

Mimi

Sim. Sem a vacina, essas pessoas estariam paralisadas. É uma das doenças mais devastadoras que conseguimos prevenir.

  • A OMS revelou que as vacinas salvaram 154 milhões de vidas em 50 anos, um número que equivale a seis pessoas resgatadas da morte a cada minuto desde 1974.
  • Mais de 20 milhões de pessoas caminham hoje porque foram vacinadas contra a poliomielite — um vírus que, sem intervenção, as teria deixado paralisadas para sempre.
  • A pandemia de covid-19 interrompeu campanhas de vacinação em todo o mundo, deixando 67 milhões de crianças sem as doses de que necessitavam entre 2020 e 2022.
  • O custo dessa lacuna já é visível: os casos globais de sarampo aumentaram 84% entre 2022 e 2023, devolvendo terreno a uma doença que estava sob controlo.
  • O estudo foi divulgado durante a Semana Mundial da Vacinação como um duplo sinal — celebração de uma vitória histórica e urgência de retomar o que foi perdido.

Ao longo de cinquenta anos, a humanidade construiu, dose a dose, um dos maiores escudos já erguidos contra a morte prematura: segundo um estudo da OMS publicado n'The Lancet, a vacinação contra catorze doenças salvou 154 milhões de vidas desde 1974 — seis por minuto, sem interrupção. A maioria dos beneficiários eram bebés, e em África a mortalidade infantil caiu mais de metade. Mas este triunfo chega acompanhado de um aviso sombrio: a pandemia de covid-19 deixou 67 milhões de crianças sem vacinação completa, e o sarampo — outrora controlado — voltou a avançar.

Em cinquenta anos, as vacinas fizeram algo que poucos avanços médicos conseguem reivindicar: salvaram 154 milhões de vidas. O número, divulgado pela Organização Mundial da Saúde e publicado na revista The Lancet, traduz-se numa realidade quase incompreensível — seis pessoas vivas a cada minuto, ininterruptamente, desde 1974 até hoje.

O estudo analisou a vacinação contra catorze doenças, entre elas sarampo, poliomielite, difteria, hepatite B e tuberculose. Dos 154 milhões de vidas salvas, 101 milhões eram bebés — crianças que nasceram num mundo onde a morte por doença infecciosa deixou de ser uma sentença inevitável. A imunização contribuiu para reduzir 40% da mortalidade infantil global; em África, o impacto foi ainda mais profundo, com uma queda de 52%. Só a vacina contra o sarampo reduziu 60% da mortalidade infantil à escala mundial. E mais de 20 milhões de pessoas caminham hoje porque foram vacinadas contra a poliomielite.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, descreveu as vacinas como estando entre as invenções mais poderosas da História — capazes de transformar doenças que definiram gerações em simples recordações históricas.

Mas o estudo chegou acompanhado de uma sombra. A pandemia de covid-19 desviou recursos e interrompeu campanhas: entre 2020 e 2022, 67 milhões de crianças não receberam todas as vacinas necessárias. O custo já é visível — os casos globais de sarampo aumentaram 84% entre 2022 e 2023. Uma doença controlada voltou a ganhar terreno. Os 154 milhões de vidas salvas não são um ponto final: são um ponto de partida que exige vigilância contínua.

Num período de cinco décadas, as vacinas fizeram algo que poucos avanços médicos conseguem reivindicar: salvaram 154 milhões de vidas. Esse número, divulgado pela Organização Mundial da Saúde esta semana, traduz-se numa realidade quase incompreensível — seis pessoas vivas a cada minuto, ininterruptamente, desde 1974 até hoje, graças à imunização contra doenças que outrora ceifavam gerações inteiras.

O estudo, publicado na revista médica The Lancet, incidiu sobre a vacinação contra catorze doenças específicas: difteria, hepatite B, sarampo, tétano, febre amarela, rubéola, tuberculose, meningite A e tosse convulsa, entre outras. O que torna estes números particularmente significativo é quem foi salvo. Dos 154 milhões de vidas, 101 milhões eram bebés — crianças que nasceram num mundo onde a morte por doença infecciosa deixou de ser uma sentença inevitável. A imunização contra estas catorze doenças contribuiu directamente para reduzir quarenta por cento da mortalidade infantil em todo o mundo. Em África, o impacto foi ainda mais profundo: cinquenta e dois por cento de redução.

Algumas vacinas deixaram marcas particularmente visíveis. A vacinação contra o sarampo, por si só, diminuiu sessenta por cento da mortalidade infantil à escala global. Mas talvez o exemplo mais tocante seja o da poliomielite. Mais de vinte milhões de pessoas caminham hoje porque foram vacinadas contra um vírus que as teria deixado paralisadas. São vidas não apenas poupadas, mas vidas vividas em movimento, em liberdade.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, resumiu o alcance desta conquista numa frase simples: as vacinas estão entre as invenções mais poderosas da História, prevenindo doenças antes temidas. Temidas porque eram reais, porque eram próximas, porque matavam. A vacinação transformou doenças que definiram gerações em recordações históricas.

Mas o estudo foi divulgado num momento de sombra. Desde 2020, o mundo viu um retrocesso significativo nos programas de vacinação. A pandemia de covid-19 desviou recursos, interrompeu campanhas, criou hesitação. Entre 2020 e 2022, sessenta e sete milhões de crianças não receberam todas as vacinas de que necessitavam. O custo dessa interrupção já é visível: entre 2022 e 2023, os casos globais de sarampo aumentaram oitenta e quatro por cento. Uma doença que estava controlada voltou a ganhar terreno. Crianças que poderiam ter sido protegidas ficaram vulneráveis.

O estudo foi apresentado durante a Semana Mundial da Vacinação, que começou esta semana. É um momento de celebração de uma das maiores vitórias da medicina moderna, mas também de aviso. Os números de 154 milhões de vidas salvas não são um ponto final — são um ponto de partida que exige vigilância contínua. Cada ano sem vacinação universal é um ano em que doenças evitáveis ganham espaço novamente.

As vacinas estão entre as invenções mais poderosas da História, prevenindo doenças antes temidas
— Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS
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