O USS Abraham Lincoln completou 250 dias consecutivos no mar, o período mais longo sem parada em porto, antes de atracar em Pattaya nesta quarta-feira. Pattaya, apelidada de 'Cidade do Pecado', foi transformada de vila de pescadores para destino turístico durante a Guerra do Vietnã, quando recebeu centenas de milhares de soldados americanos.
USS Abraham Lincoln atraca em Pattaya com 5 mil militares após 250 dias no mar
A cidade é conhecida pelas garotas de programa. Não podemos evitá-los.
Por que essa parada em Pattaya é tão significativa? Não é apenas um porto como qualquer outro?
Não. Trezentos e cinquenta dias no mar é extraordinário — a tripulação estava em condições difíceis, com relatos de escassez de alimentos e banheiros com defeito. Mas o que torna Pattaya especial é a história. Essa cidade foi transformada pela presença americana durante a Guerra do Vietnã. Agora, cinco mil militares chegam diretamente de uma zona de guerra, assim como acontecia cinquenta anos atrás.
Espera — você disse "relatos de escassez de alimentos". Quem relatou isso? Foram membros do Congresso que expressaram preocupação, certo? A Marinha reconheceu que as condições foram difíceis, mas garantiu apoio adequado. Não sabemos exatamente o que estava acontecendo a bordo.
Verdade. O que sabemos é que a Marinha recusou-se a comentar sobre a parada em Pattaya por razões de segurança operacional. Há uma tensão clara entre a necessidade de descanso da tripulação e o controle de narrativa.
E quanto à economia local? Pattaya realmente precisa disso?
Absolutamente. A guerra dos EUA com o Irã prejudicou o turismo. Os negócios locais estão desesperados. Um vendedor de joias disse que essa visita pode ser "nossa maior esperança". Cinco mil homens que economizaram salários durante nove meses no mar — é uma injeção significativa de dinheiro.
Mas há restrições. Militares não podem ir à Soi 6, não podem entrar em lojas de cannabis. O prefeito disse, com ironia, que "os militares americanos fizeram a sua lição de casa". Isso sugere que todos sabem exatamente o que os militares fariam se pudessem.
Exato. As autoridades estão tentando controlar uma situação que historicamente saiu do controle. Pattaya foi construída sobre a presença militar americana. Agora estão tentando mostrar que a cidade "mudou", oferecendo esportes, bem-estar, atividades familiares.
Isso vai funcionar?
Não sabemos. O texto não diz como a tripulação reagiu às restrições, ou se elas serão efetivamente respeitadas. Sabemos que a polícia tailandesa mobilizou centenas de policiais para monitorar. Mas a história de Pattaya sugere que essas barreiras são frágeis.
A verdade é que essa parada é um espelho. Reflete cinquenta anos de história militar americana na região, a transformação de uma vila de pescadores, a presença contínua dos EUA na Ásia — e agora, as tentativas de gerenciar tudo isso de forma mais "responsável".
Quando o navio sai?
Seis de setembro. Quatro dias de parada. Depois volta ao Pacífico.
The Pulse
- USS Abraham Lincoln completou 250 dias consecutivos no mar antes de atracar em Pattaya em 2 de setembro
- Quase 5 mil fuzileiros navais desembarcaram após oito meses em alto mar
- Pattaya foi transformada de vila de pescadores para destino turístico durante a Guerra do Vietnã, quando recebeu centenas de milhares de soldados americanos
- Militares americanos são proibidos em Soi 6, lojas de cannabis e certos esportes aquáticos
- O porta-aviões retorna ao Pacífico em 6 de setembro
O USS Abraham Lincoln completou 250 dias consecutivos no mar, o período mais longo sem parada em porto, antes de atracar em Pattaya nesta quarta-feira. Pattaya, apelidada de 'Cidade do Pecado', foi transformada de vila de pescadores para destino turístico durante a Guerra do Vietnã, quando recebeu centenas de milhares de soldados americanos.
O porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln atracou em Pattaya, Tailândia, permitindo que 5 mil militares americanos desembarcassem após 250 dias consecutivos no mar. A cidade, conhecida pela vida noturna e turismo sexual, espera revitalizar seus negócios com a chegada dos soldados.
Após 250 dias consecutivos em alto mar, o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln atracou em Pattaya na quarta-feira, 2 de setembro, trazendo consigo quase cinco mil fuzileiros navais americanos em busca de descanso. A parada marca o fim do período mais longo que o navio passou sem tocar terra — uma jornada que começou em San Diego em novembro do ano anterior, originalmente planejada para seis meses no Pacífico e no Mar da China Meridional, mas desviada para o Golfo Pérsico quando os Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã no final de fevereiro.
Pattaya, cidade tailandesa localizada a cerca de cem quilômetros de Bangkok, ganhou fama internacional como destino de vida noturna intensa e turismo sexual — um rótulo que as autoridades locais rejeitam, mas que persiste na memória coletiva. Para os militares americanos que desembarcam agora, a cidade evoca ecos históricos profundos. Foram centenas de milhares de soldados americanos que chegaram a Pattaya durante a Guerra do Vietnã, transformando uma tranquila vila de pescadores em uma das cidades mais frenéticas do mundo para festas. Os primeiros militares americanos chegaram em 1959, quando fuzileiros navais estacionados nas proximidades começaram a usar suas praias para descanso. A transformação radical, porém, ocorreu durante a guerra do Vietnã, quando a cidade se tornou ponto de parada para tropas enviadas para o conflito, localizada próxima à Base Naval de Sattahip e ao Aeródromo de U-Tapao, que abrigava bombardeiros B-52 da Força Aérea dos EUA. Entre 1966 e 1967, as tropas americanas representaram entre onze e dezesseis por cento de todos os visitantes da Tailândia.
Hoje, as ruas iluminadas com néon que levam à praia estão mais vazias do que o normal. Os bares da famosa Walking Street ainda projetam vídeos de mulheres dançando em tentativa de atrair visitantes, mas a clientela é escassa — principalmente famílias do Oriente Médio interessadas em vendedores de sorvete turco. A guerra dos EUA com o Irã prejudicou duramente o turismo e o consumo local. Agora, a perspectiva de receber milhares de fuzileiros navais que economizaram seus salários durante quase nove meses no mar representa uma oportunidade excepcional para os negócios da região. Anon Saiteer, vendedor de joias em uma loja perto da Walking Street, colocou uma grande placa dando as boas-vindas aos fuzileiros americanos com desconto especial. "Não temos nada a perder; só esperamos que eles gastem algum dinheiro aqui", disse.
No entanto, as autoridades americanas e tailandesas estão tentando garantir que essa injeção econômica ocorra sem gerar as manchetes sensacionalistas pelas quais Pattaya ficou conhecida. As restrições são claras: militares americanos são proibidos em certos lugares, incluindo a Soi 6, rua conhecida pela concentração de bares de strip-tease onde se estima existirem entre vinte e cinco mil e cinquenta mil profissionais do sexo. As lojas de cannabis também estão fora dos limites, assim como alguns esportes aquáticos como parasailing e jet ski. A polícia tailandesa lembrou aos visitantes americanos que a prostituição é tecnicamente ilegal na Tailândia, embora permaneça abertamente visível apesar das frequentes batidas policiais. O prefeito Poramase Ngampiches declarou à BBC que "os militares americanos fizeram a sua lição de casa", com certa ironia.
O adido naval americano Kristopher Robinson afirmou que as tropas americanas "se comportarão de acordo com a lei americana, os regulamentos da Marinha dos EUA e a lei tailandesa", enquanto tentava "proporcionar aos marinheiros o máximo de oportunidades de descanso possível". A Marinha dos EUA organizou um serviço de ônibus entre o porto e Pattaya das cinco da manhã às duas da madrugada durante toda a estadia, e dois hotéis foram disponibilizados para tripulantes que desejarem pernoitar em terra. As autoridades tailandesas mobilizaram centenas de policiais para monitorar as áreas de entretenimento e alertaram comerciantes locais contra cobranças abusivas.
Recentemente, membros do Congresso dos EUA expressaram preocupação com relatos de escassez de alimentos a bordo do navio, banheiros com defeito e estresse psicológico entre a tripulação. A Marinha dos EUA reconheceu que as condições de trabalho têm sido difíceis, mas garantiu que a tripulação recebe apoio adequado. Apesar de sua estreita relação com a China, a Tailândia é aliada dos EUA por meio de tratados bilaterais, e visitas de navios da Marinha americana aos seus portos são comuns. Este, porém, é provavelmente o maior contingente militar americano a chegar diretamente de uma zona de guerra a Pattaya desde a queda de Saigon em 1975.
O prefeito Poramase reconheceu que "a cidade é conhecida pelas garotas de programa" e que "entendemos os estigmas. Não podemos evitá-los". Mas afirmou que "o que podemos fazer é mostrar que Pattaya mudou e que agora oferece outras opções, como esportos, seminários, programas de bem-estar e atividades para toda a família". Ambos os países esperam que quando o USS Abraham Lincoln iniciar sua longa viagem de volta para casa pelo Pacífico em 6 de setembro, sua tripulação esteja revigorada e descansada. A história de Pattaya — de vila de pescadores a destino turístico global — será novamente reescrita por essa breve parada, um capítulo que conecta o presente ao passado da presença militar americana na região.
Notable Quotes
Não temos nada a perder; só esperamos que eles gastem algum dinheiro aqui— Anon Saiteer, vendedor de joias em Pattaya
A cidade é conhecida pelas garotas de programa. Entendemos os estigmas. Não podemos evitá-los. O que podemos fazer é mostrar que Pattaya mudou— Prefeito Poramase Ngampiches