Numa época em que o envelhecimento ainda é tratado como recuo, a Universidade de São Paulo faz o movimento contrário: abre mais de cinco mil vagas gratuitas para pessoas acima de 60 anos no segundo semestre de 2025, através do programa USP 60+. Com mais de 350 atividades — de inteligência artificial a capoeira, de direito constitucional a coral — a iniciativa reconhece que a curiosidade não tem prazo de validade. O que está em jogo não é apenas aprendizado, mas a presença de gerações diferentes num mesmo espaço, e o que isso transforma em cada uma delas.
USP abre mais de 5 mil vagas gratuitas em cursos para maiores de 60 anos
Envelhecer bem é aprender que a vida não termina aos 60
Por que a universidade decidiu abrir um programa específico para maiores de 60 anos? Não seria mais simples deixar qualquer um se inscrever nos cursos regulares?
Porque envelhecer bem não é só uma questão individual. É uma questão de saúde pública. Quando você oferece aprendizado continuado, você está oferecendo algo que reduz isolamento, mantém a mente ativa, dá propósito. E há uma questão prática também: um idoso pode se sentir deslocado numa sala de aula cheia de gente com 20 anos. O programa reconhece isso.
Mas então por que insistir no encontro entre gerações se o programa reconhece essa diferença?
Porque o encontro não é acidental. Quando você tem disciplinas regulares onde idosos e alunos de graduação estudam juntos, algo diferente acontece. O idoso traz perspectiva, experiência. O jovem traz energia, curiosidade. Não é sobre conforto, é sobre transformação mútua.
A maioria dos cursos não exige pré-requisito. Isso significa que qualquer um pode entrar em qualquer coisa?
Quase. Alguns cursos pedem conhecimento prévio — você não entra em inteligência artificial sem saber o básico de matemática, por exemplo. Mas a regra é a abertura. A ideia é que você não seja barrado por ter parado de estudar há 40 anos.
E essas atividades complementares — dança sênior, yoga, teatro — são elas tão importantes quanto as disciplinas acadêmicas?
São diferentes, não menores. Uma aula de direito constitucional alimenta a mente de um jeito. Uma oficina de teatro alimenta de outro. E uma prática de dança sênior cuida do corpo enquanto cria comunidade. O programa entende que envelhecimento ativo é multidimensional.
Como alguém descobre que isso existe? Parece que poderia passar despercebido.
Pelo site do programa. Mas você tem razão — é fácil passar despercebido. Muita gente com 60 anos não sabe que isso existe. Talvez esse seja o próximo desafio: não apenas abrir as vagas, mas garantir que as pessoas saibam que estão lá.
The Pulse
- Mais de cinco mil vagas gratuitas foram abertas pela USP para pessoas acima de 60 anos, sem exigência de vínculo com a universidade nem histórico acadêmico prévio.
- O programa abrange mais de 350 atividades em áreas tão diversas quanto empreendedorismo, música popular brasileira, inteligência artificial, yoga e teatro — a maioria sem pré-requisitos.
- As inscrições são descentralizadas: cada unidade da USP, na capital e no interior, segue seu próprio calendário, exigindo atenção contínua ao site do programa ao longo do semestre.
- O coordenador médico do programa aponta que o encontro entre idosos e alunos de graduação numa mesma sala produz algo que ultrapassa a simples transmissão de conhecimento.
- A iniciativa se posiciona como um pilar do envelhecimento ativo e saudável, sinalizando que a universidade reconhece pessoas mais velhas como parte legítima de seu espaço.
Numa época em que o envelhecimento ainda é tratado como recuo, a Universidade de São Paulo faz o movimento contrário: abre mais de cinco mil vagas gratuitas para pessoas acima de 60 anos no segundo semestre de 2025, através do programa USP 60+. Com mais de 350 atividades — de inteligência artificial a capoeira, de direito constitucional a coral — a iniciativa reconhece que a curiosidade não tem prazo de validade. O que está em jogo não é apenas aprendizado, mas a presença de gerações diferentes num mesmo espaço, e o que isso transforma em cada uma delas.
A Universidade de São Paulo abriu mais de cinco mil vagas gratuitas para pessoas com mais de 60 anos no segundo semestre, pelo programa USP 60+. Não é preciso ter vínculo com a universidade nem formação prévia na maioria dos casos: basta ter a idade e o interesse.
O leque de opções é amplo — mais de 350 atividades distribuídas por diferentes áreas do conhecimento. Algumas são disciplinas regulares de graduação, como empreendedorismo, direito constitucional, inteligência artificial e nutrição. Outras foram pensadas especificamente para esse público: dança sênior, lian gong, pilates, oficinas de teatro, coral e visitas guiadas ao museu de zoologia e ao parque de ciência e tecnologia da USP.
Egidio Dórea, médico e coordenador do programa, destaca dois propósitos centrais: oferecer aprendizado continuado como base do envelhecimento ativo e saudável, e promover o encontro entre gerações dentro do ambiente universitário — algo que, segundo ele, vai além da simples troca de conhecimento.
As inscrições seguem calendários próprios de cada unidade da USP, tanto na capital quanto no interior, e devem ser acompanhadas pelo site do programa ao longo do semestre. A mensagem implícita nas cinco mil vagas abertas é direta: a universidade reconhece que pessoas mais velhas têm lugar ali — e que a vida, com toda a sua curiosidade, continua muito depois dos 60.
A Universidade de São Paulo abriu as portas para mais de cinco mil vagas em cursos e atividades completamente gratuitas destinadas a pessoas com mais de 60 anos no segundo semestre. O programa USP 60+ funciona como um convite permanente: não é preciso ter vínculo com a universidade, não é preciso ter formação anterior em quase nada. Você chega aos 60, se interessa, e se inscreve.
O que a universidade oferece é vasto. Mais de 350 atividades espalhadas por diferentes áreas do conhecimento, algumas delas ministradas nos mesmos moldes das aulas de graduação, outras pensadas especificamente para esse público. Há disciplinas regulares como empreendedorismo, marketing, música popular brasileira, gestão da qualidade, jornalismo esportivo, direito constitucional, inteligência artificial, psicologia social, nutrição e atividade motora, fundamentos de oceanografia física. A maioria delas não exige pré-requisito algum. Algumas poucas pedem conhecimento prévio, mas são exceção.
Além das aulas convencionais, o programa oferece um cardápio de atividades complementares que vai desde práticas físicas até imersões culturais. Dança sênior, lian gong, yoga, pilates, condicionamento físico e capoeira estão entre as opções para quem quer se mover. Para quem busca expressão e criatividade, há oficinas de teatro, coral, mundo digital, oficinas de jogos. O museu de zoologia e o parque de ciência e tecnologia da USP abrem suas portas para visitas guiadas. Essas atividades complementares têm cronogramas próprios de inscrição, algumas começam no início do semestre, outras abrem vagas ao longo do período.
Egidio Dórea, médico e coordenador do programa, explica a lógica por trás da iniciativa. O programa existe para oferecer à população acima de 60 anos a chance de continuar aprendendo, o que é considerado um dos pilares do envelhecimento ativo e saudável. Mas há algo mais: o encontro entre gerações. Quando um idoso senta numa sala de aula ao lado de alunos de graduação, algo acontece que vai além da transmissão de conhecimento.
As inscrições funcionam de forma descentralizada. Cada unidade da USP — na capital e nos campi do interior — segue seu próprio calendário. Quem quer se inscrever deve consultar o site do programa, onde todas as vagas estão listadas com seus respectivos prazos. Para as atividades complementares, o período de inscrição pode variar bastante ao longo do semestre, então não é questão de chegar cedo uma única vez, mas de ficar atento.
O que torna essa iniciativa relevante é simples: ela reconhece que a vida não termina aos 60 anos. Que há curiosidade, energia e disposição para aprender. Que estar numa universidade, mesmo que por alguns meses, mesmo que em atividades que não levam a diploma, importa. A USP está dizendo, com cinco mil vagas abertas, que pessoas mais velhas têm lugar ali.
Notable Quotes
A ideia do programa USP 60+ é fornecer à população acima de sessenta anos oportunidades para o aprendizado continuado, um dos pilares do envelhecimento ativo e saudável— Egidio Dórea, coordenador do programa