TSMC reportou lucro 77% maior no trimestre, mas margem bruta decepcionou e arrastou Nasdaq 1,33% para baixo. Empresa aumentou capex para 2026 de US$ 52-56 bi para US$ 60-64 bi, além de anunciar US$ 100 bi adicionais no Arizona.
TSMC bate estimativas, mas ação cai e arrasta Nasdaq; mercado questiona gastos em IA
Até que ponto esse volume vai gerar retorno proporcional?
Por que o mercado puniu uma empresa que bateu suas estimativas?
Porque o mercado não está olhando apenas para o trimestre que passou. Está tentando adivinhar se o dinheiro que a TSMC está gastando agora vai gerar retorno suficiente. Quando a margem bruta cai e os gastos de capital explodem, isso levanta uma questão: será que estamos em um ciclo de investimento insustentável?
Mas os bancos ainda recomendam compra. Eles não veem o mesmo risco?
Veem, mas interpretam diferente. Para eles, a pressão na margem é temporária — um custo necessário para ficar na frente da corrida por chips de inteligência artificial. Os bancos apostam que em 2029, 2030, quando a demanda explodir, a TSMC vai colher os frutos desse investimento massivo.
E se a demanda não explodir assim?
Aí você tem um problema. Você gastou US$ 265 bilhões em fábricas nos EUA, e elas não estão operando no potencial. Pior ainda: comunidades americanas estão bloqueando data centers por causa de preocupações com energia e água. US$ 156 bilhões em projetos foram cancelados ou adiados em 2025 sozinho.
Então o mercado está certo em se preocupar?
O mercado está certo em se preocupar, mas os bancos podem estar certos em manter a compra. A diferença é o horizonte de tempo. No curto prazo, essa volatilidade vai continuar. No longo prazo, se a demanda por IA for tão robusta quanto a TSMC acredita, o investimento vai fazer sentido.
Qual é o maior risco aqui?
Que todo mundo está apostando na mesma coisa ao mesmo tempo. Ações esticadas, dívida crescente, posicionamento concentrado. Se algo der errado — se a demanda desacelerar, se os custos subirem mais do que o esperado — o setor inteiro cai junto.
El Pulso
- TSMC reportou lucro por ação 77% maior no segundo trimestre, mas ações caíram
- Empresa aumentou capex para 2026 de US$ 52-56 bilhões para US$ 60-64 bilhões
- Anunciou aporte adicional de US$ 100 bilhões em fábricas no Arizona
- Nasdaq 100 caiu 1,33% no pregão; Goldman Sachs, JPMorgan e Itaú BBA mantêm recomendação de compra
TSMC reportou lucro 77% maior no trimestre, mas margem bruta decepcionou e arrastou Nasdaq 1,33% para baixo. Empresa aumentou capex para 2026 de US$ 52-56 bi para US$ 60-64 bi, além de anunciar US$ 100 bi adicionais no Arizona.
TSMC divulgou lucro acima do esperado, mas ações caíram junto com setor de semicondutores devido a preocupações com margens e gastos massivos em infraestrutura de IA.
A TSMC divulgou seus resultados do segundo trimestre na quinta-feira e entregou exatamente o que o mercado queria ver: lucro por ação 77% maior que o trimestre anterior, receita em linha com as projeções. Mas quando o pregão fechou, suas ações haviam caído, e arrastado consigo todo o setor de semicondutores. O Nasdaq Composite recuou 0,94%, enquanto o índice mais concentrado em tecnologia, o Nasdaq 100, desabou 1,33%. O S&P 500 teve queda mais modesta de 0,29%. Nada disso fazia sentido à primeira vista — uma gigante que bate estimativas deveria ser celebrada, não punida.
A resposta estava em dois detalhes específicos do balanço que preocuparam os investidores o suficiente para ignorar o lucro recorde. Primeiro, a margem bruta da empresa, aquela métrica que mostra quanto sobra da receita depois de descontar os custos diretos de produção, veio abaixo do que a parte mais otimista do mercado esperava. Pior ainda: a empresa sinalizou que essa margem deve encolher nos próximos trimestres. Durante a teleconferência com analistas, o presidente do conselho C.C. Wei explicou por quê. A TSMC está acelerando a produção de sua tecnologia de 2 nanômetros, e esse processo vai diluir a margem bruta em cerca de 3 a 4 pontos percentuais. Para investidores acostumados a ver projeções de lucratividade subindo constantemente, mesmo uma leve piora de expectativa pode pesar mais do que um trimestre brilhante que já ficou para trás.
Mas o verdadeiro incômodo veio do segundo ponto: o capex. A TSMC elevou sua projeção de gastos em capital para 2026 de uma faixa entre US$ 52 bilhões e US$ 56 bilhões para US$ 60 bilhões a US$ 64 bilhões. Além disso, anunciou um aporte adicional de US$ 100 bilhões em fábricas no Arizona, elevando seu compromisso total nos Estados Unidos para US$ 265 bilhões. Em circunstâncias normais, mais investimento seria lido como sinal de confiança no crescimento futuro. Wei tentou reforçar essa narrativa, argumentando que um nível mais alto de capex está sempre correlacionado a oportunidades maiores nos anos seguintes. Ele também reforçou a confiança da empresa na demanda por chips ligados a inteligência artificial até 2029 e 2030, descrevendo a tendência como tão robusta que a indústria está testemunhando o nascimento de algo novo.
Mas o mercado começou a fazer perguntas incômodas. Até que ponto esse volume massivo de capex vai gerar retorno proporcional? Até que ponto ele está sendo financiado de forma sustentável, sem comprometer a geração de caixa das empresas no curto prazo? Essas dúvidas não eram exclusivas da TSMC. Ações de Arm Holdings, Micron Technology, Advanced Micro Devices, Broadcom e SK Hynix caíram entre 3% e mais de 7% no mesmo dia. O ETF de semicondutores VanEck recuou mais de 2%. Nenhuma dessas empresas foi diretamente afetada pelo balanço da TSMC, mas todas fazem parte da mesma cadeia de investimentos em inteligência artificial, e por isso reagiram em bloco a sinais que colocam esse ciclo de gastos em xeque.
Apesar da reação negativa dos papéis no pregão, os principais bancos que acompanham a TSMC mantiveram recomendação de compra. O Goldman Sachs elevou seu preço-alvo de NT$ 3.000 para NT$ 3.100, implicando um potencial de valorização de 25,5%. O JPMorgan recomenda compra com preço-alvo de NT$ 3.100 e potencial de alta de cerca de 27%. O Itaú BBA atualizou seu preço-alvo para NT$ 3.113, um potencial de valorização de 26%, mantendo recomendação de compra. Nos três casos, a leitura é semelhante: o aumento no capex reforça a tese de demanda robusta por chips ligados a inteligência artificial nos próximos anos, enquanto a pressão sobre a margem bruta é tratada como algo temporário que não muda a avaliação de longo prazo.
Mas o mercado já vinha apontando riscos que se acumulam. Preços de ações esticados no setor, um volume crescente de emissão de dívida das empresas ligadas ao tema para financiar essa expansão, e um posicionamento de mercado muito concentrado nesses papéis. Segundo o Morgan Stanley, esses fatores tendem a gerar mais oscilação nos preços das ações, sem necessariamente mudar a direção de longo prazo dos retornos. Há também uma fonte de atrito crescente: a resistência de comunidades americanas à construção de novos data centers, motivada por preocupações com contas de energia, uso de água e transtorno das obras. O Morgan Stanley aponta que cerca de US$ 156 bilhões em projetos de data center foram cancelados ou adiados em 2025, e outros US$ 130 bilhões passaram pela mesma situação apenas no primeiro trimestre de 2026. Esse tipo de entrave tende a encarecer e atrasar a construção da infraestrutura de inteligência artificial nos EUA, ainda que não represente um risco de parar o processo por completo.
Citas Notables
Esperamos que a rápida entrada em produção da nossa tecnologia de 2 nanômetros dilua nossa margem bruta em cerca de 3 a 4 pontos percentuais— C.C. Wei, presidente do conselho da TSMC
Um nível mais alto de capex está sempre correlacionado a oportunidades de crescimento maiores nos anos seguintes— C.C. Wei, presidente do conselho da TSMC