O Tribunal Superior Eleitoral encerrou, por unanimidade, a disputa aberta pelo PT em torno da distribuição do fundo eleitoral de R$ 4,96 bilhões — uma contenda que, em sua essência, girava em torno de um único mandato perdido e de quanto ele valia em dinheiro público. Com a desistência do partido, o fluxo de recursos represado desde quinta-feira é liberado, e a ordem das fatias se consolida: o PL na liderança, o PT em segundo, e os demais partidos aguardando sua vez. Há, nesse desfecho, algo que transcende a aritmética eleitoral — a lembrança de que cada cadeira parlamentar carrega consigo con
TSE encerra ação do PT e libera repasses do fundo eleitoral para 2026
O tribunal reconheceu que a suspensão não significava retotalização automática
Por que o PT desistiu da ação se tinha argumentos para questionar o cálculo?
Porque o tribunal já tinha sinalizado para onde ia a decisão. Kassio e Estela deixaram claro que a suspensão do processo não significava uma retotalização automática. O PT viu que não tinha caminho.
E Paulão? Ele fica sem o mandato definitivamente?
Sim. A cassação de Catunda foi revertida, então a vaga volta para o PP. Paulão perdeu a cadeira e não há mais recurso que o traga de volta.
Qual era o valor em jogo para o PT com essa disputa?
Não é tanto sobre o dinheiro que deixaria de receber — R$ 615 milhões já é uma quantia significativa. É mais sobre a bancada. Se Paulão fosse contabilizado, seriam 69 deputados em vez de 68, e isso afetaria o cálculo dos 48% do fundo que vão para o número de cadeiras.
Então a desistência foi pragmática?
Completamente. O partido reconheceu que tinha perdido a batalha jurídica e preferiu não deixar a questão se arrastar. Melhor aceitar os R$ 615 milhões com 68 deputados do que ficar preso em um litígio que não ia ganhar.
O que muda agora para as campanhas de outubro?
Os repasses que estavam travados desde quinta-feira são liberados. Todos os partidos podem agora contar com seus recursos para montar as campanhas. O fundo de quase R$ 5 bilhões está totalmente desbloqueado.
O Pulso
- A suspensão do julgamento no TSE havia travado o repasse de 48% do fundo eleitoral desde quinta-feira, deixando partidos de todo o espectro à espera de recursos essenciais para suas campanhas de 2026.
- A disputa nasceu de um único mandato: o deputado Paulão, de Alagoas, perdeu sua cadeira após uma retotalização de votos de 2022, e o PT argumentava que esse assento deveria ter sido contado na hora de calcular sua fatia do fundo.
- Dois ministros do TSE rejeitaram a lógica petista, distinguindo entre a suspensão de um processo de cassação e a efetiva contagem de parlamentares — uma diferença técnica com consequências financeiras de dezenas de milhões de reais.
- Com a desistência do PT, o tribunal encerrou o caso sem votos contrários, consolidando a bancada petista em 68 cadeiras e desbloqueando os repasses para todos os partidos.
- O PL sai como maior beneficiário com R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT com R$ 615,4 milhões e pelo União Brasil com R$ 526,2 milhões — hierarquia que agora está definitivamente fixada.
O Tribunal Superior Eleitoral encerrou, por unanimidade, a disputa aberta pelo PT em torno da distribuição do fundo eleitoral de R$ 4,96 bilhões — uma contenda que, em sua essência, girava em torno de um único mandato perdido e de quanto ele valia em dinheiro público. Com a desistência do partido, o fluxo de recursos represado desde quinta-feira é liberado, e a ordem das fatias se consolida: o PL na liderança, o PT em segundo, e os demais partidos aguardando sua vez. Há, nesse desfecho, algo que transcende a aritmética eleitoral — a lembrança de que cada cadeira parlamentar carrega consigo consequências que se estendem muito além do plenário.
O Tribunal Superior Eleitoral encerrou na terça-feira a ação que o PT havia movido para tentar ampliar sua parcela do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O partido desistiu da disputa, e os ministros acolheram a mudança de posição sem qualquer resistência. Com isso, ficam liberados os repasses de 48% dos R$ 4,96 bilhões do fundo — a maior fatia da distribuição —, que estavam suspensos desde quinta-feira, quando o TSE havia interrompido o julgamento.
A origem da contenda era um mandato perdido. O deputado federal Paulão, eleito por Alagoas, teve sua cadeira cassada após uma retotalização dos votos de 2022. O PT sustentava que, no momento em que o tribunal calculou a distribuição do fundo — em primeiro de julho —, Paulão deveria ser contado como membro da bancada, pois uma decisão do ministro Dias Toffoli havia suspendido o processo de cassação em maio. O partido entendia que, enquanto essa suspensão vigorasse, o deputado permanecia formalmente no cargo.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Estela Aranha não aceitaram esse raciocínio. Para eles, Toffoli havia apenas paralisado o processo administrativo, sem determinar uma nova contagem de votos — e a retotalização, por ser um ato burocrático, não alterava a situação jurídica do mandato. A vaga de Paulão havia chegado a ele porque o TRE de Alagoas cassara o candidato do PP João Catunda por captação ilícita de votos; com a retotalização, a cadeira retornou a Catunda.
Com a desistência do PT, o quadro se estabiliza. A bancada petista fica consolidada em 68 parlamentares, conforme contabilizado pelo tribunal em junho. O PL recebe a maior fatia, R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT com R$ 615,4 milhões e pelo União Brasil com R$ 526,2 milhões. Os repasses, agora desbloqueados, podem prosseguir normalmente.
O Tribunal Superior Eleitoral encerrou na terça-feira a disputa que o PT havia aberto para tentar aumentar sua fatia do fundo eleitoral destinado às eleições de outubro. O partido desistiu da ação, e os ministros acolheram essa mudança de posição sem qualquer voto contrário.
A decisão destranca um fluxo de recursos que estava parado desde quinta-feira anterior. O TSE havia suspendido o julgamento naquele dia, e essa suspensão travava o repasse de 48% dos R$ 4,96 bilhões que compõem o Fundo Especial de Financiamento de Campanha — a maior fatia da distribuição. Os outros percentuais vinham de três fontes: 35% conforme o desempenho de cada partido nas eleições para deputado federal em 2022, 15% pelo tamanho da bancada no Senado, e 2% divididos igualmente entre todas as legendas.
Com o encerramento do caso, o cálculo do fundo eleitoral consolida a presença do PT em 68 cadeiras na Câmara, conforme contabilizado pelo tribunal em junho. O PL sai como o maior beneficiário, recebendo R$ 881,7 milhões. O PT fica em segundo lugar com R$ 615,4 milhões, seguido pelo União Brasil, que terá R$ 526,2 milhões à disposição.
O que levou o partido de Lula a questionar o tribunal foi a perda de um mandato. O deputado federal Paulão, eleito por Alagoas, perdeu sua cadeira após uma retotalização dos votos das eleições de 2022. O PT argumentava que quando o tribunal calculou a distribuição dos 48% do fundo em primeiro de julho, deveria ter contabilizado Paulão como membro da bancada, já que uma decisão do ministro Dias Toffoli em maio havia suspendido o processo que resultaria em sua cassação. Segundo a lógica do partido, enquanto aquela suspensão estivesse em vigor, Paulão deveria ser considerado parlamentar.
No início de julho, porém, o ministro Kassio Nunes Marques reconheceu a negativa dada a um recurso apresentado pela Federação Brasil da Esperança — a coligação formada por PT, PC do B e PV que tentava manter a vaga de Paulão no Congresso. Kassio argumentou que a decisão de Toffoli havia apenas suspendido o processo de cassação, não determinado uma nova contagem de votos. A ministra Estela Aranha, que também analisava o caso do mandato de Paulão, pediu vista do processo e concordou com a interpretação, observando que a retotalização é um ato administrativo burocrático e que o que realmente importa é a situação jurídica do processo.
Paulão havia chegado à Câmara em primeiro lugar porque o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas havia cassado o candidato do PP João Catunda, acusado de captação ilícita de votos através do financiamento de material de campanha com dinheiro do Sindicato de Saúde de Maceió. Com a retotalização que derrubou Paulão, a vaga voltou para Catunda — ou teria voltado, se não fosse a tentativa do PT de reverter o cálculo do fundo eleitoral. Agora, com a desistência da ação, o quadro se estabiliza e os repasses podem prosseguir normalmente.
Citações Notáveis
A retotalização é ato administrativo burocrático, e a situação jurídica do processo é o que realmente importa— Ministra Estela Aranha