Chegamos a um acordo comercial, sem dar detalhes
Trump recebeu a Ordem do Mugunghwa, a mais alta honraria sul-coreana, sendo o primeiro presidente americano a receber tal distinção. As negociações comerciais estavam em impasse há três meses, com tarifas americanas sobre automóveis sul-coreanos permanecendo em 25%, desvantajosas frente aos rivais japoneses.
- Trump recebeu a Ordem do Mugunghwa, primeira honraria máxima sul-coreana concedida a um presidente americano
- Negociações comerciais estavam em impasse há três meses desde acordo inicial de julho
- Tarifas americanas sobre automóveis sul-coreanos permaneciam em 25%, enquanto Japão conseguiu acordo melhor em setembro
- Coreia do Sul havia minimizado chances de acordo envolvendo investimento de U$ 350 bilhões
Trump foi recebido na Coreia do Sul com honrarias e anunciou um acordo comercial, embora sem detalhar os termos. A visita ocorre em contexto de negociações comerciais travadas há três meses entre os dois países.
Donald Trump chegou à Coreia do Sul na quarta-feira e saiu com a mais alta honraria que o país pode oferecer. O presidente americano recebeu a Ordem do Mugunghwa — nomeada em homenagem ao hibisco-rosa, flor nacional sul-coreana — uma distinção que nenhum outro presidente dos Estados Unidos havia conquistado antes. A cerimônia foi acompanhada de símbolos de prestígio: uma réplica de coroa dourada foi entregue a Trump, e o gabinete presidencial sul-coreano garantiu que a homenagem reconhecia seu papel como pacificador na Península Coreana.
O presidente americano estava na etapa final de uma turnê pela Ásia que o levou pela Malásia, onde conversou com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo Japão. Na Coreia do Sul, ele também estava previsto encontrar o presidente chinês Xi Jinping, que se encontrava no país para a Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico. A visita, porém, tinha um propósito comercial claro: desbloquear negociações que estavam travadas há cerca de três meses.
Após um almoço que incluía mini-hambúrgueres com ketchup no cardápio e um jantar no final do dia, Trump anunciou que havia chegado a um acordo comercial com a Coreia do Sul. Ao apertar a mão do presidente sul-coreano Lee Jae Myung diante de repórteres, ele afirmou simplesmente: "Chegamos a um acordo comercial", sem oferecer qualquer detalhe sobre os termos. Durante o jantar, descreveu as reuniões como "extraordinárias". Nem a Casa Branca nem o gabinete de Lee confirmaram ou revelaram informações específicas sobre o que havia sido acertado.
O contexto dessa negociação explica a pompa da recepção. As duas nações estavam presas em um impasse comercial desde o final de julho, quando assinaram um acordo inicial que limitou as tarifas americanas sobre produtos sul-coreanos a 15%. Mas havia uma falha crucial: as taxas dos EUA sobre importações de automóveis da Coreia do Sul permaneceram em 25%, um patamar que colocava as montadoras sul-coreanas em desvantagem significativa. Seus rivais japoneses, que haviam concluído seu próprio acordo com os EUA em setembro, enfrentavam uma situação mais favorável.
A Coreia do Sul havia minimizado publicamente as chances de que um acordo comercial fosse fechado durante a visita de Trump, especialmente um que envolvesse reduções tarifárias em troca de um compromisso de investimento de 350 bilhões de dólares por parte de Seul. O anúncio de Trump, portanto, representa uma virada nas negociações — embora a falta de detalhes deixe em aberto exatamente o que foi conquistado e a que custo.
A visita também reacendeu a questão das relações com a Coreia do Norte. Durante seu primeiro mandato, Trump realizou uma série de cúpulas com o líder norte-coreano Kim Jong Un, encontros que eventualmente fracassaram enquanto Pyongyang continuava avançando seu programa de armas nucleares e mísseis balísticos. Na quarta-feira, Trump repetiu seu convite para se reunir novamente com Kim, mas até o momento a Coreia do Norte não respondeu a essas novas iniciativas. O que fica claro é que a diplomacia comercial e a diplomacia de segurança estão entrelaçadas nessa região, e o acordo anunciado — seja qual for sua substância — pode redefinir como os Estados Unidos se relacionam com um dos seus aliados mais importantes na Ásia.
Notable Quotes
Chegamos a um acordo comercial— Donald Trump, presidente dos EUA
Extraordinárias— Trump descrevendo as reuniões com a Coreia do Sul durante o jantar
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Coreia do Sul fez tanto alarde com essa visita? Uma coroa dourada e a maior honraria do país parecem excessivos para um presidente americano.
Não é excessivo quando você está tentando desbloquear um acordo comercial que está parado há três meses. A Coreia do Sul estava em desvantagem — seus carros enfrentavam tarifas de 25% enquanto os japoneses tinham um acordo melhor. Essa cerimônia era um investimento diplomático.
Mas Trump não deu detalhes sobre o que foi acordado. Como sabemos se a Coreia do Sul conseguiu o que queria?
Exatamente. Essa é a questão em aberto. Ele disse que chegaram a um acordo, mas nem a Casa Branca nem o gabinete sul-coreano confirmaram os termos. Pode ser que tenham conseguido reduzir as tarifas sobre automóveis, ou pode ser que tenham apenas concordado em continuar negociando.
E quanto aos 350 bilhões de dólares em investimentos que se falava?
A Coreia do Sul havia minimizado essa possibilidade antes da visita. Pode estar incluído no acordo, ou pode ter sido deixado de lado. O silêncio é revelador — se fosse uma vitória clara, ambos os lados estariam anunciando os detalhes.
Há também a questão da Coreia do Norte. Trump mencionou Kim Jong Un novamente?
Sim, repetiu seu convite para se reunir com Kim. Mas Pyongyang não respondeu. É interessante porque mostra que Trump vê a diplomacia comercial e a segurança como conectadas — ele quer melhorar as relações comerciais enquanto mantém a porta aberta para negociações sobre armas nucleares.