Num momento em que a política industrial americana busca repatriar o que a globalização dispersou, Donald Trump voltou a exigir o impossível: que os smartphones sejam fabricados em solo americano, sob pena de tarifas de 25% sobre Apple, Samsung e outros. A ideia colide com décadas de desindustrialização, com a ausência de fábricas, de mão de obra especializada e de matérias-primas essenciais — obstáculos que nenhuma vontade política, por mais assertiva que seja, consegue dissolver por decreto. O que resta, no horizonte imediato, é a conta a pagar pelo consumidor comum.
Trump quer fabricar Android nos EUA, mas é impossível
O sonho de Trump de ter um telemóvel fabricado nos EUA não vai sair do papel
Porque é que Trump insiste nesta ideia se é impossível?
Porque funciona politicamente. Diz aos eleitores que quer trazer a produção de volta para casa, que quer criar empregos americanos. A realidade técnica e económica é irrelevante para a mensagem.
Mas as empresas não podem simplesmente ignorar uma tarifa de 25%?
Não. Ou fabricam nos EUA — o que é impossível — ou absorvem a tarifa e aumentam os preços. Não há terceira opção viável.
E se encontrassem uma solução criativa? Fabricação parcial, por exemplo?
Mesmo isso seria ruinoso. A China tem décadas de vantagem em custos. Qualquer produção nos EUA tornaria os telemóveis proibitivamente caros.
Então os consumidores americanos vão pagar mais?
Sim. Um telemóvel que custa 799 dólares passaria para cerca de 999. É a única forma de as empresas sobreviverem a isto.
Tim Cook tentou explicar isto a Trump?
Tentou. Mas Trump não quer ouvir. Quer "Made in USA" ou quer tarifas. Não há meio termo que o satisfaça.
Isto vai acontecer mesmo?
Não. No final, as empresas vão aumentar os preços e Trump vai declarar vitória. Nenhum telemóvel será fabricado nos EUA.
Der Puls
- Trump anunciou tarifas de 25% sobre fabricantes de smartphones sem apresentar qualquer plano concreto ou calendário viável, criando incerteza imediata para as maiores empresas tecnológicas do mundo.
- A exigência ignora uma realidade estrutural: os EUA não têm fábricas, não têm trabalhadores especializados e não extraem metais raros essenciais para baterias há mais de meio século.
- Tim Cook explicou pessoalmente a Trump que a Apple está a deslocar produção da China para a Índia — e Trump rejeitou até essa alternativa, exigindo que tudo seja feito em território americano.
- As empresas enfrentam um beco sem saída: fabricar nos EUA é tecnicamente inviável, a produção parcial seria igualmente cara, e a única saída realista é absorver a tarifa e repassar o custo ao consumidor.
- Um iPhone ou Galaxy que hoje custa 799 dólares pode chegar a 999 dólares — uma diferença concreta que afetará diretamente milhões de americanos, independentemente do desfecho político.
Num momento em que a política industrial americana busca repatriar o que a globalização dispersou, Donald Trump voltou a exigir o impossível: que os smartphones sejam fabricados em solo americano, sob pena de tarifas de 25% sobre Apple, Samsung e outros. A ideia colide com décadas de desindustrialização, com a ausência de fábricas, de mão de obra especializada e de matérias-primas essenciais — obstáculos que nenhuma vontade política, por mais assertiva que seja, consegue dissolver por decreto. O que resta, no horizonte imediato, é a conta a pagar pelo consumidor comum.
Donald Trump não abandona a ideia de ver telemóveis fabricados nos Estados Unidos. Depois de ameaçar a Apple com tarifas de 25%, alargou a ameaça à Samsung e a outros fabricantes de smartphones, anunciando que pretende impor pesados impostos alfandegários para forçar a produção em solo americano. O problema, porém, é estrutural e intransponível.
Fabricar um smartphone nos EUA exigiria construir do zero toda uma cadeia produtiva — fábricas para ecrãs, chips, baterias e sensores — com investimentos de milhares de milhões de dólares e mais de uma década de trabalho. A isso somam-se dois outros obstáculos: a mão de obra especializada não existe em quantidade suficiente, e certos metais raros indispensáveis para as baterias não são extraídos no país há 50 anos.
Quando Trump falou diretamente com Tim Cook, o presidente da Apple explicou-lhe os planos de deslocar parte da produção da China para a Índia. A resposta de Trump foi direta: não quer que a Apple construa na Índia. Mesmo o compromisso de 500 mil milhões de dólares de investimento nos EUA, incluindo uma nova fábrica em Houston, não satisfez o presidente.
O cenário mais realista é também o mais incómodo: as empresas não conseguem cumprir a exigência, a produção parcial seria igualmente dispendiosa, e a saída viável é aceitar a tarifa e transferir o custo para o consumidor. Um smartphone que hoje custa 799 dólares nos EUA poderia passar para cerca de 999 dólares. Trump não apresentou um plano nem um calendário concreto — apenas a promessa de tarifas 'apropriadas' até ao final de junho. O sonho de um telemóvel made in USA dificilmente sairá do papel.
Donald Trump quer que os telemóveis Android sejam fabricados nos Estados Unidos. É uma ideia que ele não larga — ameaçou a Apple com tarifas de 25%, depois alargou a ameaça a outras marcas como a Samsung. Segundo a Bloomberg, anunciou há pouco que pretende impor pesados impostos alfandegários sobre os fabricantes de smartphones para os forçar a produzir em solo americano. O problema é simples e brutal: isso nunca vai acontecer.
A infraestrutura necessária não existe. Para fabricar um telemóvel nos EUA seria preciso construir fábricas capazes de produzir e montar ecrãs, chips, baterias, sensores — tudo aquilo que hoje sai das linhas de produção na Ásia. Isso exigiria investimentos de milhares de milhões de dólares e mais de uma década de trabalho apenas para criar toda a cadeia produtiva. Não é uma questão de vontade política ou de tarifas bem desenhadas. É uma questão de que as instalações simplesmente não existem, e construí-las do zero é economicamente impensável.
Mas há mais. A mão de obra especializada que seria necessária não está disponível nos EUA. Seria preciso treinar trabalhadores ou importá-los de outros países — o que implicaria salários muito altos e entraria em conflito direto com a posição de Trump sobre imigração, um tema particularmente sensível para ele. E depois há a questão das matérias-primas. Certos metais raros essenciais para as baterias, como o escândio, não são extraídos nos EUA há 50 anos. Mesmo que depósitos fossem encontrados, seria necessário construir instalações para processá-los e contratar mais trabalhadores.
Trump falou recentemente com Tim Cook, o presidente da Apple. Cook explicou-lhe os planos da empresa para deslocar parte da produção da China para a Índia. Trump não gostou: "Ele está a construir na Índia. Não quero que ele construa na Índia." A Apple comprometeu-se a investir 500 mil milhões de dólares nos EUA nos próximos quatro anos, incluindo uma nova fábrica em Houston, mas isso não é suficiente para Trump. Ele quer tudo ou nada.
Mesmo um telemóvel parcialmente fabricado nos EUA encareceria drasticamente. A China fabrica componentes com custos que ninguém consegue igualar. Transferir a produção para os EUA aumentaria o preço de cada peça de forma significativa — um encargo que acabaria por recair sobre o consumidor. A verdade incómoda é que fabricar localmente seria provavelmente ainda mais caro do que simplesmente aceitar a tarifa de 25% e aumentar os preços.
E é aqui que chegamos ao cenário mais realista. As empresas estão encurraladas. Não conseguem fabricar telemóveis nos EUA — é tecnicamente impossível e economicamente insustentável. A alternativa moderada de fabricação parcial também teria custos altíssimos. A única saída viável é aceitar os 25% de tarifa e deixar que os consumidores paguem a diferença. Um iPhone 16 ou um Galaxy S25 que hoje custa 799 dólares nos EUA passaria para cerca de 999 dólares — uma diferença que qualquer pessoa sente no bolso.
Trump não apresentou um plano concreto nem um calendário específico. Limitou-se a dizer que as tarifas seriam aplicadas de forma "apropriada" e "prontas" até ao final de junho. Mas o que ele deseja é praticamente impossível, e as empresas sabem disso. Nos próximos meses veremos como reagem, mas uma coisa é certa: o sonho de Trump de ter um telemóvel fabricado nos EUA não vai sair do papel.
Bemerkenswerte Zitate
Ele está a construir na Índia. Não quero que ele construa na Índia.— Donald Trump, sobre os planos da Apple
A única saída viável será aceitar a tarifa e aumentar os preços.— Análise da situação