Numa democracia onde a independência dos bancos centrais é considerada pilar da estabilidade econômica, Donald Trump voltou a desafiar essa fronteira ao pressionar publicamente Kevin Warsh, recém-empossado presidente do Federal Reserve, a reduzir as taxas de juros para 1% ou menos — antes mesmo de sua primeira reunião formal. O gesto ocorre num momento em que a inflação americana, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Hormuz durante o conflito com o Irã, acelera rumo a 4,2%, e investidores apostam no caminho oposto ao desejado pelo presidente. A tensão entre a vontade política e a necess
Trump pressiona novo presidente do Fed por cortes nas taxas de juros
Quando um país está indo bem, não deveria ser penalizado com aumento de taxas
Por que Trump está pressionando o Fed agora, especificamente? Warsh ainda nem presidiu sua primeira reunião.
Porque Trump vê uma oportunidade. Warsh é seu indicado, foi confirmado há pouco, e há um relatório de empregos forte que está alimentando expectativas de aumentos de taxas. Trump quer estabelecer a narrativa antes que o comitê se reúna.
Mas o relatório de empregos forte é exatamente o motivo pelo qual o mercado está apostando em aumentos. Trump está pedindo que o Fed ignore sinais econômicos reais?
Não exatamente. Trump argumenta que o país está indo bem e não deveria ser "penalizado" com aumentos. Ele vê a economia como saudável e as taxas altas como um freio desnecessário.
E a inflação? Ela subiu para 3,8% em abril.
Sim, e esperava-se que chegasse a 4,2% em maio. Isso é o que está preocupando membros do Fed como Beth Hammack. Ela disse que a inflação alta é a maior preocupação.
Então temos dois sinais econômicos conflitantes: emprego forte e inflação acelerada. O Fed tem que escolher qual combater. Trump está dizendo que escolha o emprego.
Exatamente. E ele está usando sua posição de presidente para deixar claro qual é sua preferência.
Warsh pode simplesmente ignorar Trump?
Tecnicamente sim. O Fed é independente. Mas Warsh foi indicado por Trump, e Trump é seu presidente. Há uma dinâmica de poder aqui que não é simples.
Warsh havia indicado preferência por taxas mais baixas antes, então talvez não seja uma pressão tão incômoda. Mas a inflação causada pela guerra com o Irã muda o cálculo.
Então a reunião de 16 e 17 de junho vai ser o teste real?
Sim. Veremos se Warsh segue a pressão presidencial ou se prioriza o controle da inflação.
Der Puls
- Trump exigiu publicamente que o Fed reduza a taxa de referência para 1% ou menos, antes mesmo da primeira reunião de Warsh em 16 e 17 de junho.
- A inflação americana chegou a 3,8% em abril — máxima de três anos — e pode atingir 4,2% em maio, impulsionada pelo choque de combustíveis causado pelo fechamento do Estreito de Hormuz.
- Um relatório de empregos mais forte que o esperado levou investidores a aumentar apostas de alta nas taxas, criando rota de colisão direta com a agenda presidencial.
- Dentro do Fed, membros do FOMC como Beth Hammack sinalizaram que um aumento de taxas pode ser necessário em breve, enquanto Warsh enfrenta sua estreia sob pressão política intensa.
- O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentou moderar o tom, sugerindo que o Fed poderia 'esperar por clareza' antes de agir — mas a mensagem de Trump ao seu indicado foi inequívoca.
Numa democracia onde a independência dos bancos centrais é considerada pilar da estabilidade econômica, Donald Trump voltou a desafiar essa fronteira ao pressionar publicamente Kevin Warsh, recém-empossado presidente do Federal Reserve, a reduzir as taxas de juros para 1% ou menos — antes mesmo de sua primeira reunião formal. O gesto ocorre num momento em que a inflação americana, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Hormuz durante o conflito com o Irã, acelera rumo a 4,2%, e investidores apostam no caminho oposto ao desejado pelo presidente. A tensão entre a vontade política e a necessidade técnica de controle inflacionário coloca o Fed diante de um dos testes mais delicados de sua autonomia institucional.
Donald Trump não esperou nem uma semana para deixar claro o que esperava de Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve. Em entrevista dominical ao programa Meet the Press da NBC, o presidente americano pediu explicitamente que a taxa de referência do Fed — então entre 3,5% e 3,75% — fosse reduzida para 1% ou menos, e descartou qualquer possibilidade de aumento. "Quando um país está indo bem, não deveria ser penalizado com aumento imediato das taxas de juros", afirmou Trump, que já havia chamado o antecessor de Warsh, Jay Powell, de "idiota" e "cabeça oca" por não cortar as taxas com rapidez suficiente.
O momento era politicamente delicado. Na sexta-feira anterior, um relatório de empregos robusto havia reforçado as apostas de investidores de que o Fed seria obrigado a elevar as taxas antes do fim do ano. A razão era concreta: o conflito com o Irã havia levado ao fechamento do Estreito de Hormuz, disparando os preços de combustível e empurrando a inflação a 3,8% em abril — a maior em três anos. Economistas consultados pela Bloomberg projetavam que os dados de maio, a serem divulgados na quarta-feira seguinte, mostrariam uma aceleração para 4,2%.
Dentro do próprio Fed, a pressão interna apontava na direção contrária à de Trump. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, sinalizou que um aumento de taxas poderia ser apropriado em breve, caso as tendências inflacionárias persistissem. Warsh, que havia indicado preferência por juros mais baixos, agora enfrentava sua primeira reunião do FOMC — marcada para 16 e 17 de junho — num ambiente em que parte do comitê considerava o aperto monetário necessário.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentou oferecer uma saída diplomática, sugerindo que era razoável o Fed "esperar por alguma clareza" sobre os efeitos inflacionários do conflito antes de agir. Mas a mensagem presidencial era direta: Trump queria taxas mais baixas, e queria que seu indicado soubesse disso antes de sentar à cabeceira da mesa.
Donald Trump não esperou nem uma semana para começar a pressionar Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, a cortar as taxas de juros. Em entrevista ao programa Meet the Press da NBC exibida no domingo, o presidente americano deixou claro que esperava ação rápida do banco central — e que não aceitaria aumentos nas taxas, independentemente do que os dados econômicos sugerissem.
Warsh havia sido confirmado no cargo no mês anterior e estava prestes a presidir sua primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto nos dias 16 e 17 de junho. Trump pediu explicitamente que a taxa de referência do Fed, então na faixa de 3,5% a 3,75%, fosse reduzida para 1% ou menos. "Não há razão para aumentar as taxas de juros", afirmou Trump. "Construímos o país fazendo um ótimo trabalho e mantendo as taxas baixas. O que eles fazem é, quando aumentam as taxas de juros, tentar matar o sucesso."
O timing da pressão presidencial era delicado. Na sexta-feira anterior, um relatório de empregos mais forte que o esperado havia alimentado apostas entre investidores de que o Fed seria forçado a elevar as taxas antes do final do ano. A razão era simples: a inflação estava acelerando. Um conflito com o Irã havia levado ao fechamento do Estreito de Hormuz no início da guerra, disparando os preços de combustível em toda a economia americana. A inflação havia atingido 3,8% em abril — a máxima de três anos — e economistas consultados pela Bloomberg esperavam que chegasse a 4,2% quando os dados de maio fossem divulgados na quarta-feira seguinte.
Embora Trump insistisse que queria que Warsh tomasse suas próprias decisões — "Kevin é fantástico, e quero que ele faça o que quiser" —, o presidente redobrou seus apelos por taxas mais baixas. "Quando um país está indo bem, não deveria ser penalizado com aumento imediato das taxas de juros", disse Trump. "Na verdade, deveria ser incentivado." Ele havia criticado repetidamente o antecessor de Warsh, Jay Powell, chamando-o de "idiota" e "cabeça oca" por não cortar as taxas com rapidez suficiente.
Dentro do Fed, a situação era mais complicada. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland e membro do comitê de política monetária, havia sinalizado na sexta-feira que um aumento poderia ser apropriado em breve se as tendências inflacionárias continuassem. Ela observou que o mercado de trabalho estava agora "aproximadamente em equilíbrio", enquanto "a alta inflação é a maior preocupação". Warsh havia indicado anteriormente uma preferência por custos de empréstimos mais baixos, mas o salto na inflação desde o início do conflito no Oriente Médio havia levado alguns membros do comitê a levantar a possibilidade de ação no sentido oposto.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, ofereceu uma posição intermediária, sugerindo que era razoável o Fed "esperar por alguma clareza" sobre os efeitos inflacionários do conflito antes de prosseguir com novos cortes. Mas a pressão presidencial era clara e direta: Trump queria taxas mais baixas, e queria que seu indicado ao comando do banco central entendesse isso antes de sua primeira reunião.
Bemerkenswerte Zitate
Não há razão para aumentar as taxas de juros. Construímos o país fazendo um ótimo trabalho e mantendo as taxas baixas.— Donald Trump, presidente dos EUA
Se as tendências recentes continuarem, pode ser apropriado agir em breve. A alta inflação é a maior preocupação.— Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland