Eu dou as ordens. Eu tomo todas as decisões.
Irã disparou mísseis balísticos contra Israel em primeiro ataque desde cessar-fogo de abril; Trump diz "já chega" e cobra retomada de negociações. Presidente americano critica ataques israelenses em Beirute e afirma que Netanyahu deve aceitar qualquer acordo fechado entre EUA e Teerã.
- Irã lançou mísseis balísticos contra Israel no domingo, 7 de junho — primeiro ataque desde cessar-fogo de abril
- Trump exigiu retomada de negociações e criticou Netanyahu por ataques em Beirute
- Negociações travadas há semanas por ativos iranianos congelados, reabertura do Estreito de Ormuz e programa nuclear
- Conflito dura cerca de 100 dias; ataque israelense em Beirute deixou dois mortos
- Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, permanece fechado desde início do conflito
Trump exige fim da escalada após Irã lançar mísseis contra Israel, criticando Netanyahu e pressionando por retomada de negociações travadas há semanas sobre ativos congelados e programa nuclear.
No domingo de manhã, Donald Trump enfrentou uma crise que ameaçava desmantelar meses de negociações frágeis no Oriente Médio. O Irã havia lançado mísseis balísticos contra Israel — o primeiro ataque direto desde que um cessar-fogo entrou em vigor em abril — e a região inteira parecia à beira de uma ruptura total. Trump foi direto ao ponto em uma entrevista à Fox News: "Vocês dispararam seus mísseis. Já chega." A mensagem era clara. Ele queria que Teerã voltasse à mesa de negociações.
Mas Trump não estava apenas falando com o Irã. Simultaneamente, ele criticava Israel pelos bombardeios que havia lançado contra Beirute no mesmo domingo, deixando dois mortos e feridos em um prédio residencial. Em entrevista ao Axios, o presidente americano disse que pressionaria Benjamin Netanyahu a não retaliar contra o Irã. Depois, em conversa com o Financial Times, Trump foi ainda mais longe: Netanyahu teria que aceitar qualquer acordo que Washington fechasse com Teerã. "Eu dou as ordens. Eu tomo todas as decisões", afirmou. A declaração ampliava dramaticamente o peso diplomático do momento, sinalizando que Trump estava disposto a contrariar seu aliado israelense para preservar a trégua.
O ataque iraniano não havia surgido do nada. Horas antes, o Hezbollah havia disparado contra alvos no norte de Israel, provocando uma resposta israelense contra posições do grupo xiita nos subúrbios sul de Beirute. Mohsen Rezaee, conselheiro militar do líder supremo do Irã, descreveu o lançamento de mísseis como um "aviso" para que Israel parasse suas operações no Líbano. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que todos os projéteis foram interceptados, sem vítimas imediatas. Sirenes soaram em diversas áreas do país, e Israel cancelou as aulas em todo o território para segunda-feira.
Por trás dessa escalada estava um impasse diplomático que vinha se aprofundando há semanas. Em 1º de junho, o Irã havia suspendido as negociações mediadas pelo Paquistão, exigindo que Israel parasse os bombardeios no Líbano como condição para retomá-las. Trump havia afirmado nas redes sociais que as conversas avançavam em "ritmo acelerado", mas Teerã nunca confirmou essa retomada. As negociações permaneciam travadas por questões sensíveis: o destino de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados nos EUA, a reabertura do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e que permanecia efetivamente fechado desde o início do conflito — e futuras discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Trump havia deixado claro que não pretendia descongelar os ativos iranianos ou suspender sanções como parte de um acordo inicial. "Se eles se comportarem, se fizerem um bom trabalho, começamos a falar sobre liberar os ativos", disse em entrevista gravada na sexta-feira. Sua equipe avaliava um plano alternativo: direcionar recursos iranianos congelados para a reconstrução de aliados do Golfo Pérsico que haviam sofrido danos causados pelo Irã. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, rejeitou a ideia publicamente no X, afirmando que os ativos do país "não são despojos de guerra de Washington nem um fundo para pagar seus aliados". Ele também reiterou que o Irã exigia "compensação total" pelos danos causados pela guerra iniciada por Israel e pelos EUA em 28 de fevereiro.
O contexto imediato era ainda mais tenso. No sábado, o Irã havia acusado os EUA de violar o cessar-fogo depois que forças americanas derrubaram seis drones iranianos de ataque direcionados ao Estreito de Ormuz. Washington retaliou com ataques a radares de vigilância costeira iranianos em Goruk e na ilha de Qeshm. Agora, com o lançamento de mísseis no domingo, a situação havia escalado para um novo patamar. O conflito já durava cerca de 100 dias, e cada movimento parecia aproximar as partes de um ponto de não retorno. Trump estava tentando conter a situação pressionando ambos os lados simultaneamente — exigindo que o Irã voltasse às negociações e que Netanyahu aceitasse um acordo que Washington pudesse fechar. Se conseguisse, poderia reivindicar uma vitória diplomática. Se falhasse, o cessar-fogo frágil poderia desaparecer completamente.
Notable Quotes
Vocês dispararam seus mísseis. Já chega.— Donald Trump, em entrevista à Fox News
Netanyahu teria que aceitar qualquer acordo fechado pelos Estados Unidos com o Irã. Eu dou as ordens.— Donald Trump, em entrevista ao Financial Times
Os ativos do país não são despojos de guerra de Washington nem um fundo para pagar seus aliados.— Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump está pressionando Netanyahu agora, quando Israel acabou de sofrer um ataque de mísseis?
Porque Trump vê a negociação como a única saída antes que tudo desabe. Se Israel retaliar contra o Irã, o Irã retaliar novamente, e assim por diante, o cessar-fogo de abril vira pó. Trump quer congelar o conflito, não alimentá-lo.
Mas Netanyahu não tem razão em querer responder? Israel foi atacado.
Tem razão, sim. Mas Trump está dizendo que a resposta dele é mais importante do que a resposta de Netanyahu. Ele está reclamando autoridade sobre a situação — "eu dou as ordens".
E o Irã? Por que voltaria às negociações depois de disparar mísseis?
Porque o Irã também está preso. Seus ativos estão congelados, o Estreito de Ormuz está fechado, a economia está sob sanções. O lançamento de mísseis foi um gesto — um aviso, como disseram — mas não resolve nada.
Então ambos os lados estão feridos demais para continuar lutando, mas orgulhosos demais para ceder?
Exatamente. E Trump está tentando ser o árbitro que força um acordo antes que o orgulho vire em destruição total.
Qual é o maior obstáculo agora?
Os bilhões de dólares congelados. O Irã quer acesso a eles. Trump quer usá-los para pagar seus aliados no Golfo. Ninguém quer ceder primeiro.