Trump ataca McConnell em disputa pelo controlo do Partido Republicano

O partido que perdeu tudo está agora dividido entre duas visões radicalmente diferentes
Trump e McConnell representam caminhos opostos para o futuro do Partido Republicano após a derrota de 2020.

Quando um líder abandona o poder formal mas não abandona a ambição, o partido que ele moldou torna-se campo de batalha. Donald Trump, já fora da Casa Branca, lançou um ataque público e direto contra Mitch McConnell, o senador que reconheceu a vitória de Biden e votou pela sua condenação no julgamento de destituição. O que se disputa não é apenas uma liderança, mas a alma de um partido dividido entre o republicanismo tradicional e o populismo que transformou a política americana.

  • Trump declarou publicamente que o Partido Republicano não pode ser forte nem respeitado enquanto McConnell o liderar — uma ruptura sem precedentes entre dois dos homens mais poderosos do partido.
  • A tensão acumulou-se ao longo de semanas: McConnell reconheceu a vitória de Biden, recusou validar as alegações de fraude eleitoral e votou a favor da condenação de Trump no julgamento de destituição.
  • Ambos anunciaram que vão interferir nas primárias de 2022, transformando as eleições internas do partido num campo de batalha direto pela sua direção futura.
  • Uma sondagem indica que 54% dos republicanos apoiariam Trump numa primária presidencial em 2024, sinalizando que a sua base permanece leal apesar da derrota e do julgamento.
  • O partido que perdeu a presidência e o Senado enfrenta agora uma escolha existencial entre dois projetos irreconciliáveis — a ortodoxia republicana de McConnell e o populismo de América Primeiro de Trump.

Donald Trump saiu da presidência em janeiro, mas não abandonou a luta pelo controlo do Partido Republicano. Numa declaração divulgada pelo seu comité de ação política, Save America PAC, atacou diretamente Mitch McConnell, líder da minoria republicana no Senado, acusando-o de condenar o partido ao fracasso. Chamou-o de "taciturno" e avisou que os republicanos nunca mais ganhariam eleições se o seguissem.

A ruptura entre os dois vinha-se aprofundando há semanas. McConnell reconheceu publicamente a vitória de Joe Biden em dezembro, recusando validar as alegações de fraude eleitoral de Trump. No julgamento de destituição, votou a favor de condenar o ex-presidente pelo incitamento ao ataque ao Capitólio de 6 de janeiro, declarando depois que Trump havia sido "responsável, na prática e moralmente", pelo sucedido. Sete senadores republicanos acompanharam-no, mas Trump não foi condenado.

O que está verdadeiramente em disputa é o futuro ideológico do partido. McConnell representa o republicanismo tradicional, focado na política económica e nas raízes históricas do movimento conservador. Trump encarna uma abordagem populista que conquistou milhões de eleitores mas também dividiu profundamente o país. Ambos prometem agora interferir nas primárias de 2022, apoiando candidatos alinhados com as suas respetivas visões.

Apesar da derrota eleitoral e do julgamento, Trump mantém uma base leal: 54% dos republicanos considerariam apoiá-lo numa primária presidencial em 2024, segundo uma sondagem da Morning Consult e Politico. O partido que perdeu a presidência e o Senado está agora dividido entre dois projetos radicalmente diferentes — e as primárias de 2022 serão o primeiro grande teste de qual deles prevalece.

Donald Trump saiu da Casa Branca em janeiro, mas não saiu da luta pelo poder dentro do Partido Republicano. Na terça-feira, ele lançou um ataque direto contra Mitch McConnell, o senador que lidera a minoria republicana no Senado, acusando-o de condenar o partido ao fracasso. "Com líderes como Mitch McConnell o partido republicano não vai poder voltar a ser respeitado ou forte", disse Trump numa declaração escrita divulgada pelo seu comité de ação política, Save America PAC. Chamou McConnell de "taciturno" e advertiu que se os senadores republicanos o seguissem, nunca mais ganhariam eleições.

O ataque marca o ponto mais agudo de uma ruptura que vinha se aprofundando há semanas. McConnell reconheceu publicamente a vitória de Joe Biden em dezembro, recusando-se a validar as alegações de Trump sobre fraude eleitoral. Desde então, os dois não falam. A divisão ficou ainda mais evidente no julgamento de destituição de Trump no Senado, onde McConnell votou a favor de condenar o ex-presidente pelo incitamento à insurreição do Capitólio em 6 de janeiro, embora tenha argumentado que um processo de destituição não deveria ser usado contra um presidente já fora do cargo. Sete senadores republicanos votaram para condenar Trump, mas ele não foi condenado. Ainda assim, McConnell declarou no sábado que Trump havia sido "responsável, na prática e moralmente" pelo ataque dos seus apoiantes ao edifício do Congresso.

O que está em jogo é o futuro ideológico do partido. McConnell representa uma visão tradicional do republicanismo, focada em política económica e nas raízes históricas do partido. Trump é a face de uma abordagem populista que conquistou milhões de eleitores mas também dividiu o país. Ambos estão agora sinalizando que vão interferir nas primárias de 2022, quando os republicanos tentarão recuperar o controlo do Congresso que perderam em novembro. McConnell disse numa entrevista ao Wall Street Journal que consideraria "tentar agir para fazer a diferença nas primárias", apoiando candidatos que tivessem capacidade de serem eleitos. Trump respondeu que apoiaria "rivais nas primárias que defendam tornar a América grandiosa de novo e a nossa política de América Primeiro".

Trump tem comunicado apenas através de declarações escritas desde que deixou a presidência. No sábado, depois do resultado do julgamento, disse que o movimento que começou com a sua eleição em 2016 ainda "só está a começar". Uma sondagem divulgada na terça-feira pela Morning Consult e Politico mostrou que 54% dos republicanos consideravam apoiar Trump numa hipotética primária presidencial em 2024. Essa cifra sugere que, apesar da derrota eleitoral e do julgamento de destituição, Trump mantém uma base leal dentro do partido.

O que se desenrola agora é uma disputa pelo controlo do Partido Republicano que vai definir a sua direção nos próximos anos. McConnell quer um regresso à ortodoxia republicana tradicional. Trump quer manter a lealdade dos eleitores que o apoiaram e está disposto a usar as primárias para punir quem o desafie. O partido que perdeu a presidência e o Senado está agora dividido entre duas visões radicalmente diferentes do que deveria ser.

Com líderes como Mitch McConnell o partido republicano não vai poder voltar a ser respeitado ou forte
— Donald Trump
Trump foi responsável, na prática e moralmente, pelo ataque dos seus apoiantes ao edifício do Congresso
— Mitch McConnell
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que é que Trump atacou McConnell agora, especificamente nesta altura?

Model

Porque McConnell recusou validar as alegações de fraude de Trump e votou a favor de o condenar no julgamento. Essa traição, do ponto de vista de Trump, não pode ficar sem resposta. É também um aviso para outros republicanos que possam estar a pensar em desafiá-lo.

Inventor

McConnell parece estar a tentar reconstruir o partido de forma diferente. Qual é a sua estratégia?

Model

Ele quer voltar aos princípios económicos e políticos tradicionais do republicanismo. Mas isso significa deixar Trump para trás, e Trump não vai permitir isso sem luta. McConnell está a apostar que consegue vencer nas primárias com candidatos que sejam eleitáveis, mesmo que Trump os ataque.

Inventor

E Trump? O que ele ganha com esta guerra?

Model

Lealdade. Se conseguir punir os republicanos que o desafiaram e apoiar candidatos que lhe sejam fiéis, mantém o controlo sobre o partido mesmo sem estar na Casa Branca. É poder de uma forma diferente.

Inventor

Mas Trump perdeu a eleição. Como é que ainda tem tanta influência?

Model

Porque 54% dos republicanos ainda o apoiariam numa primária presidencial. Ele tem uma base que não desapareceu. A derrota não o enfraqueceu tanto quanto se poderia pensar.

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