O guardião do Estreito de Ormuz cobra seu preço
Em menos de um mês, a frágil paz entre Washington e Teerã desmoronou sob o peso de uma decisão unilateral: Trump reimpos o bloqueio a navios iranianos e declarou os Estados Unidos guardiões do Estreito de Ormuz, exigindo 20% de pedágio sobre toda carga que ali transitasse. O Irã respondeu com bombardeios contra bases americanas em quatro países, enquanto uma operação secreta israelense para colocar Ahmadinejad no poder — descoberta e frustrada — revelava que a guerra travada nas águas e no ar também se desenrolava nas sombras da inteligência.
- Um acordo de paz de apenas 25 dias foi desfeito em horas quando Trump anunciou o bloqueio total a navios iranianos e a cobrança de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais vitais do planeta.
- O Irã respondeu com força imediata: a Guarda Revolucionária bombardeou instalações militares americanas no Bahrein, Kuwait, Jordânia e Omã, enquanto porta-vozes declararam que qualquer interferência no estreito encontraria resistência armada.
- Os Estados Unidos escalaram com drones marítimos não tripulados usados pela primeira vez em combate, atacando uma base naval iraniana, depósitos de munição e sistemas de defesa — enquanto Trump afirmava que a capacidade ofensiva do Irã estava sendo reduzida.
- Nos bastidores, o New York Times revelou que a espionagem israelense tentou por dois anos recrutar o ex-presidente Ahmadinejad para tomar o poder no Irã, mas a operação fracassou — e ele agora estaria em prisão domiciliar após o regime descobrir o plano.
- A região permanece em trajetória de escalada: bombardeios em Bandar Abbas e nas ilhas Kish e Qeshm marcaram a quarta noite consecutiva de ataques, sem relatos de vítimas civis, mas com riscos crescentes ao comércio global e à estabilidade regional.
Na noite de 13 de julho, Donald Trump desfez em poucas horas um dos pilares do acordo de paz com o Irã — vigente há apenas 25 dias. Ele anunciou a reimposição do bloqueio total a navios iranianos e declarou que os Estados Unidos assumiriam o controle do Estreito de Ormuz, cobrando uma taxa de 20% sobre toda carga que passasse pela rota. Nas redes sociais, Trump se apresentou como "guardião do estreito" e justificou o pedágio como reembolso pela proteção americana — uma posição que contrariava sua própria história de oposição a qualquer cobrança naquela via marítima.
A resposta iraniana foi imediata. O Comando Militar do Irã declarou que não toleraria interferência americana na gestão do estreito, enquanto a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido bases americanas no Bahrein, no Kuwait, em Omã e na Jordânia. Era a quarta noite consecutiva de ataques em uma semana. Do lado americano, o Comando Central anunciou o uso inédito de drones marítimos não tripulados contra uma base naval iraniana, além de ataques a depósitos de munição e sistemas de defesa. À tarde, novas explosões foram relatadas em Bandar Abbas e nas ilhas Kish e Qeshm.
Por trás da escalada militar, o New York Times revelou uma operação de inteligência que havia permanecido oculta: durante pelo menos dois anos, a espionagem israelense manteve contato com o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad — figura que, após ser barrado de um terceiro mandato, havia começado a criticar o regime. O chefe da inteligência israelense viajou pessoalmente à Hungria para um encontro com ele, e a CIA foi notificada do plano. A operação, porém, fracassou. Ahmadinejad se mostrou insatisfeito, seu paradeiro tornou-se incerto, e ele foi visto publicamente apenas uma vez desde então — no funeral do líder supremo Ali Khamenei. Autoridades iranianas informaram ao jornal que ele estava em prisão domiciliar após o regime descobrir a tentativa de recrutamento, adicionando uma camada de complexidade política a uma crise que já ameaçava o equilíbrio de toda a região.
Na noite de segunda-feira, 13 de julho, Donald Trump anunciou uma decisão que desfez em poucas horas um dos principais pilares de um acordo de paz com o Irã que havia durado apenas 25 dias: a reimposição de um bloqueio total a navios iranianos e àqueles com destino aos portos do país. Mas o anúncio não parou por aí. Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam o controle e a segurança do Estreito de Ormuz — uma das rotas comerciais mais críticas do mundo — e cobrariam uma taxa de 20% sobre o valor de toda carga que passasse pela região. Em suas redes sociais, o presidente americano afirmou que seu país seria conhecido como "o guardião do Estreito de Ormuz" e enquadrou a cobrança como uma questão de justiça. A ironia não passou despercebida: Trump havia historicamente se oposto a qualquer pedágio em Ormuz.
A reação iraniana foi imediata e contundente. O porta-voz do Comando Militar do Irã declarou que seu país não permitiria interferência americana na gestão do estreito e que qualquer tentativa das Forças Armadas dos Estados Unidos enfrentaria forte resistência. Enquanto isso, bombardeios já estavam em andamento. A noite de segunda-feira marcou a quarta noite consecutiva de ataques em uma semana. O Comando Central americano informou que, pela primeira vez, havia utilizado drones marítimos não tripulados em uma ofensiva militar, atingindo uma base naval iraniana. Outros alvos incluíram depósitos de munição e sistemas de defesa iranianos.
O Irã respondeu com seus próprios ataques. A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, destruído sistemas de radares em Omã e danificado depósitos de combustível e munição em uma base americana na Jordânia. À tarde, os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de ataques, com a agência estatal de notícias iraniana relatando explosões em Bandar Abbas e nas ilhas Kish e Qeshm. No Salão Oval, Trump argumentou que os bombardeios haviam reduzido a capacidade ofensiva do Irã e que o objetivo era reabrir o Estreito de Ormuz. Quanto ao pedágio, justificou que os Estados Unidos desejavam ser reembolsados pela proteção oferecida a outros países.
Por trás dessa escalada militar, porém, havia uma história de inteligência que havia permanecido oculta até ser revelada pelo jornal The New York Times naquela mesma segunda-feira. A espionagem israelense havia mantido conversas com o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad durante pelo menos dois anos, tentando convencê-lo a tomar o poder após o início da guerra. Ahmadinejad havia presidido o Irã de 2005 a 2013, período em que era visto como linha-dura, pregava a eliminação de Israel e retomou o programa de enriquecimento de urânio. Após ser impedido de concorrer para um terceiro mandato, havia começado a criticar o regime iraniano, o que o tornava um alvo potencial para operações de inteligência estrangeira.
Segundo a reportagem, o chefe da espionagem israelense viajou pessoalmente à Hungria para um encontro arranjado com Ahmadinejad. A CIA foi notificada do plano. Mas a operação fracassou. Os primeiros ataques israelenses e americanos atingiram o prédio dos seguranças que vigiavam o ex-presidente, e agentes israelenses o levaram para um esconderijo seguro dentro do Irã. No entanto, Ahmadinejad se mostrou insatisfeito com o plano e seu paradeiro tornou-se desconhecido. Ele foi visto apenas uma vez desde então, na semana anterior, no funeral de Ali Khamenei, o líder supremo morto nos ataques. Autoridades iranianas informaram ao The New York Times que Ahmadinejad estava em prisão domiciliar após o regime descobrir a tentativa de recrutamento. A revelação adicionava uma camada de complexidade política à já tensa situação militar na região.
Notable Quotes
Não vai permitir interferência na gestão do estreito e que qualquer tentativa das Forças Armadas americanas enfrentará forte resistência— Porta-voz do Comando Militar do Irã
Os Estados Unidos serão conhecidos como o guardião do Estreito de Ormuz e a cobrança da taxa é uma questão de justiça— Donald Trump
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump reverteu um acordo que havia durado apenas 25 dias? Parece uma decisão precipitada.
Não é precipitada se você considerar que o acordo nunca foi realmente aceito por ele. Trump sempre viu o Irã como uma ameaça existencial. O bloqueio e o pedágio são formas de exercer pressão máxima — ele quer demonstrar controle absoluto sobre uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
Mas cobrar um pedágio é uma mudança de posição. Ele sempre se opôs a isso.
Verdade. Mas agora ele está no poder e pode impor suas condições. O pedágio de 20% não é apenas sobre dinheiro — é sobre estabelecer que os Estados Unidos são a autoridade na região. É uma declaração de soberania.
E a resposta iraniana? Eles têm capacidade real de resistir?
Têm capacidade de infligir dano, como demonstraram com os ataques às bases no Bahrein, Kuwait e Jordânia. Mas não têm como vencer uma guerra convencional contra os Estados Unidos. O que eles fazem é manter a região instável, aumentar o custo político e militar para os americanos.
Essa história sobre Ahmadinejad é perturbadora. Israel realmente tentou colocá-lo de volta no poder?
Sim, e foi uma aposta arriscada. Se tivesse funcionado, Ahmadinejad poderia ter sido um títere mais dócil. Mas ele recusou, e agora está em prisão domiciliar. Mostra que até mesmo os ex-líderes iranianos não são tão fáceis de manipular quanto os ocidentais esperavam.
Qual é o próximo passo? Isso vai escalar ainda mais?
Provavelmente. O Irã não pode recuar sem perder credibilidade interna. Os Estados Unidos não vão recuar porque Trump vê isso como uma vitória em andamento. A região está presa em um ciclo de ação e reação que é muito difícil de quebrar.