Após mais de dois anos de guerra e mais de 73 mil mortos, o Conselho de Paz de Donald Trump anunciou um acordo que prevê o desarmamento completo do Hamas e a retirada gradual das forças israelenses de Gaza — um pacto que, se cumprido, redesenharia o mapa político e humano de um dos conflitos mais devastadores do século. Confirmado por líderes do Hamas à AFP, o entendimento nasce de semanas de negociações no Egito e ancora-se em estruturas ainda frágeis: um comitê de tecnocratas, uma força internacional ainda em formação e questões de soberania que permanecem sem resposta. A história registra o
Trump anuncia acordo histórico para desarmamento do Hamas e retirada israelense de Gaza
Desarmamento por etapas, retirada gradual, força internacional ainda em criação
O que exatamente Trump está anunciando aqui? É um acordo fechado ou um acordo em princípio?
Segundo Trump, seu Conselho de Paz alcançou um acordo sobre desarmamento completo. Líderes do Hamas confirmaram à AFP que chegaram a um acordo com Israel que inclui desarmamento e retirada gradual das tropas.
Mas há uma diferença importante: Trump diz que o Conselho alcançou um acordo. Os líderes do Hamas confirmam um acordo com Israel. Não sabemos se esses dois acordos são idênticos ou se há interpretações diferentes sobre o que foi combinado.
E como funciona esse desarmamento? Quem fica com as armas?
As armas serão entregues ao Comitê Nacional para Administração de Gaza, um órgão de tecnocratas que vai gerir o território durante a transição. Uma Força Internacional de Estabilização vai supervisionar o processo.
O Comitê Nacional está sediado no Egito e atualmente impedido por Israel de acessar Gaza. Então há uma questão prática não resolvida: como um órgão que não pode entrar em Gaza vai receber armas de lá?
E quanto ao controle político depois? Quem governa Gaza?
Essa é a questão aberta. O Hamas dissolveu seu comitê administrativo e quer transferir responsabilidades ao Comitê Nacional. Mas Israel rejeita tanto o retorno do Hamas quanto, por enquanto, que a Autoridade Palestina assuma o controle direto.
Então temos três atores — Hamas, Israel e Autoridade Palestina — com visões diferentes sobre quem governa. O acordo de desarmamento não resolve isso. É um passo, mas deixa a questão política em suspenso.
Quanto tempo isso vai levar?
O acordo prevê desarmamento por etapas, com retirada gradual das tropas israelenses conforme o processo avança. Mas não há prazos específicos mencionados.
Exatamente. Sabemos que as negociações vinham ocorrendo há semanas no Egito, que Cairo vai organizar uma reunião em breve com mediadores. Mas nenhuma data concreta para implementação ou conclusão do desarmamento foi divulgada.
The Pulse
- Trump declarou o acordo 'histórico e monumental', mas a Força Internacional de Estabilização que deveria garantir a transição ainda está sendo criada — a arquitetura da paz precede os seus alicerces.
- Dois altos dirigentes do Hamas confirmaram o entendimento sob anonimato, sinalizando adesão real, mas também a fragilidade política de líderes que negociam o fim de sua própria estrutura armada.
- Israel controla mais de 60% do território de Gaza e insiste no desarmamento total como pré-requisito absoluto, enquanto o Comitê Nacional — destinatário das armas — está impedido de entrar no território.
- A questão de quem governará Gaza após a transição permanece sem resposta: Israel rejeita tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina, criando um vácuo político no coração do acordo.
- Apesar do cessar-fogo vigente, bombardeios israelenses mataram pelo menos quatro pessoas na quinta-feira, lembrando que acordos no papel coexistem com mortes no chão.
- Cairo deve reunir em breve EUA, Catar e Turquia para discutir os próximos passos — a diplomacia multilateral tenta transformar um anúncio em realidade antes que a janela se feche.
Após mais de dois anos de guerra e mais de 73 mil mortos, o Conselho de Paz de Donald Trump anunciou um acordo que prevê o desarmamento completo do Hamas e a retirada gradual das forças israelenses de Gaza — um pacto que, se cumprido, redesenharia o mapa político e humano de um dos conflitos mais devastadores do século. Confirmado por líderes do Hamas à AFP, o entendimento nasce de semanas de negociações no Egito e ancora-se em estruturas ainda frágeis: um comitê de tecnocratas, uma força internacional ainda em formação e questões de soberania que permanecem sem resposta. A história registra o anúncio; o tempo dirá se ele representa uma virada ou mais um capítulo de esperanças adiadas.
Donald Trump anunciou na quinta-feira que seu Conselho de Paz fechou um acordo para o desarmamento completo do Hamas e demais grupos armados em Gaza, vinculando a retirada das tropas israelenses ao cumprimento dessa condição. A declaração, publicada na rede Truth Social, descrevia o pacto como histórico e previa que o processo ocorreria em fases, com uma Força Internacional de Estabilização — ainda em formação — atuando ao lado de uma nova polícia palestina para assumir o controle do território.
Dois altos dirigentes do Hamas confirmaram à AFP, sob anonimato, que o acordo havia sido alcançado. As negociações vinham ocorrendo há semanas no Egito, com foco na segunda fase de um cessar-fogo em vigor desde outubro do ano anterior. Líderes palestinos expressaram esperança de que os mediadores garantissem o cumprimento dos termos por Israel. Segundo fontes diplomáticas, as armas seriam entregues ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão de tecnocratas designado para gerir o território durante a transição, em cooperação com a força internacional.
A questão do controle político de Gaza, porém, permanecia sem solução. Israel, que domina mais de 60% do território, rejeitava tanto o retorno do Hamas quanto a assunção direta da Autoridade Palestina. O próprio Comitê Nacional, atualmente sediado no Egito, está impedido por Israel de acessar Gaza. Dirigentes europeus e árabes insistiam na necessidade de uma perspectiva política mais ampla, envolvendo instituições palestinas já existentes.
O conflito teve origem no ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.221 mortos e resultou no sequestro de 251 reféns. A resposta israelense foi devastadora: mais de 73 mil mortos em Gaza, em sua maioria civis. Apesar do cessar-fogo, a violência não cessou — bombardeios deixaram pelo menos quatro mortos na própria quinta-feira do anúncio, enquanto o território permanecia imerso em profunda crise humanitária. O Cairo deve reunir em breve os mediadores — EUA, Catar e Turquia — para discutir os próximos passos de um plano que ainda precisa transformar palavras em realidade.
Donald Trump anunciou na quinta-feira que seu Conselho de Paz havia fechado um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados em Gaza, condicionando a retirada das forças israelenses ao cumprimento dessa etapa. A declaração, feita na rede social Truth Social, descrevia o pacto como histórico e monumental, afirmando que o processo ocorreria em fases e que uma Força Internacional de Estabilização — ainda em processo de criação — trabalharia ao lado de uma nova polícia palestina para assumir o controle do território.
Dois altos dirigentes do Hamas confirmaram à agência AFP, sob anonimato, que de fato havia sido alcançado um acordo com Israel que incluía o desarmamento da organização e a retirada gradual das tropas israelenses. As negociações vinham ocorrendo há semanas no Egito, focadas em implementar a segunda fase de um cessar-fogo que havia entrado em vigor em outubro do ano anterior, com o objetivo de encerrar definitivamente a guerra na Faixa de Gaza. Os líderes palestinos expressaram esperança de que os mediadores garantissem o cumprimento dos termos por parte de Israel.
Segundo fontes diplomáticas, as armas seriam entregues ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão composto por tecnocratas designados para gerir o dia a dia do território durante o período de transição. A operação funcionaria de forma cooperativa com a Força Internacional de Estabilização, que reuniria tropas de vários países sob liderança do Conselho de Paz. O Cairo, por sua vez, organizaria em breve uma reunião entre mediadores — incluindo Estados Unidos, Catar e Turquia — para discutir os próximos passos da implementação do plano.
O Hamas havia destacado anteriormente uma grande convergência em relação a pontos ligados às armas e apresentado aos mediadores emendas ao roteiro proposto por Washington. Israel, que controla mais de 60% do território de Gaza, havia insistido no desarmamento completo do Hamas e de demais grupos palestinos como pré-requisito para qualquer avanço adicional. O Hamas, por sua vez, anunciou no início de julho a dissolução do comitê que administrava assuntos civis em Gaza desde 2007, quando assumiu o controle do território, e declarou intenção de transferir essas responsabilidades ao Comitê Nacional. Atualmente sediado no Egito, esse órgão está impedido por Israel de acessar Gaza, segundo relatos de meios de comunicação egípcios e palestinos.
A questão do controle político de Gaza permanecia em aberto. Embora o Comitê Nacional fosse apresentado como estrutura temporária, diversos dirigentes europeus e árabes insistiam na necessidade de uma perspectiva política mais ampla envolvendo instituições palestinas já existentes. Israel rejeitava tanto um retorno do Hamas ao poder quanto, por enquanto, que a Autoridade Palestina, sediada em Ramala, assumisse diretamente o controle do território.
O conflito que levou a essas negociações havia começado com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Aquele ataque deixou 1.221 mortos, a maioria civis, segundo levantamento da AFP com base em dados oficiais israelenses, e resultou no sequestro de 251 reféns levados para Gaza. A retaliação israelense foi devastadora: mais de 73 mil mortos em Gaza, em sua maioria civis, conforme números do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas, considerados confidenciais pela ONU. Apesar do cessar-fogo que havia entrado em vigor, a violência continuava. Bombardeios israelenses deixaram pelo menos quatro mortos na quinta-feira, segundo autoridades locais de saúde, e o território densamente povoado permanecia mergulhado em profunda crise humanitária.
Notable Quotes
À medida que o desarmamento terminar, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade por Gaza— Donald Trump, na Truth Social
Líderes do Hamas confirmaram que chegaram a um acordo com Israel que inclui desarmamento do grupo e retirada gradual das forças israelenses de Gaza— Dois altos dirigentes do Hamas, à AFP