Num gesto que embaralha as fronteiras entre diplomacia, energia e guerra, Donald Trump anunciou que Vladimir Putin concordou em fornecer milhões de toneladas de gasóleo aos Estados Unidos e aos mercados mundiais, após uma conversa telefónica descrita como 'muito produtiva'. O Departamento do Tesouro americano abriu uma exceção provisória ao regime de sanções sobre hidrocarbonetos russos para viabilizar a operação, sinalizando uma reconfiguração pragmática — e controversa — das relações entre Washington e Moscovo. Enquanto Putin enquadra o acordo como um benefício para a economia global, Zelens
Trump anuncia acordo com Putin para fornecimento de gasóleo russo aos EUA
Uma decisão indigna e fraca
Porque é que Trump conseguiu autorizar isto? Pensei que as sanções russas eram uma questão de segurança nacional.
O Tesouro americano concedeu uma autorização provisória. Tecnicamente, Trump tem poder para fazer exceções às sanções, mas isto é uma mudança política significativa — está a abrir uma porta que tinha estado fechada.
Espera, uma autorização "provisória" — quanto tempo dura? O comunicado não especifica. É uma semana, um mês, indefinido?
E quanto aos números? 300 mil toneladas agora, depois 500 mil, depois um milhão — isso é muito gasóleo.
Para contexto, são três milhões de toneladas no total. Trump diz que depende da capacidade das refinarias russas, portanto há uma incerteza embutida no próprio acordo.
Exatamente. Ele "espera" três milhões. Não é garantido. E ninguém explicou ainda como isto funciona com as sanções — é uma brecha permanente ou realmente provisória?
Zelensky chamou-lhe "indigna e fraca". Isso é forte.
Para Zelensky, isto é uma traição. Enquanto a Ucrânia está em guerra com a Rússia, os EUA estão a fazer negócios de energia com Moscovo. Do ponto de vista ucraniano, é difícil de digerir.
Mas o comunicado do Kremlin diz que discutiram também a Ucrânia e o Irão. Não sabemos o que foi dito sobre isso. Pode haver concessões ou promessas que não foram tornadas públicas.
Il Polso
- Trump anuncia nas redes sociais um acordo energético com Putin que contorna as sanções internacionais impostas à Rússia desde a invasão da Ucrânia.
- O Tesouro americano concede uma autorização provisória de emergência, criando um precedente legal frágil que pode enfraquecer a arquitetura sancionatória ocidental.
- O fornecimento será escalonado — 300 mil toneladas imediatas, 500 mil em novembro e até um milhão nos meses seguintes — num total esperado de três milhões de toneladas.
- Kirill Dmitriev, enviado de Putin, celebra publicamente a 'cooperação Rússia-EUA em energia', amplificando o sinal de aproximação entre os dois governos.
- Zelensky reage com dureza, classificando o acordo como 'indigno e fraco', expondo a fratura crescente entre Kiev e Washington no momento mais crítico do conflito.
Num gesto que embaralha as fronteiras entre diplomacia, energia e guerra, Donald Trump anunciou que Vladimir Putin concordou em fornecer milhões de toneladas de gasóleo aos Estados Unidos e aos mercados mundiais, após uma conversa telefónica descrita como 'muito produtiva'. O Departamento do Tesouro americano abriu uma exceção provisória ao regime de sanções sobre hidrocarbonetos russos para viabilizar a operação, sinalizando uma reconfiguração pragmática — e controversa — das relações entre Washington e Moscovo. Enquanto Putin enquadra o acordo como um benefício para a economia global, Zelensky vê nele uma capitulação que ignora o custo humano da guerra em curso.
Donald Trump anunciou esta sexta-feira, pelo Truth Social, que Vladimir Putin aceitou fornecer quantidades expressivas de gasóleo aos mercados norte-americano e mundial, na sequência de uma conversa telefónica que o presidente americano classificou como 'muito produtiva'. O acordo prevê um fornecimento escalonado: 300 mil toneladas métricas de forma imediata, 500 mil adicionais em novembro e mais um milhão nos meses seguintes, com Trump a estimar um total de três milhões de toneladas num curto prazo, dependendo da capacidade das refinarias russas.
A operação representa uma exceção direta às sanções internacionais sobre exportações de hidrocarbonetos russos. O Departamento do Tesouro americano apressou-se a esclarecer que concedeu uma autorização provisória para viabilizar o negócio, abrindo uma brecha no regime sancionatório que o Ocidente construiu após a invasão da Ucrânia. Kirill Dmitriev, enviado de Putin, saudou publicamente o entendimento, escrevendo na rede X que 'a cooperação Rússia-EUA em gasóleo e energia beneficiará o mundo'.
Do lado russo, o Kremlin confirmou a disponibilidade de Moscovo para fornecer petróleo e derivados aos EUA e aos mercados globais, acrescentando que os dois líderes abordaram também a resolução do conflito ucraniano e a situação no Irão. A reação de Volodymyr Zelensky foi imediata e cortante: o presidente ucraniano qualificou a decisão como 'indigna e fraca', tornando visível a tensão crescente entre Kiev e Washington numa fase decisiva da guerra.
Donald Trump anunciou esta sexta-feira, através da sua rede social Truth Social, que Vladimir Putin concordou em fornecer quantidades significativas de gasóleo para os mercados norte-americano e mundial. O anúncio surgiu após uma conversa telefónica entre os dois líderes, que Trump descreveu como "muito produtiva".
Segundo o presidente americano, a Rússia fornecerá imediatamente 300 mil toneladas métricas de gasóleo. O acordo prosseguirá com 500 mil toneladas adicionais durante novembro e mais um milhão de toneladas nos meses seguintes. Trump indicou ainda que, dependendo da capacidade operacional das refinarias russas, espera receber um total de três milhões de toneladas num curto período de tempo.
O acordo representa uma exceção às sanções internacionais que pesam sobre as exportações de hidrocarbonetos russos. O Departamento do Tesouro americano esclareceu imediatamente ter concedido uma autorização provisória para esta operação comercial, permitindo que o petróleo russo chegue aos mercados globais apesar do regime sancionatório em vigor.
Kirill Dmitriev, enviado de Putin, reforçou o tom positivo do acordo através de uma publicação na rede social X, elogiando a cooperação entre Moscovo e Washington. "A cooperação Rússia-EUA em gasóleo e energia beneficiará o mundo", escreveu Dmitriev, pouco depois de Putin ter falado por telefone com Trump.
Por seu lado, Putin confirmou através de um comunicado do Kremlin que a Rússia estava pronta a fornecer petróleo e produtos petrolíferos aos Estados Unidos e aos mercados globais. O presidente russo sublinhou que esta decisão ajudaria a economia global no seu conjunto. O comunicado acrescentou que os dois líderes discutiram também a resolução do conflito na Ucrânia e a situação no Irão durante a conversa.
A reação de Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, foi imediata e crítica. Zelensky qualificou a decisão como "indigna e fraca", demonstrando desaprovação face ao acordo entre Washington e Moscovo num momento em que a Ucrânia enfrenta a invasão russa.
Citazioni salienti
A cooperação Rússia-EUA em gasóleo e energia beneficiará o mundo— Kirill Dmitriev, enviado de Putin
Uma decisão indigna e fraca— Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano