Nas últimas semanas antes de uma transição de poder, o sistema judiciário americano reabriu o caminho para que Lisa Montgomery, 52 anos, se tornasse a primeira mulher executada pelo governo federal dos Estados Unidos desde 1953. Condenada por um crime de rara brutalidade cometido em 2004 — o assassinato de uma grávida e a remoção de seu bebê ainda vivo —, Montgomery aguardava no único lugar que uma mulher ocupava no corredor da morte federal. A decisão de um painel de três juízes, ao reverter uma suspensão concedida por razões humanitárias ligadas à pandemia, coloca em tensão a lei, a misericó
Tribunal dos EUA autoriza execução de única mulher no corredor da morte federal
Primeira mulher executada pelo sistema federal em quase 70 anos
Por que esse caso específico de Lisa Montgomery se tornou tão importante politicamente?
Porque ela seria a primeira mulher executada pelo sistema federal em quase 70 anos, e a data estava marcada para dias antes de Biden tomar posse. Isso criou uma situação onde Trump poderia executá-la antes de sair do cargo.
Mas precisamos ser claros: a decisão judicial foi sobre procedimento, não sobre o mérito da condenação. O tribunal de apelações apenas disse que o juiz Moss não tinha autoridade para desmarcar a execução. A condenação de Montgomery já estava confirmada desde 2007.
E quanto aos argumentos sobre sua saúde mental? Seus advogados disseram que ela sofre de doenças mentais graves.
Sim, esse foi o argumento de defesa, mas não prevaleceu na condenação. O que mudou foi que os advogados contraíram coronavírus visitando-a e pediram mais tempo para um pedido de clemência.
Exatamente. A suspensão inicial não foi sobre o mérito da saúde mental dela. Foi sobre procedimento — o juiz Moss achou que o Departamento de Prisões não poderia reagendar sem sua aprovação. O painel de apelações discordou.
E Biden? Ele realmente pode fazer algo se ela for executada antes de 20 de janeiro?
Não, se for antes de sua posse. Mas há uma tradição de presidentes que saem do cargo suspenderem execuções. Trump não seguiu isso — executou dez pessoas em 2020.
E é importante notar que Biden disse durante a campanha que pararia as execuções federais, mas se Montgomery for executada antes de 20 de janeiro, isso não será responsabilidade dele. A questão é se ele conseguirá parar as outras que possam estar agendadas depois que tomar posse.
Der Puls
- A execução de Lisa Montgomery, marcada para 12 de janeiro, foi reautorizada por um tribunal federal de apelações, derrubando uma suspensão que havia sido concedida depois que seus próprios advogados contraíram coronavírus durante uma visita à cliente.
- O crime que a condenou — o estrangulamento de Bobbie Jo Stinnett, grávida de oito meses, e a remoção cirúrgica do bebê ainda vivo — chocou o país em 2004 e permanece como um dos casos mais perturbadores da história criminal americana.
- A defesa argumenta que Montgomery sofre de doenças mentais graves e anunciou que pedirá nova análise do caso, enquanto o relógio corre em direção a uma data que pode mudar a história das execuções federais.
- Se mantida, a execução acontecerá oito dias antes de Joe Biden tomar posse — um presidente que prometeu suspender as execuções federais, tornando o calendário político tão decisivo quanto o jurídico.
- O governo Trump executou dez pessoas em 2020, mais do que todos os estados americanos juntos naquele ano, sinalizando uma aceleração histórica que a transição de poder pode — ou não — interromper a tempo.
Nas últimas semanas antes de uma transição de poder, o sistema judiciário americano reabriu o caminho para que Lisa Montgomery, 52 anos, se tornasse a primeira mulher executada pelo governo federal dos Estados Unidos desde 1953. Condenada por um crime de rara brutalidade cometido em 2004 — o assassinato de uma grávida e a remoção de seu bebê ainda vivo —, Montgomery aguardava no único lugar que uma mulher ocupava no corredor da morte federal. A decisão de um painel de três juízes, ao reverter uma suspensão concedida por razões humanitárias ligadas à pandemia, coloca em tensão a lei, a misericórdia e o tempo político que separa um governo do outro.
Lisa Montgomery tinha 52 anos e era a única mulher no corredor da morte federal americano quando um tribunal de apelações reabriu o caminho para sua execução, marcada para 12 de janeiro de 2021. Se confirmada, ela se tornaria a primeira mulher executada pelo sistema federal desde 1953, quando Bonnie Heady morreu na câmara de gás no Missouri.
O crime que a condenou aconteceu em dezembro de 2004, em Skidmore, Missouri. Montgomery entrou na casa de Bobbie Jo Stinnett, grávida de oito meses, sob o pretexto de comprar um cachorro. Lá, atacou a vítima, estrangulou-a com uma corda e usou uma faca de cozinha para remover o bebê do útero. Levou a criança para o Kansas, tentando fazê-la passar por sua filha. O bebê sobreviveu e foi encontrado na casa de Montgomery, sendo entregue ao pai biológico. Montgomery foi condenada em 2007; seus advogados alegam que ela sofre de doenças mentais graves, mas a sentença foi mantida.
A execução havia sido suspensa por um juiz de primeira instância após os advogados de defesa contraírem coronavírus durante uma visita à cliente e solicitarem prazo para um pedido de clemência. Na semana anterior à publicação desta reportagem, um painel de três juízes do Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia reverteu essa decisão, concluindo que o juiz havia errado ao cancelar a data. A advogada Meaghan VerGow anunciou que pediria nova análise do caso e defendeu que a execução não ocorresse no dia 12.
O contexto político tornava a situação ainda mais carregada. O governo Trump havia retomado as execuções federais em 2019, após anos de moratória, e executou dez pessoas em 2020 — mais do que todos os estados americanos juntos naquele ano. Joe Biden, que tomaria posse em 20 de janeiro, havia prometido suspender as execuções federais. Executar Montgomery antes da posse evitaria o dilema político de Biden, mas deixava pouco espaço para qualquer recurso final.
Lisa Montgomery, aos 52 anos, estava à espera de execução no corredor da morte federal americano — a única mulher naquela situação — quando um tribunal de apelações reabriu o caminho para que ela fosse morta antes de Joe Biden assumir a presidência em 20 de janeiro. A data marcada era 12 de janeiro, e se mantida, Montgomery se tornaria a primeira mulher executada pelo sistema federal desde 1953, quando Bonnie Heady morreu na câmara de gás no Missouri.
O crime que a condenou ocorreu em dezembro de 2004 em Skidmore, no noroeste do Missouri. Montgomery entrou na casa de Bobbie Jo Stinnett, uma mulher grávida de oito meses, sob o pretexto de comprar um cachorro que Stinnett havia anunciado. Lá dentro, atacou a vítima, estrangulou-a com uma corda e, em seguida, usou uma faca de cozinha para abrir seu útero e remover o bebê. Montgomery levou a criança consigo para Kansas e tentou convencer as pessoas de que era sua filha. O bebê, uma menina, sobreviveu e foi encontrada na casa de Montgomery em Melvern, Kansas, sendo posteriormente entregue ao pai biológico. Os promotores argumentaram na época que Stinnett havia lutado pela própria vida e pela de sua filha durante o ataque.
Montgomery foi condenada em 2007. Seus advogados argumentaram que ela sofre de doenças mentais graves, mas a condenação à morte foi mantida. A execução estava originalmente marcada para dezembro no Complexo Correcional Federal em Terre Haute, Indiana, mas um juiz de primeira instância, Randolph Moss, suspendeu-a após os advogados de defesa contraírem coronavírus visitando sua cliente e pedirem prorrogação do prazo para entrar com um pedido de clemência. Moss determinou que o Departamento de Justiça remarcasse a execução e cancelou a ordem do diretor do Departamento de Prisões que havia estabelecido a data de 12 de janeiro.
Na sexta-feira anterior à publicação desta reportagem, um painel de três juízes do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia reverteu a decisão de Moss. O painel concluiu que o juiz de primeira instância havia errado ao desmarcar a execução. Segundo o painel, sob a ordem de Moss, o Departamento de Prisões não poderia nem mesmo reagendar a execução, mas os apelantes discordaram dessa interpretação. Meaghan VerGow, advogada de Montgomery, anunciou que sua equipe jurídica pediria que o tribunal de apelações analisasse o caso novamente e defendeu que Montgomery não fosse executada no dia 12.
O contexto político tornava a situação particularmente delicada. O governo Trump havia retomado as execuções federais em julho de 2019, após uma moratória de 2014. Em 2020, seu governo executou dez pessoas — a primeira vez na história dos Estados Unidos que as execuções federais de civis em um ano ultrapassaram a soma de todas as conduzidas pelos Estados naquele período, que foi sete. Biden, que já havia apoiado a pena de morte no passado, afirmou durante sua campanha que pararia as execuções federais assim que tomasse posse.
Se a execução de Montgomery fosse adiada para depois de 20 de janeiro, complicaria os planos de Biden. Existe uma tradição nos Estados Unidos segundo a qual presidentes que não são reeleitos suspendem as execuções, deixando que seu sucessor as assuma. Manter a execução antes da posse de Biden, porém, evitaria essa situação delicada. A história das execuções federais nos Estados Unidos mostra que, desde 1988, quando uma lei foi aprovada para retomar as execuções federais, houve 78 condenações à morte, mas apenas 3 pessoas foram executadas — a última em 2003, antes do recente ressurgimento sob Trump. A execução federal é autorizada para uma variedade de crimes que implicam interesse federal, incluindo terrorismo e espionagem.
Bemerkenswerte Zitate
Sua equipe jurídica pedirá que o tribunal de apelações analise o caso e defendeu que ela não seja executada no dia 12— Meaghan VerGow, advogada de Lisa Montgomery
Biden afirmou durante a campanha que pararia as execuções federais assim que tomasse posse— Posição de campanha de Joe Biden