Tribunal do Júri julga tenente aposentado acusado de matar ex-esposa em disputa por pensão

Marilena Pereira da Rocha, 59 anos, foi atingida por três disparos de arma de fogo e morreu cinco dias após o crime no Hospital de Urgência de Teresina.
Matou quem amou por mais de 20 anos, depois fugiu
A descrição da juíza sobre o crime de Pedro José contra sua ex-esposa Marilena, destacando a brutalidade e a fuga.
Mark

Por que um caso de pensão alimentícia levou a algo tão violento? Parece desproporcional.

Mimi

O valor era pequeno, é verdade — R$ 738,25. Mas para Marilena, que tinha problemas de saúde e não podia trabalhar, era essencial. E para Pedro José, talvez representasse algo maior: perda de controle, humilhação de ter que pagar, raiva por ela ter conseguido na justiça o que ele não queria dar.

Luke

Mas a gente só sabe que ele foi preso no mesmo dia. Não sabemos exatamente o que ele disse sobre motivação. A pensão é o que os promotores apontam, mas é a versão deles.

Mimi

Verdade. Mas há um padrão aqui: 20 anos de separação, cinco filhos, ela buscando na justiça o mínimo para sobreviver, e então ele a mata. Não é coincidência de timing.

Mark

E as ameaças que ela recebia antes?

Mimi

Familiares e amigos relataram que ela sofria ameaças. Isso sugere que a tensão vinha crescendo. Não apareceu do nada no dia 26 de janeiro.

Luke

Mas não temos registro formal dessas ameaças? Boletim de ocorrência, medida protetiva documentada?

Mimi

A decisão da juíza menciona uma medida judicial anterior para proteger a integridade física dela. Então havia algo no sistema.

Mark

E ele violou isso?

Mimi

Sim. Segundo a juíza, ele descumpriu essa medida ao cometer o crime. É um dos motivos pelos quais ela o mantém preso.

Luke

Então o sistema sabia que havia risco. E ainda assim aconteceu.

Mimi

Exatamente. É o que torna o caso tão grave para a juíza — não era imprevisível.

  • Marilena pedalava por uma rua do Mocambinho quando foi encurralada por um carro e atingida por três disparos, um deles na cabeça — e ainda assim viveu o suficiente para nomear seu agressor.
  • A pensão alimentícia de R$ 738,25, conquistada após décadas de luta judicial, aparece como o estopim de uma violência que amigos dizem ter sido anunciada por meses de ameaças.
  • A juíza manteve Pedro José preso preventivamente, argumentando que ele já havia desrespeitado medida protetiva anterior e que seu comportamento revela periculosidade social incompatível com liberdade.
  • O julgamento pelo Tribunal do Júri, marcado para 13 de dezembro, colocará nas mãos de cidadãos comuns a decisão sobre culpa ou inocência — enquanto a família de Marilena aguarda uma resposta que ela não poderá ouvir.

Em Teresina, um tribunal popular é convocado para julgar Pedro José de Oliveira, tenente aposentado de 66 anos, acusado de assassinar sua ex-esposa Marilena Pereira da Rocha em janeiro de 2022. O que está em julgamento vai além de um crime: é a história de uma mulher que, após vinte anos de separação e com a saúde comprometida, recorreu à Justiça para garantir sua subsistência — e foi morta por isso. O caso coloca diante da sociedade a pergunta silenciosa sobre até onde o ressentimento e o controle podem alcançar, mesmo depois que os laços formais se desfazem.

Na manhã de 26 de janeiro de 2022, Marilena Pereira da Rocha pedalava por uma rua do bairro Mocambinho, na zona norte de Teresina, quando seu ex-marido, o tenente aposentado Pedro José de Oliveira, a encurralou com um carro e disparou três vezes contra ela. Um dos tiros atingiu sua cabeça. Mesmo gravemente ferida, Marilena conseguiu dizer aos paramédicos quem havia atirado. Pedro José foi preso no mesmo dia. Cinco dias depois, ela morreu no Hospital de Urgência de Teresina.

O casal havia se separado há vinte anos, mas tinham cinco filhos em comum. Nos últimos tempos, Marilena enfrentava problemas de saúde que a impediam de trabalhar, e por isso buscou na Justiça uma pensão alimentícia de R$ 738,25 — valor que obteve. Amigos e familiares relataram que ela havia recebido ameaças nos meses anteriores ao crime.

Em dezembro de 2023, a juíza Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri, manteve a prisão preventiva de Pedro José, destacando que o método do crime — três disparos em via pública contra uma mulher com quem conviveu por mais de duas décadas, seguidos de fuga — revela periculosidade social. A magistrada também apontou que ele já havia descumprido uma medida protetiva anterior em favor de Marilena, o que indicava que apenas o encarceramento garantiria o curso da Justiça.

O julgamento está marcado para 13 de dezembro, às 8 da manhã. Caberá a um tribunal popular decidir se Pedro José é culpado pelo assassinato de sua ex-esposa — uma mulher que passou os últimos anos de sua vida tentando apenas sobreviver.

Na quarta-feira 13 de dezembro, um tribunal popular vai ouvir o caso de Pedro José de Oliveira, tenente aposentado de 66 anos, acusado de matar sua ex-esposa Marilena Pereira da Rocha, de 59 anos. O julgamento começará às 8 da manhã sob a condução da juíza Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri. Os promotores argumentam que o crime foi motivado por uma disputa sobre pensão alimentícia — uma quantia de R$ 738,25 que Marilena conseguiu obter na justiça após duas décadas de separação.

O que levou a esse julgamento começou no dia 26 de janeiro de 2022, quando Marilena pedalava pela rua no bairro Mocambinho, na zona norte de Teresina. Pedro José a encurralou com um carro e disparou três vezes. Um dos tiros atingiu sua cabeça. Ele fugiu do local. Marilena foi socorrida ainda viva e conseguiu informar aos paramédicos que havia sido seu ex-marido quem atirou. Pedro José foi preso no mesmo dia.

A vítima foi levada ao Hospital de Urgência de Teresina, onde permaneceu internada. Cinco dias depois, no dia 31 de janeiro, ela morreu. Amigos e familiares disseram que Marilena havia recebido ameaças nos meses anteriores. O casal havia se separado havia 20 anos, mas tiveram cinco filhos juntos. Marilena enfrentava problemas de saúde graves que a impediam de trabalhar, o que a levou a buscar na justiça uma pensão alimentícia para sua subsistência.

Em uma decisão de 8 de dezembro, a juíza Maria Zilnar analisou o pedido para manter Pedro José na prisão preventiva e determinou que ele permanecesse encarcerado. Em sua fundamentação, ela descreveu o método do crime como revelador de periculosidade social. A juíza observou que ele havia matado uma mulher com quem havia mantido um relacionamento amoroso por mais de 20 anos, disparando três vezes contra ela em via pública, e depois fugiu. Ela também apontou que Pedro José havia violado uma medida judicial anterior que visava proteger a integridade física de Marilena — o que, segundo a juíza, sugeria que ele não respeitaria outras restrições que não fossem o encarceramento.

A decisão da juíza enfatizou que os requisitos para manter a prisão preventiva persistem, particularmente para garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e permitir que o julgamento pelo júri ocorra sem interferências. O caso agora vai para o tribunal popular, onde cidadãos comuns decidirão sobre a culpa ou inocência de Pedro José pelo homicídio de sua ex-esposa.

O modus operandi empregado na execução do delito revela a periculosidade social e a necessidade da segregação cautelar do acusado, tendo em vista ter ceifado a vida da vítima em via pública com três disparos de arma de fogo, um deles na cabeça, contra pessoa com quem manteve relacionamento amoroso por mais de 20 anos
— Juíza Maria Zilnar Coutinho Leal, em decisão de 8 de dezembro
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