Tribunal Constitucional do Peru anula condenação de Ollanta Humala por corrupção da Odebrecht

Humala permaneceu preso desde abril de 2025; sua esposa Nadine Heredia também condenada buscou asilo no Brasil para evitar cumprimento de pena.
Fomos vítimas de uma perseguição política e judicial
Humala ao sair da prisão após o tribunal anular sua condenação de 15 anos.
Mark

Por que o tribunal decidiu anular a condenação agora, depois de mais de um ano de prisão?

Mimi

A questão central foi jurídica, não política. O tribunal entendeu que quando Humala recebeu esse dinheiro, em 2006 e 2011, não havia lei clara dizendo que financiamento de campanha por terceiros era crime. Condenar alguém retroativamente por algo que não era formalmente ilegal na época viola princípios fundamentais.

Mark

Mas a Odebrecht admitiu que pagou subornos. Como isso não é crime?

Mimi

Há uma diferença entre o que a Odebrecht fez — pagar — e o que Humala supostamente fez — receber e ocultar. O tribunal disse que receber não era crime naquele momento. É uma distinção fria, mas é como funciona a legalidade.

Mark

E a esposa dele? Por que ela está no Brasil?

Mimi

Ela também foi condenada aos mesmos 15 anos. Mas em vez de apelar como Humala fez, ela pediu asilo no Brasil assim que a sentença saiu. Agora que a condenação de Humala foi anulada, a dela fica em uma posição estranha — tecnicamente ainda condenada, mas vivendo em outro país.

Mark

Isso significa que outros casos da Odebrecht podem ser anulados também?

Mimi

Possivelmente. Se o argumento é que a lei não era clara na época, outros réus condenados por esquemas similares podem usar o mesmo raciocínio. É por isso que essa decisão é tão significativa — não é só sobre Humala, é sobre como a região inteira vai lidar com a herança do escândalo Odebrecht.

Mark

Humala diz que foi perseguido politicamente. Há evidência disso?

Mimi

Ele faz essa afirmação, mas o tribunal não decidiu com base nisso. Decidiu com base em princípios legais. Seja ou não perseguição política, a questão jurídica permanece: você não pode condenar alguém por violar uma lei que não existia claramente quando ele agiu.

  • Ollanta Humala libertado em 31 de julho de 2026 após Tribunal Constitucional anular condenação de 15 anos
  • Preso desde abril de 2025 por lavagem de dinheiro relacionada a contribuições da Odebrecht e Venezuela
  • Tribunal considerou que financiamento de campanhas por terceiros não era crime em 2006 e 2011
  • Acusação: US$ 3 milhões da Odebrecht em 2011 e US$ 200 mil de Hugo Chávez em 2006
  • Esposa Nadine Heredia também condenada, pediu asilo no Brasil

Humala deixou a prisão em Lima após decisão que considerou violação dos princípios de legalidade e tipicidade em seu processo penal. O tribunal entendeu que o financiamento de campanhas por terceiros não configurava crime à época das eleições de 2006 e 2011.

O ex-presidente peruano Ollanta Humala foi libertado após o Tribunal Constitucional anular sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro relacionada a contribuições ilegais da Odebrecht e Venezuela.

Na noite de sexta-feira, 31 de julho, Ollanta Humala saiu de uma prisão em Lima em um veículo escoltado por policiais, cercado por apoiadores que o aguardavam do lado de fora. O ex-presidente do Peru, que governou o país entre 2011 e 2016, havia passado mais de um ano atrás das grades — desde abril de 2025 — aguardando o resultado de um recurso que seus advogados haviam apresentado meses antes. Naquela noite, o Tribunal Constitucional peruano decidiu anular completamente sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro, abrindo as portas da prisão exclusiva para ex-chefes de Estado localizada em uma base policial na zona leste da capital.

A condenação que agora desaparecia dos registros havia sido proferida em abril de 2025, quando a Justiça peruana considerou Humala culpado de ter recebido contribuições ilegais para suas campanhas presidenciais. O Ministério Público acusava o ex-presidente e sua esposa, Nadine Heredia, de terem ocultado três milhões de dólares enviados pela empreiteira brasileira Odebrecht durante a campanha de 2011. Segundo a denúncia, baseada em confissões do ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, o casal também teria desviado aproximadamente 200 mil dólares provenientes do regime de Hugo Chávez na Venezuela para sua fracassada tentativa de eleição em 2006. Ambos negaram as acusações.

O que mudou entre a condenação e a libertação foi a interpretação da lei. O Tribunal Constitucional determinou que o financiamento de campanhas eleitorais por terceiros não constituía crime no momento em que Humala disputou a Presidência. A corte declarou que havia comprovada violação dos princípios de legalidade e tipicidade — conceitos fundamentais que exigem que um ato seja claramente definido como crime antes de alguém ser punido por ele. Ao anular o processo penal na íntegra, o tribunal essencialmente disse que Humala não poderia ser condenado retroativamente por algo que não era formalmente crime quando ocorreu.

Ao deixar a prisão, Humala dirigiu-se aos jornalistas com uma frase que resumia sua interpretação dos eventos: "Fomos vítimas de uma perseguição política e judicial". Sua esposa não estava ao seu lado. Nadine Heredia também havia sido condenada aos mesmos 15 anos, mas após receber a sentença, ela pediu asilo no Brasil, onde permanece desde então para evitar cumprir a pena.

O caso de Humala faz parte de um escândalo muito maior que abalou a América Latina. A Odebrecht, gigante da construção brasileira, reconheceu em 2016 que havia pagado dezenas de milhões de dólares em subornos e doações eleitorais ilegais no Peru desde o início dos anos 2000. O esquema de corrupção da empresa se estendeu por vários países da região, deixando um rastro de investigações, condenações e, agora, anulações de processos. A decisão do Tribunal Constitucional peruano reabre questões incômodas sobre como aplicar leis anticorrupção quando as próprias regras mudam, e pode ter implicações para outros casos relacionados ao mesmo escândalo que ainda tramitam na região.

O tribunal considerou que havia violação comprovada dos princípios de legalidade e tipicidade, conectados ao direito à liberdade pessoal
— Tribunal Constitucional do Peru, em sua decisão
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