Décadas após o colapso do nazismo, uma pintura roubada do marchand judeu holandês Jacques Goudstikker ressurgiu não em um museu nem em um leilão, mas em um anúncio imobiliário online — pendurada sobre um sofá de veludo verde na casa de filha de um oficial nazista em Mar del Plata. Um tribunal argentino aprovou sua devolução à única herdeira de Goudstikker, lembrando-nos de que a história do saque cultural da Segunda Guerra ainda não terminou, e que a justiça, quando chega, chega por caminhos inesperados.
Tribunal argentino aprova devolução de quadro roubado por nazistas à herdeira de comerciante judeu
Descoberta por acaso em um anúncio imobiliário, a pintura reaparecia após décadas
Como exatamente um quadro desaparecido há décadas acaba em um anúncio de imóvel na internet?
Repórteres holandeses estavam investigando o oficial nazista Friedrich Kadgien quando viram a pintura pendurada atrás de um sofá em uma foto do anúncio. Publicaram a descoberta e o anúncio desapareceu poucas horas depois.
Mas a polícia não encontrou o quadro nas buscas. Só apareceu quando o advogado de Kadgien o entregou. Isso levanta questões sobre o que realmente aconteceu naquele intervalo.
Quem era Jacques Goudstikker e por que sua coleção importa tanto?
Era um dos maiores marchands de arte da Europa antes da guerra. Tinha Rembrandt, Vermeer. Morreu em um naufrágio em 1940 enquanto fugia de Amsterdã com a família. Cerca de 1.100 obras foram vendidas ilegalmente a Hermann Göring.
Vendidas ilegalmente é a expressão correta, mas precisamos ser claros: foram saqueadas. Não havia escolha real envolvida.
E Friedrich Kadgien, como ele se envolveu nisso?
Era consultor financeiro de Göring. Fugiu para a Argentina após a guerra e morreu lá em 1978 sem nunca ser acusado de crimes de guerra. Sua filha Patricia herdou a pintura.
Não sabemos exatamente como a pintura chegou às mãos dele. O artigo diz que não está claro. Então há um vazio na história.
Qual é o valor dessa pintura?
Cerca de 250 mil euros, segundo avaliação da Academia Nacional de Belas Artes da Argentina. Mas houve uma mudança na atribuição — antes era considerada um Ghislandi, agora é um Ceruti.
Isso é importante porque afeta a autenticidade e a proveniência. A perícia argentina mudou a conclusão que estava nos registros de Goudstikker.
O que acontece agora com Marei von Saher?
Ela vai receber a pintura. Vive em Connecticut e passou décadas tentando recuperar as obras da família. Concordou em deixá-la ser exibida na Argentina antes de levá-la.
E há outras obras que a polícia apreendeu durante as buscas. Duas pinturas do século 19 e gravuras. As autoridades ainda investigam se também foram saqueadas.
The Pulse
- Uma fotografia banal de anúncio de imóvel escondeu, sem querer, uma das obras mais procuradas do patrimônio saqueado pelo nazismo.
- Repórteres holandeses identificaram o retrato; o anúncio desapareceu horas depois, e a polícia precisou de mais de uma semana de buscas até obter a obra.
- Patricia Kadgien e seu marido enfrentavam acusação de receptação qualificada por manter a pintura mesmo sabendo que ela era procurada por autoridades de dois países.
- O casal aceitou um acordo judicial: renunciaram à obra, ficam dois anos sob supervisão e devem fazer pagamentos a um hospital local.
- A pintura, avaliada em 250 mil euros, será devolvida a Marei von Saher, herdeira que passou décadas tentando recuperar o acervo saqueado de sua família.
- Outras obras apreendidas na mesma operação ainda são investigadas — a descoberta acidental pode abrir novos capítulos na recuperação de patrimônio cultural roubado.
Décadas após o colapso do nazismo, uma pintura roubada do marchand judeu holandês Jacques Goudstikker ressurgiu não em um museu nem em um leilão, mas em um anúncio imobiliário online — pendurada sobre um sofá de veludo verde na casa de filha de um oficial nazista em Mar del Plata. Um tribunal argentino aprovou sua devolução à única herdeira de Goudstikker, lembrando-nos de que a história do saque cultural da Segunda Guerra ainda não terminou, e que a justiça, quando chega, chega por caminhos inesperados.
Um tribunal argentino aprovou nesta sexta-feira a devolução do 'Retrato de uma Dama', pintura do século 18 que desapareceu durante a Segunda Guerra Mundial e reapareceu de forma surpreendente em um anúncio de venda de imóvel na internet. A obra pertencia a Jacques Goudstikker, um dos mais importantes marchands de arte europeus antes da guerra, cuja coleção — com cerca de 1.100 peças, incluindo obras de Rembrandt e Vermeer — foi saqueada por Hermann Göring. Goudstikker morreu em maio de 1940 em um naufrágio enquanto fugia com a família da invasão alemã dos Países Baixos.
A descoberta ocorreu em agosto de 2025, quando repórteres holandeses que investigavam Friedrich Kadgien — oficial nazista responsável por lidar com bens confiscados pelo regime e consultor financeiro de Göring — identificaram o retrato pendurado sobre um sofá de veludo verde em uma foto do anúncio imobiliário. O jornal rotterdamês 'Algemeen Dagblad' publicou a descoberta; o anúncio sumiu horas depois. Após buscas frustradas, o advogado da família entregou a obra às autoridades.
A pintura estava com Patricia Kadgien, filha de Friedrich, e seu marido, em Mar del Plata. O casal foi acusado de receptação qualificada, mas aceitou um acordo: renunciaram a qualquer direito sobre a obra e ficarão dois anos sob supervisão judicial, com obrigação de pagamentos a um hospital local. A autoria do retrato, antes atribuída ao barroco italiano Ghislandi, foi reatribuída por peritos argentinos a Giacomo Ceruti; seu valor foi estimado em 250 mil euros.
A pintura será devolvida a Marei von Saher, única herdeira sobrevivente de Goudstikker, que vive em Greenwich, Connecticut, e passou décadas buscando recuperar o acervo da família. Ela concordou em permitir que a obra seja exibida na Argentina antes de retornar a suas mãos. Durante as buscas, a polícia também apreendeu duas pinturas do século 19 e outras gravuras — todas ainda sob investigação para determinar se igualmente fazem parte do patrimônio saqueado pela guerra.
Um tribunal argentino aprovou nesta sexta-feira a devolução de um retrato do século 18 que desapareceu durante a Segunda Guerra Mundial. A pintura, intitulada "Retrato de uma Dama", havia sido roubada da coleção do marchand de arte judeu holandês Jacques Goudstikker e permaneceu perdida por décadas até reaparecer de forma inesperada em um anúncio imobiliário online.
A obra estava em poder de Patricia Kadgien e seu marido, Juan Carlos Cortegoso, que residem em Mar del Plata. Kadgien é filha de Friedrich Kadgien, um oficial nazista de alto escalão que fugiu para a Argentina após o colapso do regime. O casal foi acusado de receptação qualificada no ano passado, após investigadores descobrirem que mantinham a pintura apesar de saberem que ela era procurada por autoridades argentinas e internacionais. Conforme os termos do acordo aprovado pelo tribunal, ambos concordaram em renunciar a qualquer direito sobre a obra e permitir sua devolução, evitando assim um julgamento criminal. Como parte do acordo, permanecerão sob supervisão judicial por dois anos, durante os quais devem fazer pagamentos a um hospital local e manter as autoridades informadas sobre seu paradeiro.
A descoberta da pintura ocorreu por acaso em agosto de 2025, quando repórteres holandeses que investigavam Friedrich Kadgien identificaram o retrato pendurado sobre um sofá de veludo verde em uma fotografia de um anúncio de venda de imóvel. O jornal "Algemeen Dagblad", sediado em Roterdã, publicou a descoberta, e o anúncio desapareceu poucas horas depois. A polícia realizou buscas na residência várias vezes sem sucesso, mas mais de uma semana depois o advogado de Kadgien entregou a obra às autoridades.
Jacques Goudstikker foi um dos principais negociantes de arte europeus antes da guerra, conhecido por sua coleção que incluía obras de Rembrandt e Vermeer. Ele morreu em um naufrágio em maio de 1940 enquanto fugia de Amsterdã com a família no momento em que as forças alemãs invadiam os Países Baixos. Estima-se que aproximadamente 1.100 obras de sua coleção foram vendidas ilegalmente a Hermann Göring, conhecido como o braço direito de Adolf Hitler, que acumulou um vasto acervo de arte durante o conflito.
A autoria do retrato foi objeto de revisão. Durante décadas, a pintura foi identificada como obra do pintor barroco italiano Giuseppe Vittore Ghislandi e constava com essa atribuição nos registros da coleção de Goudstikker. No entanto, uma perícia ordenada pela Justiça e realizada pela Academia Nacional de Belas Artes da Argentina chegou a conclusão diferente, atribuindo a obra a Giacomo Antonio Melchiorre Ceruti. Especialistas autenticaram a pintura como parte da coleção de Goudstikker e estimaram seu valor em aproximadamente 250 mil euros.
Não está claro exatamente como o retrato chegou às mãos de Friedrich Kadgien, que atuava como consultor financeiro de Göring responsável por lidar com moeda estrangeira, metais preciosos e a venda de bens confiscados pelo regime nazista. Após a derrota da Alemanha, Kadgien fugiu para a Suíça e posteriormente para a Argentina, onde morreu em 1978 sem ter sido preso ou acusado de crimes de guerra.
A pintura será devolvida a Marei von Saher, a única herdeira sobrevivente de Goudstikker, que atualmente vive em Greenwich, Connecticut. Von Saher passou décadas tentando recuperar as obras de arte saqueadas de sua família. Seus advogados informaram que ela concordou em permitir que a pintura fosse exibida na Argentina antes de ser devolvida a ela. Durante as buscas realizadas em imóveis pertencentes a Kadgien e sua irmã em Mar del Plata, a polícia argentina também apreendeu duas pinturas do século 19, além de outras gravuras e impressões. As autoridades ainda investigam se alguma dessas obras também pode ter sido saqueada durante a Segunda Guerra Mundial.
Notable Quotes
Repórteres holandeses identificaram a pintura pendurada sobre um sofá de veludo verde em um anúncio imobiliário online— Relato da descoberta
Goudstikker foi um dos principais negociantes de arte da Europa antes da Segunda Guerra Mundial, conhecido por uma coleção que incluía obras de Rembrandt e Vermeer— Contexto histórico do marchand