Pela primeira vez na história eleitoral brasileira, a Justiça Eleitoral do Distrito Federal se prepara para fiscalizar o uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026 — tecnologia capaz de fabricar imagens, vídeos e áudios indistinguíveis da realidade. O TSE estabeleceu regras que exigem identificação clara de conteúdos gerados por máquina e proíbem a desinformação, enquanto o TRE-DF já recebe denúncias e afina suas ferramentas de rastreamento. O que está em jogo é algo mais antigo do que a tecnologia: a confiança coletiva na verdade como fundamento da democracia.
TRE-DF se prepara para fiscalizar uso de IA nas eleições de 2026
Conteúdo falso ou ofensivo não é permitido nas eleições
Por que o TRE-DF está tão preocupado com inteligência artificial agora, e não antes?
Porque a tecnologia só recentemente ficou acessível e poderosa o suficiente para criar conteúdo visual e sonoro convincente. Vídeos falsos de candidatos dizendo coisas que nunca disseram, imagens de eventos que nunca aconteceram — isso era ficção científica há poucos anos. Agora é possível em um computador pessoal.
Mas a lei permite o uso de IA. Então qual é exatamente o problema?
O problema é a identificação. A lei exige que conteúdo gerado por IA seja claramente marcado como tal. Mas nem todo mundo vai obedecer. E mesmo quem obedece pode usar a tecnologia de forma criativa para enganar — criar situações falsas, atribuir posições falsas a candidatos, tudo tecnicamente "identificado" mas ainda assim desinformação pura.
O TRE-DF já viu isso acontecer?
Não especificamente com IA ainda. Mas já recebeu mais de cem denúncias de propaganda irregular em geral. É um sinal de que o tribunal está recebendo muitas reclamações, e a maioria provavelmente não é sobre IA. Quando começar, porém, será diferente — mais difícil de detectar, mais fácil de espalhar.
E se alguém compartilhar um vídeo falso no seu perfil pessoal? Quem é responsável?
Todos são. O candidato que criou, o partido que distribuiu, o apoiador que compartilhou. A Justiça Eleitoral pode investigar qualquer um deles. Isso é novo e assusta muita gente, porque significa que você pode estar envolvido em propaganda irregular sem ser candidato.
Como o eleitor comum sabe o que é real?
Desconfiando. Especialmente de conteúdo que provoca reação emocional forte — medo, raiva, euforia. Esses são os gatilhos que fazem as pessoas compartilharem sem pensar. O tribunal recomenda verificar em fontes confiáveis, usar o aplicativo Pardal para denunciar, e lembrar que fotos e vídeos não são prova de nada mais.
Qual é o pior cenário que pode acontecer?
Um candidato eleito ter o mandato cassado porque usou IA para criar desinformação. Ou uma eleição inteira ser questionada porque ninguém sabe mais o que é real. O tribunal está tentando evitar isso, mas é uma corrida contra a tecnologia.
O Pulso
- Ferramentas de IA capazes de criar falsidades quase imperceptíveis chegam às eleições brasileiras antes que a sociedade tenha consenso sobre como contê-las.
- Mais de cem denúncias de propaganda irregular já chegaram ao TRE-DF, sinalizando que o campo eleitoral já ferve mesmo antes do início oficial das campanhas.
- A linha entre criatividade legítima e desinformação é tênue: a lei permite IA nas campanhas, mas exige identificação clara — e pune quem fabrica alianças ou situações que nunca existiram.
- A fiscalização alcança não apenas candidatos e partidos, mas qualquer apoiador ou terceiro que compartilhe material falso ou ofensivo, ampliando o raio de responsabilidade.
- O tribunal orienta eleitores a desconfiarem de conteúdos que exploram emoções intensas e a usarem ferramentas como o aplicativo Pardal e a página 'Fato ou Boato' para se proteger.
- As sanções possíveis vão da remoção do conteúdo à cassação de mandato — mas a eficácia real dessas defesas só será testada quando a campanha de 2026 começar de fato.
Pela primeira vez na história eleitoral brasileira, a Justiça Eleitoral do Distrito Federal se prepara para fiscalizar o uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026 — tecnologia capaz de fabricar imagens, vídeos e áudios indistinguíveis da realidade. O TSE estabeleceu regras que exigem identificação clara de conteúdos gerados por máquina e proíbem a desinformação, enquanto o TRE-DF já recebe denúncias e afina suas ferramentas de rastreamento. O que está em jogo é algo mais antigo do que a tecnologia: a confiança coletiva na verdade como fundamento da democracia.
A Justiça Eleitoral do Distrito Federal enfrenta em 2026 um desafio sem precedentes: regular o uso de inteligência artificial em campanhas políticas. Pela primeira vez, ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos e áudios realistas estarão disponíveis tanto para candidatos quanto para quem quiser usá-las para enganar.
Em março deste ano, o TSE estabeleceu as primeiras regras históricas para esse território. No DF, a vigilância cabe à COFPE, composta por juízes eleitorais, servidores e estagiários. O juiz Vitor Feltrim resume o princípio central: conteúdo falso ou ofensivo não é permitido — e, quando detectado, pode resultar em remoção, multa ou até cassação de candidatura ou mandato.
O tribunal já recebeu mais de cem denúncias de propaganda irregular desde o início do período pré-eleitoral, embora nenhuma envolva especificamente IA até agora. Suas ferramentas tecnológicas conseguem identificar materiais produzidos artificialmente e rastrear sua origem, com possibilidade de encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral.
O nó mais difícil é distinguir criatividade de desinformação. A lei permite IA nas campanhas, desde que o conteúdo seja claramente identificado como gerado por máquina. O problema surge quando a ferramenta é usada para inventar situações inexistentes — como um vídeo mostrando uma aliança entre candidatos que nunca ocorreu. Publicações de apoiadores e terceiros também estão sujeitas à fiscalização, o que amplia significativamente o alcance da responsabilidade.
Para os eleitores, o TRE-DF recomenda desconfiar de conteúdos que exploram emoções intensas, não tratar imagens como prova definitiva, consultar a página 'Fato ou Boato' e denunciar suspeitas pelo aplicativo Pardal. A campanha de 2026 será o primeiro teste real de se essas defesas são suficientes para proteger a integridade do processo democrático.
A Justiça Eleitoral do Distrito Federal enfrenta um desafio inédito nas eleições de 2026: regular o uso de inteligência artificial em campanhas políticas. Pela primeira vez na história eleitoral brasileira, ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos e áudios realistas estarão à disposição de candidatos e partidos — e também de quem quiser usá-las para enganar.
Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu as primeiras regras da história para governar esse novo território. No Distrito Federal, a responsabilidade de vigiar o cumprimento dessas normas recai sobre a Coordenação de Organização e Fiscalização de Propaganda Eleitoral, a COFPE, um órgão composto por três juízes eleitorais, servidores e estagiários. Segundo o juiz eleitoral Vitor Feltrim, a regra fundamental é simples em teoria, complexa na prática: conteúdo falso ou ofensivo não é permitido. Quando detectado, pode resultar em remoção do material, multa, ou em casos graves, até cassação do registro de candidatura ou do mandato de quem foi eleito.
O tribunal já está recebendo denúncias. Desde o início do período pré-eleitoral, mais de cem reclamações chegaram ao TRE-DF envolvendo propaganda eleitoral irregular — embora nenhuma tenha sido especificamente sobre uso indevido de inteligência artificial até o momento. O tribunal possui ferramentas tecnológicas capazes de identificar quando um material foi produzido artificialmente e de rastrear sua origem. Quando uma irregularidade é confirmada, o caso pode ser encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para ação adicional.
O grande desafio, porém, está em traçar a linha entre criatividade legítima e desinformação. A lei permite que candidatos usem inteligência artificial em suas campanhas — desde que identifiquem claramente que o conteúdo foi gerado por máquina e especifiquem qual tecnologia foi empregada. O problema começa quando alguém usa a mesma ferramenta para criar uma situação que nunca aconteceu. Feltrim oferece um exemplo direto: usar IA para gerar um vídeo mostrando o candidato A apoiando o candidato B quando essa aliança nunca existiu. Isso é desinformação. Conteúdos ofensivos e ataques a adversários também se enquadram como propaganda irregular.
Um aspecto particularmente delicado é que a fiscalização não se limita aos perfis oficiais de candidatos e partidos. Publicações feitas por apoiadores e terceiros também podem ser investigadas. Isso significa que qualquer pessoa que compartilhe material falso ou ofensivo relacionado às eleições pode estar sujeita a ação da Justiça Eleitoral.
Para se proteger, o TRE-DF orienta os eleitores a desconfiarem de conteúdos sensacionalistas que exploram medo, euforia ou emoções intensas. A recomendação é não tratar fotos e vídeos como prova definitiva de fatos, consultar a página "Fato ou Boato" da Justiça Eleitoral, denunciar conteúdos suspeitos pelo aplicativo Pardal, e verificar se materiais produzidos por IA estão devidamente identificados como tal.
O que está em jogo é a integridade de um processo eleitoral que, pela primeira vez, deve lidar com tecnologia capaz de criar falsidades praticamente indistinguíveis da realidade. O tribunal está preparado com ferramentas e regras. Agora, a campanha de 2026 testará se essas defesas são suficientes.
Citações Notáveis
Não pode haver conteúdo falso nem ofensivo. Se houver, trata-se de propaganda irregular e poderá haver representação eleitoral para remoção do conteúdo e aplicação de outras penalidades— Juiz eleitoral Vitor Feltrim, TRE-DF
A primeira coisa é sempre desconfiar de conteúdos sensacionalistas que estimulam o compartilhamento por meio do medo, da euforia ou de emoções fortes— Juiz eleitoral Vitor Feltrim, TRE-DF